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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Movimento climático global

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Neste domingo, em mais de 6.300 eventos em 187 países, cidadãos ao redor do mundo irão desmascarar um boato perigoso: que o movimento climático global desapareceu.

Vamos mostrar aos líderes mundiais e à imprensa que nós estamos mais diversificadas, maiores e mais criativos do que nunca - e que nós simplesmente não vamos desistir até que o nosso planeta, e todos os que vivem nele, estejam a salvo.

No domingo, 10 de outubro - que é 10/10/10, uma data para se lembrar – nós vamos nos reunir em "festas de trabalho" para o clima ao redor do mundo, demonstrando a nossa determinação e soando um apelo aos nossos governantes: "Nós estamos colocando a mão na massa ... e você? "

Quanto mais pessoas participarem, mais direta será a nossa mensagem de determinação para derrotar as mudanças climáticas. Estas festas não serão somente incrivelmente úteis, como divertidas também. Clique abaixo para encontrar um evento perto de você e confirmar a presença (ou inscrever o seu próprio evento) - é hora de arregaçar as mangas e agir: 
http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl

O momento é crítico: nas próximas semanas e meses, nossos governantes irão tomar decisões importantes sobre o esforço para conseguir um novo tratado climático global. O ano todo eles ficaram se lamentando sobre a Conferência de Copenhague que aconteceu em dezembro, onde países não conseguiram chegar a um acordo vinculante – e nem mesmo a um compromisso de elaborar um. Se os políticos pensarem que as mobilizações populares por ações climáticas acabaram, eles irão ceder ao lobby do combustível fóssil - e simplesmente desistir de chegar a um acordo real.

Mas mesmo com os governos se esquivando, a crise climática está acelerando. 2010 é o ano mais quente já registrado. Desastres naturais ligados ao clima, como as inundações no Paquistão, custaram milhares de vidas. E os cientistas dizem que a situação está piorando. Nosso movimento tem que estar à frente da crise climática e precisamos puxar os políticos conosco.

Ao demonstrar a nossa determinação, a Festa de Trabalho Global irá lançar um desafio aos nossos governantes. Eventos locais incluem o plantio de árvores no interior da Tanzânia, a instalação de painéis solares na China, e um passeio de bicicleta internacional da Jordânia para Israel - junto com eventos muito mais simples organizados por pequenos grupos de amigos. Onde quer que estejamos e qualquer que seja a nossa ação, nós estamos passando uma mensagem: nós estamos gerando soluções para as mudanças climáticas em nossas proprias comunidades, os nossos governantes não têm desculpa para não começar a trabalhar a nível nacional e mundial.

Quanto mais pessoas participarem, mais poderosa será a nossa mensagem. 10/10/10 é daqui a poucos dias, e é fácil participar - clique para se inscrever:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl

Embora haja pouco tempo para enfrentar as mudanças climáticas, o movimento climático em si, é relativamente jovem. A abolição do comércio transatlântico de escravos e o fim do Apartheid levou décadas. Porém, as mudanças climáticas, por causa de sua ameaça a todos em todos os lugares, tem um poder especial de unir as pessoas além das fronteiras.

No ano passado, uma onda extraordinária de atividade, com sucessivos dias de ação global (21 de setembro, 24 de outubro e 12 de dezembro) levaram os Chefes de Estado do mundo todo a estarem presentes na Conferência de Copenhague. Foi de tirar o fôlego, mas não foi o suficiente. Este fim de semana, vamos renovar nosso compromisso de lutar pelas seis bilhões de vidas - e mostrar que não estamos indo a lugar algum, enquanto nós temos um planeta para salvar.

Com esperança e determinação,

Ben, Iain, Ben M, Maria Paz, Ricken, David, Graziela e toda a equipe Avaaz

PS: Estes eventos estão sendo organizados por uma vasta gama de grupos e indivíduos, com o apoio dos amigos da Avaaz, a 350.org - utilizando ferramentas da web que facilitam a localização de um evento ou o cadastro de um novo evento. Inscreva-se para um evento com estas ferramentas, e a 350 irá enviar algumas mensagens úteis nas vesperas do dia de ação. Aqui está o link novamente:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

2010 e o aquecimento global

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2010, o ano mais quente da história?

Por Marcelo Leite para a Folha Online

A esperteza --para não dizer coisa pior-- dos "céticos" ou "negacionistas" da mudança do clima não tem limites. O negócio deles é semear a dúvida, lançar suspeitas e espalhar desinformação, mesmo que isso implique destruir a confiança na própria ciência.

Um de seus argumentos é que o aquecimento global estaria virando desaquecimento global. Afinal, a temperatura média da troposfera (a camada mais baixa da atmosfera) não aumentou desde 1998, o ano mais quente no registro histórico. E se 2010 bater o recorde de 1998?

Nada mudará na estratégia provocadora dos negacionistas. Como sempre fazem, ignorarão o dado que lhes seja desfavorável.

Eles passarão para o próximo "argumento". Por exemplo, que não é possível apurar uma grandeza como a temperatura média da atmosfera, ou que o tratamento estatístico dos dados é manipulação, ou que a atividade solar é a verdadeira causa do aquecimento, não os gases do efeito estufa. São incorrigíveis.

Pois bem: há boa chance de 2010 se tornar, de fato, o ano mais quente de todos os tempos, ou melhor, desde que se iniciaram as medidas em escala planetária.

Não houve outro período janeiro-agosto mais quente que o deste ano. E isso numa fase de atividade mínima do Sol, em que a radiação solar pouco contribui para esquentar a atmosfera além do usual.

A única dúvida é se o período La Niña que está abrindo terá um efeito resfriador forte o bastante para contrabalançar a alta da temperatura. O mais provável é que 2010 termine em empate técnico com 1998 e com 2005 (instituições de pesquisa americanas e britânicas divergem sobre qual dos dois anos detém o recorde).

De todo modo, o que os negacionistas sempre omitem é que a década de 2000-2009 foi a mais quente jamais registrada. Pouco importa se 1998 ou 2005 detêm o recorde com alguns centésimos de grau a mais. O que interessa é a tendência, como a que fica evidente no gráfico abaixo.


Divulgação

A linha azul mostra a variação da temperatura média, mas com o truque estatístico - no bom sentido - das médias móveis, para silenciar a sazonalidade típica do clima: cada ponto da curva assinala a média dos 12 meses anteriores, de modo que todas as estações do ano estão representadas em cada valor. A fonte é o Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa.

Na parte mais baixo do gráfico, a linha oscilante marca episódios de El Niño (vermelho, para indicar sua contribuição de aquecimento) alternados com os de La Niña (azul, para resfriamento). Entre as duas curvas, os triângulos verdes indicam episódios importantes de erupções vulcânicas, que também contribuem para resfriar a atmosfera.

O que qualquer um pode enxergar com os próprios olhos é um aquecimento evidente. Só não vê quem não quer, ou quem é pago para jogar areia nos olhos dos outros.

Os últimos meses foram marcados por fenômenos meteorológicos extremos: seca no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, onda de calor mortífero na Rússia e no leste da Ásia, enchentes no Paquistão, avalanches de lama na China.

Todos esses eventos são coerentes com as previsões dos modelos de computador que projetam os efeitos da mudança do clima por força do aquecimento global.
No rigoroso inverno 2009-2010 do hemisfério Norte, os negacionistas deitaram e rolaram na neve. Espalharam aos quatro ventos que o frio intenso era prova da balela do aquecimento global (diga-se de passagem, as nevascas não são incompatíveis com as previsões sobre a mudança do clima). O que os "céticos" têm a dizer agora?

Nada. Mais vale, para eles, insistir na confusão corriqueira entre tempo (meteorologia) e clima. Se neva muito, o aquecimento global é uma mentira, assegura sua lógica simplista, que o senso comum tende a aceitar por seu valor de face.

O clima da Terra sempre terá variações regionais. Mesmo com o aquecimento global, algumas áreas do globo poderão resfriar-se, seja na média de vários anos, seja num único ano.

Mudança do clima não quer dizer que Moscou terá ondas de calor todos os anos, mas que eventos como esse - em locais que não se pode prever a cada ano --se tornarão mais frequentes no planeta como um todo. Em 2003, a onda de calor foi na Europa Ocidental, e milhares de idosos morreram em Paris.

É o que se pode vislumbrar neste terceiro e último gráfico:

Os mapas mostram com cores quanto a temperatura de superfície se desviou da média histórica, durante o período janeiro-julho, nos anos recordistas de 2010, 2005 e 1998. Os tons de azul em direção ao roxo indicam queda. Do amarelo ao marrom, aquecimento.

Fica mais ou menos óbvio, mesmo para o olho destreinado, que a área com temperaturas anormalmente altas é bem maior. Há pouco azul nos mapas, indicando que houve regiões onde o aquecimento global --supondo sempre que essa de fato tenha sido a causa das anomalias-- trouxe temperaturas mais baixas naqueles anos. Mas foram poucas.

A tendência geral do clima se dá na direção do aumento das temperaturas. Nos três anos recordistas. Em toda a década, ela também recordista.

Pensando bem, a esperteza dos "céticos" encontra barreiras, sim. Seu limite está na nossa própria capacidade de buscar a melhor ciência, contornar as armadilhas do senso comum e pensar com a própria cabeça. Quem se arrisca?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O maior embuste da história

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ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
(Folha de SP, 24/02/2010)

POIS VEJAM só, 170 países -ou seja, a humanidade toda- se reuniram para discutir o combate ao aquecimento global, que seria consequência da emissão de gases ditos de efeito estufa de natureza antropogênica. E imaginem só: não existe esse tal de efeito estufa.Cada um desses 170 países se apoiou em seus cientistas, dezenas de milhões que, de uma maneira ou outra, com umas poucas centenas de exceções, reconhecem a existência do fenômeno. Mas esses 170 governos, essas dezenas de milhões de cientistas pretendem, por motivos ocultos ou pelo menos ainda não desvendados, enganar a humanidade com uma lorota que seria o maior embuste da história -e a prova incontestável disso foi obtida por uns "hackers".

Um dos especialistas em aquecimento global se vangloriou de que teria apresentado dados de maneira a confundir sua leitura e a percepção por não iniciados de que breves oscilações naturais na temperatura da Terra estariam ocorrendo.E, embora até agora não tenha sido demonstrado que houve real fraude, esse episódio é suficiente para desacreditar essas dezenas de milhões de cientistas que acreditam que o efeito estufa atmosférico existe. Todos eles seriam, portanto, partícipes do maior engodo da história da humanidade.

Essa suplantaria aquela que fora a até então mais perversa farsa científica de todos os tempos e que foi chamada de "o engodo do homem de Piltdown". Em 1908, foram descobertos alguns ossos de membros, de maxilar e do crânio de um "primata" por operários em uma caverna. Os indícios eram de que poderiam constituir aquilo que se buscava incessantemente, "o elo perdido" que provaria definitivamente a ascendência do macaco em relação ao homem e, consequentemente, a própria teoria da evolução de Darwin.

Nas décadas seguintes, novas evidências foram adicionadas. Até que um dia, 40 ou 50 anos mais tarde, algumas dúvidas afloraram e finalmente prova definitiva da fraude foi exposta. Dentes haviam sido maquiados e ossos de primatas diversos, inclusive Homo sapiens, preparados e incluídos, compondo assim um indivíduo híbrido. O principal autor fora o descobridor inicial, Charles Dawson, mas muitos cientistas ilustres, inclusive o jovem e brilhante Teilhard de Chardin, foram acusados de participação acessória.

A mais benevolente interpretação é a de que, com tais provas, derrotar-se-iam as resistências de cristãos e de suas igrejas à teoria da evolução. Com a demonstração de que o homem de Piltdown era um embuste, poder-se-ia concluir que o criacionismo seria a verdade triunfante. Ou seja, Adão foi feito de barro há cerca de 5.000 anos e sua mulher brotou de sua costela como um cogumelo.

Pode parecer ridícula essa conclusão, mas é exatamente isso o que os chamados céticos estão fazendo com relação ao efeito estufa atmosférico.Como um especialista se jactou de ter "preparado" resultados, concluem esses senhores que não há efeito estufa atmosférico e que, portanto, os milhões de cientistas que acreditam na sua existência são uns idiotas e só eles, os céticos, os pouquíssimos iluminados com o toque da divindade suprema, como Moisés, tiveram acesso à revelação.

Pois bem, no conturbado debate em torno do conflito religioso, ideológico e científico que se travou depois da publicação do livro de Darwin ("A Origem das Espécies") e se estende até nossos dias, jamais um intelectual criacionista usou um argumento baseado na fraude do homem de Piltdown para defender suas convicções. Talvez por elegância intelectual ou por simples inteligência, pois nenhum debatedor honesto usaria uma leviandade de um indivíduo ou mesmo de um grupo para desqualificar o trabalho sério e dedicado de milhares de autênticos pesquisadores e a convicção de milhões de cabeças pensantes. Apenas a vaidade arrogante e a irresponsabilidade intelectual acomodariam esse abuso contra a razão.

É também notável o fato de que, embora o Brasil possua alguns milhares de pesquisadores reconhecidos internacionalmente pela qualidade de suas pesquisas, qualidade esta evidenciada pelo número de citações na literatura internacional, nenhum dos poucos que rejeitam o aquecimento global se insira nesse abundante rol de qualificáveis como autênticos cientistas.