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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Como nasceu o gaúcho

Poucos sabem que os gaúchos não surgem de nenhum grande feito heróico, mas foram os remanescentes de um dos maiores e mais vergonhosos massacres feitos no Uruguay e no próprio Rio Grande do Sul.

Me mandaram esse interessante texto de Selvino Heck sobre o assunto

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Como nasceu o gaúcho

Selvino Heck

Sou gaúcho, em termos gerais. Nascido no Rio Grande do Sul.

Gaúcho-alemão, quem sabe. Alguém que hoje só fala alemão com sua mãe de 82 anos, cresceu no meio de uma comunidade brasileira-gaúcha-alemã, aprendeu a falar português aos 7 anos quando foi para a escola e tem muitos dos hábitos da agricultura familiar tal como vieram da Alemanha no século XIX, mas que incorporou o sotaque dos gaúchos (em qualquer lugar do Brasil que eu chegue, digo duas palavras e as pessoas já perguntam ‘você é gaúcho, não?’), um certo jeito de ser e reagir, um machismo particular, alguns valores bem típicos, amor especial à terra ou ao pago, etc., etc.

Agora, está-se descobrindo como, onde e quando surgiu esse gaúcho celebrado e cantado em prosa e versos. É uma história triste, muito triste.

Os charruas, grupo indígena cultuado na Argentina, no Rio Grande do Sul e no Uruguai - que usa seu nome quase como gentílico - foram dizimados em 11 de abril de 1831, nos descampados de Salsipuedes. Poucos escaparam do genocídio premeditado, restando posteriormente os mestiços, chamados de gaúchos, nome emprestado ao homem do Pampa. Dos sobreviventes charruas puros, crianças e mulheres foram levadas a Montevidéu, onde famílias abastadas daqueles tempos de fertilidade e fartura as tomaram como criadas (Léo Guerchmann, "O fim chegou em Salsipuedes", Zero Hora, Caderno de Cultura, 12.09.09).

Eduardo Picerno, pesquisador uruguaio, que está lançando ‘El Genocídio de la Población Charrua’, diz: "Tenho um documento do presidente Rivera (do Uruguai) no qual ele pede às autoridades brasileiras que exterminem todos os charruas que escapassem do Uruguai. Não se esqueça: não havia limites territoriais, vários charruas que estiveram em Passo Fundo, por exemplo, e deixaram descendentes. Mas dos que foram atacados em 1831 poucos sobreviveram."

Antecipando uma Operação Condor dos tempos recentes de governos militares, Rivera enviou carta a Bento Manuel Ribeiro, militar brasileiro responsável pela fronteira, em Alegrete, Rio Grande do Sul. E pediu: "Solicitamos cooperar com seus militares para a destruição total do resto dos charruas, como também contra militares sediciosos que poderiam se refugiar ultrapassando a fronteira."

Assim aconteceu. Diz Picerno: "Entre 1831 e 1834, os charruas que sobreviveram se esconderam ou se misturaram com os brancos. Como mulheres sobreviveram mais que homens, e se misturaram aos europeus forjando o gaúcho, existem descendências espalhadas pelos nossos países. Charruas, puros, não sobreviveram. Passaram a ser mestiços e foram chamados de gaúchos, (o famoso personagem pampeano que deu origem ao gentílico sul-rio-grandense)." Calcula-se, hoje, que, entre Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, haja 6 mil descendentes de charruas. No Estado do Rio Grande do Sul, são 400, entre a região das Missões e Porto Alegre (Léo Guerchmann).

A informação saiu em plena Semana Farroupilha. 20 de setembro é a data máxima dos gaúchos. Feriado, é quando se comemora a Revolução Farroupilha que, de 1835 a 1845, chegou a fundar a República do Piratini, República independente dos gaúchos. Por isso, dizem alguns, o Estado do Rio Grande do Sul e o gaúcho escolheram ser brasileiros.

Na Semana Farroupilha, os festejos se espraiam por todo Rio Grande, e hoje Brasil afora, em todos os lugares onde há gaúchos espalhados abrindo fronteiras. Acontece também o acampamento de milhares de pessoas em Porto Alegre, no Parque da Harmonia, no centro da capital. Durante um mês, famílias inteiras transferem seu lar para o acampamento, que se torna uma grande confraternização de tradições. Inúmeras cavalgadas de centenas de quilômetros são feitas para celebrar o gaúcho a cavalo e sua memória de alguém apegado ao campo e ao cuidado do gado. E muito chimarrão, hábito, aliás, de origem indígena, muita ‘canha’ (cachaça), muita música, muita trova e festa.

A história agora (re)contada faz um desnudamento: o gaúcho surgiu de muito sangue e discriminação. Um povo foi praticamente dizimado. Mas como os humilhados e ofendidos sempre resistem, os charruas usaram os meandros da história para permanecerem vivos. Misturaram-se, viraram mestiços, e suas virtudes de povo de heroísmo e valentia de alguma forma aí estão, vivos, ressuscitados no gaúcho.

Importa, neste momento histórico, reconhecer a origem e humildemente pedir perdão. Que não se repita na história o genocídio de um povo livre. Que os milhões de índios e negros escravos assassinados neste país gritem mais alto por dignidade, por direitos, por justiça.

A valentia, a honradez, a coragem, a altivez do gaúcho têm, finalmente, sua origem e raiz (re)conhecidas. "No vizinho Uruguai, fala-se ‘del alma charrúa’. No Rio Grande do Sul, é usual dizer que o comportamento aguerrido de um time de futebol é fruto dessa mesma alma. Na Argentina, charrua é índio de respeito" (Léo Guerchmann) Os gaúchos são, pois, charruas, são indígenas, vêm de um povo que teve que morrer, ser sacrificado no altar do branco dominador. 


Que os gaúchos, os gaúchos-alemães como eu, os gaúchos-italianos, os gaúchos-poloneses, os gaúchos-judeus, os gaúchos-árabes, os gaúchos-japoneses e os brasileiros jamais se esqueçam destes assassinatos históricos. E nunca mais se escreva uma carta como a do presidente Rivera ao senador Julián de Gregório Espinosa, seu amigo, no dia 15 de abril de 1831, em que avisa estar lhe enviando objetos dos índios dizimados quatro dias antes: "Meu estimado Julián. O entregador lhe dará uma lança, um arco e flechas. Conserva essas memórias dessa tribo selvagem que já não existe. Não tenho outra coisa a oferecer-te, amigo."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Uma homenagem para a quadrilha formada pelos dePUTAdos gaúchos

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A assembléia dos dePUTAdos gaúchos fica numa praça denominada "Praça da Matriz", recentemente se "auto" amentaram, para os senhores dePUTAdos, uma homengem do Tonho Crocco.


Música: Gangue da Matriz
Letra: Tonho Crocco
Instrumental: What'cha want (Beastie Boys)

36 contra 1, aí é covardia
O crime aconteceu em plena luz do dia
Votado e aprovado pelos próprios Deputados
Subiram seu salário; me senti 1 otário
Capitalistas, comunistas
Todas as vertentes presentes na lista
RAUL CARRION que decep''som''
Até os que eu achava que eram sangue bom
20 mil por mês pro GILMAR SOSSELA
Traz que eu asso
2 mil kilos de costela
ALOÍSIO CLASSMANN, GERSON BURMANN
A casa dominada só tem bam bam bam

Gangue da Matriz
Gangue da Matriz
Ali no Alto da Bronze

Gangue da Matriz
Gangue da Matriz
são 36 contra 11

Yeah

Custe o que custar
Esse é o ajuste
ODONE e ZÁCHIA
No grenal do reajuste
PEDRO WESTPHALEN
E PEDRO PEREIRA
KALIL SEHBE
Nunca pisaram na Pedreira
FRANCISCO PINHO
FRANCISCO APPIO
ABÍLIO DOS SANTOS
Aqui são todos santos
LUCIANO AZEVEDO
ADROALDO LOUREIRO
BEFRAN ROSADO
Até fiquei corado
Alô JOÃO FISHER e ADOLFO BRITO
Aviso, eles querem ganhar no grito
HEITOR SCHUCH
EDSON BRUM
JOÃO SCOPEL
PAULO BRUM
MIKI BREIER e
ALBERTO OLIVEIRA
ALEXANDRE POSTAL e ALCEU MOREIRA
SILVANA COVATTI
CIRO SIMONI
ZILÁ BREITENBACH
CARLOS GOMES não dá

Yeah

MARCIO BIOLCHI
GILBERTO CAPOANI
Só falta o Tiririca vir trampar aqui
NELSON HARTER e também MARCO ALBA
Confortavelmente embaixo dessa aba
73 por cento
Feriu meu sentimento
Lá vem o PAULO BROGES trazendo o mal tempo
Bota-tira-bota
Bota-tira-troca
Se a gente não trocar o ADILSON TROCA
Bate o ponto, tem diária e não trabalha
Pra eles benefícios
Pro povo migalhas
FREDERICO ANTUNES já foi chefe da casa
Aposto que o salário deles nunca atrasa
É hora de falar
É hora de mudar
Não sei quanto a você mas eu vou lutar
E se a memória é curta mude sua conduta
Posso perder um round mas não fujo da luta


Gangue da Matriz
Gangue da Matriz
Ali no Alto da Bronze

Gangue da Matriz
Gangue da Matriz
são 36 contra 11

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Antes tarde do que MAIS tarde...

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Colaboração do N.

Sandra Starling é mais uma petista histórica a abandonar o barco.

Sai atirando, e mostrando os desvios de conduta de um partido que - houve época - já foi tido com sério até pelos adversários.

O sentimento que revela em Minas é o mesmo que se percebe no PMDB gaúcho em relação à mesma composição espúria por aqui.

PMDB e PT são adversários no mesmo campo, que até se apoiaram por respeito em diversos momentos históricos.

Mas composições eleitoreiras não fazem o estilo nem de um nem de outro.

Ou melhor, não faziam.

Hoje ambos são arremedos do que foram.

O PT compra quem pode, o PMDB se vende a quem der mais.

Resultado: se juntam e, juntos, se desmoralizam.

E o PSDB, com seus irmãos menores, vai ganhando espaço.

Restam vozes isoladas como a de Starling em Minas e Simon no Rio Grande do Sul, cada vez mais esmagadas pelo caciques.

Lula, Sarney, Temer, cruz credo.

2012 já chegou, no planalto central.

(Segue após o texto de Sandra.)

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Carta de desfiliação de Sandra Starling do PT

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO

Adeus ao Partido dos Trabalhadores

Sandra Starling

Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.

É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes. Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores.

Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional. Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.

Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar. Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima.

Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”

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PS:
De nós, gaúchos, dizem que somos egocêntricos, narcisistas, arrogantes e por aí afora.
Mineiros e paulistas, que nos consideram meio platinos, gostam muito de dizer estas coisas.
Mas cruzes, percebam no texto de Sandra:
"Em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma."
Minas se acha o umbigo do universo.
De lá surgiram fatos marcantes de nossa História, é verdade, mas vejam os principais:
+ Uma Inconfidência que não deu em nada e resultou na execução única de seu membro mais modesto, até hoje festejada como um grande ato;
+ um presidente que enterrou o Brasil em uma crise inflacionária que quase nos liquidou;
+ um golpe de estado que resultou na mais sangrenta ditadura que o país já sofreu;
+ e um santo barroco hábil em política, que poderia ser o contraponto a isto tudo, mas mineiramente saiu de cena antes de assumir a presidência.
Mesmo assim, os mineiros, agora como sempre, acham que é lá que " jogava-se a partida decisiva para os rumos do País".
Uai, sô!
E os narcisistas somos nós...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os gaúchos e as eleições

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Do jornal Zero Hora




Comentários Politicamente (In)Corretos

Os gaúchos de vez em quando ainda dão provas que são politizados e não se impressionam com promessas, "pacs" e jogos de mídia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PM do Rio Grande do Sul rouba flagelados

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Deu no Jornal Zero Hora, a PM do Rio Grande do Sul, que mantém o nome da milícia pré 64 (Brigada Militar), roubou telhas, colchões, cobertores e outras coisas que eram destinadas aos flagelados das enchentes do estado.

josé antônio medeiros, coronel da milícia, que era o coordenador da defesa civil fez o seguinte, uma parte roubou e vendeu para empresas da região metropolitana, outra, distribuiu para os colegas fardados.

Comentário Politicamente (In)Correto

E tem gente que acha que não precisamos começar a polícia da E$bórnia do zero e acabar com essas estrutura, corruptas, incompententes, violentas, pesadas e caras, que são excrecencias do regime militar, mantidas por chantagem e muito lobby na constituinte.