segunda-feira, 7 de junho de 2010
Porque tantos posts sobre Israel e a Palestina?
Simples, Israel é um estado racista, que faz uma limpeza étnica e um genocídio a conta gotas, chega!
Por um estado Palestino livre!
domingo, 6 de junho de 2010
Governo turco denuncia torturas aos membros da frota em Israel
ISTAMBUL - O vice-primeiro-ministro e porta-voz do Governo da Turquia, Cemil Çiçek, assegura que os integrantes da frota humanitária sofreram torturas durante sua retenção em Israel, informou hoje a imprensa local.
Em uma das imagens se vê um soldado chorando e com a cabeça ensanguentada,supostamente após ter sido atingido pelos tripulantes do navio. Em outra fotografia se vê o corpo do fotógrafo turco Cevdet Kiliçlar, morto com um disparo na cabeça a pouca distância.
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A seguir, fotos dos feridos na abordagem de segunda-feira.
Israel agora está alegando que os barcos transportavam armas e munições.
Seria de perguntar por que não foram usadas na resistência à abordagem.
Não: a resistência foi feita com ferros e correntes.
O que não impediu que Israel justificasse seus tiros e violência como "legítima defesa".
"Legítima defesa" contra o que, cara pálida.
Os barcos foram abordados em águas internacionais, pela força armada regular de um país.
Típico ato de "corso", ou seja, pirataria de estado.
De qualquer forma, segue a guerra de propaganda.
Detalhe: estas fotos nada tem a ver com os fatos descritos no texto acima.
Aquele se refere à violência contra tripulantes sequestrados dos barcos, já em terras israelenses.
Estas (a seguir) são dos feridos pelos soldados israelenses durante a abordagem.
Tudo muito "civilizado".
A verdade por trás da propaganda israelense
Primeiro um texto de apresentação.
Depois um texto do apresentado.
Um daqueles jornalistas que todos os jornalistas gostariam de ser.
Leiam.
N.
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Filho de um ex-soldado britânico da Primeira Guerra Mundial, Robert Fisk estudou jornalismo na Inglaterra e Irlanda. Trabalhou como correspondente internacional na Irlanda - cobrindo os acontecimentos no Ulster - e Portugal. Em 1976, foi convidado por seu editor no The Times para substituir o correspondente do jornal no Oriente Médio. Fisk trabalhou para o The Times até 1988, quando se mudou para o The Independent - após uma discussão com seus editores sobre a modificação de seus artigos, sem seu consentimento.
Robert Fisk cobriu a guerra civil do Líbano (iniciada em 1975), a invasão soviética de Afeganistão (1979), a guerra Irã-Iraque (1980-1988), a invasão israelense do Líbano (1982), a guerra civil na Argélia, as guerras dos Balcãs e a Primeira (1990-1991) e aSegunda Guerra do Golfo Pérsico (2003). Fisk notabiliza-se também pela cobertura ao conflito israelo-palestino. Ele é um defensor do diálogo dos países árabes e do Irã com Israel.
Considerado como um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio, Fisk contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados libaneses de Sabra e Chatila, os assassinatos de Saddam Hussein, as represálias israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e Irak.
Fisk também entrevistou Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, em 1993 (no Sudão) e 1997 (no Afeganistão). As duas entrevistas estão no monumental "A grande guerra pela civilização", editado no Brasil pela Planeta em 2007 e cujas 1493 páginas a gente lê sem sentir.
Robert Fisk é o correspondente estrangeiro britânico mais premiado. Recebeu o Prêmio Correspondente Internacional Britânico do Ano sete vezes (as últimas em 1995 e 1996).
Também ganhou o Prêmio à Imprensa da Anistia Internacional no Reino Unido em 1998 e 2000.
Se existe um nome respeitado, na imprensa internacional, é ele.
Então, vamos a seu texto:
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Robert Fisk:
A verdade por trás da propaganda israelense
Eu também, claro, horrorizei-me ao ver homens armados abordando navios em águas internacionais, matando passageiros a bordo que tentavam resistir e em seguida sequestrando o barco e atracá-lo em porto nacional dos piratas sequestradores. Falo, claro, dos piratas somalis que agem em águas ocidentais no Oceano Índico. Como se atrevem, esses terroristas, a tocar em nossos barcos desarmados em alto mar? Temos todo o direito de enviar nossos navios de guerra, para impedir a ação desses terroristas.
Mas... ufa! Sorte, que os israelenses não cobraram resgate! Só querem que os jornalistas vençam, em nome deles, a guerra da propaganda.
A semana mal raiara, e “comandos” de Israel atacaram um barco turco que levava ajuda humanitária para Gaza e mataram nove passageiros. No final da semana, os que protestaram contra esse assalto já estavam convertidos em “ativistas pacifistas armados”, antissemitas pervertidos, que “professam o pacifismo, mas destilam ódio, atacando outros seres humanos com porretes de metal”. Gostei da parte ficcional. A evidência de que os seres humanos que se defenderam com barras de metal estavam recebendo tiros à queima-roupa foi varrida dessa estranha versão dos fatos.
Declaração de uma família turca, de que seus filhos haviam dito que queriam ser mártires – coisa que muitos membros de muitas famílias turcas diriam, se seus parentes fossem assassinados à queima-roupa por israelenses – foram convertidas em prova de que o barco turco conduzia jihadis.
“Naquele barco”, escreveu-me alguém nascido no Sri Lanka, “estavam minha sobrinha, meu sobrinho e a esposa. Infelizmente, Ahmed (meu sobrinho, 20 anos) foi ferido à bala na perna e está hospitalizado, sob custódia militar. Havendo notícias, escrevo.” E escreveu. Poucas horas depois, a imprensa cercou a casa da família na Austrália, perguntando se Ahmed seria jihadi – ou, talvez, potencial suicida-bomba. A propaganda funciona, vejam só.
Não vimos um bit de filme dos protestos, em todo o mundo, porque os israelenses confiscaram tudo. Ninguém explicou por que – se o barco turco conduzia gente tão perigosa – o terrível complô para ajudar os “terroristas” de Gaza não foi descoberto durante a longa viagem desde a Turquia, sequer quando o barco atracou noutros portos. Pois o professor Gil Troy da Universidade McGill em Montreal – em matéria publicada no raivoso e fanático Canadian National Post, é claro – ainda repetia esse lixo sobre “ativistas pacifistas armados”, na 5ª-feira.
Pessoalmente, a matança no barco turco não me surpreendeu. No Líbano, vi esses esquadrões da morte, simulacros de exército, em ação – simulacros de exército, como são também os esquadrões da morte (“grupos de elite”) dos exércitos árabes –, matando civis. Vi-os também, assistindo sem intervir ao massacre de palestinos em Sabra e Shatila na manhã de 18 de setembro (último dia da matança); naquela ação, foram substituídos pelos aliados viciosos das milícias libanesas, mais do mesmo. Eu os vi, em Qana, no primeiro massacre de palestinos por pistoleiros israelenses, em 1996; um dos pistoleiros, na imprensa israelense, chamou os 106 civis mortos de “Arabushim” (termo racista e ofensivo para “árabes”). Mais da metade dos mortos eram crianças. Pouco depois , o governo israelense de Shimon Peres (Prêmio Nobel da Paz!), disse que havia terroristas entre os civis. Mentira, mas... quem liga? E depois, veio o segundo massacre de Qana em 2006 e depois a matança de 1.300 palestinos no ataque de Israel a Gaza em 2008-09, e depois...
Ora, depois veio o Relatório Goldstone, que descobriu que o exército de Israel (e o Hamás) cometeram crimes de guerra em Gaza. Mas todos foram declarados antissemitas – o pobre respeitável juiz Goldstone, ele próprio judeu, além de renomado jurista sul-africano, massacrado também, e declarado “homem do mal” pelo abominável Al Dershowitz de Harvard. – E o relatório foi decretado “controverso” pelo bravo governo Obama. “Controverso”, em inglês, significa “fuck you”. Há dúvidas sobre o relatório. Negócio barra pesada.
Mas voltemos à nossa cronologia. Depois, houve o assassinado, pelo Mossad, de um dirigente do Hamás, em Dubai. Os israelenses usaram pelo menos 19 passaportes britânicos e de outros países, roubados e adulterados. Qual foi a patética reação do então secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband? Disse que fora “um incidente”. Não o assassinato em Dubai, vejam só, mas a adulteração dos passaportes, assunto super “controverso”, claro. E depois... Aí está. Agora, nove pessoas foram assassinadas a tiros, no mar, por mais dúzia e meia de heróis de Israel.
O engraçado é que tantos jornalistas ocidentais – e incluo aqui a acovardada cobertura da BBC, do ataque aos barcos de ajuda humanitária – estão escrevendo exatamente como a maioria dos jornalistas israelenses. Ao mesmo tempo, muitos jornalistas israelenses escrevem, em Israel, com a coragem que se deveria esperar da ‘mídia’ ‘livre’. E escrevem lá, contra o exército israelense.
Vejam Amos Harel, no Haaretz[1], em matéria na qual analisa a formação do corpo de oficiais do exército de Israel. No passado, muitos saíam dos kibbutz de tradição socialista, de Telavive ou das planícies costeiras de Sharon. Em 1990, só 2% dos cadetes do exército eram judeus ortodoxos religiosos. Hoje, essa proporção já chega a 30%. Seis, dos sete tenentes-coroneis da Brigada Golani, são religiosos. Mais de 50% dos comandantes locais são religiosos “nacionais”, em algumas brigadas de infantaria.
Nada de mal, em alguém ser religioso. Mas – e embora Harel não destaque esse aspecto, apenas registre – muitos dos judeus ortodoxos apoiam a colonização da Cisjordânia e opõem-se à criação de um Estado palestino.
E os colonos ortodoxos são os que mais odeiam os palestinos, e querem tanto detonar qualquer chance de haver Estado palestino, quanto alguns oficiais do Hamás gostariam de detonar o Estado de Israel. Por ironia, foram os antigos oficiais do “velho” exército israelense, que estimularam os “terroristas” do Hamás a construir mesquitas em Gaza. Pretendiam contrabalançar, com mesquitas, o crescimento do “terrorista” Yasser Arafat, em Beirute. E fui testemunha de uma de suas reuniões. Mas a coisa continuará como sempre, a velha história, até que o mundo acorde. “Nunca vi exército mais democrático que o exército de Israel”, disse o infeliz filósofo francês Bernard-Henri Lévy, horas antes do morticínio.
É, o exército de Israel não tem rival, é a elite, é humanitário, heroico. Esperem só até os piratas somalis saberem disso!
"Israel está fazendo muito dinheiro com a ocupação da Palestina", diz economista israelense
20/05/2010 - 10:32 | Arturo Hartmann | Jerusalém
Os impactos de anos de ocupação israelense sobre a economia palestina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e a nova onda de migração de trabalhadores da Ásia para substituir a mão-de-obra palestina, confinada nos territórios, são os principais temas abordados pelo economista israelense Shir Hever, membro do Alternative Information Center, nessa entrevista ao Opera Mundi.
Segundo o estudioso, mestre em História e Filosofia pelo Instituto Cohen, na Universidade de Tel Aviv, Israel tem controle inclusive sobre as doações internacionais. Independente da moeda que ingressa nos territórios (dólar, euro, libra etc), o montante precisa ser aplicado no Banco Central de Israel, e depois, convertido para o shekel, dando lucro para o Estado judeu.
Efe (11/05/2010)
Checkpoint em Ramallah: todas as manhãs, dezenas de palestinos buscam trabalho em
colônias judaicas na Cisjordânia
Shir, autor de uma série de estudos sobre os impactos da ocupação – todos disponíveis para download em www.alternativenews.org – vive na Jerusalém dividida não apenas pela ocupação militar e pela política, mas por ações sócio-econômicas que ampliam o abismo criado pelo desejo de fazer da cidade uma capital israelense. Jerusalém é hoje, sem dúvida, a capital da ocupação.
Ainda que estejam sob a autoridade palestina, na verdade vilas e cidades dependem de Israel. Como isso ocorre, a economia da ocupação alimentando Israel?
a verdade, isso está na raiz da ocupação, quando o governo israelense procurava pelas políticas corretas para lidar com esse novo território sob seu controle. Havia um debate de como tratá-lo. Basicamente havia aqueles que diziam que a ocupação seria temporária, que não poderíamos anexar o território com todas essas pessoas e perder uma maioria judaica. Assim, seria melhor não investir na economia palestina, pois iríamos perder tudo no momento em que devolvêssemos os territórios à Jordânia ou ao Egito. Esse era o grupo do sionismo pragmático. O grupo mais messiânico dizia que o sionismo é um movimento, em andamento, de redenção religiosa. Estávamos destinados a continuar crescendo. Então a ocupação era um momento de triunfo e, obviamente, jamais iríamos devolver a terra.
Esse debate político refletiu-se no projeto econômico. Eles estabeleceram um Comitê Econômico, chamado Comitê Bruno, que aconselhou a manutenção da separação entre o Estado de Israel e os Territórios Ocupados Palestinos. As recomendações foram imediatamente rejeitadas e o governo instalou um Comitê Ministerial, que aconselhou uma maior liberdade nas ações para que ganhássemos mais tempo. Isso previa permissão a palestinos para que trabalhassem em Israel, que israelenses pudessem ir aos tPos, em número restrito, e deixar que produtos fossem importados e exportados. Na realidade, a política realmente adotada nem foi essa, foi muito mais livre, quase não havia restrições. Israelenses que quisessem ir a Belém ou Ramallah primeiro precisavam de permissão, mas com o tempo nem isso mais era exigido. Mas havia uma política, que não estava escrita em nenhum lugar, mas todos sabiam a seu respeito, e que foi imposta de uma forma muito coerente: não permitir a palestinos desenvolver qualquer negócio local que pudesse concorrer com um setor israelense. Isso é importante destacar porque não se acha em documentos oficiais.
Isso ocorre até hoje ou após Oslo as coisas mudaram?
Não, depois de Oslo a situação tomou uma direção um pouco diferente. [Os acordos de paz Oslo foram mantidos entre Israel e o presidente da OLP, Yasser Arafat e mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton]
Podemos dizer então que os palestinos estavam sob essa situação de não-desenvolvimento até Oslo?
Sim, pelo menos de uma forma direta. Hoje há muitas limitações em relação ao desenvolvimento, mas feitas de uma forma diferente. Até Oslo, a preocupação era limitar aos palestinos o uso de seus próprios fundos para criar desenvolvimento. O que acontecia era que se alguém quisesse investir numa empresa local, permissões para que trouxesse maquinários ou material bruto, ou ainda, para que tivesse acesso a instituições financeiras, eram negados.
Quais os termos, hoje, dessa ligação entre Israel e os territórios?
Se for a um mercado hoje nos territórios, quase todos os produtos estão em hebraico. Isso porque o caminhão com a placa israelense passa pelo posto de controle de forma fácil. É mais fácil enviar um caminhão de Haifa a Belém (uma viagem que dura cerca de 2h30) do que de Ramallah a Belém (viagem que poderia durar 30min). Há, por exemplo, uma fábrica de leite e derivados em Ramallah. Muitos palestinos veem na prateleira os produtos de Ramallah e os produtos da Novah, uma companhia israelense, e escolhem a Novah. É o mesmo preço, mas o produto israelense é mais fresco. Os palestinos sabem que os produtos de Ramallah ficaram no posto de controle por pelo menos um dia. Não esperam que seja de boa qualidade. Isso dá uma grande vantagem para as companhias israelenses.
Efe (14/05/2010)
Ativistas de diretos humanos tentam evitar prisão de garoto palestino que havia jogado pedras contra
veículos militares de Israel, em Hebron
Outra questão importante é a grande quantidade de subsídios que os assentamentos ganham do governo israelense. Pagam menos taxas, conseguem grandes empréstimos de capital, terra barata e muitos serviços públicos que não podem ter dentro de Israel. Se um israelense quiser começar uma indústria dentro de uma área industrial de um assentamento, como Ma´ale Adumin ou Atarot, terá condições muito mais favoráveis do que se o fizesse em uma cidade industrial, como Ashdod.
Uma questão que parece de grande importância é o controle que Israel exerce pelo fato de os territórios usarem o shekel israelense, um controle de políticas monetárias...
Isso é muito importante. Se você é do Brasil, então entende que caso controle a moeda, isso te dá muito poder, sobre quando criar inflação ou quando combater a inflação. Mas o que é ainda mais importante é que todo o dinheiro de ajuda humanitária que chega aos palestinos vem em forma de moeda estrangeira, euros, dólares ou ienes. No entanto, para que possam ser usados na economia palestina, devem ser convertidos em shekels, que por sua vez são usados para pagar salários, produtos, impostos e taxas. Então o que acontece é que esses fundos de fora que vêm aos palestinos ficam no Banco Central israelense. Isso significa, em termos práticos, que Israel está fazendo muito dinheiro com a ocupação da Palestina.
Como exportando a ocupação?
De acordo com a lei humanitária internacional, como poder ocupante, o poder soberano dentro dos territórios é Israel. Se uma criança não tem o que comer ou se há um doente que precisa de atenção médica, é responsabilidade israelense como poder soberano ocupante. Mas agora temos uma situação em que a comunidade internacional está disposta a tomar o papel de Israel. Em Gaza, de 70% a 80% da população recebe a maioria de suas calorias através de ajuda. E mesmo os 20% restantes suplementam a alimentação com a ajuda humanitária. Gaza é a região mais dependente do mundo hoje.
Jerusalém era o centro de cultura, política e economia, junto com Jaffa antes de 1948. Projetos recentes, como o Muro, desligaram esse centro do resto da Cisjordânia. Que impacto isso tem na economia e vida dos palestinos?
Jerusalém ainda é a cidade com a maior renda per capita e com a maior receita entre as cidades palestinas, inclusive Ramallah. Pessoas vivendo em Jerusalém que acham emprego em Israel, e muitas delas trabalham em Jerusalém Oeste e servem israelenses no seu trabalho, ganham a média de renda israelense, que é muito maior do que o valor na Cisjordânia. Eles têm, portanto, uma renda per capita alta, mas quando fazem suas compras, pagam preços israelenses. Ainda que Jerusalém tenha média de valores de salário maior do que qualquer lugar em Gaza ou na Cisjordânia, de acordo com os padrões israelenses, mais de 70% dos palestinos estão abaixo da linha de pobreza. Então é a cidade mais rica se você a olha como uma cidade palestina, mas é a cidade mais pobre se você a olha como uma cidade israelense.
A única forma que as pessoas de Jerusalém Leste têm de sobreviver é o fato de poderem usar a habilidade de estar na fronteira, de ter um cartão de identidade azul especial, que os trata como residentes, mas não cidadãos israelenses. Isso lhes dá a possibilidade de se moverem dentro de Israel. Podem andar também dentro da Cisjordânia. Por causa disso, podem ir a Ramallah ou a Belém, comprar por preços mais baratos e depois ir a Jerusalém Oeste para ganhar algum dinheiro. E se eles precisam de um hospital, vão ao Augusta Victoria, um hospital dentro de Jerusalém Leste que lhes dá um tratamento mais barato. Se precisam de serviços de bem-estar social, vão à Jerusalém Oeste, pois estão dentro do sistema israelense de assistência social. Que fique claro: esse não é um sistema oficial. E não quer dizer que são ricos ou que sua média de qualidade de vida seja melhor do que a da elite de Ramallah.
Como o Muro afeta a vida dos palestinos em Jerusalém?
O que o Muro está fazendo é tornar difícil aos palestinos de Jerusalém Leste fazer esse jogo de sobrevivência. Agora, se quiserem ir fazer compras em Ramallah, têm que esperar no posto de controle por horas. Mesmo que passem, esperam por horas. Se quiserem ir ao hospital, têm que esperar. Se quiserem mandar os filhos à escola, há um problema dependendo de que lado do Muro estão. Eles tentam superar as dificuldades que o Muro traz, mas é possível ver como ele está destruindo o padrão de vida. Por exemplo, muitos palestinos estão mudando-se para o lado oeste do Muro para que continuem a ter acesso a seus trabalhos, escolas, à assistência social. Eu fiz um estudo sobre os impactos econômicos do Muro na vida dos palestinos de Jerusalém Leste especificamente e estimei os custos, por danos, em 200 milhões de dólares por ano.
Efe (14/05/2010)
Manifestação em Ramallah pelo aniversário de fundação de Israel, data denominada "Nakba" - o desastre - pelos palestinos
Uma outra questão é a substituição da mão-de-obra palestina dentro de Israel. Como isso ocorreu e as consequências até hoje?
Em 1991, tivemos o primeiro fechamento da Cisjordânia por causa da guerra do Iraque. Muitos palestinos apoiavam Saddam Hussein, então Israel os puniu por sua posição política. Oslo começa logo em seguida, em 1994, e (Shimon) Peres, na equipe de negociação, pensava que podia usar os palestinos como trabalho barato, usá-los em um modelo neocolonial de exploração. Mas no meio das negociações, (Ytzhak) Rabin, o primeiro-ministro, interveio e disse ‘não gosto nem um pouco dessa direção. Quero separação’. E ele substituiu o negociador do lado israelense, removeu o homem de negócios e trouxe generais para centrar em questões de segurança. Então falavam de fechamento o tempo todo, o que é uma violação dos Acordos de Paris (1973), assinados entre Israel e os palestinos. Isso provocou uma grande separação entre o mercado israelense e a mão-de-obra palestina.
É importante entender que o setor de construção israelense veio a ficar extremamente dependente da mão-de-obra barata palestina. Em Israel, pensavam ‘por que comprar máquinas quando gasto menos com mão-de-obra?’. Havia um sistema de trabalho barato na construção e na agricultura. Quando o fechamento veio, empresas começaram a fazer lobby no governo, dizendo ‘precisamos de mais trabalhadores baratos, o que vocês vão fazer?’. O governo então deu permissões para que importassem trabalhadores migrantes de países não-árabes e não-muçulmanos. Mas o problema é que nem o governo e nem os chefes das empresas queriam pagar o custo da vinda desses trabalhadores das Filipinas ou da Tailândia. O que eles fazem é deduzir do salário do trabalhador o valor gasto com a vinda. Isso acontece até hoje. Esses trabalhadores chegam a Israel e em um primeiro momento, que pode levar meses, trabalham para o dono e não ganham qualquer dinheiro.
Não há qualquer direito para eles?
Não, muito poucos. O que aconteceu em certo momento é que a prefeitura de Tel Aviv organizou um sistema de assistência social de emergência. Fizeram isso porque de outra forma haveria uma crise. Na verdade, oficialmente, eles têm direitos. Mas ninguém os informa deles, muito menos seus empregadores. Pode até ser que depois de algum tempo ele tome contato com organizações de direitos humanos ou de trabalhadores, mas depois desse ponto, em que ele já pagou o que “devia” a seu empregador pelo custo de sua vinda, ele é despedido. O dono da empresa traz um outro trabalhador com a mesma permissão dada pelo governo de Israel. Aquele que foi demitido permanece em Israel ilegalmente, pois quer ganhar dinheiro, ajudar suas famílias. Então temos a seguinte situação: o máximo de trabalhadores palestinos permitidos dentro de Israel é de 120 mil. Agora, por esse sistema, temos cerca de 300 mil trabalhadores imigrantes de fora. Hoje, são menos, pois a polícia os deporta. Mas o auge foi em 2002.
Quando Sharon virou o primeiro-ministro e Netanyahu o ministro das Finanças, começaram a se livrar deles. O que a polícia está fazendo é ir a lojas durante o Natal. Se vê que há uma pessoa comprando enfeites, pede documentos ou se vê alguém negro ou pessoa com aparência asiática do leste, também. É triste ir ao sul de Tel Aviv e ver que durante no final do ano as pessoas ficam com medo de entrar nas lojas e celebrar o Natal, pois vão se expor.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O estado ideal dos "falcões"
O ataque letal de Israel aos navios que tentavam furar o bloqueio para levar ajuda humanitária a Gaza, foi feito apenas para criar uma situação de afronta e confronto, somente isso.
As circunstâncias são intencionalmente obscuras e permanecerão desse modo, mesmo com uma investigação. Mas a impressão que causou é que o estado de Israel está totalmente disposto a usar qualquer nível de violência gratuita.
Internamente o episódio está sendo tratado como um deslize, que está contribuindo para um isolamento.
O antes, internacionalmente admirado como o que desempenhava um papel do David judeu contra um Golias árabe, está dando lugar a visão de um país violento e desempenhando o papel de tirano regional.
O desejo de Israel de bloquear a flotilha antes que chegasse a Gaza, era esperável, dada a determinação de manter o bloqueio. Ainda que os israelenses assumissem a decisão de executar uma ação contra a flotilha, os voluntários da tentativa de furar o bloqueio sabiam que seriam vitoriosos.
Se eles tivessem conseguido furar o bloqueio ou se fossem bloqueados, seriam heróis e vítimas. Mas a ação intencional da direita facista israelense, que foi conduzida de modo a dar uma “lição” nos confrontadores, foi planejada de modo a causar mortes desnecessárias.
O bloqueio de Gaza e a expulsão e roubo de terras e propriedades de palestinos da Cisjordânia, reconhecidas pela ONU como áreas não israelenses é, antes de tudo, uma afronta e um desafio declarado contra o mundo civilizado. A idéia de estrangular qualquer atividade econômica dos palestinos e mesmo utilizar a violência sistemática para obrigar a uma nova fuga em massa, como foi feito ao longo dos anos 40 e 50, está dando errado.
Ao invés de enfraquecer e quebrar a moral palestina, o bloqueio e o tratamento, nos moldes que os nazistas deram aos judeus colocados nos guetos, está dando, cada vez mais, uma coesão e noção de estado a um povo tradicionalmente dividido. Permitindo que as lideranças radicais tenham, cada vez mais, o reconhecimento e posições importantes.
Talvez esse seja exatamente o objetivo da direita religiosa judia, defensora da manutenção do bloqueio e dos massacres sistemáticos. Não há um desejo real de estrangular e tirar o apoio do Hamas, ou mesmo libertar os prisioneiros judeus dos palestinos, pois para isso, o bloqueio já deu provas que não funcionou. Tudo leva a crer, que a intenção real dos “falcões”, é criar uma situação de conflito permanente, sem possibilidade de paz ou de cumprimento das determinações da ONU.
A questão é que máscara israelense, do eterno perigo e de eternas vítimas do preconceito mundial, está caindo. Israel é o único estado nuclear da região e já deu mostras que não hesitaria em usar esse poder contra os inimigos, reais e imaginários.
Mas o tiro está saindo cada vez mais pela culatra, ao matar cidadãos turcos e não responder a acusação sobre os desaparecidos nesse ato de pirataria em águas internacionais, Israel está perdendo importantes aliados regionais árabes. Turquia e Egito, não tem mais clima interno para ignorar e justificar os crimes israelenses.
Mesmo os países simpatizantes europeus, estão descobrindo que as intenções de Israel não são relacionadas à segurança interna ou de evitar conflitos, a intenção real é acirrá-los, cada vez mais.
O único defensor incondicional, e que cada vez mais perde credibilidade, são os Estados Unidos, reféns de uma mídia pró israelense e belicista. Mas internamente, esse apoio automático começa a mostrar furos, os democratas estão cada vez mais certos que Israel é comandado por falcões e sabem, por experiência própria, as implicações e os riscos disso.
Sabem também que ao empurrar a criação do estado palestino, para atender aos “amigos” judeus, só ampliam o sentimento antiamericano e colocam em risco os governos árabes pró ocidentais.
Na outra ponta do problema, no mundo árabe, os estados declaradamente inimigos de Israel, angariam a simpatia crescente das populações étnica e religiosamente divididas. Israel e os Estados Unidos são o inimigo comum.
Tudo isso, fatalmente dificultará a tomada e aceitação de qualquer tentativa de tomar uma posição mais dura contra o Irã na ONU. A situação se deteriora tão rápido que o próprio Mossad reconhece que, para a opinião pública americana, Israel está mais para um fardo do que para um aliado.
Mesmo assim, os falcões israelenses mantém o discurso que há um pensamento mundial unânime de externo ódio aos judeus e reforçam que, por causa disso devem (e tem o direito), de atirar primeiro perguntar, incutindo a idéia que o mundo todo é um potencial inimigo.
De resultado concreto, a ação dos falcões, seguidores do ideal de criar um estado racista (e estão conseguido), só vai criar uma situação insustentável, para todos, incluindo seus próprios cidadãos, que viverão num eterno estado de medo e ódio contra os seus “inimigos”, reais ou imaginários.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
A NOVA HIPOCRISIA CONTRA ISRAEL
O primeiro impulso de toda a gente, que se opõe ao tratamento de cães raivosos a um povo cercado, é achar que o Estado de Israel, além de assassinar civis, quer também assassinar o sentido original das palavras. Esse impulso chega a ser fortalecido pelas análises mais cínicas e brutais, como a do analista internacional da BBC News, que pergunta sobre o assalto, execuções e seqüestro de pacifistas: “então, o que deu errado?”. Uma pergunta que pressupõe a legitimidade do abuso de força de Israel, a naturalidade do isolamento de populações civis em Gaza, e o indisfarçável desconforto de que no mundo ainda existam palestinos. “Afinal, onde erramos?”.
Quando refletimos melhor, no entanto, notamos que pode haver um sentido, digamos, legítimo na declaração do primeiro-ministro, que vê o seu Estado vítima de uma hipocrisia internacional. Benjamin Netanyahu pode apenas querer dizer, se nós sempre matamos civis, por que esse clamor agora? Soldados de Israel já passaram com tanque sobre uma pacifista desarmada, já fuzilaram Somaeah Hassan, de 6 anos, a Rosa da Palestina, na faixa de Gaza, já atacaram famílias com bombas proibidas em tratados internacionais, e agora, vaidade das vaidades, hipocrisia das hipocrisias, por que o furor de tamanha virtude e indignação?
Se for reparar direito, a chamada “opinião internacional” nunca se ergueu contra o escândalo de que na Faixa de Gaza não entrem armas que todo o mundo conhece como lâmpadas, velas, fósforos, livros, instrumentos musicais, giz de cera, roupas, sapatos, colchões, lençóis, cobertores, massa para cozinhar, chá, café, chocolate, nozes, xampu e condicionador. Os civilizados governantes europeus tratam isso, há muito, como uma lista de produtos em falta em supermercados. Algo como uma pequena crise de abastecimento. Nas tevês brasileiras, os “correspondentes internacionais”(bela gente, que belo caráter), quando ouvem o outro lado dos conflitos, entrevistam um muçulmano ladino, como novos escravos aculturados, de cidadania israelense. Então, por que essa grita?
Nada mais natural, contra esses hipócritas, que a magnífica Hillary Clinton defenda uma investigação internacional dos últimos crimes, mas (esse “mas” é tudo) sob a liderança de Israel. Claro, uma investigação conduzida de forma imparcial e transparente, sob comando israelense. Mais imparcial e transparente impossível. Viva. Como uma antecipação aos desejos de madame Clinton, os militares israelenses viram alguns erros na operação pirata. A saber, de inteligência, equipamentos e táticas erradas. E para piorar, houve pacifistas que não se jogaram ao chão diante do céu iluminado com os soldados israelenses que desciam. À tábua dos mandamentos de Israel se negaram. Ô raça...
Nos jornais de hoje, o escritor Amós Oz, com o seu costumeiro ar de homem ponderado e sábio, reconhece que existem os palestinos, admite que esses inacreditáveis humanos devem ser melhor tratados, porque afinal o governo de Israel não pode desconhecer que “o problema é que não estamos sós nesta terra, e os palestinos não estão sós nesta terra”. O que é uma pena, para o Estado de Israel, para a sua segurança e fascismo. O problema é a solução: os palestinos têm hoje a opinião pública de todo o mundo a seu lado.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Free Palestina
Caros amigos,
O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.
Apesar de ter o direito de se defender, Israel abusou da sua força letal para defender um bloqueio vergonhoso a Gaza, onde dois terços das famílias mal podem garantir a próxima refeição. Governos, a ONU e organizações multilaterais repudiaram publicamente as ações de Israel, mas sem pressão popular, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.
Assine a petição demandando investigação, justiça e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique abaixo:
http://cdn.avaaz.org/po/gaza_
A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais, assim que alcançarmos 200.000 nomes. Uma petição massiva em um momento de crise como esse pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – nós queremos ações concretas.
Vários países estão definindo suas estratégias diplomáticas agora mesmo, como a Turquia e o Egito. A União Européia debaterá suas relações comerciais e os Estados Unidos definirão a quantia de ajuda militar a Israel. Nossas vozes precisam chegar aos governantes globais: queremos a verdade, responsabilizar os culpados, cobrar Israel pelas violações do direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza. Faça parte desta campanha, assine a petição abaixo:
http://cdn.avaaz.org/po/gaza_
Todos ainda compartilham o mesmo sonho: dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio a Gaza e a violência usada para defendê-lo, envenenam este sonho.
Um colunista israelense escreveu hoje no jornal Ha’aretz hoje, “Nós não estamos mais defendendo Israel. Nós estamos agora defendendo o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está se tornando o Vietnam de Israel.” Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram hoje contra o ataque e o bloqueio, em passeatas desde Haifa até Tel Aviv e Jerusalém. O envio de tropas pesadas para atacar uma frota de navios humanitários em águas internacionais, foi um reação exagerada que causou mortes desnecessárias.
Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, nós possamos fazer deste momento trágico, um ponto de virada – se nós nos unirmos em um chamado de justiça inabalável e persistirmos no nosso sonho de paz.
Com esperança,
Ricken, Alice, Raluca, Rewan, Paul, Iain, Graziela e toda a equipe Avaaz
Saiba mais:
Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza:
http://www.bbc.co.uk/
Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio de Gaza e mata ativistas:
http://oglobo.globo.com/mundo/
Comunidade internacional condena ataque de Israel à frota humanitária:
http://www1.folha.uol.com.br/
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Por que vou a Gaza
A Embaixada israelense em comunicado. "Iara Lee está em boas condições de saúde e recusou a opção de deixar o país voluntariamente. Neste momento está com as autoridades israelenses aguardando ser deportada."
Em alguns dias eu serei a única brasileira a embarcar num navio que integra a GAZA FREEDOM FLOTILLA. A recente decisão do governo israelense de impedir a entrada do acadêmico internacionalmente reconhecido Noam Chomsky nos Territórios Ocupados da Palestina sugere que também seremos barrados. Não obstante, partiremos com a intenção de entregar comida, água, suprimentos médicos e materiais de construção às comunidades de Gaza.
Normalmente eu consideraria uma missão de boa vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza. O cerco à Faixa de Gaza pelo governo israelense tem origem em 2005, e vem sendo rigorosamente mantido desde a ofensiva militar israelense de 2008-09, que deixou mais de 1.400 mortos e 14.000 lares destruídos. Israel argumenta que suas ações militares intensificadas ocorreram em resposta ao disparo de foguetes ordenado pelo governo Hamas, cuja legitimidade não reconhece. Porém, segundo organizações internacionais de direitos humanos como Human Rights Watch, a reação militar israelense tem sido extremamente desproporcional.
O cerco não visa militantes palestinos, mas infringe as normas internacionais ao condenar todos pelas ações de alguns. Uma reportagem publicada por Amnesty International, Oxfam, Save the Children, e CARE relatou, “A crise humanitária [em Gaza] é resultado direto da contínua punição de homens, mulheres e crianças inocentes e é ilegal sob a lei internacional.”
Como resultado do cerco, civis em Gaza, inclusive crianças e outros inocentes que se encontram no meio do conflito, não têm água limpa para beber, já que as autoridades não podem consertar usinas de tratamento destruídas pelos israelenses. Ataques aéreos que danaram infraestruturas civis básicas, junto com a redução da importação, deixaram a população em Gaza sem comida e remédio que precisam para uma sobrevivência saudável.
Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também. Anteriormente, alguns barcos que tentaram levar abastecimentos a Gaza foram violentamente assediados pelas forças israelenses. Dia 30 de dezembro de 2008 o navio ‘Dignity’ carregava cirurgiões voluntários e três toneladas de suprimentos médicos quando foi atacado sem aviso prévio por um navio israelense que o atacou três vezes a aproximadamente 90 milhas da costa de Gaza. Passageiros e tripulantes ficaram aterrorizados, enquanto seu navio enchia fazia água e tropas israelenses ameaçavam com novos disparos.
Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise.
Com a partida dos nossos navios, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy mandou uma carta de apoio aos palestinos para o governo de Israel. “Eu me considero um amigo de Israel e simpatizante do povo judeu” escreveu, acrescentando: “mas por este meio, e também no Senado, expresso minha simpatia a este movimento completamente pacífico…Os oito navios do Free Gaza Movement (Movimento Gaza Livre) levarão comida, roupas, materiais de construção e a solidariedade de povos de várias nações, para que os palestinos possam reconstruir suas casas e criar um futuro novo, justo e unido.”
Seguindo este exemplo, funcionários públicos e outros civis devem exigir que sejam abertos canais humanitários a Gaza, que as pessoas recebam comida e suprimentos médicos, e que Israel faça um maior esforço para proteger inocentes. Enquanto eu esteja motivada a ponto de me integrar à viagem humanitária, reconheço que muitos não têm condições de fazer o mesmo. Felizmente, é possível colaborar sem ter que embarcar em um navio. Nós todos simplesmente temos que aumentar nossas vozes em protesto contra esta vergonhosa violação dos direitos humanos.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Crimes de Guerra
Cena 1
Um palestino encontrou uma instrução, escrita a mão e em hebraico, que indicava aos soldados israelenses a atacar equipes de resgate durante a recente ofensiva militar na faixa de Gaza, entre dezembro e janeiro, que deixou mais de 1.300 palestinos mortos, dos quais ao menos 900 civis.
Cena 2
Dois militares são acusados de terem "violado o regulamento militar" que proíbe uso de civis em atividade. A "violação" foi obrigar crianças palestinas, com apenas 9 anos, a abrir bolsas onde temiam que pudesse haver explosivos.
Cena 3
Soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que matavam civis que não representavam ameaça às tropas e destruíam intencionalmente suas propriedades, "simplesmente porque podiam". "Nós escrevíamos "morte aos árabes" nas paredes, destruíamos fotos das famílias deles e cuspíamos neles, apenas porque podíamos".
Comentário Politicamente (In)Correto
Ações de um estado declaradamente racista.
O homem é um bicho muito ruim.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Defina terrorismo e terrorista
Uma exposição prolongada de fósforo branco, sob qualquer forma, pode ser fatal. Segundo a GlobalSecurity.org, citada pelo The Guardian, "Fósforo branco resulta em lesões dolorosas por queimadura química".
Partículas incandescentes de fósforo branco, resultantes da explosão inicial de uma bomba de fósforo, podem produzir extensas, dolorosas e profundas queimaduras (de segundo e terceiro graus). Queimaduras por fósforo carregam um maior risco de mortalidade do que outras formas de queimaduras devido à absorção de fósforo pelo organismo, através da área queimada, resultando em danos ao fígado, coração, rins e, em alguns casos, falência múltipla de órgãos.
Além disso, essas armas são particularmente insidiosas porque o fósforo branco continua a queimar, a não ser em ambiente privado de oxigênio, até que seja completamente consumido, de forma que as pessoas atingidas, ainda que mergulhem na água, continuarão a queimar ao emergirem para respirar.
O Departamento de Defesa dos EUA admitiu hoje que usou munição incendiárias de fósforo branco, substância semelhante ao napalm, na ofensiva lançada o ano passado contra Faluja, então um reduto insurgente no Iraque. Um porta-voz do Pentágono, o tenente-coronel Barry Venable, afirmou que o uso dessa arma se fez dentro da legalidade e rejeitou que, como afirmou uma reportagem exibida pela televisão italiana, tivesse sido empregado contra civis, incluindo mulheres e crianças, na cidade a oeste de Bagdá. "Negamos categoricamente essas alegações", declarou Venable, que insistiu que o fósforo branco, um material muito inflamável e que arde à temperatura ambiente de 30º C, não é proibido no âmbito do Direito internacional e não é considerada um arma química. Um protocolo incluído no Convenção de Armas Convencionais de 1980 proíbe o uso de armas incendiárias contra alvos civis, mas os EUA não aderiram ao documento.
De O Globo hoje
O Exército israelense submeteu dois oficiais a punição disciplinar por terem autorizado a utilização de fósforo branco no bombardeio de um bairro residencial na cidade de Gaza, há um ano.Segundo o documento enviado à ONU pelo Exército israelense, um general de brigada e um comandante de divisão sofreram punição disciplinar por terem "arriscado vidas humanas" quando autorizaram a utilização de armamentos com fósforo branco para bombardear o bairro de Tel El Hawa, no dia 15 de janeiro de 2009, durante a ofensiva israelense à Faixa de Gaza.
Esta é a primeira vez que Israel admite a utilização de fósforo branco, armamento proibido pelas leis internacionais, contra civis na Faixa de Gaza.Também é a primeira vez que o Exército israelense anuncia a punição de comandantes militares por atos cometidos durante a ofensiva, que deixou cerca de 1,3 mil mortos do lado palestino e 13 do lado israelense.
Lembram dessa foto?
Foi causada por napalm, que era a gasolina levada ao estado de gelatina fluida.
Parágrafo primeiro: A maioria não sabe que essa "invenção" maravilhosa, foi feita por pesquisadores da universidade de Harvard. Com isso a combustível dos lança-chamas não ameaçavam quem os usava, respingando para todos os lados, como podem ver, as intenções foram boas, hehehehe.
Pois bem, napalm pode ser considerado "humanitário" perto do fósforo branco, usado agora em larga escala contra civis, por Israel e EUA . Os efeitos são terríveis e os libaneses, como mostram as fotos, que o digam. A população civil, em 2006, sentiu na pele, literalmente, os feitos das bombas de fósforos israelenses.
E foram por bombardeados com projéteis personalizados, com mensagens de "carinho" escritas por crianças israelenses.
Comentário Politicamente (In)Correto
É insano por si só, nem precisa de comentários, mas por favor, alguém consegue definir o que é terrorismo e terrorista. Essa definição só vai perder para o conceito que diferencia uma arma ofensiva de uma defensiva.

























