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sábado, 24 de abril de 2010

A igreja alemã sofre as conseqüências da pedofilia de seus membros

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Do The Sidney Morning Herald.

A igreja católica alemã está pagando pela omissão e acobertamento dos casos de pedofilia.

Apenas 16 % dos alemães confiam na igreja católica e 24% no papa.

Nas províncias onde aconteceram os abusos, os números são mais preocupantes, em Munich, 472 pessoas declararam que abandonaram o catolicismo, quase 4 vezes superior aos que haviam declarado a mesma coisa nos 90 dias anteriores.

Em Passau, Baviera, a mesma coisa, relatórios indicam que 300 pessoas abandonaram o catolicismo.

O porta-voz de diocese, Wolfgang Duschl, disse que, '' houve um aumento significante e rápido no número das pessoas que têm deixado a igreja, até mesmo nos últimos dias. Mas em março o abandono foi mais sentido. ''

Os números são relativamente precisos, pois foram obtidos nas declarações de imposto de renda. A legislação alemã permite que a pessoa se registre ou se "desregistre" como seguidor de uma religião, possibilitando que parte do imposto seja destinado à religião declarada. O desregistro implica em menos dinheiros para as instituições religiosas.

Um dos desistentes entrevistados em Regensburg, Waltrau Hanke, disse: '' Por que eu deveria destinar meu imposto para proteger padres pedofilos que são simplesmente transferidos para o outro lado do mundo, onde podem continuar com as perversões?''

Uma mulher citada na reportagem da Taggespiegel afirmou: '' Meus dois filhos foram coroinhas, agora estou com medo de que algo possa ter acontecido a eles. O que sou devo fazer? Perguntar se o padre fez algo a eles? ''

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O papa não está acima da lei

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O papa não está acima da lei
Tradução: Daniel Lopes do site Amálgama.

Do original:
The Pope Is Not Above the Law

The crimes within the Catholic Church demand justice.
By - Slate

Uma por uma, como eu previ, as patéticas desculpas dos defensores de Joseph Ratzinger evaporam diante de nossos olhos. Era dito até recentemente que quando o reverendo Peter Hullermann foi descoberto como um pederasta viciado em 1980, o homem que hoje é papa não teve envolvimento pessoal na sua subsequente transferência para sua própria diocese ou em sua futura e desempedida carreira como estuprador e molestador. Mas agora descobrimos que o psiquiatra que a igreja procurou para “terapia” foi inflexível em que Hullermann nunca mais deveria ser permitido se aproximar de crianças. Também descobrimos que Ratzinger foi um daqueles a quem o relatório sobre a transferência de Hullermann realmente se destinava. Todas as tentativas para colocar a culpa em um leal subordinado, o vigário-geral de Ratzinger, reverendo Gerhard Gruber, previsivelmente falharam. De acordo com uma recente reportagem, “a transferência do padre Hullermann de Essen não teria sido uma questão rotineira, dizem especialistas.” Ou isso – o que já é bastante condenatório – ou talvez teria sido uma questão rotineira, o que é ainda pior. Certamente o padrão – de encontrar uma outra paróquia com crianças frescas para o padre violentar – se tornou horrível “rotina” desde então, e se tornou prática padrão quando Ratzinger virou cardeal e ficou encarregado da resposta global da igreja à pederastia clerical.

Então agora uma nova defesa teve que ser apressadamente improvisada. É dito que, durante seu período como arcebispo de Munique e Freising, Alemanha, Ratzinger estava mais preocupado com questões doutrinais do que com meras questões disciplinares. Claro, claro: O futuro papa tinha seus olhos fixos em questões etéreas e divinas e não poderíamos esperar que se preocupasse com atrocidades de nível paroquial. Essa desculpa tosca na verdade compensa um pouquinho de exame. Quais exatamente eram essas questões doutrinais? Bem, fora punir um padre que celebrou uma missa num protesto anti-guerra – o que incidentalmente parece falar a favor de uma abordagem “prática” em relação a clérigos –, a principal preocupação de Ratzinger parece ter sido com primeira comunhão e primeira confissão. Na década anterior, havia se tornado habitual na Baviera submeter crianças à primeira comunhão com pouca idade, mas esperar um ano até que fizessem a primeira confissão. Era uma questão de se elas eram velhas o bastante para entender o processo. Basta desse liberalismo, disse Ratzinger, a primeira confissão deveria ocorrer no mesmo ano da primeira comunhão. Um padre, reverendo Wilfried Sussbauer, informa que escreveu a Ratzinger expressando receios acerca dessa medida e recebeu “uma carta extremamente cáustica” em resposta.

Então parece que 
1) Ratzinger estava bastante disposto a acertar as contas com padres que lhe dessem qualquer problema e 
2) ele era bastante firme a respeito de um ponto crucial da doutrina: Pegue as crianças ainda novas. Diga a elas durante a infância que elas é que são as pecadoras. Incuta nelas o sentimento de culpa necessário. 

Isso não é de todo irrelevante para o nojento escândalo no qual o papa agora irremediavelmente mergulhou a igreja que lidera. Quase todo episódio desse show de horror envolveu crianças pequenas sendo seduzidas e molestadas em confessionários. A se tomar os mais lacerantes casos que emergiram recentemente, a saber, o tormento de crianças surdas em escolas administradas pela igreja em Wisconsin e Verona, Itália, é impossível deixar passar a maneira calculada com que os predadores usaram a autoridade do confessionário para praticarem seus atos. E mais uma vez o padrão idêntico se repete: Compaixão deve ser mostrada apenas em relação aos criminosos. O próprio congênere de Raztiner em Wisconsin escreveu-lhe urgentemente – nessa época ele era cardeal em Roma, supervisionando o acobertamento global católico de estupro e tortura –, suplicando para que removesse o reverendo Lawrence C. Murphy, que havia arruinado as vidas de 200 crianças que não podiam comunicar sua situação exceto em linguagem de sinais. E nenhuma resposta estava a caminho, até que o padre Murphy apelou ao perdão de Ratzinger – que lhe foi concedido.

Para Ratzinger, o único teste para bom padre é esse: Ele é obediente, discreto e leal à ala tradicionalista da igreja? Testemunhamos isso em outras ações suas como papa, notavelmente na suspensão da excomunhão de quatro arcebispos que eram membros da auto-proclamada Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, aquele grupo de cismáticos de extrema-direita fundado pelo padre Marcel Lefebvre, e que incluiu o negador do Holocausto Richard Williamson. Testemunhamos isso quando ele era cardeal, defendendo a idólatra e medonha Legião de Cristo, cujo líder fanático conseguiu se tornar pai de algumas crianças, bem como proteger a violação de muitas mais. E testemunhamos hoje, quando incontáveis estupradores e pederastas estão sendo desmascarados. Um dos acusados na escola de surdos em Verona é o arcebispo da cidade, Giuseppe Carraro. Na sequência, se nossas cortes encontrarem tempo, estará o reverendo Donald McGuire, um ofensor serial contra garotos que também foi confessor e “diretor espiritual” de Madre Teresa. (Ele, também, achou o confessionário um lugar agradável e privado, do qual fez grande uso.)

É isso o que torna o escândalo institucional, e não uma questão de delinquência aqui e acolá. A igreja precisa e quer o controle de crianças muito novas, e pede aos pais para confiarem seus filhos a certos “confessores”, que até recentemente gozavam de enorme prestígio e imunidade. Ela não pode se permitir a admissão de que muitos desses confessores, e seus superiores, são sádicos calcificados que mal podem acreditar na própria sorte. E nem pode se permitir a admissão de que regularmente abandonou as crianças e fez seu melhor para proteger e às vezes mesmo promover seus atormentadores. Então, ao invés, ela está chorosa e falsamente declarando que todas as acusações contra o papa – nenhuma delas vindo à tona a não ser de dentro da própria comunidade católica – são parte de um plano para embaraçá-lo.

Isso não foi verdade até aqui, mas é necessário que seja verdade de agora em diante. Esse terrível homenzinho não está acima ou fora da lei. Ele é o cabeça titular de um pequeno estado. Sabemos cada vez mais dos nomes das crianças que foram vítimas e dos pederastas que foram seus carrascos. Isso é um crime sob qualquer lei (bem como um pecado), e crimes não demandam doentias cerimônias privadas de “arrependimento” ou falsas compensações por meio de pagamentos financiados pela igreja, mas sim justiça e punição. As autoridades seculares têm sido fracas por muito tempo, mas agora alguns advogados e procuradores estão começando a se movimentar. Sei de alguns sérios homens da lei que estão discutindo o que fazer se Bento tentar levar a cabo sua intencionada viagem à Grã-Bretanha no outono. Basta! Um acerto de contas deve ser feito, e deve começar agora.

sábado, 27 de março de 2010

Pedofilia na igreja, uma bola de neve?

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Como era previsto, agora chegou a vez da Itália...

Padres e empregados do Instituto Católico Antonio Provolo de Verona foram acusados de ter abusado de 67 crianças surdo-mudas dos anos 50 até 1984.

O porta-voz da diocese, Bruno Fasani, confirmou as novas investigações, mas classificou a cifra de "não confiável" (que número seria confiável, os dados fornecidos pelos pedófilos?).

Sob o título "O inferno italiano", L''Espresso publicou na sexta um novo artigo dando conta de "40 casos de abusos" cometidos por religiosos no norte da Itália.

As vítimas reclamam do tratamento brando dado pela mídia italiana ao assunto e o silêncio das autoridades que, até o momento, não se manifestaram.

Comentário Politicamente (In)Correto

As autoridades e a própria lei italiana são famosas pela proteção aos religiosos criminosos, mas até quando?

Será que a ignorância determinada pelo que chamam de fé, vai conseguir manter esse apego italiano pelo vaticano?

Pensando bem, os crimes cometidos por religiosos já deixaram de ser uma bola de neve, viraram uma avalanche.

Papa pede a jovens que rejeitem ‘sexo desordenado’

Para uma plateia de 70 mil jovens (não seriam potenciais vítimas de padres pedófilos?), o papa recomendou que rejeitem as "tentações", incluindo o sexo desordenado.

Em Comentário Politicamente (In)Correto

O ex-nazista, ex-inquisitor mor e atual chefe da igreja apostólica romana deveria falar isso para os padres e bispos pedófilos.

Toda a cretinice tem seu limite e desse cara já foi ultrapassada quando publicou um documento determinando a punição de quem levasse a público as denúncias contra padres pedófilos (vide o post de 05/03/2009)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Religiosos, depois da Irlanda, a Alemanha

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Depois do relatório que mostra os 80 anos de abussos cometidos por religiosos católicos na Irlanda (Montado num Porco 22/09/2009), a bola da vez é a Alemanha.

Mais de 100 padres e pessoas ligadas a igreja católica são suspeitos de abusar sexualmente de fieis, isso apenas nos últimos anos, segundo um artigo da Der Spiegel intitulado Shame and Fear - Inside Germany's Catholic Sexual Abuse Scandal (Vergonha e Medo - Os escândalos dos abusos sexuais católicos, vistos por dentro).

Mais do que ser conivente, a igreja católica, ciente dos abusos cometidos por seus membros, tem sido cúmplice e culpada por obstrução contínua da justiça, ajudando religiosos a fugir e proibindo, através do juramento de seus membros (para toda a "eternidade" em nome do pai, do filho e do "espírito santo"), que o assunto não ultrapasse os muros do clericado.

De acordo com as instruções de Roma, já em 1962, através da famigerada Congregação para a Doutrina da Fé, popularmente conhecida como "santa inquisição" (o atual papa foi um de seus presidentes), foi determinado que os bispos lidassem firmemente com cada caso individual, mas de forma que tudo permanecesse dentro dos confins da "santa igreja". A desculpa para essa posição foi de assegurar o "segredo da confissão" e manter a posição da igreja e do clero como autoridade moral "superior".

A determinação dizia que nada pode minar a posição dessa autoridade, justificando acobertar o abuso sexual de crianças e adolescentes, cometido por milhares de padres católicos, as relações secretas entre padres e empregadas(os) e mesmo o amor entre clérigos.

Por décadas os bisbos germânicos tentaram esconder os crimes ou tratando-os como casos isolados de "desvios" de conduta. As acusações só ganharam força por causa de um relatório que se tornou público e mostra que de 1995 para cá, 94 padres e membros láicos da igreja são suspeitos de abusos sexuais constantes e contínuos contra crianças e adolescentes.

Isso gerou a criação de um grupo denominado Round Table for Care in Children's Homes , para avaliar as acusações. Esse grupo publicou um relatório preliminar que contém resultados dramáticos.

De acordo com o relatório, mais de 150 vítimas de abuso sexual reportaram abusos sofridos recentemente. Como de uma garota de 15 anos, obrigada a sentar no confessionário e assistir um padre se masturba. Quando ela tentou fugir, foi derrubada por freiras que a obrigaram a ir para casa.

Nunca houve uma investigação sistemática em quantas escolas católicas, casas e reitorias foram cometidos os abusos sistemáticos, mesmo quando havia fortes evidências.

O grupo Round Table for Care in Children's Homes planeja apresentar seu relatório final ao término do ano.

A ponta do Iceberg

A igreja tem assumido uma postura defensiva que decorre do medo de perder a hegemonia moral, esse medo garante a proteção dos religiosos criminosos e no mínimo, ignorar às vítimas, quando não as acusa ou as ameaça de excomunhão.

Segundo a revista, os "fiéis" estão decepcionados pelo fato de que a igreja protegeu os criminosos sistematicamente e ignorou as vítimas, acobertou o abuso sexual cometido por seus próprios membros durante décadas, permitindo que padres pedófilos deixassem, impunes, um rastro de devastação emocional ao longo de todo o País.

Segundo a revista, o presidente da Conferência dos Bispos alemães, Arcebispo de Friburgo Robert Zollitsch, não ofereceu qualquer palavra convincente de desculpa ou gestos enfáticos de conforto às vítimas. Depois de vacilar por dias, ele decidiu não conceder para a Der Spiegel uma entrevista.

Ainda segundo a revista, a posição oficial da igreja prefere que o sofrimento de suas vítimas não se torne público ou um assunto principal, mas no fundo, porque isso não se ajusta a visão hipócrita que os cléricos católicos tem do mundo.

A reação religiosa tem fundamento, mesmo internamente, as posições assumidas tem sido questionadas.

Além da Faculdade de Canisius e as escolas em St. Ansgar e St. Blasien, houve revelações de abuso na Faculdade de Aloisius dos Jesuítas no bairro de Godesberg Ruim de Bonn onde gerações inteiras de crianças de conhecidos políticos e diplomatas foram para a escola.

O artigo completo "Shame and Fear - Inside Germany's Catholic Sexual Abuse Scandal" (em inglês), está disponível na Der Spiegel.

Discute os abusos, mas também a questão do celibato e a posição dúbia, e mesmo criminosa, da igreja frente a crimes dessa natureza, cometidos por seus membros. Vale a pena ler.


Comentário Politicamente (In)Correto

Um fato chama a atenção, padres, irmãos e similares são os criminosos que vem a público, não vemos menção de bisbos, arcebispos e outros "altos" cléricos....... pelo visto, na igreja, poder também é sinônimo de inimputabilidade e impunidade.