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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Subsídios federais à máfia internacional de pesca do atum

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Como se não bastasse a bandalha que se observa na pesca industrial nacional, agora os tarados PeTistas que dominam com seus CCs o Mi(ni)stério da Pesca estão dando de presente o que resta dos atuns do Atlântico Sul a predadores estrangeiros, para que usem nossa cota e nossos portos, com isenção de impsotos e outros subsídios. Tudo dentro do ‘esquemão’ em que o presidente da Comissão do Atum é um brasileiro, mancomunado com essa troupe de predadores encastelados em Brasília sem qualquer noção de sustentabilidade.

Essa gente, obviamente, jamais ouviu falar em conservação, em preservar estoques, em não MINERAR completamente as espécies pesqueiras, que é o que estão fazendo. Pior, darão tudo de mão beijada à mafia internacional da pesca de atum com SUBSÍDIOS, ou seja, dinheito meu e de vocês todos.

A pesca industrial ‘de atum’, pra quem ainda não sabe, também pesca ‘acidentalmente’ milhares de tubarões, tartarugas, aves e outras espécies ‘não-alvo’, contribuindo de maneira escandalosa para a destruição massiva da biodiversidade marinha. Em sua última reunião, a Comissão do Atum Atlântico ‘não teve tempo’ para tomar medidas sérias e efetivas de proteção da maioria dessas espécies, dedicando a maior parte do seu tempo a alocar cotas e mais cotas para dar continuidade ao massacre de tudo o que se move e é capturado por essa indústria MINERADORA.

QUANDO VAI ACABAR ESSA PUTARIA??? QUANDO TEREMOS UMA POLÍTICA DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE MARINHA, E NÃO UMA POLITICAGEM DE ROUBAR DUPLAMENTE – ROUBAR NOSSO DINHEIRO PRA SUBSÍDIOS INDUSTRIAIS E ROUBAR OS ESTOQUES PESQUEIROS PELA MINERAÇÃO DAS MÁFIAS INDUSTRIAIS ‘NACIONAIS’ E ESTRANGEIRAS???

FORA COM A MINERAÇÃO DA NOSSA FAUNA MARINHA, FORA COM A CORJA POLÍTICA DO PT NO MPA!!!! GESTÃO PESQUEIRA SUSTENTÁVEL, PRECAUTÓRIA, JÁ!!!

JTruda

País arrendará navios estrangeiros para pesca

Estratégia: Objetivo é garantir cumprimento da cota de captura de atum; interessados serão subsidiados

O Brasil voltará a arrendar embarcações estrangeiras para explorar as águas territoriais e garantir o abastecimento do mercado interno e o cumprimento da cota de pesca assumida pelo país em acordos internacionais.

O Ministério da pesca e aquicultura lançará, nesta semana, um edital com as regras para o arrendamento, suspenso desde 2008. Para atrair interessados, o governo não cobrará nenhuma taxa de operação dos estrangeiros e garantirá isenção de ICMS e subsídios diretos ao óleo diesel usado por essas embarcações - o litro do óleo pode custar R$ 1,65, estima o governo. A frota nacional tem esse mesmo direito.

"É uma política transitória, mas necessária para produzir pescados, cumprir nossa cota, absorver tecnologia, qualificar pessoal embarcado e gerar divisas", diz o secretário de Planejamento e Ordenamento do Ministério da pesca, Karin Bacha.

O país tem hoje 4 mil barcos industriais em operação, mas dedicados apenas às águas costeiras. Daí, a necessidade de atrair grandes barcos estrangeiros para capturar pescados em 3,5 milhões de km2 na Zona Econômica Exclusiva e em águas internacionais próximas. O governo criou um programa para financiar novas embarcações, mas até agora só 15 barcos estão em construção.

O objetivo é elevar a fatia em um negócio que beira os US$ 4 bilhões no mundo. A frota nacional industrial também é composta por 30 mil barcos de pesca artesanal - lagostas no Norte-Nordeste e camarões no Sudeste-Sul.

Em 2008, o Brasil conseguiu elevar sua cota de captura de 2,8 mil para 4,72 mil toneladas de Atum espadarte, o mais caro e cobiçado no exterior. Mas só tem conseguido cumprir metade desse compromisso. "Se não capturarmos, temos que ceder a cota. E temos atrativos fortes como áreas muito próximas da costa, custos baixos, e os pescados podem ser exportados ainda frescos, além de termos boa logística de portos e terminais pesqueiros", explica Karin Bacha. O país já é o terceiro entre os 13 maiores produtores de atuns no Oceano Atlântico.

O governo espera aumentar o histórico de captura em águas territoriais para garantir a cota anual na Comissão Internacional para Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT), responsável pelo controle da pesca em alto mar no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo. "Isso nos dá mais poder para negociar e criar cotas", afirma Bacha. A cota de Atum espadarte permaneceu em 2,8 mil toneladas ao longo de toda a década de 1990. Em 1999, o país capturou 4,72 mil toneladas e usou isso para elevar sua cota. Mas, em 2008, pescou apenas 3,4 mil toneladas.

No edital, o Ministério da pesca deve prever arrendamento de 25 embarcações industriais de até 30 metros, com capacidade de captura para 150 toneladas. Os contratos valerão por dois anos, prorrogáveis por igual período. Ao menos 15 barcos serão dedicados à captura de atuns do tipo espadarte. Os demais vão pescar outras espécies de atuns, como albacoras e bonitos-listrados. "A pescaria é dirigida para todo o litoral brasileiro, mas ficará concentrada na faixa do Espírito Santo até o Nordeste", informa Karin Bacha. Em 2009, o Brasil exportou 232 mil toneladas de espadartes e 750 mil de outros atuns.

Não haverá cota para a captura, já que os volumes não devem ser ultrapassados em razão do tipo de embarcação. Os barcos estrangeiros, que deverão firmar contratos com empresas ou cooperativas nacionais para operar sob bandeira brasileira, devem vir de países como Japão, Espanha e Estados Unidos, donos das maiores e mais eficientes frotas pesqueiras do mundo.

O governo aposta nas contribuições dos estrangeiros para modernizar a pesca nacional. Os barcos brasileiros, em operação no Sul, Sudeste e Norte, são feitos de madeira e têm apetrechos para a pesca costeira. Os arrendados vêm para a pesca oceânica, são feitos de aço, têm autonomia grande e tripulação treinada na modalidade de espinhel (um cabo cheio de anzóis). "Eles pescam em águas internacionais, mas têm que exportar de portos brasileiros", lembra o secretário. Para isso, o país oferece vários terminais pesqueiros: Cabedelo (PB), Natal (RN), Ilhéus e Salvador (BA), Itaipava (ES), Rio de Janeiro (RJ), Laguna e Itajaí (SC) e Rio Grande (RS).


sábado, 3 de julho de 2010

O Cara (esse o de verdade)

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Nos Estados Unidos, O Cara (de verdade), Barack Obama, anunciou neste sábado, que seu governo destinará US$ 2 bilhões a dois projetos solares que serão divididos entre a empresa americana Abound Solar Manufacturing e a espanhola Abengoa.

Na Esbórnia daquele mordomo que se acha o "cara", foi suspenso o pacote de incentivos aos carros elétricos (menos poluentes), alegando que o programa do etanol é prioritário para a matriz energética (os ruralistas e a petrossauro que o digam).

terça-feira, 1 de junho de 2010

Em ato criminoso, o mordomo lulalu defende o corte dos incentivos aos veículos elétricos.

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Mais uma marcha ré promovidade pelo grupo palaciano

A indústria do petróleo e tudo associado a ela, incluindo os veículos movidos a hidrocarbonetos derivados de petróleo, é o exemplo da balela do termo sustentabilidade. Uma indústria arcaica, poluidora, destruidora de ambientes naturais e sujeita a grandes acidentes.

Também pode ser incluído ai, os veículos movidos a álcool (derivado de cana, milho, etc.), que poluem um pouco menos, mas são responsáveis pela expansão das fronteiras agrícolas, principalmente sobre florestas e savanas. O que acaba com qualquer ganho ambiental da menor poluição, mais ainda, os impactos tornam o saldo negativo.

Um dos avanços, seriam carros que não queimassem combustível.

Mas o brasil, ao contrário do mundo civilizado, está perdendo a possibilidade de desenvolvimento.

Uma das mais promissoras alternativas, o carro elétrico, sendo combatido pelo governo do mordomo lulalau, lobista da Petrobras (cabide de empregos da "cumpanherada"), da industria petrolífera e da suco-alcoreira, todas grandes financiadoras das campanhas políticas da petralhada e da cumpanherada.

"É carro elétrico para cá, carro elétrico para lá, mas não se sabe ainda se alguém vai produzir em grande escala", disse o mordomo lulalau, que chegou ao Riocentro por volta de 10h30 a bordo de um ônibus movido a hidrogênio, desenvolvido por um laboratório da coordenadoria de pós-graduação e engenharia da UFRJ (Coppe).

Na semana passada, o mordomo presidente suspendeu a divulgação de um pacote de incentivos aos carros elétricos pouco antes da cerimônia, por causa das divisões no governo sobre o tema. Os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia defendem as medidas, mas o Ministério do Desenvolvimento teme que os incentivos possam prejudicar a competitividade do etanol e do biodiesel brasileiros.

"Hoje, quase 100% dos carros vendidos no Brasil são flex. E 60% dos donos desses carros têm preferência pelo etanol que, definitivamente, virou uma parte importante da matriz energética brasileira", falou o mordomo, perdendo mais uma oportunidade de ficar calado.

Comentários Politicamente (In)Corretos

Os programas e estudos desenvolvidos pelo grupo interministerial dos Ministérios da Fazenda e da Ciência e Tecnologia, previa uma série de incentivos para o desenvolvimento e venda do carro elétrico.

O grupo sugeriu, entre outras coisas, redução do Imposto de Importação, IPVA, IPI e uma política de compras governamentais que privilegiasse o carro elétrico.

Mas lobby do óleo e da cana (da qual o presidente é adepto), pagou melhor e ganhou a queda de braço.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Curitiba, cidade sustentável? Isso só pode ser piada.

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A piada:

A cidade de Curitiba foi escolhida para receber o prêmio Globe Award Sustainable City 2010, ofertado pelo Globe Forum, entidade sueca que reúne empreendedores preocupados com a sustentabilidade global. "É uma vencedora muito sólida, com um plano holístico que integra todos os recursos estratégicos conectados com inovação e sustentabilidade futura", disse o presidente do comitê de jurados do Globe Award, Jan Sturesson, ao anunciar a escolha hoje. A entrega foi em 29 de abril passado, no Museu Nórdico de Estocolmo, com a presença do prefeito Luciano Ducci (PSB).

A realidade:

Ministério Público investiga ampliação ilegal de lixão de Curitiba

Dimitri Vale, para a Folha de São Paulo

O Ministério Público do Paraná abriu investigação para apurar denúncia de ampliação irregular do aterro sanitário de Curitiba, depósito de lixo que tem de ser desativado em novembro.

Moradores do bairro Caximba, onde fica o aterro, encaminharam a denúncia com fotografias que apontam a suposta ampliação. O grupo de habitantes do Caximba apresentou ao Ministério Público imagens dos supostos locais irregulares, como a estrada localizada em volta do aterro. De acordo com os moradores, as margens desta via estão sendo preparadas com a cobertura de mantas plásticas, para receber novos resíduos. Saturado, o depósito de lixo funciona com autorização judicial.

A Promotoria do Meio Ambiente pediu ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) que faça a fiscalização para verificar se as informações repassadas pelos moradores procedem.

O Ibama tem prazo de dez dias para responder ao pedido. "Estamos desde 2004 dizendo para que os administradores públicos adotem medidas para reduzir o lixo que vai para a Caximba", afirma o procurador do Meio Ambiente, Saint-Clair Honorato dos Santos.

O comerciante Jadir de Lima, que preside a Adecom (Aliança de Desenvolvimento Comunitário da Caximba), afirma que a prefeitura não respeitou ordem judicial.

"Eles jamais poderiam usar áreas novas para continuar a jogar lixo no aterro. Isso foi uma ampliação ilegal." Segundo Lima, moradores passaram a sentir nos últimos dias um forte mau cheiro semelhante ao de gás exalado do aterro. A Caximba recebe os detritos de Curitiba e outros 17 municípios da região metropolitana.

"Aquele aterro é uma bomba relógio. Estamos lutando há mais de dois anos para fechar aquele lugar", afirma o ex-presidente do IAP (Instituto Ambiental do Paraná, do governo do Estado) Victor Hugo Burko.

OUTRO LADO

A prefeitura nega estar desrespeitando um acordo feito sobre as áreas antigas do aterro. O acerto teve respaldo judicial por meio de laudos técnicos. Segundo sua assessoria, as áreas serão reutilizadas para continuar a receber os detritos até o encerramento das atividades do aterro. Uma licitação comandada pela prefeitura, alvo de constantes paralisações judiciais, tenta colocar fim ao impasse.O plano é estabelecer um novo consórcio privado para o recolhimento e beneficiamento do lixo, mas não há previsão para o desfecho da concorrência em razão das pendengas jurídicas. Como forma emergencial, quando fechar o aterro da Caximba, a prefeitura planeja contratar áreas emergenciais para receber o lixo até a definição da licitação.

Comentários Politicamente (In)Corretos

Curitiba tem muitos parques e, em grande parte da cidade, a limpeza pública é muito boa.

Mas a sustentabilidade curitibana pára por aí, foi muito dinheiro gasto em marketing (primeiro por jayme lerner, que fez escola), o resto foi investido em perfumarias (fontes, monumentos, etc.), quase nada em esgoto e em gerenciamento (de fato), dos resíduos sólidos, situação que está um verdadeiro caos.

Parece que nem Curitiba é ambientalmente sustentável e nem os suecos conhecem a cidade e o que é sustentabilidade de fato.

domingo, 28 de março de 2010

Como me apaixonei por um peixe

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Belíssimo, contundente e inquestionável libelo contra o conceito do "agronegócio", que está destruindo tudo.

Feito por um "chef" famoso, que, melhor do que qualquer outro, tem o que dizer sobre "comida".

Fala como consumidor final altamente qualificado, que sabe o que está dizendo.

São vinte minutos de palestra, cuja abrangência vai muito além dos recursos marinhos.

Separe vinte minutos de seu tempo para assistir sem interrupção, de cabo a rabo.

Pode-se colocar legendas em Português, na parte inferior do quadro (subtitles), logo abaixo da tecla "play" da tela.

Dan Barber: Como me apaixonei por um peixe


sábado, 30 de janeiro de 2010

A Ilha de Sokos, a lixeira, o panda que eu não gostaria de ver, o marketing, a sustentabilide e uma salada de frutas

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A ilha de Sokos

A ilha de Sokos fica próxima a Hong Kong, atualmente é desabitada, mas já foi habitada um dia e mantém as marcas disso, em muitos lugares tem uma vegetação exuberante e praias consideradas paradisíacas, o que tem causado inveja em grupos hoteleiros, resorts e similares.


Nos mares do entorno de Sokos habitam o golfinho Branco chinês e a toninha de Finless.



O governo de Hong Kong, atual protetorado chinês, priscas eras tinha planos de transformá-la em parque marinho. Mas as pressoões para ocupar Sokos são várias e sempre emperraram o processo. A mais forte vinha do grupo de energia CLP, que também há anos tenta conseguir uma licença para implantar um terminal e uma usina de gás liquefeito de petróleo (GLP), na ilha. Não sei quem venceu ou vencerá essa queda de braço, mas sei que Sokos e o ambiente já estão perdendo.

As praias de Sokos e a lixeira do planeta

Sabe-se que o mar,
há muitos séculos, é a lixeira do planeta, tudo que se joga fora inadequadamente acaba no mar. Mas o mar sempre teve capacidade de degradar e absorver o nosso lixo, de uma forma ou de outra, da madeira ao aço.

A maderia mineralizada e o aço acabam por virar substrato de corais, o resto era incorporado ao ambiente, como vidros e cerâmicas, lixados pelas ondas e pela areia, até fazerem parte dela, poético não?


Parágrafo primeiro: Bom.... era, até a final do século XIX, quando acabou a poesia e a nossa criatividade inventou o plástico. A partir da década de 30 do século XX a coisa degringolou, o plástico foi popularizado por um quimico da cidade de Dupont (que deu o nome à indústria), e hoje entope a cidade de São Paulo, ajudando a transbordar rios, corregos e canais, todos rebaixados a condição de esgotos.

Mas voltando a Sokos, enquanto corporações e ambientalistas brigam pelas praias e mares de Sokos, a lixeira do planeta as vezes se revolta e manda as coisas de volta para a terra, mas infelizmente, não necessariamente para os verdadeiros donos.

As praias de Sokos em janeiro de 2010

Um panorama da ilha, aberto e em primeiro plano.



Segundo o autor das fotos, 10 minutos de coleta resultaram em.....





E o destino da toninha.....



O marketing, o "bandeide" e os plásticos

Em 1990, um filosofo frances, Michel Serres, escreveu um livro chamado Le Contract Naturel, (ganhei o livro de uma amiga e professora de zoologia), o livro fala do comportamento e relações humanas (intra-específicas e com a natureza). Começa com uma analogia do comportamento dos homens e um quadro de Goya (os duelistas), mostrando como a humanidade é insana, mas não considero essa a melhor analogia do livro, em algum lugar do texto tem uma que guardei na memória e até hoje considero a melhor representação do nosso comportamento em relação ao ambiente, a analogia do navio petroleiro.

O comandante do navio petroleiro é informado por um marinheiro nervoso que ,exatamente na rota do navio, foi avistada uma rocha aflorando, se continuar nesse rumo, o navio vai afundar. O comandante da embarcação olha impávido para o timoneiro e fala.... reduzir a velocidade.

Só isso, não muda um miléssimo de grau na direção, o desastre é inexorável, só mudou o tempo até o desastre.

Com relação ao ambiente fazemos isso o tempo todo, reduzimos a velocidade, mas os marqueteiros (públicos e privados), jornais, TVs e instituições não governamentais nos bombardeiam o tempo todo com soluções mágicas e que transformam tudo em "sustentável", a salvação do planeta, o homem está se tornando sustentável. Mas sobre uma mudança de rota ou de modelo, nada.

Faça xixi no vaso, o etanol é o combustível do futuro e sustentável, nossa empresa é sustentável, já recuperou mais florestas que destruiu, mineração, extração de petróleo, madeireiras, indústria automobilística, tudo ficou sustentável e ... na maioria das vezes, certificado.

Parágro segundo: A certificação é uma palavra mágica, ter o selo de uma ISO (só de exemplo), é a garantia de que todas as bobagens e danos feitos,são "sustentáveis" e estão sob controle. Uma penca de certificações ISO, florestal, diversidade, tudo transformado em um $elo, dado por uma empresa certificadora, que dá o aval da sustentabilidade, esse selo custa caro e garante o pão nosso de cada dia (ou os brioches), das empresas certificadoras. Na prática, um monte de papel, falo isso de cadeira e conhecimento de causa. O negócio da certificação é tão bom que inventam um certificado desse tipo a cada 2 ou 3 anos, parece industria de informática, 5 anos e a coisa fica obsoleta.

Mas voltando a ilha, ao lixo e aos plásticos, uma das mentiras com o nome de sustentável é a dos plásticos biodegradáveis, essa nem é a analogia do petroleiro, é a do bandeide e a guerra do Vietnan no filme "Apocalipse Now". Quem não conhece, assista o filme, é ótimo e mostra toda a nossa insanidade.

O plástico não se degrada, reduz de tamanho e continua poluindo, não é incorporado a areia, como o vidro e a cerâmica, nao tem as mesmas propriedades, fica lá, por milhares de anos, poluindo e degradando.

Hoje presume-se que quase 30% das "areias" de nossas praias, sejam compostas por plásticos, alguns se transformam nos plásticos "degradados" das areias de Sokos, ou seriam as areias de Sokos degradadas por plásticos. Mas nesse caso, a ordem dos fatores não altera o produto, pode-se dizer que a poluição também tem propriedade comutativa.



O panda que eu não gostaria de ver

O que tem tudo isso a ver com o panda? Nada, em Sokos não existem pandas, bem, não existiam, agora existem, o Panda da ilha de Sokos e seu compompanheiro o "Porquinho" brincando na praia.



Comentário Politicamente (In)Correto

E o mar e a ilha (como tantas), que se danem, afinal, estamos todos virando sustentáveis e o texto ficou uma salada de frutas.

As fotos e o artigo que deu origem ao texto (não foi uma tradução
e colagem como fez o Estadão), são de Alex Hofford.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Do capitalismo como ‘sistema parasitário’

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Ainda não começamos a pensar com seriedade na sustentabilidade da nossa sociedade movida a crédito e consumo”, afirma o sociólogo Zygmunt Bauman em artigo publicado no jornal argentino Clarín em 27-12-2009.


Para o autor de Modernidade Líquida e Confiança e de Medo na Cidade, entre outros livros, governos e instituições aprenderam muito pouco da crise econômica recente, a resposta à quebra foi endividar-se ainda mais. A tradução é do Cepat.

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Tal como o recente “tsunami financeiro” demonstrou a milhões de pessoas que acreditavam nos mercados capitalistas e na banca capitalista como métodos evidentes para a resolução exitosa de problemas, o capitalismo se especializa na criação de problemas, não em sua resolução.


Assim como os sistemas dos números naturais do famoso teorema de Kurt Gödel, o capitalismo não pode ser ao mesmo tempo coerente e completo. Se é coerente com seus próprios princípios, surgem problemas que não pode abordar; e se trata de resolvê-los, não pode fazê-lo sem cair na falta de coerência com suas próprias premissas. Muito antes que Gödel escrevesse seu teorema, Rosa Luxemburgo publicou seu estudo sobre a “acumulação capitalista” em que sugeria que o capitalismo não pode sobreviver sem economias “não capitalistas”; pode proceder de acordo com os seus princípios sempre que tiver “territórios virgens” abertos à expansão e à exploração. Mesmo quando os conquista com finalidades de exploração, o capitalismo os priva de sua virgindade pré-capitalista e dessa forma esgota as reservas que o nutrem. Em boa medida, é como uma serpente que devora o seu próprio rabo: num primeiro momento os alimentos são abundantes, mas logo se torna cada vez mais difícil comê-los, e pouco depois não resta mais nada para comer nem quem os coma...

O capitalismo é, na essência, um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante algum tempo uma vez que encontra o organismo ainda não explorado do qual pode se alimentar, mas não pode fazê-lo sem prejudicar o hospedeiro nem sem destruir cedo ou tarde as condições de sua prosperidade ou até de sua própria sobrevivência.

Rosa Luxemburgo, que escreveu em uma era de imperialismo ascendente e conquista territorial, não foi capaz de prever que as terras pré-modernas de continentes exóticos não eram os únicos possíveis “hospedeiros” dos quais o capitalismo poderia se alimentar para prolongar a sua vida e iniciar sucessivos ciclos de prosperidade. O capitalismo revelou desde então seu incrível talento para buscar e encontrar novas espécies de hospedeiro cada vez que a espécie explorada anteriormente diminuía em número. Uma vez que anexou todas as terras virgens “pré-capitalistas”, o capitalismo inventou a “virgindade secundária”. Milhões de homens e mulheres que se dedicavam a economizar em vez de viver do crédito foram transformados com astúcia em um desses territórios virgens ainda não explorados.

A introdução dos cartões de crédito foi o indício do que se avizinhava. Os cartões de crédito apareceram no mercado com uma consigna eloquente e sedutora: “Elimine a espera para concretizar o desejo”. Deseja algo, mas não economizou o suficiente para comprá-lo? Bom, nos velhos tempos, que felizmente já ficaram para trás, era preciso postergar as satisfações (esse adiamento, segundo Max Weber, um dos pais da sociologia moderna, era o princípio que tornou possível o advento do capitalismo moderno): apertar o cinto, negar outros prazeres, gastar de maneira prudente e frugal e economizar o dinheiro que se podia separar com a esperança de que com o devido cuidado e paciência se reuniria o suficiente para concretizar os sonhos.

Graças a Deus e à benevolência dos bancos, já não é mais assim. Com um cartão de crédito, essa ordem pode ser invertida: desfrute agora, pague depois! O cartão de crédito nos dá a liberdade de manipular as próprias satisfações, de obter as coisas quando as queremos, não quando as ganhamos e podemos pagar.

Com a finalidade de evitar reduzir o efeito dos cartões de crédito e do crédito fácil a só um lucro extraordinário para aqueles que emprestam, a dívida teria que (e o fez com grande rapidez!) transformar-se em um atrativo permanente de geração de lucros. Não consegue pagar a dívida? Não se preocupe: ao contrário dos antigos emprestadores, ansiosos para recuperar o que haviam emprestado no prazo fixado de antemão, nós, os modernos emprestadores amistosos, não pedimos o reembolso de nosso dinheiro, mas lhe oferecemos ainda mais crédito para devolver a dívida anterior e ficar com algum dinheiro adicional (quer dizer, dívida) para pagar novos prazeres. Somos os bancos de quem gosta de dizer “sim”. Os bancos amistosos. Os bancos sorridentes, como afirmava um dos comerciais mais criativos.

A armadilha do crédito

O que nenhum dos comerciais declarava abertamente era que na realidade os bancos não queriam que seus devedores quitassem os empréstimos. Se os devedores devolvessem pontualmente os empréstimos, já não estariam endividados. É sua dívida (o juro mensal que se paga sobre a mesma) que os emprestadores modernos amistosos (e de uma notável sagacidade) decidiram e conseguiram reformular como a fonte principal de seu lucro ininterrupto. Os clientes que devolvem com rapidez o dinheiro que pegaram emprestado são o pesadelo dos emprestadores. As pessoas que se negam a gastar o dinheiro que não ganharam e se abstêm de pedi-lo emprestado não são úteis aos emprestadores, assim como também as pessoas que (motivadas pela prudência ou por um sentido antiquado de honra) se apressam a pagar suas dívidas a tempo. Para benefício seu e de seus acionistas, os bancos e provedores de cartões de crédito dependem agora de um “serviço” ininterrupto de dívidas e não do rápido reembolso das mesmas. Pelo que a eles concerne, um “devedor ideal” é que aquele que nunca paga completamente o crédito. Pagam-se multas se se quer quitar a totalidade de um crédito hipotecário antes do prazo estabelecido... Até a recente “crise do crédito”, os bancos e emissores de cartões de crédito se mostravam mais que dispostos a oferecer novos empréstimos a devedores insolventes para cobrir os juros não pagos de créditos anteriores. Uma das principais companhias de cartões de crédito da Grã-Bretanha se negou, há pouco tempo, a renovar os cartões dos clientes que pagavam a totalidade de sua dívida cada mês e, portanto, não incorriam em juro punitivo algum.

Para resumir, a “crise do crédito” não foi resultado do fracasso dos bancos. Pelo contrário, foi um resultado completamente previsível, se bem que inesperado, o fruto de seu notável sucesso: sucesso no relativo a transformar a enorme maioria dos homens e mulheres, velhos e jovens, em um exército de devedores. Obtiveram o que queriam conseguir: um exército de devedores eternos, a autoperpetuação da situação de “endividamento”, ao passo que se buscam mais dívidas como única instância realista de economia a partir das dívidas em que já se incorreu.

Ingressar nessa situação ficou mais fácil do que nunca na história da humanidade, ao passo que sair da mesma nunca foi tão difícil. Já se tentou, seduziu e endividou todos aqueles que podiam se converter em devedores, assim como a milhões de outros aos quais não se podia nem devia incitar a pedir empréstimos.

Como em todas as mutações anteriores do capitalismo, também desta vez o Estado assistiu ao estabelecimento de novos terrenos férteis para a exploração capitalista: foi por iniciativa do presidente Clinton que se introduziram nos Estados Unidos as hipotecas subprime patrocinadas pelo governo para oferecer crédito para a compra de casas a pessoas que não tinham meios para reembolsar esses empréstimos, e para transformar assim em devedores setores da população que até o momento haviam sido inacessíveis à exploração mediante o crédito...

Contudo, assim como o desaparecimento das pessoas descalças significa problemas para a indústria do calçado, o desaparecimento das pessoas não endividadas anuncia um desastre para o setor do crédito. A famosa profecia de Rosa Luxemburgo se cumpriu uma vez mais: outra vez o capitalismo esteve perigosamente próximo do suicídio ao conseguir esgotar a reserva de novos territórios virgens para a exploração...

Até agora, a reação à “crise do crédito”, por mais impressionante e até revolucionária que possa parecer, uma vez processada nas manchetes dos meios de comunicação e nas declarações dos políticos, foi “mais do mesmo”, com a vã esperança de que as possibilidades revigoradas de lucro e consumo dessa etapa ainda não se tenham esgotado por completo: uma tentativa de recapitalizar os emprestadores de dinheiro e de fazer que seus devedores voltem a ser dignos de crédito, de modo tal que o negócio de emprestar e tomar emprestado, de se endividar e permanecer nesse estado, possa retornar ao “habitual”.

O Estado de Bem-estar social para os ricos (que, ao contrário de seu homônimo para os pobres, nunca viu questionada a sua racionalidade, e muito menos interrompidas as suas operações) voltou aos salões de exposição após abandonar as dependências de serviço para onde seus escritórios haviam sido transferidos de forma temporária para evitar comparações invejosas.

O que os bancos não podiam obter – por meio de suas habituais táticas de tentação e sedução –, o fez o Estado mediante a aplicação de sua capacidade coercitiva, ao obrigar a população a incorrer de forma coletiva em dívidas de proporções sem precedentes: hipotecando o nível de vida de gerações que ainda não haviam nascido...

Os músculos do Estado, que fazia muito tempo que não eram usados com essas finalidades, voltaram a se flexionar em público, desta vez em prol da continuação do jogo cujos participantes fazem com que esta flexão seja considerada indigna, mas inevitável; um jogo que, curiosamente, não pode suportar que o Estado exercite seus músculos, mas não pode sobreviver sem ele.

Agora, centenas de anos depois que Rosa Luxemburgo tornou pública a sua intuição, sabemos que a força do capitalismo reside em seu incrível talento de buscar e encontrar novas espécies de hospedeiros toda vez que as espécies exploradas anteriormente diminuem de número ou se extinguem e no oportunismo e na velocidade, semelhante aos de um vírus, com as quais se adapta às idiossincrasias das suas novas pastagens. No número de novembro de 2008 do The New York Review of Books (no artigo “A crise e o que fazer a respeito”), o brilhante analista e mestre da arte do marketing George Soros apresentou o itinerário das empresas capitalistas como uma sucessão de “bolhas” que se expandiam para além de sua própria capacidade e extouravam com rapidez uma vez que atingiam o limite de sua resistência.

A “crise do crédito” não marca o fim do capitalismo; apenas o esgotamento de uma de suas sucessivas pastagens... A busca de uma nova relva começará logo, alimentada, assim como no passado, pelo Estado capitalista mediante a mobilização compulsiva de recursos públicos (usando os impostos em vez do poder de sedução, deficitário e temporariamente não operativo, do mercado). Buscar-se-ão novas “terras virgens” e se tentará, de um modo ou de outro, abri-las à exploração até que suas possibilidades de aumentar os lucros de acionistas e as bonificações dos dirigentes fique por sua vez esgotada.

Como sempre (como também aprendemos no século XX a partir de uma longa série de descobrimentos matemáticos desde Henri Poincaré até Edward Lorenz) um mínimo passo em falso pode levar a um precipício e terminar em uma catástrofe. Até minúsculos passos em frente podem desencadear inundações e terminar em dilúvio...

Os anúncios de outro “descobrimento” de uma ilha desconhecida atraem multidões de aventureiros que ultrapassam em muito as dimensões do território virgem, multidões que num abrir e fechar de olhos teriam que voltar correndo às suas embarcações para fugir do iminente desastre, esperando contra toda esperança que as embarcações sigam aí, intactas, protegidas...

A grande questão é em que momento a lista de terras disponíveis para uma “virginização secundária” se esgotará, e as explorações, por mais frenéticas e engenhosas que sejam, deixarão de gerar respiros temporários. Os mercados, que estão dominados pela “mentalidade caçadora” líquida moderna que substituiu a atitude de guarda-florestal pré-moderna e a clássica postura moderna de jardineiro, seguramente não vão se incomodar em colocar essa pergunta, dado que vivem de uma alegre escapada de caça a outra como outra oportunidade para adiar o momento da verdade, não importa se por um momento breve nem a que preço.

Ainda não começamos a pensar com seriedade na sustentabilidade da nossa sociedade movida a crédito e consumo. “A volta à normalidade” prognostica uma volta a vias sempre mais perigosas. A intenção de fazê-lo é alarmante: indica que nem os dirigentes das instituições financeiras, nem os nossos governos, chegaram ao fundo do problema com seus diagnósticos, e muito menos com seus atos.

Parafraseando Héctor Sants, diretor da Autoridade de Serviços Financeiros, que há pouco confessou a existência de “modelos empresariais mal equipados para sobreviver ao estresse (...), algo que lamentamos”, Simon Jenkins, um analista do The Guardian de extraordinária perspicácia, observou que “foi como se um piloto protestasse porque seu avião funciona bem com exceção dos motores”.