sexta-feira, 11 de junho de 2010

Antes tarde do que MAIS tarde...

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Colaboração do N.

Sandra Starling é mais uma petista histórica a abandonar o barco.

Sai atirando, e mostrando os desvios de conduta de um partido que - houve época - já foi tido com sério até pelos adversários.

O sentimento que revela em Minas é o mesmo que se percebe no PMDB gaúcho em relação à mesma composição espúria por aqui.

PMDB e PT são adversários no mesmo campo, que até se apoiaram por respeito em diversos momentos históricos.

Mas composições eleitoreiras não fazem o estilo nem de um nem de outro.

Ou melhor, não faziam.

Hoje ambos são arremedos do que foram.

O PT compra quem pode, o PMDB se vende a quem der mais.

Resultado: se juntam e, juntos, se desmoralizam.

E o PSDB, com seus irmãos menores, vai ganhando espaço.

Restam vozes isoladas como a de Starling em Minas e Simon no Rio Grande do Sul, cada vez mais esmagadas pelo caciques.

Lula, Sarney, Temer, cruz credo.

2012 já chegou, no planalto central.

(Segue após o texto de Sandra.)

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Carta de desfiliação de Sandra Starling do PT

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO

Adeus ao Partido dos Trabalhadores

Sandra Starling

Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.

É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes. Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores.

Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional. Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.

Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar. Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima.

Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”

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PS:
De nós, gaúchos, dizem que somos egocêntricos, narcisistas, arrogantes e por aí afora.
Mineiros e paulistas, que nos consideram meio platinos, gostam muito de dizer estas coisas.
Mas cruzes, percebam no texto de Sandra:
"Em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma."
Minas se acha o umbigo do universo.
De lá surgiram fatos marcantes de nossa História, é verdade, mas vejam os principais:
+ Uma Inconfidência que não deu em nada e resultou na execução única de seu membro mais modesto, até hoje festejada como um grande ato;
+ um presidente que enterrou o Brasil em uma crise inflacionária que quase nos liquidou;
+ um golpe de estado que resultou na mais sangrenta ditadura que o país já sofreu;
+ e um santo barroco hábil em política, que poderia ser o contraponto a isto tudo, mas mineiramente saiu de cena antes de assumir a presidência.
Mesmo assim, os mineiros, agora como sempre, acham que é lá que " jogava-se a partida decisiva para os rumos do País".
Uai, sô!
E os narcisistas somos nós...

12 dias para a plenária da Comissão Internacional da Baleia (CIB)

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Estamos à 12 dias da plenária da Comissão Internacional da Baleia (CIB), onde será votado a volta da caça comercial das baleias com o fim da moratória. Isso é inadmissível e um retrocesso. A proposta autoriza a matança destes animais dentro de santuários de baleias e estabelece novas cotas de captura.

As organizações não-governamentais contestam as intenções da comissão e alertam para colapso de todo o esforço empreendido em mais de duas décadas pela preservação das baleias.
Pedimos ajuda para impedir a volta da caça comercial de baleias.

Acessem o site da campanha do Chile por Caça Zero de Baleias, (www.cerocazadeballenas.cl) assinem a petição e ajudem a divulgar esta mensagem.

O atual presidente da Comissão da Internacional Baleia é chileno, por isto a petição está baseada lá.

Vamos fazer a balança pesar em favor das baleias.

Contamos com a força da rede para nos ajudar.

Sob qualquer aspecto, é absurdo que em pleno século XXI uma frota japonesa e outra norueguesa continuem autorizadas a matar estes animais magníficos e únicos.

Eu estava longe

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Fiquei alguns dias sem atualizar o blog porque estava longe, a trabalho.
A foto abaixo, não é montagem, é de bem perto desse lugar e foi tirada pelo meu amigo Luck, companheiro de viagem e de trabalho.
O calor era tanto que não deu vontade de sair do carro para aparecer na foto.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Porque tantos posts sobre Israel e a Palestina?

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Simples, Israel é um estado racista, que faz uma limpeza étnica e um genocídio a conta gotas, chega!

Por um estado Palestino livre!

Os políticos e as fraldas

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Colaboração do AC

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão."

(Eça de Queiroz)

Comentários Politicamente (In)Corretos

2010 é ano de eleições e, mais do que nunca, está na hora de trocar as fraldas

Não reeleja ninguém, não dê continuidade a nada, troque as fraldas e lave a bunda que virou a política brasileira


domingo, 6 de junho de 2010

Governo turco denuncia torturas aos membros da frota em Israel

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Membros da embarcação atacada na segunda-feira asseguraram ter sofrido torturas sexuais, psicológicas e físicas

Do Estadão em 06 de junho de 2010

ISTAMBUL - O vice-primeiro-ministro e porta-voz do Governo da Turquia, Cemil Çiçek, assegura que os integrantes da frota humanitária sofreram torturas durante sua retenção em Israel, informou hoje a imprensa local.

"Visitei, junto ao primeiro-ministro (Recep Tayyip Erdogan), os feridos hospitalizados. O que nos explicaram é algo que a consciência humana é incapaz de aceitar. Sofreram sérias torturas. Se vê claramente nas marcas que deixaram em seus corpos", afirmou em declarações publicadas hoje pelo jornal "Milliyet".

O presidente da ONG turca IHH e um dos principais organizadores da frota, Bülent Yildirim, já acusou na sexta-feira passada Israel de ter submetido os seus a torturas físicas e psicológicas". Em declarações à rede de televisão "NTV", membros turcos da expedição humanitária asseguraram ter sofrido "toques genitais" e outros tipos de torturas sexuais.

O ministro porta-voz turco manifestou seu desejo de que os organismos internacionais averiguem estes fatos e tomem declarações das vítimas turcas do ataque israelense. Concretamente, pediu ao Comitê para a Prevenção da Tortura da União Europeia que vá à Turquia para entrevistar as vítimas das supostas torturas.

"Estes organismos devem esclarecer o que aconteceu nos casos da tortura realizada pelos soldados israelenses", exigiu Çiçek e lembrou que "a tortura é um crime contra a Humanidade". O diário "Hürriyet" publica hoje uma série de fotografias realizadas pelos membros da frota nas quais se vê vários soldados israelenses feridos.

Em uma das imagens se vê um soldado chorando e com a cabeça ensanguentada,supostamente após ter sido atingido pelos tripulantes do navio. Em outra fotografia se vê o corpo do fotógrafo turco Cevdet Kiliçlar, morto com um disparo na cabeça a pouca distância.

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A seguir, fotos dos feridos na abordagem de segunda-feira.
Israel agora está alegando que os barcos transportavam armas e munições.
Seria de perguntar por que não foram usadas na resistência à abordagem.
Não: a resistência foi feita com ferros e correntes.
O que não impediu que Israel justificasse seus tiros e violência como "legítima defesa".
"Legítima defesa" contra o que, cara pálida.
Os barcos foram abordados em águas internacionais, pela força armada regular de um país.
Típico ato de "corso", ou seja, pirataria de estado.
De qualquer forma, segue a guerra de propaganda.
Detalhe: estas fotos nada tem a ver com os fatos descritos no texto acima.
Aquele se refere à violência contra tripulantes sequestrados dos barcos, já em terras israelenses.
Estas (a seguir) são dos feridos pelos soldados israelenses durante a abordagem.
Tudo muito "civilizado".


















A verdade por trás da propaganda israelense

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Primeiro um texto de apresentação.

Depois um texto do apresentado.

Um daqueles jornalistas que todos os jornalistas gostariam de ser.

Leiam.

N.

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Filho de um ex-soldado britânico da Primeira Guerra Mundial, Robert Fisk estudou jornalismo na Inglaterra e Irlanda. Trabalhou como correspondente internacional na Irlanda - cobrindo os acontecimentos no Ulster - e Portugal. Em 1976, foi convidado por seu editor no The Times para substituir o correspondente do jornal no Oriente Médio. Fisk trabalhou para o The Times até 1988, quando se mudou para o The Independent - após uma discussão com seus editores sobre a modificação de seus artigos, sem seu consentimento.

Robert Fisk cobriu a guerra civil do Líbano (iniciada em 1975), a invasão soviética de Afeganistão (1979), a guerra Irã-Iraque (1980-1988), a invasão israelense do Líbano (1982), a guerra civil na Argélia, as guerras dos Balcãs e a Primeira (1990-1991) e aSegunda Guerra do Golfo Pérsico (2003). Fisk notabiliza-se também pela cobertura ao conflito israelo-palestino. Ele é um defensor do diálogo dos países árabes e do Irã com Israel.

Considerado como um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio, Fisk contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados libaneses de Sabra e Chatila, os assassinatos de Saddam Hussein, as represálias israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e Irak.

Fisk também entrevistou Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, em 1993 (no Sudão) e 1997 (no Afeganistão). As duas entrevistas estão no monumental "A grande guerra pela civilização", editado no Brasil pela Planeta em 2007 e cujas 1493 páginas a gente lê sem sentir.

Robert Fisk é o correspondente estrangeiro britânico mais premiado. Recebeu o Prêmio Correspondente Internacional Britânico do Ano sete vezes (as últimas em 1995 e 1996).

Também ganhou o Prêmio à Imprensa da Anistia Internacional no Reino Unido em 1998 e 2000.

Se existe um nome respeitado, na imprensa internacional, é ele.

Então, vamos a seu texto:

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Robert Fisk:


A verdade por trás da propaganda israelense


5/6/2010, The Independent, UK


Eu também, claro, horrorizei-me ao ver homens armados abordando navios em águas internacionais, matando passageiros a bordo que tentavam resistir e em seguida sequestrando o barco e atracá-lo em porto nacional dos piratas sequestradores. Falo, claro, dos piratas somalis que agem em águas ocidentais no Oceano Índico. Como se atrevem, esses terroristas, a tocar em nossos barcos desarmados em alto mar? Temos todo o direito de enviar nossos navios de guerra, para impedir a ação desses terroristas.

Mas... ufa! Sorte, que os israelenses não cobraram resgate! Só querem que os jornalistas vençam, em nome deles, a guerra da propaganda.

A semana mal raiara, e “comandos” de Israel atacaram um barco turco que levava ajuda humanitária para Gaza e mataram nove passageiros. No final da semana, os que protestaram contra esse assalto já estavam convertidos em “ativistas pacifistas armados”, antissemitas pervertidos, que “professam o pacifismo, mas destilam ódio, atacando outros seres humanos com porretes de metal”. Gostei da parte ficcional. A evidência de que os seres humanos que se defenderam com barras de metal estavam recebendo tiros à queima-roupa foi varrida dessa estranha versão dos fatos.

Declaração de uma família turca, de que seus filhos haviam dito que queriam ser mártires – coisa que muitos membros de muitas famílias turcas diriam, se seus parentes fossem assassinados à queima-roupa por israelenses – foram convertidas em prova de que o barco turco conduzia jihadis.

“Naquele barco”, escreveu-me alguém nascido no Sri Lanka, “estavam minha sobrinha, meu sobrinho e a esposa. Infelizmente, Ahmed (meu sobrinho, 20 anos) foi ferido à bala na perna e está hospitalizado, sob custódia militar. Havendo notícias, escrevo.” E escreveu. Poucas horas depois, a imprensa cercou a casa da família na Austrália, perguntando se Ahmed seria jihadi – ou, talvez, potencial suicida-bomba. A propaganda funciona, vejam só.

Não vimos um bit de filme dos protestos, em todo o mundo, porque os israelenses confiscaram tudo. Ninguém explicou por que – se o barco turco conduzia gente tão perigosa – o terrível complô para ajudar os “terroristas” de Gaza não foi descoberto durante a longa viagem desde a Turquia, sequer quando o barco atracou noutros portos. Pois o professor Gil Troy da Universidade McGill em Montreal – em matéria publicada no raivoso e fanático Canadian National Post, é claro – ainda repetia esse lixo sobre “ativistas pacifistas armados”, na 5ª-feira.

Pessoalmente, a matança no barco turco não me surpreendeu. No Líbano, vi esses esquadrões da morte, simulacros de exército, em ação – simulacros de exército, como são também os esquadrões da morte (“grupos de elite”) dos exércitos árabes –, matando civis. Vi-os também, assistindo sem intervir ao massacre de palestinos em Sabra e Shatila na manhã de 18 de setembro (último dia da matança); naquela ação, foram substituídos pelos aliados viciosos das milícias libanesas, mais do mesmo. Eu os vi, em Qana, no primeiro massacre de palestinos por pistoleiros israelenses, em 1996; um dos pistoleiros, na imprensa israelense, chamou os 106 civis mortos de “Arabushim” (termo racista e ofensivo para “árabes”). Mais da metade dos mortos eram crianças. Pouco depois , o governo israelense de Shimon Peres (Prêmio Nobel da Paz!), disse que havia terroristas entre os civis. Mentira, mas... quem liga? E depois, veio o segundo massacre de Qana em 2006 e depois a matança de 1.300 palestinos no ataque de Israel a Gaza em 2008-09, e depois...

Ora, depois veio o Relatório Goldstone, que descobriu que o exército de Israel (e o Hamás) cometeram crimes de guerra em Gaza. Mas todos foram declarados antissemitas – o pobre respeitável juiz Goldstone, ele próprio judeu, além de renomado jurista sul-africano, massacrado também, e declarado “homem do mal” pelo abominável Al Dershowitz de Harvard. – E o relatório foi decretado “controverso” pelo bravo governo Obama. “Controverso”, em inglês, significa “fuck you”. Há dúvidas sobre o relatório. Negócio barra pesada.

Mas voltemos à nossa cronologia. Depois, houve o assassinado, pelo Mossad, de um dirigente do Hamás, em Dubai. Os israelenses usaram pelo menos 19 passaportes britânicos e de outros países, roubados e adulterados. Qual foi a patética reação do então secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband? Disse que fora “um incidente”. Não o assassinato em Dubai, vejam só, mas a adulteração dos passaportes, assunto super “controverso”, claro. E depois... Aí está. Agora, nove pessoas foram assassinadas a tiros, no mar, por mais dúzia e meia de heróis de Israel.

O engraçado é que tantos jornalistas ocidentais – e incluo aqui a acovardada cobertura da BBC, do ataque aos barcos de ajuda humanitária – estão escrevendo exatamente como a maioria dos jornalistas israelenses. Ao mesmo tempo, muitos jornalistas israelenses escrevem, em Israel, com a coragem que se deveria esperar da ‘mídia’ ‘livre’. E escrevem lá, contra o exército israelense.

Vejam Amos Harel, no Haaretz[1], em matéria na qual analisa a formação do corpo de oficiais do exército de Israel. No passado, muitos saíam dos kibbutz de tradição socialista, de Telavive ou das planícies costeiras de Sharon. Em 1990, só 2% dos cadetes do exército eram judeus ortodoxos religiosos. Hoje, essa proporção já chega a 30%. Seis, dos sete tenentes-coroneis da Brigada Golani, são religiosos. Mais de 50% dos comandantes locais são religiosos “nacionais”, em algumas brigadas de infantaria.

Nada de mal, em alguém ser religioso. Mas – e embora Harel não destaque esse aspecto, apenas registre – muitos dos judeus ortodoxos apoiam a colonização da Cisjordânia e opõem-se à criação de um Estado palestino.

E os colonos ortodoxos são os que mais odeiam os palestinos, e querem tanto detonar qualquer chance de haver Estado palestino, quanto alguns oficiais do Hamás gostariam de detonar o Estado de Israel. Por ironia, foram os antigos oficiais do “velho” exército israelense, que estimularam os “terroristas” do Hamás a construir mesquitas em Gaza. Pretendiam contrabalançar, com mesquitas, o crescimento do “terrorista” Yasser Arafat, em Beirute. E fui testemunha de uma de suas reuniões. Mas a coisa continuará como sempre, a velha história, até que o mundo acorde. “Nunca vi exército mais democrático que o exército de Israel”, disse o infeliz filósofo francês Bernard-Henri Lévy, horas antes do morticínio.

É, o exército de Israel não tem rival, é a elite, é humanitário, heroico. Esperem só até os piratas somalis saberem disso!


[1] Ver “Has the IDF become an army of settlers?” [O exército de Israel converteu-se em exército de colonos religiosos fundamentalistas?], 6/6/2010, em http://www.haaretz.com/print-edition/opinion/has-the-idf-become-an-army-of-settlers-1.289151.






"Israel está fazendo muito dinheiro com a ocupação da Palestina", diz economista israelense

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20/05/2010 - 10:32 | Arturo Hartmann | Jerusalém

Os impactos de anos de ocupação israelense sobre a economia palestina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e a nova onda de migração de trabalhadores da Ásia para substituir a mão-de-obra palestina, confinada nos territórios, são os principais temas abordados pelo economista israelense Shir Hever, membro do Alternative Information Center, nessa entrevista ao Opera Mundi.

Segundo o estudioso, mestre em História e Filosofia pelo Instituto Cohen, na Universidade de Tel Aviv, Israel tem controle inclusive sobre as doações internacionais. Independente da moeda que ingressa nos territórios (dólar, euro, libra etc), o montante precisa ser aplicado no Banco Central de Israel, e depois, convertido para o shekel, dando lucro para o Estado judeu.

Efe (11/05/2010)

Checkpoint em Ramallah: todas as manhãs, dezenas de palestinos buscam trabalho em
colônias judaicas na Cisjordânia


Shir, autor de uma série de estudos sobre os impactos da ocupação – todos disponíveis para download em www.alternativenews.org – vive na Jerusalém dividida não apenas pela ocupação militar e pela política, mas por ações sócio-econômicas que ampliam o abismo criado pelo desejo de fazer da cidade uma capital israelense. Jerusalém é hoje, sem dúvida, a capital da ocupação.

Ainda que estejam sob a autoridade palestina, na verdade vilas e cidades dependem de Israel. Como isso ocorre, a economia da ocupação alimentando Israel?

a verdade, isso está na raiz da ocupação, quando o governo israelense procurava pelas políticas corretas para lidar com esse novo território sob seu controle. Havia um debate de como tratá-lo. Basicamente havia aqueles que diziam que a ocupação seria temporária, que não poderíamos anexar o território com todas essas pessoas e perder uma maioria judaica. Assim, seria melhor não investir na economia palestina, pois iríamos perder tudo no momento em que devolvêssemos os territórios à Jordânia ou ao Egito. Esse era o grupo do sionismo pragmático. O grupo mais messiânico dizia que o sionismo é um movimento, em andamento, de redenção religiosa. Estávamos destinados a continuar crescendo. Então a ocupação era um momento de triunfo e, obviamente, jamais iríamos devolver a terra.

Esse debate político refletiu-se no projeto econômico. Eles estabeleceram um Comitê Econômico, chamado Comitê Bruno, que aconselhou a manutenção da separação entre o Estado de Israel e os Territórios Ocupados Palestinos. As recomendações foram imediatamente rejeitadas e o governo instalou um Comitê Ministerial, que aconselhou uma maior liberdade nas ações para que ganhássemos mais tempo. Isso previa permissão a palestinos para que trabalhassem em Israel, que israelenses pudessem ir aos tPos, em número restrito, e deixar que produtos fossem importados e exportados. Na realidade, a política realmente adotada nem foi essa, foi muito mais livre, quase não havia restrições. Israelenses que quisessem ir a Belém ou Ramallah primeiro precisavam de permissão, mas com o tempo nem isso mais era exigido. Mas havia uma política, que não estava escrita em nenhum lugar, mas todos sabiam a seu respeito, e que foi imposta de uma forma muito coerente: não permitir a palestinos desenvolver qualquer negócio local que pudesse concorrer com um setor israelense. Isso é importante destacar porque não se acha em documentos oficiais.

Isso ocorre até hoje ou após Oslo as coisas mudaram?

Não, depois de Oslo a situação tomou uma direção um pouco diferente. [Os acordos de paz Oslo foram mantidos entre Israel e o presidente da OLP, Yasser Arafat e mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton]

Podemos dizer então que os palestinos estavam sob essa situação de não-desenvolvimento até Oslo?

Sim, pelo menos de uma forma direta. Hoje há muitas limitações em relação ao desenvolvimento, mas feitas de uma forma diferente. Até Oslo, a preocupação era limitar aos palestinos o uso de seus próprios fundos para criar desenvolvimento. O que acontecia era que se alguém quisesse investir numa empresa local, permissões para que trouxesse maquinários ou material bruto, ou ainda, para que tivesse acesso a instituições financeiras, eram negados.

Quais os termos, hoje, dessa ligação entre Israel e os territórios?

Se for a um mercado hoje nos territórios, quase todos os produtos estão em hebraico. Isso porque o caminhão com a placa israelense passa pelo posto de controle de forma fácil. É mais fácil enviar um caminhão de Haifa a Belém (uma viagem que dura cerca de 2h30) do que de Ramallah a Belém (viagem que poderia durar 30min). Há, por exemplo, uma fábrica de leite e derivados em Ramallah. Muitos palestinos veem na prateleira os produtos de Ramallah e os produtos da Novah, uma companhia israelense, e escolhem a Novah. É o mesmo preço, mas o produto israelense é mais fresco. Os palestinos sabem que os produtos de Ramallah ficaram no posto de controle por pelo menos um dia. Não esperam que seja de boa qualidade. Isso dá uma grande vantagem para as companhias israelenses.

Efe (14/05/2010)

Ativistas de diretos humanos tentam evitar prisão de garoto palestino que havia jogado pedras contra
veículos militares de Israel, em Hebron


Outra questão importante é a grande quantidade de subsídios que os assentamentos ganham do governo israelense. Pagam menos taxas, conseguem grandes empréstimos de capital, terra barata e muitos serviços públicos que não podem ter dentro de Israel. Se um israelense quiser começar uma indústria dentro de uma área industrial de um assentamento, como Ma´ale Adumin ou Atarot, terá condições muito mais favoráveis do que se o fizesse em uma cidade industrial, como Ashdod.

Uma questão que parece de grande importância é o controle que Israel exerce pelo fato de os territórios usarem o shekel israelense, um controle de políticas monetárias...

Isso é muito importante. Se você é do Brasil, então entende que caso controle a moeda, isso te dá muito poder, sobre quando criar inflação ou quando combater a inflação. Mas o que é ainda mais importante é que todo o dinheiro de ajuda humanitária que chega aos palestinos vem em forma de moeda estrangeira, euros, dólares ou ienes. No entanto, para que possam ser usados na economia palestina, devem ser convertidos em shekels, que por sua vez são usados para pagar salários, produtos, impostos e taxas. Então o que acontece é que esses fundos de fora que vêm aos palestinos ficam no Banco Central israelense. Isso significa, em termos práticos, que Israel está fazendo muito dinheiro com a ocupação da Palestina.

Como exportando a ocupação?

De acordo com a lei humanitária internacional, como poder ocupante, o poder soberano dentro dos territórios é Israel. Se uma criança não tem o que comer ou se há um doente que precisa de atenção médica, é responsabilidade israelense como poder soberano ocupante. Mas agora temos uma situação em que a comunidade internacional está disposta a tomar o papel de Israel. Em Gaza, de 70% a 80% da população recebe a maioria de suas calorias através de ajuda. E mesmo os 20% restantes suplementam a alimentação com a ajuda humanitária. Gaza é a região mais dependente do mundo hoje.


Jerusalém era o centro de cultura, política e economia, junto com Jaffa antes de 1948. Projetos recentes, como o Muro, desligaram esse centro do resto da Cisjordânia. Que impacto isso tem na economia e vida dos palestinos?

Jerusalém ainda é a cidade com a maior renda per capita e com a maior receita entre as cidades palestinas, inclusive Ramallah. Pessoas vivendo em Jerusalém que acham emprego em Israel, e muitas delas trabalham em Jerusalém Oeste e servem israelenses no seu trabalho, ganham a média de renda israelense, que é muito maior do que o valor na Cisjordânia. Eles têm, portanto, uma renda per capita alta, mas quando fazem suas compras, pagam preços israelenses. Ainda que Jerusalém tenha média de valores de salário maior do que qualquer lugar em Gaza ou na Cisjordânia, de acordo com os padrões israelenses, mais de 70% dos palestinos estão abaixo da linha de pobreza. Então é a cidade mais rica se você a olha como uma cidade palestina, mas é a cidade mais pobre se você a olha como uma cidade israelense.

A única forma que as pessoas de Jerusalém Leste têm de sobreviver é o fato de poderem usar a habilidade de estar na fronteira, de ter um cartão de identidade azul especial, que os trata como residentes, mas não cidadãos israelenses. Isso lhes dá a possibilidade de se moverem dentro de Israel. Podem andar também dentro da Cisjordânia. Por causa disso, podem ir a Ramallah ou a Belém, comprar por preços mais baratos e depois ir a Jerusalém Oeste para ganhar algum dinheiro. E se eles precisam de um hospital, vão ao Augusta Victoria, um hospital dentro de Jerusalém Leste que lhes dá um tratamento mais barato. Se precisam de serviços de bem-estar social, vão à Jerusalém Oeste, pois estão dentro do sistema israelense de assistência social. Que fique claro: esse não é um sistema oficial. E não quer dizer que são ricos ou que sua média de qualidade de vida seja melhor do que a da elite de Ramallah.

Como o Muro afeta a vida dos palestinos em Jerusalém?

O que o Muro está fazendo é tornar difícil aos palestinos de Jerusalém Leste fazer esse jogo de sobrevivência. Agora, se quiserem ir fazer compras em Ramallah, têm que esperar no posto de controle por horas. Mesmo que passem, esperam por horas. Se quiserem ir ao hospital, têm que esperar. Se quiserem mandar os filhos à escola, há um problema dependendo de que lado do Muro estão. Eles tentam superar as dificuldades que o Muro traz, mas é possível ver como ele está destruindo o padrão de vida. Por exemplo, muitos palestinos estão mudando-se para o lado oeste do Muro para que continuem a ter acesso a seus trabalhos, escolas, à assistência social. Eu fiz um estudo sobre os impactos econômicos do Muro na vida dos palestinos de Jerusalém Leste especificamente e estimei os custos, por danos, em 200 milhões de dólares por ano.

Efe (14/05/2010)

Manifestação em Ramallah pelo aniversário de fundação de Israel, data denominada "Nakba" - o desastre - pelos palestinos

Uma outra questão é a substituição da mão-de-obra palestina dentro de Israel. Como isso ocorreu e as consequências até hoje?

Em 1991, tivemos o primeiro fechamento da Cisjordânia por causa da guerra do Iraque. Muitos palestinos apoiavam Saddam Hussein, então Israel os puniu por sua posição política. Oslo começa logo em seguida, em 1994, e (Shimon) Peres, na equipe de negociação, pensava que podia usar os palestinos como trabalho barato, usá-los em um modelo neocolonial de exploração. Mas no meio das negociações, (Ytzhak) Rabin, o primeiro-ministro, interveio e disse ‘não gosto nem um pouco dessa direção. Quero separação’. E ele substituiu o negociador do lado israelense, removeu o homem de negócios e trouxe generais para centrar em questões de segurança. Então falavam de fechamento o tempo todo, o que é uma violação dos Acordos de Paris (1973), assinados entre Israel e os palestinos. Isso provocou uma grande separação entre o mercado israelense e a mão-de-obra palestina.

É importante entender que o setor de construção israelense veio a ficar extremamente dependente da mão-de-obra barata palestina. Em Israel, pensavam ‘por que comprar máquinas quando gasto menos com mão-de-obra?’. Havia um sistema de trabalho barato na construção e na agricultura. Quando o fechamento veio, empresas começaram a fazer lobby no governo, dizendo ‘precisamos de mais trabalhadores baratos, o que vocês vão fazer?’. O governo então deu permissões para que importassem trabalhadores migrantes de países não-árabes e não-muçulmanos. Mas o problema é que nem o governo e nem os chefes das empresas queriam pagar o custo da vinda desses trabalhadores das Filipinas ou da Tailândia. O que eles fazem é deduzir do salário do trabalhador o valor gasto com a vinda. Isso acontece até hoje. Esses trabalhadores chegam a Israel e em um primeiro momento, que pode levar meses, trabalham para o dono e não ganham qualquer dinheiro.

Não há qualquer direito para eles?

Não, muito poucos. O que aconteceu em certo momento é que a prefeitura de Tel Aviv organizou um sistema de assistência social de emergência. Fizeram isso porque de outra forma haveria uma crise. Na verdade, oficialmente, eles têm direitos. Mas ninguém os informa deles, muito menos seus empregadores. Pode até ser que depois de algum tempo ele tome contato com organizações de direitos humanos ou de trabalhadores, mas depois desse ponto, em que ele já pagou o que “devia” a seu empregador pelo custo de sua vinda, ele é despedido. O dono da empresa traz um outro trabalhador com a mesma permissão dada pelo governo de Israel. Aquele que foi demitido permanece em Israel ilegalmente, pois quer ganhar dinheiro, ajudar suas famílias. Então temos a seguinte situação: o máximo de trabalhadores palestinos permitidos dentro de Israel é de 120 mil. Agora, por esse sistema, temos cerca de 300 mil trabalhadores imigrantes de fora. Hoje, são menos, pois a polícia os deporta. Mas o auge foi em 2002.

Quando Sharon virou o primeiro-ministro e Netanyahu o ministro das Finanças, começaram a se livrar deles. O que a polícia está fazendo é ir a lojas durante o Natal. Se vê que há uma pessoa comprando enfeites, pede documentos ou se vê alguém negro ou pessoa com aparência asiática do leste, também. É triste ir ao sul de Tel Aviv e ver que durante no final do ano as pessoas ficam com medo de entrar nas lojas e celebrar o Natal, pois vão se expor.

Meio ambiente continua tema perigoso na América Latina.

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Colaboração do jornalista N.

Denúncia forte, tema interessante.
Uma ressalva:
Além dos responsáveis pelas agressões citados no texo, há outros.

Os governos e o meio ambiente.

A chegada da esquerda ao poder, em diversos países latino americanos, em nada mudou a situação. O caso Marina Silva, defenestrada do Ministério do Meio Ambiente por Dilma, é emblemático.

Tudo o que os governantes da direita (inclusive as ditaduras militares) faziam, em termos de desrespeito às normas ambientais, foi assimilado pelos governantes de esquerda.

No Brasil, o tratamento dados às hidrelétricas do Madeira é o mesmo dado quando da construção de Itaipú.

Para os mais moços, procurem no Google por "sete quedas nunca mais".

Dominação tecnocrática é igual nos Estados Unidos, na Rússia, na China ou no Brasil.

Para não falar na Venezuela, Bolívia ou quejandos, em todos os lugares, os recursos naturais estão em leilão.

Para esta gente, danem-se as futuras gerações.

Só querem garantir "o seu".

Uma vergonha.

Jornalismo nas Américas

Jornalistas de meio ambiente enfrentam censura e ameaças na América Latina


Jornalistas cobrindo casos de destruição ambiental enfrentam ameaças e agressões crescentes, denuncia a ONG Repórteres Sem Fronteiras no relatório “Investigações de alto risco: desmatamento e contaminações”, publicado nas vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.

A RSF detalhou agressões em oito países e, além deles, lembrou dois casos brasileiros: o do jornalista Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, que enfrenta dezenas de processos judiciais por tratar de assuntos como destruição ambiental e grilagem de terra na Amazônia; e o do documentarista franco-espanhol José Huerta, processado oito vezes por mostrar neste filme os impactos de um empreendimento turístico no Ceará.

Na Argentina, a RSF relata o caso da jornalista María Márquez, de Andalgalá, na província de Catamarca, ameaçada de morte por criticar um projeto de mineração da multinacional canadense Yamana Gold.

Em El Salvador, os jornalistas Gustavo Marcelo Rivera e Ramiro Rivera Gómez, da rádio Victoria, uma emissora comunitária no departamento de Cabañas, foram assassinados depois de se posicionarem contra as atividades da mineradora canadense Pacific Rim, denuncia a RSF. Outros profissionais da rádio relatam intimidações e tentativas de suborno neste vídeo.

“Por trás das ameaças estão empresas, máfias e funcionários corrompidos pelo dinheiro das minas e da exploração florestal”, afirma a RSF, que detalha mais 15 casos neste relatório de 2009.

Além dos relatos da RSF, ONGs e movimento sociais brasileiros denunciam um “bloqueio midiático” a algumas pautas, como as denúncias de devastação ambiental e desrespeito aos direitos humanos feitas contra o grupo alemão ThyssenKrupp e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), na construção de uma siderúrgica na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro.

Mais uma visão sobre Israel.

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Não precisa de comentários.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O estado ideal dos "falcões"

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O ataque letal de Israel aos navios que tentavam furar o bloqueio para levar ajuda humanitária a Gaza, foi feito apenas para criar uma situação de afronta e confronto, somente isso.

As circunstâncias são intencionalmente obscuras e permanecerão desse modo, mesmo com uma investigação. Mas a impressão que causou é que o estado de Israel está totalmente disposto a usar qualquer nível de violência gratuita.

Internamente o episódio está sendo tratado como um deslize, que está contribuindo para um isolamento.

O antes, internacionalmente admirado como o que desempenhava um papel do David judeu contra um Golias árabe, está dando lugar a visão de um país violento e desempenhando o papel de tirano regional.


O desejo de Israel de bloquear a flotilha antes que chegasse a Gaza, era esperável, dada a determinação de manter o bloqueio. Ainda que os israelenses assumissem a decisão de executar uma ação contra a flotilha, os voluntários da tentativa de furar o bloqueio sabiam que seriam vitoriosos.

Se eles tivessem conseguido furar o bloqueio ou se fossem bloqueados, seriam heróis e vítimas. Mas a ação intencional da direita facista israelense, que foi conduzida de modo a dar uma “lição” nos confrontadores, foi planejada de modo a causar mortes desnecessárias.

O bloqueio de Gaza e a expulsão e roubo de terras e propriedades de palestinos da Cisjordânia, reconhecidas pela ONU como áreas não israelenses é, antes de tudo, uma afronta e um desafio declarado contra o mundo civilizado.
A idéia de estrangular qualquer atividade econômica dos palestinos e mesmo utilizar a violência sistemática para obrigar a uma nova fuga em massa, como foi feito ao longo dos anos 40 e 50, está dando errado.

Ao invés de enfraquecer e quebrar a moral palestina, o bloqueio e o tratamento, nos moldes que os nazistas deram aos judeus colocados nos guetos, está dando, cada vez mais, uma coesão e noção de estado a um povo tradicionalmente dividido. Permitindo que as lideranças radicais tenham, cada vez mais, o reconhecimento e posições importantes.

Talvez esse seja exatamente o objetivo da direita religiosa judia, defensora da manutenção do bloqueio e dos massacres sistemáticos. Não há um desejo real de estrangular e tirar o apoio do Hamas, ou mesmo libertar os prisioneiros judeus dos palestinos, pois para isso, o bloqueio já deu provas que não funcionou. Tudo leva a crer, que a intenção real dos “falcões”, é criar uma situação de conflito permanente, sem possibilidade de paz ou de cumprimento das determinações da ONU.

A questão é que máscara israelense, do eterno perigo e de eternas vítimas do preconceito mundial, está caindo. Israel é o único estado nuclear da região e já deu mostras que não hesitaria em usar esse poder contra os inimigos, reais e imaginários.

Mas o tiro está saindo cada vez mais pela culatra, ao matar cidadãos turcos e não responder a acusação sobre os desaparecidos nesse ato de pirataria em águas internacionais, Israel está perdendo importantes aliados regionais árabes. Turquia e Egito, não tem mais clima interno para ignorar e justificar os crimes israelenses.

Mesmo os países simpatizantes europeus, estão descobrindo que as intenções de Israel não são relacionadas à segurança interna ou de evitar conflitos, a intenção real é acirrá-los, cada vez mais.

O único defensor incondicional, e que cada vez mais perde credibilidade, são os Estados Unidos, reféns de uma mídia pró israelense e belicista. Mas internamente, esse apoio automático começa a mostrar furos, os democratas estão cada vez mais certos que Israel é comandado por falcões e sabem, por experiência própria, as implicações e os riscos disso.

Sabem também que ao empurrar a criação do estado palestino, para atender aos “amigos” judeus, só ampliam o sentimento antiamericano e colocam em risco os governos árabes pró ocidentais.

Na outra ponta do problema, no mundo árabe, os estados declaradamente inimigos de Israel, angariam a simpatia crescente das populações étnica e religiosamente divididas. Israel e os Estados Unidos são o inimigo comum.

Tudo isso, fatalmente dificultará a tomada e aceitação de qualquer tentativa de tomar uma posição mais dura contra o Irã na ONU. A situação se deteriora tão rápido que o próprio Mossad reconhece que, para a opinião pública americana, Israel está mais para um fardo do que para um aliado.

Mesmo assim, os falcões israelenses mantém o discurso que há um pensamento mundial unânime de externo ódio aos judeus e reforçam que, por causa disso devem (e tem o direito), de atirar primeiro perguntar, incutindo a idéia que o mundo todo é um potencial inimigo.

De resultado concreto, a ação dos falcões, seguidores do ideal de criar um estado racista (e estão conseguido), só vai criar uma situação insustentável, para todos, incluindo seus próprios cidadãos, que viverão num eterno estado de medo e ódio contra os seus “inimigos”, reais ou imaginários.

Ocupação da palestina por Israel


quinta-feira, 3 de junho de 2010

A NOVA HIPOCRISIA CONTRA ISRAEL

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Por Urariano Mota

Recife (PE) - O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, que fugiu de um hospício e ninguém viu, encheu o peito há pouco e mandou bala, agora em palavras: a frota de ajuda humanitária que seguia para Gaza fazia parte de "uma operação terrorista". Isso mesmo, terrorista, com as perigosas e avançadas armas de remédios e alimentos. Mas antes que o mundo perguntasse, terroristas, quem, cara-pálida?, ele foi mais longe, impune e convicto de sua impunidade, ao descobrir que "Israel está sendo vitima de um ataque de hipocrisia internacional".

O primeiro impulso de toda a gente, que se opõe ao tratamento de cães raivosos a um povo cercado, é achar que o Estado de Israel, além de assassinar civis, quer também assassinar o sentido original das palavras. Esse impulso chega a ser fortalecido pelas análises mais cínicas e brutais, como a do analista internacional da BBC News, que pergunta sobre o assalto, execuções e seqüestro de pacifistas: “então, o que deu errado?”. Uma pergunta que pressupõe a legitimidade do abuso de força de Israel, a naturalidade do isolamento de populações civis em Gaza, e o indisfarçável desconforto de que no mundo ainda existam palestinos. “Afinal, onde erramos?”.

Quando refletimos melhor, no entanto, notamos que pode haver um sentido, digamos, legítimo na declaração do primeiro-ministro, que vê o seu Estado vítima de uma hipocrisia internacional. Benjamin Netanyahu pode apenas querer dizer, se nós sempre matamos civis, por que esse clamor agora? Soldados de Israel já passaram com tanque sobre uma pacifista desarmada, já fuzilaram Somaeah Hassan, de 6 anos, a Rosa da Palestina, na faixa de Gaza, já atacaram famílias com bombas proibidas em tratados internacionais, e agora, vaidade das vaidades, hipocrisia das hipocrisias, por que o furor de tamanha virtude e indignação?

Se for reparar direito, a chamada “opinião internacional” nunca se ergueu contra o escândalo de que na Faixa de Gaza não entrem armas que todo o mundo conhece como lâmpadas, velas, fósforos, livros, instrumentos musicais, giz de cera, roupas, sapatos, colchões, lençóis, cobertores, massa para cozinhar, chá, café, chocolate, nozes, xampu e condicionador. Os civilizados governantes europeus tratam isso, há muito, como uma lista de produtos em falta em supermercados. Algo como uma pequena crise de abastecimento. Nas tevês brasileiras, os “correspondentes internacionais”(bela gente, que belo caráter), quando ouvem o outro lado dos conflitos, entrevistam um muçulmano ladino, como novos escravos aculturados, de cidadania israelense. Então, por que essa grita?

Nada mais natural, contra esses hipócritas, que a magnífica Hillary Clinton defenda uma investigação internacional dos últimos crimes, mas (esse “mas” é tudo) sob a liderança de Israel. Claro, uma investigação conduzida de forma imparcial e transparente, sob comando israelense. Mais imparcial e transparente impossível. Viva. Como uma antecipação aos desejos de madame Clinton, os militares israelenses viram alguns erros na operação pirata. A saber, de inteligência, equipamentos e táticas erradas. E para piorar, houve pacifistas que não se jogaram ao chão diante do céu iluminado com os soldados israelenses que desciam. À tábua dos mandamentos de Israel se negaram. Ô raça...

Nos jornais de hoje, o escritor Amós Oz, com o seu costumeiro ar de homem ponderado e sábio, reconhece que existem os palestinos, admite que esses inacreditáveis humanos devem ser melhor tratados, porque afinal o governo de Israel não pode desconhecer que “o problema é que não estamos sós nesta terra, e os palestinos não estão sós nesta terra”. O que é uma pena, para o Estado de Israel, para a sua segurança e fascismo. O problema é a solução: os palestinos têm hoje a opinião pública de todo o mundo a seu lado.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Free Palestina

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Caros amigos,

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.

Apesar de ter o direito de se defender, Israel abusou da sua força letal para defender um bloqueio vergonhoso a Gaza, onde dois terços das famílias mal podem garantir a próxima refeição. Governos, a ONU e organizações multilaterais repudiaram publicamente as ações de Israel, mas sem pressão popular, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.

Assine a petição demandando investigação, justiça e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique abaixo:

http://cdn.avaaz.org/po/gaza_flotilla/?vl

A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais, assim que alcançarmos 200.000 nomes. Uma petição massiva em um momento de crise como esse pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – nós queremos ações concretas.

Vários países estão definindo suas estratégias diplomáticas agora mesmo, como a Turquia e o Egito. A União Européia debaterá suas relações comerciais e os Estados Unidos definirão a quantia de ajuda militar a Israel. Nossas vozes precisam chegar aos governantes globais: queremos a verdade, responsabilizar os culpados, cobrar Israel pelas violações do direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza. Faça parte desta campanha, assine a petição abaixo:

http://cdn.avaaz.org/po/gaza_flotilla/?vl

Todos ainda compartilham o mesmo sonho: dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio a Gaza e a violência usada para defendê-lo, envenenam este sonho.

Um colunista israelense escreveu hoje no jornal Ha’aretz hoje, “Nós não estamos mais defendendo Israel. Nós estamos agora defendendo o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está se tornando o Vietnam de Israel.” Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram hoje contra o ataque e o bloqueio, em passeatas desde Haifa até Tel Aviv e Jerusalém. O envio de tropas pesadas para atacar uma frota de navios humanitários em águas internacionais, foi um reação exagerada que causou mortes desnecessárias.

Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, nós possamos fazer deste momento trágico, um ponto de virada – se nós nos unirmos em um chamado de justiça inabalável e persistirmos no nosso sonho de paz.

Com esperança,

Ricken, Alice, Raluca, Rewan, Paul, Iain, Graziela e toda a equipe Avaaz

Saiba mais:

Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100531_entendabloqueiogaza_ji.shtml

Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio de Gaza e mata ativistas:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/05/31/israel-ataca-barcos-que-tentavam-furar-bloqueio-faixa-de-gaza-mata-ativistas-916736797.asp

Comunidade internacional condena ataque de Israel à frota humanitária:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/743257-comunidade-internacional-condena-ataque-de-israel-a-frota-humanitaria.shtml

terça-feira, 1 de junho de 2010

Em ato criminoso, o mordomo lulalu defende o corte dos incentivos aos veículos elétricos.

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Mais uma marcha ré promovidade pelo grupo palaciano

A indústria do petróleo e tudo associado a ela, incluindo os veículos movidos a hidrocarbonetos derivados de petróleo, é o exemplo da balela do termo sustentabilidade. Uma indústria arcaica, poluidora, destruidora de ambientes naturais e sujeita a grandes acidentes.

Também pode ser incluído ai, os veículos movidos a álcool (derivado de cana, milho, etc.), que poluem um pouco menos, mas são responsáveis pela expansão das fronteiras agrícolas, principalmente sobre florestas e savanas. O que acaba com qualquer ganho ambiental da menor poluição, mais ainda, os impactos tornam o saldo negativo.

Um dos avanços, seriam carros que não queimassem combustível.

Mas o brasil, ao contrário do mundo civilizado, está perdendo a possibilidade de desenvolvimento.

Uma das mais promissoras alternativas, o carro elétrico, sendo combatido pelo governo do mordomo lulalau, lobista da Petrobras (cabide de empregos da "cumpanherada"), da industria petrolífera e da suco-alcoreira, todas grandes financiadoras das campanhas políticas da petralhada e da cumpanherada.

"É carro elétrico para cá, carro elétrico para lá, mas não se sabe ainda se alguém vai produzir em grande escala", disse o mordomo lulalau, que chegou ao Riocentro por volta de 10h30 a bordo de um ônibus movido a hidrogênio, desenvolvido por um laboratório da coordenadoria de pós-graduação e engenharia da UFRJ (Coppe).

Na semana passada, o mordomo presidente suspendeu a divulgação de um pacote de incentivos aos carros elétricos pouco antes da cerimônia, por causa das divisões no governo sobre o tema. Os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia defendem as medidas, mas o Ministério do Desenvolvimento teme que os incentivos possam prejudicar a competitividade do etanol e do biodiesel brasileiros.

"Hoje, quase 100% dos carros vendidos no Brasil são flex. E 60% dos donos desses carros têm preferência pelo etanol que, definitivamente, virou uma parte importante da matriz energética brasileira", falou o mordomo, perdendo mais uma oportunidade de ficar calado.

Comentários Politicamente (In)Corretos

Os programas e estudos desenvolvidos pelo grupo interministerial dos Ministérios da Fazenda e da Ciência e Tecnologia, previa uma série de incentivos para o desenvolvimento e venda do carro elétrico.

O grupo sugeriu, entre outras coisas, redução do Imposto de Importação, IPVA, IPI e uma política de compras governamentais que privilegiasse o carro elétrico.

Mas lobby do óleo e da cana (da qual o presidente é adepto), pagou melhor e ganhou a queda de braço.

Motosserra sem ideologia

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Por XICO GRAZIANO, secretário de Meio Ambiente de São Paulo

Para o jornal, O Estado de S.Paul

Há quem imagine que pequenos agricultores sejam mais ecológicos que grandes produtores rurais. Políticos que se julgam da "esquerda" propagam que a agricultura familiar faz bem à natureza, enquanto o agronegócio destrói o meio ambiente. Pura ideologia. Nunca nenhum estudo da realidade comprovou isso.

O equívoco desse pensamento mostra origens remotas. Desde 1775, quando o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, em seu famoso discurso sobre a origem da desigualdade, conceituou o "bom selvagem", constrói-se certa imagem de que o homem perdeu sua pureza no processo civilizatório. Antes, vivia em harmonia total. Depois, chegou a maldade sobre a Terra.

O raciocínio bem-aventurado procura se aplicar, hoje, aos indígenas. Ambientalistas argumentam que os povos da floresta, na Amazônia, por exemplo, vivem de forma ecológica. Avatar, belo filme, sublima essa questão, agradando sobremaneira aos defensores da natureza. Antropólogos, todavia, não corroboram facilmente tal ideia.

Orlando Villas Bôas, uma legenda nacional, afirmava serem os índios, que conhecia tão bem, nada ecológicos. Ao visitar a Unesp de Jaboticabal, nos anos 1980, contou uma pequena história aos alunos de Ciências Agrárias. Disse o grande indigenista que, certo dia, ao ver um índio derrubar uma palmeira de açaí para lhe retirar o cacho e colher os negros frutinhos, perguntou-lhe: "Por que você não sobe e corta apenas o cacho, sem derrubar a palmeira?"

O índio não entendeu: "Qual é o problema?"

"Ora", retrucou Villas Boas, "evitar a devastação da floresta!"

Mas o índio explicou: "Não se preocupe. Eu corto esta palmeira aqui, mas lá tem outra, outra lá adiante, tá cheio de açaizeiro por aí...". Para o índio, era infinito o estoque de palmeiras. Podia surrupiar à vontade.

Sem entender a História não se compreende a questão ambiental de nosso tempo. A pressão sobre os recursos naturais do planeta tornou-se um problema apenas após a intensa industrialização do século 19. Sua plena percepção ocorreu tão somente há 50 anos, quando a agenda da degradação entrou na preocupação pública. Quem criou o problema ecológico foi a explosão populacional humana.

Nem os brasileiros coletores da floresta, nem os índios norte-americanos caçadores de bisões tinham pensamento ecológico. Estes, quando descobriram os rifles dos mercadores de peles, ajudaram a destruir, sem piedade, o rebanho dos peludos bichões. A tecnologia potencializou a destruição da natureza.

No Brasil, a discussão sobre ecologia e tamanho da propriedade permeia os estudos sobre reforma agrária. Os agraristas ortodoxos, normalmente de origem comunista, nunca mostraram nenhuma predileção pelo tema da preservação ambiental. Sempre propugnaram pela desapropriação das "áreas ociosas" no campo, pouco se importando se elas estavam cobertas com florestas originais. Sua visão produtivista se aproximava da manifestada pelos desbravadores do território, com a diferença, claro, de que a terra deveria estar dividida, não concentrada. Menos mal.

Na história da reforma agrária brasileira contam-se infindáveis casos em que os projetos de assentamento rural recaíram sobre valiosas áreas naturais, seja em florestas densas do Pará ou de Mato Grosso, seja nos remanescentes de mata atlântica interiorana, seja nos frágeis ecossistemas litorâneos do sul da Bahia ou no Rio Grande do Norte. Onde procurar se acha um estrago ecológico, cometido em nome do combate à miséria rural.

O complicado tema veio à tona da opinião pública em 1997, num relatório apresentado à CPI do Congresso Nacional que investigava a atuação de madeireiras asiáticas na Amazônia. O então deputado federal Gilney Vianna, do PT-MT, demonstrou que 50% do desmatamento da região advinha dos assentamentos de reforma agrária. Os pequenos desmatavam tanto quanto os grandes. Deu um quiproquó na esquerda.

Nota do núcleo agrário do PT desmoralizou o relatório e enquadrou seu político rebelde, baixando o silêncio sobre o assunto. A senadora Marina Silva, defensora dos assentamentos extrativistas, também se aquietou. Mas não havia como tapar o sol com a peneira. Os sem-terra, tanto quanto madeireiros e grandes fazendeiros, faziam arder a floresta sem dó. Machado e motosserra não têm ideologia.

Novos estudos, mais recentes, especialmente os conduzidos pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), comprovam que boa parte da pressão contra a floresta amazônica se origina da reforma agrária. Sem maldade. Nem exclusivo é da Hileia. Na caatinga nordestina, que sofre uma tremenda ameaça, a lenha vira cinza na cozinha das famílias pobres do Semiárido. Subsistência básica.

Meses atrás, quando Carlos Minc ainda ocupava o Ministério do Meio Ambiente, patrocinou-se uma proposta estranha que concedia brechas no Código Florestal para os agricultores familiares, discriminando os demais produtores. Nada indica que esse favorecimento ajude a preservação ambiental do País. Reservas florestais belíssimas são mantidas por grandes fazendeiros.

A ideia do "small is beautiful" serviu a Ernest Schumacher, um visionário escritor inglês de origem germânica que defendia, na década de 1970, as tecnologias brandas, menos intensivas em recursos naturais. Seu famoso livro com esse título inspirou esse viés do ambientalismo, ultrapassado pelo avanço da tecnologia. Qualidade ambiental independe do tamanho do negócio rural.

Passarinhos que o digam. Eles nunca perceberam distinção entre as crianças que os caçam impiedosamente com estilingue e os adultos que os aprisionam para cantar na gaiola. Quem faz a diferença é a consciência humana. Depende da educação.