Mostrando postagens com marcador Afeganistão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Afeganistão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma guerra para salvar a Otan

.
Uma guerra para salvar a Otan (How Afghanistan Became a War for NATO)
 
Por Gareth Porter, do IPS News

Gareth Porter é historiador e jornalista especializado na política de segurança nacional dos Estados Unidos, escreve para o Inter Press Service News Agency. Autor de: “Perils of Dominance: Imbalance of Power and the Road to War in Vietnam” , editado em 2006.

Washington, Estados Unidos, 5/1/2011 – A guerra contra a insurgência no Afeganistão é vital para a segurança dos próprios Estados combatentes, afirma o comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No entanto, parece que é mais importante para salvar a existência da própria aliança militar. A Otan desempenhou um papel central no Afeganistão devido à influência de funcionários norte-americanos em sua estrutura, segundo uma fonte militar dos Estados Unidos que pediu para não ser identificada. “Seu papel no Afeganistão tem mais a ver com a aliança militar do que com a situação desse país da Ásia central”, disse a fonte à IPS.

A Otan tem atualmente 140 mil soldados no Afeganistão, cem mil norte-americanos e os demais de alguns dos 26 países europeus e do Canadá, que completam esta aliança militar. Sua destacada participação se deve ao fato de o governo de George W. Bush (2001-2009) não desejava ter soldados ali que pudessem interferir com seus planos de controlar o Iraque.

O general James Jones, Comandante Aliado Supremo de 2003 a 2005, insistiu muito para que a Otan tivesse o principal papel em matéria de segurança no Afeganistão, segundo a fonte. “Jones vendeu ao então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, a entrega do Afeganistão à Otan”, afirmou, acrescentando que o fez com todo o apoio de funcionários do Pentágono com responsabilidades na estrutura da aliança.

Jones reconheceu em entrevista ao serviço de imprensa das forças norte-americanas, em outubro de 2005, que a Otan se esforçava para não se tornar irrelevante após a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, que reunia os países do antigo bloco socialista para se contrapor à aliança militar do Ocidente. Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, deram à Otan nova oportunidade para demonstrar sua importância.

Os aliados opuseram-se à guerra do Iraque, mas queriam demonstrar seu apoio à estabilização e reconstrução do Afeganistão. Jones exortou os membros da aliança a enviarem soldados para o Afeganistão. Sua postura coincidia com os interesses das autoridades civis e militares da Otan e com a cúpula militar dos países-membros. Mas o problema é que a opinião pública nos Estados que integram esta aliança era cada vez mais contra um envolvimento no Afeganistão.

Para que os países-membros concordassem em enviar tropas para esse país entre 2003 e 2005, Jones garantiu que atuariam somente depois que os Estados Unidos tivessem derrotado o movimento islâmico Talibã. “Não se deve pensar que haverá uma insurreição como no Iraque. Simplesmente não acontecerá”, assegurou Jones em 2004, após uma visita ao Afeganistão. Com as garantias de Washington e Jones, em setembro de 2005, os ministros da Defesa da Otan concordaram formalmente que a aliança assumisse o comando sul do Afeganistão no ano seguinte.

Imediatamente houve discordâncias entre os Estados Unidos e os países da Otan. Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha e Holanda venderam a missão no país asiático aos seus cidadãos como sendo de “manutenção da paz” ou de “reconstrução”, e não como sendo de contrainsurgência. Quando o governo de Bush quis mesclar os comandos dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão, alguns dos principais aliados rejeitaram a proposta porque suas missões eram diferentes. A França, por sua vez, estava convencida de que o governo Bush utilizava os efetivos da Otan para preencher o vazio deixado pelos soldados norte-americanos levados do Afeganistão para o Iraque, uma guerra à qual os aliados se opunham.

Os membros da Otan foram aprovando, uma após outra, “salvaguardas” que restringiam severamente a atuação de seus soldados em combate no Afeganistão. Contudo, a inteligência norte-americana informou que a insurgência aumentaria e se intensificaria na primavera de 2006.

Os debates públicos sobre a participação de efetivos da Otan sugerem “a existência de uma debilidade política da aliança”, alertaram o general Karl Eikenberry e o embaixador Ronald E. Neumann. Em 2005, Eikenberry foi comandante de todos os efetivos dos Estados Unidos no Afeganistão, e Neumann publicou em 2009 suas memórias sobre a missão nesse país.

Eikenberry reconheceu ainda que as táticas mais ofensivas do Talibã eram “um sinal de fraqueza”, apesar de ter assegurado que a insurgência estava sob controle. Não há sinais de que a situação no Afeganistão se torne como a do Iraque, disse Eikenberry ao ser consultado sobre essa possibilidade. Mas algumas semanas mais tarde, o Talibã lançou a maior ofensiva desde sua expulsão em 2001, apoderando-se das províncias de Helmand, Kandahar e várias outras do Sul.

Claramente sob as ordens de Rumsfeld, Eikenberry manteve a política de entregar o Sul do Afeganistão à Otan, em meados de 2006. No ano seguinte, foi recompensado e enviado a Bruxelas como vice-presidente do comitê militar da aliança. Eikenberry reconheceu, em fevereiro de 2007, perante o Congresso, que a política de delegar o Afeganistão à Otan só acontecia em beneficio da própria aliança. O funcionário argumentou que o fracasso no Afeganistão poderia “quebrar” a Otan, e classificou seu novo papel no país como um que poderia salvá-la. “A campanha do Afeganistão é uma forma de continuar a transformação da Otan”, afirmou.

A missão nesse país “pode significar o começo dos esforços mantidos pela Otan para realizar práticas operacionais em todos os âmbitos”, disse Eikenberry. Além disso, afirmou que a aliança poderia aproveitar o envio de efetivos ao Afeganistão para pedir urgência aos membros para uma “modernização militar”. A Otan foi um desastre absoluto no Afeganistão, escreveu o general canadense Rick Hillier, que comandou as forças da aliança nesse país entre fevereiro e agosto de 2004, em suas memórias “A Soldier First” (Um Soldado Primeiro), publicada em 2009.

Também afirmou que quando aceitou formalmente a responsabilidade do Afeganistão em 2003, a Otan “não tinha estratégia nem articulação clara do que desejava conseguir” e que sua atuação era “desastrosa”. A situação “se manteve inalterada” após vários anos de presença no Afeganistão, disse Hillier, que foi chefe do Estado Maior das Forças Armadas Canadenses entre 2005 e 2008.

A “Otan havia tomado um rumo que destruiu grande parte de sua credibilidade e terminou corroendo o apoio popular em cada um dos Estados-membros. O Afeganistão mostrou que a Otan chegou ao ponto de ser um corpo em decomposição”, acrescentou Hillier.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A sinuca afegã.

.
Na semana passada o general americano Stanley McChrystal, comandante das tropas da OTAN no Afeganistão, falou para o tablóide alemão Bild que os insurgentes estão criando uma situação de perigo constante para obrigar as tropas a ficarem nas bases, só se deslocarem em veículos blindados e evitar qualquer interação com a popiulação. Uma situação de quase de isolamento.

Segundo o Der Spigel, os militares alemães posicionados na região de Kunduz já estão nessa situação, o que torna sua participação militar na região, quase inútil.

Comentário Politicamente (In)Correto

Os americanos (e agora a OTAN por tabela), estão cometendo uma falha grave, que é não aprender com a história, nem com a história militar. Para um nação beligerante, não é uma posição muito experta.

Bastaria rever o que aconteceu com os soviéticos, foi exatamente igual, a estratégia do Taliban e dos chefes tribais, levou os soviéticos a se protegerem (ou se esconderem), apenas nas bases fortificadas e em Cabul, deixando o resto do país para os revoltosos.

O "país" é uma colcha de retalhos, todo dividido entre os chefes tribais, que tem como hobby guerrear entre si antes do café da manhã, mas quando são invadidos, unem-se e vão para o tudo ou nada.

Os afegãos fazem isso a séculos, o primeiro relato de invasão foi em 330 AC, por Alexandre o grande, arabes (que os converteram), mongois, ingleses e soviéticos, todos já tentaram.

Os caras são tão bons nisso que em 1919 os ingleses, ainda donos de metade do mundo, foram obrigados a reconhecer sua independência e sair do país.

Aguentaram a primeira parte da invasão soviética com fuzis de repetição da 2a guerra e o que conseguiam arrumar no mercado de sucatas militares internacional.

Depois veio a ajuda maciça dos americanos, com armas modernas e treinamento. Agora sabem usar armas automáticas e tudo de mais avançado que lhes cair nas mãos, com o plus do relevo, e da grana da papoula.

Quero ver os americanos sairem dessa, é uma sinuca de bico das mais bonitas, façam suas apostas.

domingo, 6 de setembro de 2009

O grande financiador do Taliban

É um segredo mal guardado que ninguém quer falar, a verdade que não é bem-vinda que a maioria prefere esconder. No afeganistão, uma das principais fontes do Taliban vem da ajuda anglo-americana que vai para o país.

Virtualmente todo grande projeto inclui uma boa cota para os insurgentes. Chame isso de dinheiro para proteção, chame extorção, ou, como o Talibam mesmo prefere chamar, despojos de guerra, a verdade é que os doadores internacionais, principalmente os Estados Unidos, são, em grande parte, financiando os seus próprios inimigos.

"Todos sabem o que está acontecendo", diz um oficial da embaixada americana, falando anonimamente.

É quase impossível determinar quanto os insurgentes estão gastando, tornando difícil
localizar as fontes dos fundos.

Mullah Abdul Sallam Zaeef, ex-ministro do Paquistão, um pouco mais que hipócrita quando ele disse ao GlobalPost que os militantes operam com financiamento próprio.

Sempre se pensou que o Taliban financiava suas operações através da produção e venda de ópio, que chegaria a 400 milhões de dólares por ano. De acordo com um artigo do Los Angeles Times, uma investigação do senado americano concluiu que o lucro na venda de ópio chega perto de 70 milhões de dólares apenas.

LA Times reporta: "Em uma das mais desconcertantes conclusões, o relatório do Senado afirma que os EUA 'inadivertidamente' contribuiu para o tráfico de drogas dos insurgentes...apoiando os chefes militares que tinham o seu ganha pão do fluxo de drogas ilegais... Estes chefes militares mais tarde negociaram o seu status como aliados dos americanos ao assumir altas posições no novo governo afegão, preparando o chão para a corrupção entre as drogas e as autoridades que permeia a estrutura de poder que se ve hoje no Afeganistão"
.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A vitória americana no Afeganistão

.
Da Folha de São Paulo:
O comandante das tropas dos Estados Unidos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, entregou nesta segunda-feira uma esperada revisão da estratégia militar no país. Sua avaliação indica que a guerra, que já dura oito anos, está em uma situação "séria", mas que o sucesso no conflito pode ser obtido com mudanças nas táticas.
Também da Folha:
Ao menos 25 de veículos e contêineres com suprimentos para as tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foram destruídos em um ataque com foguetes contra o comboio na Província sudoeste paquistanesa de Baluchistão, informou o canal Geo TV. No vizinho Afeganistão, a polícia afirma que um grupo de militantes do grupo islâmico radical Taleban fez uma emboscada contra um outro comboio da aliança militar no sul do país.
Comentário politicamente (in)correto
O atoleiro está montado, se ficarem o pau continua comendo e sem perspectiva de solução, se sairem demonstram não ter condições de aguentar o tranco e dá a deixa que os radicais querem para apregoar a capacidade de vencer o demônio ocidental, pela segunda vez (fizeram isso com os soviéticos).
Os radicais de cá colocaram uma parte do mundo em outra guerra santa, isso nunca terminou bem. De quebra, colocaram gasolina na fogueira regional. Só podia ser mais uma dessas coisas de guerra santa..... Volta e meia parece um maluco filho da puta para inventar uma.
PS. O bush it deixou o Obama numa roubada, quero ver sair dessa.
PS linha. Os americanos deveriam começar a estudar história, nem que seja a deles, poderiam ver esse "deja vu" que estou vendo....
.