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sábado, 24 de março de 2012

Uma associação que celebra milhares de anos, religião e picaretagem.

Nem todo religioso é ignorante, mas sem sombra de dúvida, todo o ignorante é religioso.

A coisa mais fácil do mundo é enganar os ignorantes, sedentos de respostas fáceis e simples. Essa é a razão de que em pleno século XXI, o populacho acredita e acha mais fácil entender as bobagens simplórias e mal intensionadas dos pastores.

Afinal, racionalismo necessita de uma certa cultura, conhecimento e até curiosidade, pois só a ignorância não gera dúvidas, assim como a religião.


Comentários Politicamente (In)Corretos

Essa reportágem, apesar de verdadeira, é só uma briga pelas mentes menos favorecidas e seus dízimos, pois foi feita pela TV de outro picareta, da universal do reino de deus.

O mundo só vai ser feliz (e racional), quando enforcar o último religioso nas tripas do último político, ou vive-versa, pois nesse caso, a ordem também não vai alterar o produto, a felicidade e o racionalismo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Me pegue aqui, me pegue agora

Não sou puritano, muito menos hipócrita, olho pornografia de vez em quando (estou velho mas a testosterona ainda fala alto), gosto de ver e tirar fotos de nus em preto e branco, gosto de trabalhar com a sombra e com a luz, coisa que a fotografia digital e os fotógrafos que nunca entraram em um laboratório perderam. Mas vamos ao que interessa.

Vamos falar de hipocrisia, vamos falar de erotismo e vamos falar da coisa mais pornografia que existe, a religião.


"Me chame de vagabunda”, “A prostituta do advogado”, “Me pegue aqui, me pegue agora”, são os títulos de algumas obras literárias publicadas pela Editora Weltbild, segunda maior editora da Alemanhã, com um acervo de 2500 títulos, mais direitos de CDs, DVDs e 6400 empregados.

A dona da Weltbild é nada mais nada menos que a igreja católica apostólica romana que, depois de descoberta, decidiu retirar as obras e rever seu acervo.

Enquanto os pastores evangélicos  roubam descaradamente seus trouxas, digo fiéis, com dízimos, bízimos e trízimos, os padres são mais discretos e também mais hipócritas, vendem, anonimamente, os objetos de desejos mais obscuros, para seus pobres pecadores.

E deles será  reino dos céus.

 O primeiro passo para o mundo evoluir e se aperfeiçoar é enforcar o último político nas tripas do último religioso.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Padre proibe enterro de quem não é católicos ou não paga dízimo à igreja

Família não pode ser sepultada junta

Do Jornal Zero Hora

Por um impasse religioso, o evangélico luterano Irineu Wasen, 60 anos, teve de ser enterrado fora do cemitério católico do município de Poço das Antas, onde a mulher, Eunice Teresinha Ely, 58 anos, e a sogra Carmelita Maria Ely, 78 anos, foram sepultadas. Os três morreram em um acidente de trânsito na rodovia Tabaí-Lajeado (BR-386) no feriado de Finados, na quarta-feira.

Abalada pela perda trágica de três pessoas da família, a filha de Irineu, Paola Wasen, queria que todos fossem sepultados no Cemitério Católico em Poço das Antas, cidade de origem das mulheres. Porém, só elas puderam ser enterradas no local, na manhã de ontem.

De acordo com o padre João Paulo Schäfer, responsável pela paróquia e pelo cemitério católico, Irineu era evangélico e, portanto, não poderia ser enterrado junto à mulher.

– É uma norma da igreja que não podemos quebrar. Só podemos sepultar em nosso cemitério pessoas católicas que contribuem e estejam em dia com a taxa anual. Expliquei isso para a família, e eles entenderam – disse o padre, que ainda afirmou não poder abrir exceções.

Evangélico foi enterrado em Teutônia com os avós

A negativa e a busca por outro local para sepultar Irineu abalou ainda mais a família.

– Foi uma espera angustiante. A filha queria muito que os pais fossem enterrados no mesmo local – lamentou Cleris Elizabete Flach, parente das vítimas.

– Com uma tristeza dessas, três pessoas da mesma família perdem a vida, e não há quem se sensibilize por isso – indigna-se Marlise Meyer, amiga da família.

Sem poder ser sepultado junto à mulher, o corpo de Irineu foi levado para a cidade natal do empresário, Teutônia, no Vale do Taquari. Na tarde de ontem, a família acompanhou a cerimônia fúnebre no Cemitério da Comunidade de Linha Clara, interior do município, mesmo local em que os avós de Irineu já estão sepultados.

Irineu, Eunice e Carmelita moravam na Capital e passaram o feriado de Finados em Poço das Antas para visitar a família e também prestar homenagens a parentes já falecidos. Retornavam para Porto Alegre quando o carro em que estavam bateu em uma caminhonete no km 377 da rodovia Lajeado-Tabaí, perto do trevo de acesso ao município de Paverama.

luane.magalhaes@gruporbs.com.br
LUANE MAGALHÃES

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O mundo só vai ser feliz quando enforcar o último político nas tripas do último religioso

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Jesus paga as dívidas e ajuda a dar o calote

Jesus agora paga as dívidas


Esse é realmente um país dividido por idiotas e expertalhões

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Falta inventar um spray Mata-Picareta

 Falta inventar um spray Mata-Picareta

CHEGOU O MATA-CAPETA!! O spray que tira o diabo do couro! 
malafaia.jpg

O Pastor Silas Malafaia lançou no mercado uma invenção que vai revolucionar o mundo: o mata-capeta. Trata-se de um spray que remove o diabo do couro das pessoas. O produto chega ao mercado na próxima semana por um preço em torno de 100 reais. Cada frasco dá para remover o diabo de umas 20 pessoas.

Para o ajudante de pedreiro José Jair Jacob, esta invenção chegou em boa hora. “Toda semana quando vou à Igreja o pastor tira o diabo do meu couro. Bate em mim, me joga no chão, me dá tapas, e agora com esse spray basta me dedetizar que o problema será resolvido”, disse.

A dona de casa Carmem Cotovelo Castro também gostou da invenção e disse que comprará centenas de frascos porque segundo ela, o marido costuma chegar bêbado em casa de madrugada com o diabo no couro.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A geografia do ódio

Grupos racistas dos EUA concentram-se em certas regiões – e a presença deles correlaciona-se com religião, votos em McCain e pobreza

Richad Florida no The Atlantic


Com a morte de Osama Bin Laden, muitos acreditam que a Al Quaeda recebeu um golpe mortal. O tempo dirá, mas como já aprendemos com o atentado na cidade de Oklahoma e com o tiroteio feito por Nidal Malik Hasan em Fort Hood, temos muito o que temer de nossos próprios extremistas em expansão. E não apenas de “loucos solitários” agindo por conta própria.

Desde 2000, o número de grupos extremistas organizados – desde brancos nacionalistas, neonazistas e skinheads racistas até guardas de fronteiras e grupos negros separatistas – aumentou mais de 50% de acordo com a organização Southern Poverty Law Center (SPLC). O crescimento destes grupos foi alimentado pela crescente ansiedade em relação ao  mercado de trabalho, à imigração, à diversidade étnica e racial, à eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro dos EUA e à longa crise econômica. Muitos deles apenas engajam-se em teorias violentas; já outros estão estocando armas e efetivamente planejando ataques.
Mas nem todas as pessoas e lugares odeiam a igualdade; algumas regiões dos Estados Unidos – pelo menos em alguns setores de suas populações – são potenciais incubadoras do ódio. Qual é a geografia dos grupos e organizações de ódio? Por que algumas regiões são mais suscetíveis a eles?

A organização SPLC mantém um banco de dados detalhado sobre grupos de ódio, recolhido de sites e publicações, relatórios de cidadãos e de aplicações de leis, fontes em campo e da imprensa. A SPLC define grupos de ódio como organizações e associações que “têm crenças ou práticas que agridem ou caluniam uma classe inteira de pessoas, tipicamente por suas características imutáveis,” e que participam de “atos criminosos, marchas, comícios, discursos, encontros, panfletagens e publicações.” Em 2010, a SPLC documentou 1.002 destes grupos em todo o país.

O mapa abaixo, de Zara Matheson do Martin Prosperity Institute, representa graficamente a geografia do ódio nos EUA atualmente. Baseado no número de grupos de ódio por milhão de habitantes em todos os estados do país, ele revela um padrão característico.

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Grupos de Ódio Ativos nos EUA por milhão de habitantes

Grupos de ódio estão altamente concentrados no velho Sul e nos estados de planície do norte. Dois estados têm, de longe, a maior concentração desses grupos – Montana com 13.8 grupos por milhão de habitante, e Mississipi com 13.7 por milhão. Arkansas (10.3), Wyoming (9.7) e Idaho (8.9) vêm em distantes terceiro, quarto e quinto lugares.

Tais grupos estão muito menos concentrados no Nordeste, nos Grandes Lagos e na Costa Oeste. Minesota tem a menor concentração de grupos de ódio, com 1.3 grupos por milhão de pessoas, quase dez vezes menos que o estado que lidera, seguido por Wisconsin (1.4), Novo México (1.5), Massachusetts (1.6) e Nova Iorque (1.6). Connecticut (1.7), Califórina (1.9) e Rhode Island (1.9) têm todos menos que dois grupos por milhão de pessoas.

Mas além de suas localizações, que outros fatores estão associados aos grupos de ódio? Com o auxílio de minha colega Charlotta Mellander, eu ponderei sobre os fatores sociais, políticos, culturais, econômicos e demográficos que poderiam estar associados com a geografia dos grupos de ódio. Consideramos um conjunto de fatores-chave que conformam a divisão geográfica dos Estados Unidos: estados “republicanos” / estados “democratas”; renda e pobreza; religião e classe econômica. É importante observar que correlação não implica causação – estamos apenas analisando associação entre variáveis. Também é importante ressaltar que Montana e Mississipi são consideravelmente muito discrepantes, o que pode distorcer um pouco os resultados. Entretanto, os padrões que encontramos são robustos e distintos o suficiente para justificar os dados.

Antes de tudo, a geografia do ódio reflete a ordenação da política nos Estados Unidos, ou seja, de estados que votam majoritariamente em candidatos à presidência do Partido Republicano (Red state) e dos que votam predominantemente em candidatos à presidência do Partido Democrata (Blue state).

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Correlação entre percentual de votantes de McCain com grupos de ódio (per capita).

Grupos de ódio estão positivamente associados com votos em McCain (com uma correlação de 52%).
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Correlação entre percentual de votantes de Obama com grupos de ódio (per capita).

De modo oposto, grupos de ódio estão negativamente associados com votos em Obama (com uma correlação de -54%).
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Correlação entre religião e grupos de ódio (per capita).

Grupos de ódio também dividem-se com base em linhas religiosas. Ironicamente, mas talvez não de modo surpreendente, as maiores concentrações de grupos de ódio estão positivamente associadas a estados nos quais os indivíduos relatam ter a religião um papel importante no cotidiano (uma correlação de 35%).

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Correlação entre capital humano e grupos de ódio (per capita).

A geografia do ódio também reflete a classificação da população segundo níveis de educação e capital humano. Grupos de ódio estão negativamente associados ao percentual de adultos que portam um diploma universitário (-41%).
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Correlação entre classe operária e grupos de ódio (per capita).

A geografia do ódio também traz divisões em termos econômicos. Grupos de ódio estão mais concentrados em estados com altas taxas de pobreza (39%) e naqueles com forças de trabalho das indústrias de base (blue-collar) (41%).

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Correlação entre "profissões criativas" e grupos de ódio (per capita).

Estados mais ricos com maior concentração de trabalhadores em “ocupações criativas” (estas incluem ciência e tecnologia; negócios e administração; educação, direitos e medicina; e artes, cultura e entretenimento) proporcionam ambientes menos férteis para o ódio. Grupos de ódio estavam negativamente associados com níveis de riqueza (-36%) e com o percentual de trabalhadores em profissões “criativas” (-48%).

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Correlação entre imigração e grupos de ódio (per capita).

Grupos de ódio também refletem a base de abertura, tolerância e diversidade de uma região. Tais grupos estão negativamente correlacionados com concentrações de famílias de gays e lésbicas (-37%) e ainda mais onde há altas concentrações de imigrantes (-53%).

A geografia dos grupos de ódio resulta da mais geral divisão da população dos EUA em termos de política e ideologia, religião, educação, níveis de riqueza e classe social. Mas a presença de grupos de ódio não conduz, necessariamente, a crimes de ódio. Um estudo de 2010 sobre Grupos de Ódio e Crimes de Ódio, dos economistas Matt Ryan e Peter Leeson, não encontrou conexão empírica entre os dois dados. Traçando a associação entre grupos de ódio e crimes de ódio entre 2002 e 2006, eles descobriram que enquanto o número de organizações de ódio cresceu substancialmente, o número de crimes não – na verdade, tais crimes tiveram ligeira queda. Entretanto, eles encontraram forte relação entre crimes de ódio e condições econômicas adversas, particularmente desemprego e grau de pobreza extrema. Os pesquisadores sugerem que crimes de ódio seguem o padrão descrito há bastante tempo na clássica tese da frustração-agressão que, como seu nome indica, associa agressão a altos níveis de frustração: “Quando as pessoas enfrentam dificuldades econômicas, elas ficam frustradas”, escrevem Ryan e Leeson. “Eles canalisam a frustração em grupos sociais vulneráveis, como minorias étnicas, sexuais e religiosas.”

Ainda que grupos de ódio não estejam diretamente conectados com crimes de ódio, eles provêm da mesma base de fatores econômicos que dividem a população dos EUA por classe, ideologia e política. Grupos de ódio, assim como crimes de ódio, estão fortemente associados à miséria. A geografia do ódio nos Estados Unidos reflete e reforça a profunda “geografia” de classes do país.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Um lição de laicacidade abordando o lado escuro do cristianismo.

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Enquanto no Brasil os  obscurantistas, de todas as religiões, querem fazer uma cruzada para criar leis baseadas em suas mitologia, nos Estados Unidos Obama deu uma lição do porque as religiões não devem guiar decisões políticas e definir a vida de todos.



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No fundo, no fundo o que vale ainda é aquela frase dos anarquistas espanhois: "O mundo só vai ser feliz quando enforcar o último político nas tripas do último religioso".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Para os crentes

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Para os crentes de baixo QI que tem escrito raivosamente.

Adoro quando vocês dizem que vou para o inferno (leiam no blog "O reino dos céus").

Quanto aos que me chamam de pervertido (heheheeh, isso é o máximo), leiam a definição de perversão, serve essa do Wikipédia, já que a maioria dos crentes tem baixo conhecimento em qualquer matéria ligada a área científica.

Depois vejam exemplos de perversão no blog em "Depois dos padres, é a vez dos pastores evangélicos pedófilos e estupradores", esses cristão são o melhor exemplo de perversão.

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Uma coisa é certa, melhor que ficar olhando a cara de buldogue do pinochet e do franco, sentados ao lado de deus, ouvindo adolf hitler discursar, todos adoradores de deus, é melhor ir para o inferno e ter um papo regado a wisky com Charles Bukowski, ficar ouvindo Eistein (judeu e ateu, esse entrou na fila 2 vezes) ou ver Sagan falar sobre a formação do universo.

Melhor ainda, imagina fazer sexo com as melhores prostitutas que já passaram por aqui e ouvindo rock direto da fonte, numa suruba junto com Jim Morrison, Ian Curtis e um monte de atrizes piradas que fizeram meu imaginário adolescente. OOOOHHHHH vidão. 

Pena que o inferno (e o céu), só exista no imaginário e histeria coletiva que a mente doentia desses malucos religiosos cria e acredita.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Enquanto o ateu Pandit Nehru governou a Índia, não houve carnificina entre religiosos.

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Governo republicano e religiões, por Luiz Carlos da Cunha*
Para o Jornal Zero Hora

“Quem eles pensam que são? E de onde eles tiram a ideia de que têm o direito de impor suas crenças religiosas a mim?”

Barry Goldwater, senador republicano conservador, candidato à presidência, 1981.

A cada campanha presidencial entre nós, a pressão religiosa sobre candidatos cresce. Cresce ao ponto perigoso de ferir os princípios republicanos de independência do governo laico em relação a crenças religiosas. Princípios sobre os quais se construíram as democracias modernas desde as Revoluções Francesa e Americana. Na América e no Brasil, os cristãos evangélicos multiplicaram seu poder econômico e numérico. Temos no Congresso bancada evangélica bem definida e coordenada. Não se pode menosprezar que algumas dessas igrejas são alvo de processos do Ministério Público, acusadas de se constituírem em organismos comerciais destinados a enriquecer seus dirigentes à custa da boa-fé popular.

Como outro princípio do governo republicano democrático se pauta pelo primado da maioria votante, cria-se um paradoxo: a maioria decide, seja qual for a religião a formá-la. E, adquirindo o poder, pode impor aos demais seus desígnios. Justamente para impedir tal resultado, maléfico para o conjunto de uma nacionalidade, a experiência social e política consagrou o governo sem religião. São funções distintas. Cláusula fundamental na construção de uma sociedade pluralista, democrática e tolerante. Entretanto, flagra-se na América como no Brasil o esforço de qualquer candidato a cargo civil público de se mostrar religioso para captar votos. Nos EUA, hoje, contrariando o espírito e a vontade dos fundadores de sua nação, candidato a presidente tem de pertencer a alguma grei evangélica se quiser ser eleito. Lá, muitos legisladores ateus se escudam protegidos pelo cinismo. Mas a sociedade americana é eminentemente individualista desde as diretrizes implantadas pelos fundadores da nação. Há liberdade de crença e de opinião. Consta de sua histórica e irretocável Constituição a liberdade de crença. Baseados nesta cláusula, ramos do mormonismo formam colônias isoladas para manter o casamento plural e o “dever religioso”, estabelecido pelo seu profeta, de o homem casar com meninas de 13 anos e com quantas mulheres puder sustentar. A multiplicação progressiva de filhos (sem registro civil) descarrega ao Estado a responsabilidade de prestar todos os benefícios da seguridade social àquelas coletividades, à custa do contribuinte seguidor da lei, que nada tem a ver com a religiosidade dos mórmons.

No Brasil, não se chegou a tais extremos; o confronto vem se desenhando de outra natureza. O catolicismo nasceu com o país e consolidou nossa formação cultural com a língua portuguesa. A contribuição da Igreja na educação, mantendo centenas de escolas desde o Brasil Colônia, Império e República, credencia-na a um mérito de reconhecimento que nenhuma outra pode se comparar. Contudo, isso não lhe abre exceção para recorrer à fé para subjugar assuntos de governo.

Como há liberdade para qualquer cidadão fundar qualquer empreendimento comercial definido como religião, e usufruir de isenção fiscal, cria-se uma situação insolúvel sob a lei vigente que nivela a todas. Talvez, num recurso heroico de justiça, o Estado pudesse recorrer ao aforismo da maior autoridade cristã no assunto – o próprio Cristo: “Meu reino não é deste mundo”.

Enquanto o ateu Pandit Nehru governou a Índia, não houve carnificina entre religiosos.

Flagra-se o esforço dos candidatos a cargos públicos de se mostrarem religiosos para captar votos
*Arquiteto

sábado, 16 de outubro de 2010

Até quando


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O tema religião está centralizando a campanha para o segundo turno.

Se, somente se, fossem sérios, Dilma e Serra fariam um pacto para deixar a campanha e que o estado e a legislação são, inquestionavelmente, laicos.

Mas como são dois cretinos.....





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mais um religioso imbecil


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O arcebispo de Bruxelas-Malinas, André-Joseph Leonard, declarou que a aids é "uma espécie de justiça imanente" (programada pelas leis da natureza).

Não está de todo errado, uma combinação de fatores naturais e aleatórios foram fundamentais na evolução do virus.

A questão é que esse padre idiota quer dar uma conotação divina a isso,  a "justiça imanente".

Uma explicação derivada do desing inteligente, que os retarados religiosos inventaram por não conseguirem refutar as evidências da evolução da vida no planeta.

Como sempre, mais uma demonstração do obscurantismo desses  místicos que ganha repercussão nos jornais e é aceita pelo populacho iletrado.

Como reza a lenda, a voz do povo é a voz de mediocridade, ou seria a voz do povo é a voz de deus. Não importa, ambas as frases querem dizer a mesma coisa.



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O mundo só vai ser feliz quanto o último político for enforcado nas tripas do último religioso (ou vice versa)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Universitários acreditam que ET fez pirâmides

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Da Folha

Analfabetismo científico nos EUA preocupa



Após ouvir cerca de 10 mil alunos de graduação nos EUA, pesquisadores descobriram que só 35% discordavam da ideia de que ETs teriam visitado civilizações antigas da Terra e ajudado a construir monumentos como as pirâmides do Egito.


Poucos se manifestaram contra outras teses sem base, como o suposto status de ciência da astrologia (não confundir com a astronomia) e a ideia de que existem números da sorte, 22% e 40%, respectivamente.
Além disso, mais de 40% disseram que antibióticos matam tanto vírus quanto bactérias, na verdade, só as bactérias são vulneráveis a esse tipo de medicamento.

Editoria de Arte/Folhapress
Para o autor do estudo americano, o astrônomo Chris Impey, os números refletem um problema do país: os alunos de ensino médio não precisam fazer cursos de ciência. A maioria estuda biologia, mas menos de metade tem aulas de química e só um quarto estuda física.
"O ensino médio americano é forte em história, conhecimentos gerais, esportes, computação, mas bastante fraco mesmo em ciências", diz Renato Sabbatini, biomédico e educador da Unicamp.
"Mas as perguntas que fizeram são hiperelementares, um adolescente minimamente informado que assista televisão saberia responder."
Preocupante, diz Impey, é que o pior desempenho foi justamente o dos alunos de cursos na área da educação.
Não há números parecidos que indiquem qual a realidade brasileira. Embora aulas de ciência sejam obrigatórias no ensino médio por aqui, a baixa qualidade do ensino não garante muita coisa.
Conspirando contra a compreensão científica no país, diz Sabbatini, há o fato de que cerca de 70% dos brasileiros só conseguem ler textos curtos e tirar informações esparsas deles. "Têm letramento insuficiente. É impossível serem bem informados sobre a ciência moderna."
Tal analfabetismo, diz Impey, não deixa de ser um problema político: "Esses conhecimentos são importantes para avaliar posições políticas sobre mudança climática ou células-tronco."
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Gostaria de ver a pesquisa aqui, com a proliferação de pastores, místicos e outros charlatães, seria interesssante, principalmente agora que descobri que estão se formando alguns grupos de "cientistas cristãos".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Voto consciente é voto laico.

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ALÉM DE NÃO VOTAR EM CANDIDATOS CORRUPTOS, LEMBRE-SE DE NÃO VOTAR EM CANDIDATOS RELIGIOSOS, CHEGA DE PASTOR, PADRE, BISPO E OUTROS PICARETAS A DAREM PALPITES NA POLÍTICA.

POR UM ESTADO LAICO!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Irã pressiona mulher condenada ao apedrejamento a dar nomes de defensores

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Publicado no Estado de São Paulo, 22.07.10:



Visite o site freesakineh.org – há texto em português.Inclua sua assinatura e divulgue:

Inteligência iraniana quer saber como foto de Sakineh foi distribuída e quem mantém site de campanha

LONDRES - O governo do Irã está pressionando a iraniana sentenciada à morte por apedrejamento para que ela revele os nomes das pessoas envolvidas em uma grande campanha por sua libertação, informa nesta quinta-feira, 22, a versão digital do jornal The Guardian.

O caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani ganhou atenção da comunidade internacional depois de seus filhos lançarem uma campanha por sua libertação. Depois de protestos contra a sentença no mês passado, o Judiciário iraniano disse que ela não seria morta por apedrejamento, mas ainda assim enfrentava a pena capital.

Sakineh, de 43 anos, foi interrogada na prisão de Tabriz sobre as pessoas que estão em contato com sua família e como sua foto foi distribuída para a mídia internacional, informa o jornal. A imagem se tornou um símbolo para os ativistas que lutam contra as sentenças de apedrejamento no Irã.

"Sakineh esteve sob grande pressão desde que o mundo passou a dar atenção ao seu caso", disse uma fonte próxima de sua família ao Guardian. "Recentemente ela foi interrogada e aconselhou seus filhos a ficar em silêncio ou seriam presos também. A pressão internacional é a única esperança para a libertação de Sakineh", disse.

O advogado de Sakineh, Mohammad Mostafaei, recebeu uma carta do serviço de inteligência iraniano convocando-o para uma reunião na prisão de Evin nos próximos três dias para "esclarecer certos assuntos". O advogado é um dos mais proeminentes no Irã e se ofereceu voluntariamente para cuidar do caso.

Sakineh recebeu 99 chibatadas, mas foi posteriormente acusada de adultério durante o julgamento de um homem acusado de matar seu marido. O Judiciário disse que Sakineh será executada porque "é acusada de assassinato".

Mostafaei divulgou um comunicado dizendo que Sakineh foi absolvida pelo assassinato e que a pena capital não foi mencionada em sua sentença final. Segundo ele, a Justiça disse que o caso seria revisado em um tribunal nos próximos 20 dias, mas o destino da iraniana segue incerto.

Campanha

Diferentemente de outros casos de apedrejamento no Irã, quando mulheres condenadas por adultério são abandonadas pela família, os filhos de Sakineh lançaram uma grande campanha por sua mãe. Sajad, seu filho de 22 anos, que inicialmente escreveu uma carta aberta ao governo pedindo a libertação de sua mãe, recebeu um comuniado do governo pedindo que desligasse seu telefone celular e não falasse com a mídia. A inteligência iraniana o convocou duas vezes na semana passada.

O site freesakineh.org, destinado a reunir assinaturas contra a execução da iraniana, já reuniu mais de 120 mil adeptos à libertação de Sakineh. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e uma série de outras figuras públicas já deixaram seus nomes na página.

Segundo o Guardian, outros 15 iranianos aguardam a execução por apedrejamento. Um grupo de ativistas, o Irã Solidário, está organizando uma série de protestos no próximo sábado, 24, em apoio a Sakineh.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A justiça arcaica e a justiça moderna

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Justiça moderna versus justiça arcaica, ou melhor, justiça leiga versos juiz crente.

Ambos do jornal Zero Hora de Porto Alegre

No atraso, conservadorismo e misticismo: Justiça mineira não autoriza aborto

A tentativa de um casal mineiro de interromper a gravidez da gestante, com a alegação de anencefalia do feto, acabou frustrada.

O Tribunal de Justiça de Minas (TJ-MG) informou ontem, que o juiz auxiliar Marco Antônio Feital Leite, da 1ª Vara Cível de Belo Horizonte, indeferiu o pedido com a alegação de que o direito à vida é garantido constitucionalmente, “não havendo permissivo legal para a interrupção de gestação no caso de má formação do feto”.

De acordo com o TJ-MG, o Ministério Público já havia opinado pelo deferimento do pedido do casal, levando em consideração parecer médico realizado pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde. Os nomes dos pais não foram revelados.

Na civilização: Ministério Público apoiou pedido do fim da gravidez

O pedido para a realização do aborto foi ajuizado pela Defensoria Pública e teve parecer favorável do Ministério Público.

– Foi feita uma avaliação psicológica e verificou-se que ela estava convicta com relação ao aborto. O que importa nesse tipo de caso é a vontade da vítima, o que ficou demonstrado de forma inequívoca. Nessas circunstâncias, entendo que era um direito fundamental da jovem decidir isso e que eu não poderia ir contra. Foi a melhor solução. A decisão tem amparo legal, ético, moral e constitucional – afirmou Medeiros.

A jovem está no início da gravidez e, com a sentença, poderá procurar um hospital para realizar o procedimento. Em tese, cabe recurso da decisão, mas o juiz considera improvável que isso ocorra, uma vez que o Ministério Público, que poderia recorrer, já deu parecer favorável.

O padrasto da jovem está preso preventivamente e responde a dois processos na 3ª Vara Criminal – por estupro e por violência doméstica. A ação tramita em segredo de justiça.

As decisões judiciais permitindo o aborto em caso de estupro têm ocorrido no país apesar das críticas de grupos religiosos. Um episódio semelhante ao de Pelotas ocorreu no ano passado, em Alagoinha (PE). Uma menina de nove anos estuprada pelo padrasto engravidou de gêmeos e pôde abortar, por sentença judicial.


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O mundo só vai ser feliz quando enforcar o último político nas tripas do último religioso


PS.
Hoje (17/06), o Tribunal de Justiça de Minas reviu a decisão que proibia o aborto do feto anacéfalo, felizmente a razão prevaleu!

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais autorizou uma mulher a interromper a gravidez de um feto anencéfalo (sem o cérebro). A decisão foi tomada nesta quinta-feira, por unanimidade, pela 13ª Câmara Cível da corte.

Ao votar a favor da interrupção, o relator do caso, desembargador Alberto Henrique, afirmou: "O direito protege a vida. O feto sem cérebro não tem vida após o nascimento. Logo, não há o que proteger".

Segundo o procurador de Justiça Vítor Henriques, não deve haver recurso, já que o Ministério Público se manifestou favorável a decisão.

Na semana passada, o juiz auxiliar Marco Antônio Feital Leite, da 1ª Vara Cível de Belo Horizonte, havia negado o pedido, mas o casal recorreu.

Os pais entraram com a ação na Justiça no fim do mês de maio, após serem informados por médicos que o bebê que esperam possuía anencefalia. O juiz julgou que, apesar dos laudos apontarem inviabilidade de sobrevida do feto, a gravidez e o parto não correspondiam a "perigo iminente de morte da mãe".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Deus quer 1 milhão de dólares, ajuda ai tio, vai!

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Idéia do N.

Depois do dízimo, bízimo e trízimo, deus quer 1 milhão de dólares.

Mais um exemplo do modus atuante do charlatanismo religioso brasileiro, estrelando a dupla pastoril, Mala e Mike.

Além dos farsantes locais, temos os importados (e com tradução simultânea), pedindo o dinheiro reservado para o estudo dos seus filhos, para trocar de carro, para as férias, ou mesmo para emergências e eventuais dificuldades, tudo serve, desde que cai no bolso do pastor.

Mais uma farsa religiosa televisiva explícita, só que agora a cota é fixa, apenas R$ 1.000,00, em troca, o trouxa, ops, digo, o crente, ganha um certificado como colaborador do U$ 1.000.000,00 (um milhão de dólares) para deus, um livro e a benção.

Essa doeu tanto que fodeus!

PS. Eles aceitam parcelamento, com uma boa conversa, até débito no cartão.



Comentários Politicamente (In)Corretos

A religião pode fazer suportável [...] a infeliz consciência de servidão... de igual forma o ópio é de boa ajuda em angustiantes doenças (Moses Hess, 1843).

A religião é o ópio do povo (Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes"), já dizia Karl Marx em 1844, em tempos televisivos, está mais para o crack. É dele também o texto abaixo:

"É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o Homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d'honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protestoópio do povo. contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o
A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.
Conseqüentemente, a tarefa da história, depois que o outro mundo da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade deste mundo. A tarefa inmediatada da filosofia, que está a serviço da história, é desmascarar a auto-alienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política."

O mundo só vai ser feliz quando o último político for enforcado nas tripas do último religioso, pelo que tenho lido e visto, as tripas devem ser retiradas com os eles vivos... e bem lentamente.

domingo, 16 de maio de 2010

Einstein e deus

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Recentemente via um chat, um americano queria me provar que Einstein acreditava em deus.

Esse é um dos grandes mitos difundidos pelos deistas, a religiosidade de Einstein. Talvez o mito se deva a capacidade do cientista em criar metáforas com aspectos religiosos. Os deistas pegaram as brincadeiras, ou quem sabe as levaram a serio e criaram o mito de um Einstein crente em algo do estilo de um "deus".

Pouco antes de sua morte, Einstein escreve uma carta (em 1954), recentemente leiloada, que desabilita todas as alegações (muito utilizadas por deistas), de que era um indivíduo religioso.

Palavras do físico que era considerado judeu (seguidor do judaismo), e que centra um pouco do foco nessa religião:

“A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”

“Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.”

“Até onde vai minha experiência, eles não são melhores que nenhum outro grupo de humanos, apesar de estarem protegidos dos piores cânceres por falta de poder. Mas além disso, não consigo ver nada de ‘escolhido’ sobre eles”.

Para quem duvida, o original.

PS. a tradução vai demorar alguns dias, pois estou com muito pouco tempo.


… I read a great deal in the last days of your book, and thank you very much for sending it to me. What especially struck me about it was this. With regard to the factual attitude to life and to the human community we have a great deal in common.

The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.

In general I find it painful that you claim a privileged position and try to defend it by two walls of pride, an external one as a man and an internal one as a Jew. As a man you claim, so to speak, a dispensation from causality otherwise accepted, as a Jew the priviliege of monotheism. But a limited causality is no longer a causality at all, as our wonderful Spinoza recognized with all incision, probably as the first one. And the animistic interpretations of the religions of nature are in principle not annulled by monopolisation. With such walls we can only attain a certain self-deception, but our moral efforts are not furthered by them. On the contrary.

Now that I have quite openly stated our differences in intellectual convictions it is still clear to me that we are quite close to each other in essential things, ie in our evalutations of human behaviour. What separates us are only intellectual ‘props’ and ‘rationalisation’ in Freud’s language. Therefore I think that we would understand each other quite well if we talked about concrete things. With friendly thanks and best wishes.

Yours, A. Einstein

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Daniel Dennett e a religião

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Duas entrevista com Daniel Dennett, filósofo e escritor. Uma para o Der Spiegel e outra para o Jornal Zero Hora de Porto Alegre em 01/05/2010. Vários de seus livros ainda não foram publicados no Brasil.

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Para a Der Spiegel
Tradução do blog Naturalmente


Por ocasião do ciclo de conferências na Culturgest dedicadas ao tema “Evolução e Criacionismo – Uma relação impossível”, o Naturalmente associa-se ao debate publicando uma série de posts acerca da mesma temática. Naturalmente, promovendo uma visão mais científica e naturalista. Naturalmente, procurando desmistificar a inanidade criacionista e a sua vertente mais sofisticada do “desenho inteligente”. Desde logo, apresentando aqui uma entrevista de Daniel Dennett ao Der Spiegel por alturas do lançamento do seu último livro “Breaking the Spell”, em 2006. Continua, naturalmente, pertinente e actual. Com os nossos agradecimentos a este blog brasileiro, que se deu ao trabalho de a traduzir do alemão. Apenas lhe dei uns retoques, adaptando-a para português europeu. Merece leitura atenta:

Der Spiegel – Professor Dennett, mais de 120 milhões de norte-americanos acreditam que Adão foi criado por Deus há dez mil anos, a partir do barro, e que Eva foi feita com a costela do seu companheiro. Conhece pessoalmente algum desses 120 milhões de indivíduos?

Daniel Dennett – Sim. Mas os criacionistas geralmente não se interessam em falar sobre isso. Aqueles que são realmente entusiastas do desenho inteligente, no entanto, falam sobre o assunto incansavelmente. E o que eu aprendi é que eles estão cheios de desinformações. Mas encontraram essas desinformações em fontes muito plausíveis. Não é apenas o pastor que lhes ensina essas coisas. Eles compram livros que são publicados por editoras famosas. Ou acedem a sites da Internet e vêem propagandas bem elaboradas, publicadas pelo Discovery Institute, em Seattle, que é financiado pela direita religiosa.

Spiegel – No centro do debate está a ideia da evolução. Por que é que a evolução parece provocar muito mais oposição do que qualquer outra teoria científica, como o Big Bang e a mecânica quântica?

Dennett – Creio que é porque a evolução conduz ao cerne da descoberta mais perturbadora da ciência nas últimas centenas de anos. Ela contesta uma das ideias mais antigas que possuímos, talvez mais antiga até que a nossa espécie.

Spiegel – Que ideia é essa, exactamente?

Dennett – É a ideia de que é necessário algo de grandioso, especial e inteligente para a criação de uma coisa menor. Eu chamo isso de teoria da ordem descendente da criação. Ninguém jamais verá uma lança fazendo um fabricador de lanças. Tão pouco verá uma ferradura criando um ferreiro. Nem um vaso de cerâmica gerando um ceramista. As coisas ocorrem sempre na ordem inversa, e isto é tão óbvio que simplesmente parece ser uma lei universal.

Spiegel – Você acredita que essa ideia já estava presente entre os macacos?

Dennett – Talvez entre o Homo habilis, o “faz-tudo”, que começou a fabricar instrumentos de pedra há cerca de dois milhões de anos atrás. Eles tinham a sensação de serem mais perfeitos do que os seus artefactos. Assim, a noção de um criador que é mais perfeito do que as coisas que cria é, acredito, uma ideia profundamente intuitiva. É exactamente a esta ideia que os defensores do desenho inteligente se referem quando perguntam: “Você já alguma vez viu uma construção sem construtores, ou uma pintura sem um pintor?”. Esse raciocínio é algo que capta esta ideia profundamente intuitiva de que jamais se obtém um desenho gratuitamente.

Spiegel – É um argumento teológico antigo…

Dennett – … Que Darwin refuta completamente com a sua teoria da selecção natural. E ele demonstra que não. Não só é possível que se obtenham desenhos a partir de coisas não desenhadas, como também pode haver a evolução de desenhadores a partir dessas categorias não desenhadas. No final temos escritores, poetas, artistas, engenheiros e outros projectistas de coisas, outros criadores – que são frutos bastante recentes da árvore da vida. E isso desafia a ideia popular de que a vida possui um sentido.

Spiegel – Até mesmo o espírito dos seres humanos – a sua alma – é produzida desta forma?

Dennett – Sim. Como uma forma de vida multicelular e móvel, nós precisamos de uma mente, já que temos que perceber para onde estamos a ir. Necessitamos de um sistema nervoso capaz de extrair rapidamente informações do mundo, de refinar essas informações e de fazer uso delas com presteza a fim de que elas guiem o nosso comportamento. O problema básico de todo o animal é identificar aquilo de que necessitam, evitar tudo o que possa feri-los, e agir dessa forma mais rapidamente do que os elementos antagónicos. Darwin compreendeu esta lei, e entendeu que este desenvolvimento vinha ocorrendo havia centenas de milhões de anos, produzindo ainda mais mentes andróides.

Spiegel – Mas, mesmo assim, algo fora do comum ocorreu quando os humanos surgiram.

Dennett – De facto. Os seres humanos descobriram a linguagem – uma aceleração explosiva dos poderes das mentes. Porque a partir disso foi possível aprender não apenas a partir da própria experiência do indivíduo, mas também de forma indirecta, com base na experiência de outros. Aprender com pessoas que o indivíduo jamais conheceu. Com ancestrais mortos há muito tempo. E a própria cultura humana transformou-se numa força evolucionária profunda. É isto o que nos confere um horizonte epistemológico que é muitíssimo mais vasto do que o de qualquer outra espécie. Somos a única espécie cujos indivíduos sabem quem são, que sabem que evoluíram. As nossas músicas, a nossa arte, os nossos livros e as nossas crenças religiosas são, todos eles, em última instância, um produto dos algoritmos evolucionários. Alguns acham esse fato fascinante. Outros o acham deprimente.

Spiegel – Em nenhum local a evolução se torna mais evidente do que no código do DNA. Não obstante, aqueles que crêem no desenho inteligente vêm menos problemas no código do DNA do que nas ideias de Darwin. Porquê?

Dennett – Eu não sei, já que a mim parece que a melhor evidência que temos da veracidade da teoria de Darwin é aquela que surge a cada dia da bioinformática, do entendimento do código do DNA. Os críticos do darwinismo simplesmente não querem encarar o facto de que moléculas, enzimas e proteínas conduziram ao pensamento. Sim, nós possuímos uma alma, mas ela é composta de vários robôs minúsculos.

Spiegel – Não acha que seja possível deixar a vida a cargo dos biólogos, mas permitir que a religião se encarregue da questão da alma?

Dennett – Era isso que o papa João Paulo II exigia quando lançou a sua muito citada encíclica, na qual afirma que a evolução é um facto, frisando, entretanto: excepto no que respeita à questão da alma humana. Isso pode ter deixado algumas pessoas satisfeitas, mas é algo simplesmente falso. Seria tão falso como afirmar: os nossos corpos são feitos de material biológico, excepto, é claro, o pâncreas. O cérebro não é um tecido mais maravilhoso do que os pulmões ou o fígado. É apenas um tecido.

Spiegel – As ideias de Darwin foram utilizadas de forma errónea por racistas e eugenistas. Seria este também um dos motivos pelo qual o darwinismo é tão vigorosamente atacado?

Dennett – Sim. Creio que a forma mais gentil de explicar isso é dizendo que a ideia darwiniana é muito simples – dá para explicá-la a alguém num minuto. Mas, por este mesmo motivo, ela é também extremamente vulnerável a caricaturas e a usos indevidos. Eu ensino aos meus alunos de forma muito paciente as bases da teoria evolucionária, e depois tenho que retornar ao tópico e esclarecer os mal entendidos, já que eles se entusiasmam demasiado com a teoria e acabam tendo ideias erradas. O darwinismo é um doce para a mente. Ele é delicioso. Mas o facto é que o excesso de doces pode distrair-nos, fazendo com que deixemos de nos concentrar na verdade. E isso pode ser utilizado por indivíduos racistas ou sexistas. Portanto, temos que praticar constantemente uma espécie de higiene intelectual.

Spiegel – Parece que tudo – incluindo o adultério, a violação e o assassinato – está a ser actualmente analisado à luz da teoria da evolução. Como é que se separa a pesquisa séria dos disparates?

Dennett – É preciso que sejamos colectores meticulosos dos factos relevantes. E temos que organizar esses factos de tal maneira que contemos com uma hipótese testável, que possa ser realmente confirmada ou rejeitada. Foi isso o que Darwin fez.

Spiegel – O seu colega Michael Ruse acusou-o de ter saído do campo da ciência e entrado no da ciência social e da religião com as suas teorias. Chegou até a afirmar que, ao proceder dessa forma, você estaria inadvertidamente a ajudar o movimento que defende o desenho inteligente.

Dennett – Michael está apenas tentando dar às implicações das descobertas de Darwin um enfoque suave, e assegurar às pessoas que não existe tanto conflito assim entre o ponto de vista da biologia evolucionária e as formas tradicionais de pensamento.

Spiegel – E quanto às acusações de que você estaria ajudando a teoria do desenho inteligente?

Dennett – Provavelmente existe um elemento de verdade nisto. Eu acabei de escrever um livro no qual olho para a religião por intermédio do prisma da biologia evolucionária. Creio que podemos, devemos, e até mesmo que temos que seguir essa rota. Outros dizem que não. Que devemos manter-nos afastados de certas áreas. Que não se pode permitir que a teoria da evolução chegue perto das ciências sociais. Creio que este é um conselho terrível. A ideia de que devemos proteger as ciências sociais e a humanidade do pensamento evolucionário é uma receita para o desastre.

Spiegel – Porquê?

Dennett – Eu daria a Darwin a medalha de ouro pela melhor ideia que alguém já teve. Ela unifica o mundo dos significados, dos objectivos, das metas e da liberdade com o mundo da ciência, com o mundo das ciências físicas. Quero dizer, nós falamos sobre a grande lacuna entre a ciência social e a ciência natural. O que preenche esta lacuna? Darwin, ao mostrar-nos como objectivo, desenho e sentido podem surgir da falta de sentido algum, a partir da simples matéria bruta.

Spiegel – O darwinismo está em acção todas as vezes que algo de novo é criado? Até mesmo durante a criação do universo, por exemplo?

Dennett – É pelo menos interessante constatar que ideias quase-darwinistas ou pseudo-darwinistas também são populares na física. Eles postulam uma enorme diversidade a partir da qual houve, em um certo sentido, uma selecção. O resultado é que nós estamos aqui, e isto é apenas uma pequena parte desta grande diversidade que presenciamos. Essa não é a ideia darwinista, mas é uma ideia aparentada. O filósofo Friedrich Nietzsche teve a ideia – eu arriscaria a dizer que ele talvez se tenha inspirado em Darwin – do eterno retorno: a ideia de que todas as possibilidades são concretizadas e que, se o tempo é infinito e a matéria também é infinita, então todas as permutações serão realizadas, não uma só vez, mas um trilião de vezes.

Spiegel – Uma outra ideia de Nietzsche é a de que Deus está morto. Essa é também uma conclusão lógica a que chega o darwinismo?

Dennett – É uma consequência muito nítida. O argumento em favor do desenho inteligente, creio eu, sempre foi o melhor argumento em favor da existência de Deus. E quando Darwin surge puxa o tapete sobre o qual esta ideia se sustenta.

Spiegel – Por outras palavras, a evolução não deixa espaço para Deus?

Dennett – É preciso que se entenda que o papel de Deus foi diminuindo no decorrer dos anos. Primeiramente tínhamos Deus, como você disse, fazendo Adão e todas as criaturas com as próprias mãos, arrancando a costela de Adão e fazendo Eva a partir dessa costela. A seguir trocámos esse Deus pelo Deus que coloca a evolução em movimento. E depois dizemos que nem sequer precisamos deste Deus – o decretador da lei -, já que se levarmos as ideias da cosmologia a sério concluímos que existem outros locais e outras leis, e que a vida surge onde pode surgir. Então, agora não temos mais o Deus criador descobridor de leis, nem o Deus decretador de leis, mas apenas o Deus mestre-de-cerimónias. E quando Deus é o mestre-de-cerimónias e, na verdade, não desempenha mais papel algum no universo, ele ficou diminuído, e não interfere mais de forma alguma.

Spiegel – Então, como é que tantos cientistas naturais são religiosos? Como é que eles harmonizam tal postura com o trabalho?

Dennett – Eles harmonizam essa postura com o trabalho porque não analisam atentamente como se dá esta harmonia. É um truque que todos nós podemos fazer. Temos as nossas maneiras de compartimentar as nossas vidas, de forma confrontarmos as contradições com a menor frequência possível.

Spiegel – Mas essa compartimentação também possui um lado positivo: a ciência natural fala sobre a vida, enquanto a religião lida com o sentido da vida.

Dennett – Tudo bem. Um limite. Mas o problema é que esse limite move-se. E, à medida que se move, a descrição do trabalho de Deus encolhe. Eu, também, me quedo maravilhado com o universo. Ele é maravilhoso. Eu estou tremendamente feliz por estar aqui. Creio que é um grande lugar, apesar de todas as suas falhas. Adoro estar vivo. O problema é: não há ninguém a quem ser grato por isso. Não existe ninguém a quem expressar a minha gratidão.

Spiegel – Mas a religião com certeza nos confere padrões morais e nos fornece directrizes sobre como nos comportarmos.

Dennett – Se a religião fizesse tal coisa eu não acharia que ela fosse uma ideia tão tola. Mas não é isso o que ela faz. Na melhor das hipóteses, as religiões funcionam como excelentes organizadores sociais. Elas fazem do trabalho moral em equipa uma força bem mais eficiente do que ele seria noutras circunstâncias. No entanto, isto é uma faca de dois gumes. Isso porque o trabalho moral em equipa depende, em grande parte, de que você abra mão do seu próprio juízo moral em favor da autoridade do grupo. E, como sabemos, isso pode ser algo extremamente perigoso.

Spiegel – Mas a religião ainda nos ajuda a estabelecer padrões morais.

Dennett – Mas, dessa forma, nós não seríamos moralmente bons apenas para que fôssemos recompensados no céu? Ou seja, Deus pune-nos pelos nossos pecados e recompensa-nos pelo nosso bom comportamento? Eu acho que essa ideia faz de Deus algo como um protector arrogante e ameaçador. Ela é ofensiva, já que sugere que esse é o único motivo pelo qual as pessoas agem de forma moralmente louvável. Por exemplo, será que nós só nos comportaríamos bem para conseguirmos 76 virgens no paraíso? Essa é uma ideia que seria ridicularizada por muita gente no Ocidente.

Spiegel – Então, por que é que praticamente todas as culturas possuem religiões?

Dennett – Creio que a resposta a esta pergunta é parcialmente histórica, no sentido de que as tradições que sobrevivem desenvolvem adaptações para sobreviverem. Assim, as próprias religiões são fenómenos culturais extremamente bem projectados que evoluíram para sobreviver.

Spiegel – Como uma espécie biológica.

Dennett – Exactamente. O projecto de uma religião é completamente inconsciente, exactamente da mesma forma como o projecto dos animais e plantas é completamente inconsciente.

Spiegel – As religiões bem-sucedidas possuem traços em comum?

Dennett – Todas elas precisam de possuir características que prolonguem a sua própria identidade – e muitas dessas características são na verdade interessantemente similares àquilo que encontramos também na biologia.

Spiegel – Poderia dar um exemplo?

Dennett – Muitas religiões tiveram início antes que houvesse escrita. Como é que se obtém preservação de alta-fidelidade de textos antes que existam textos? Os cantos e recitações grupais são mecanismos eficientes para a manutenção e a disseminação de informações. E temos também outras características, como a necessidade de garantir que alguns aspectos da religião sejam realmente incompreensíveis.

Spiegel – Porquê?

Dennett – Porque assim as pessoas têm que cair na memorização rotineira. A própria ideia da eucaristia é um exemplo adorável: a ideia de que o pão é o símbolo do corpo de Cristo, e de que o vinho é o símbolo do sangue de Cristo, não é suficientemente empolgante. É necessário que a ideia se torne estritamente incompreensível. O pão é Cristo, e o vinho é o seu sangue. Só então a ideia atrairá a atenção dos seguidores. Depois disso ela vencerá na competição com outras ideias mais entediantes, simplesmente porque o fiel não consegue deixar de pensar nela. É algo semelhante ao que ocorre quando temos uma dor de dente, e não conseguimos afastar a língua do dente dolorido. Todo o bom muçulmano deve orar pelo menos cinco vezes por dia, não importa o que aconteça.

Spiegel – Você também vê nisso uma estratégia evolucionária para manter a religião viva?

Dennett – É bem possível. O biólogo evolucionário israelita Amotz Zahavi argumenta que aqueles comportamentos “caros” – que são difíceis de serem imitados – são os melhores para serem passados às gerações seguintes, já que os sinais “baratos” podem ser, e serão, falsificados. Esse princípio dos comportamentos caros é bem conhecido na biologia, e está presente na religião. É importante fazer sacrifícios. O “custo” do comportamento é uma característica com a qual o indivíduo não deve tentar interferir, já que isso implica riscos. Se os imans se reunissem e decidissem remover essa característica eles estariam prejudicando uma das adaptações mais poderosas do islamismo.

Spiegel – Usando este tipo de argumentação, você é capaz de prever que religiões serão vitoriosas?

Dennett – Os meus colegas Rodney Stark e Roger Finke pesquisaram porque algumas religiões se disseminam tão rapidamente, e outras não. Eles estão a adaptar a economia do campo da oferta a esta questão e têm dito que existe uma espécie de mercado ilimitado para aquilo que as religiões podem fornecer, mas apenas se elas forem caras. Assim, têm uma explicação para o facto de as religiões protestantes muito brandas e liberais estarem a perder adeptos, enquanto aquelas mais extremadas e intensas atraem novos membros.

Spiegel – Você tem uma explicação para o facto de a crença no desenho inteligente ser mais disseminada nos Estados Unidos do que em qualquer outro lugar?

Dennett – Não, infelizmente não. Mas posso afirmar que a aliança entre religiões fundamentalistas ou evangélicas e a política de extrema-direita constitui-se num fenómeno muito problemático, e que essa é certamente uma das razões mais fortes para a disseminação dessa crença no país. O que realmente assusta é o facto de muitas dessas pessoas realmente acreditarem que a segunda vinda está para acontecer – a ideia de que o armagedão é inevitável, de forma que nada faz muita diferença. Para mim isso é uma irresponsabilidade social do mais alto grau. É assustador.



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Para Zero Hora

Há clérigos que não acreditam em Deus? Essa pergunta, que poderia ter sido o ponto de partida de uma reportagem jornalística ou de um romance, serviu de mote para um artigo científico intitulado Preachers Who Are Not Believers (Pregadores que Não São Crentes) publicado na edição de março da revista americana Evolutionary Psichology. Um de seus autores, o filósofo e psicólogo Daniel Dennett, foi a campo entrevistar homens e mulheres que, depois de uma vida inteira dedicada a comunidades de fiéis, deram-se conta de que haviam perdido a fé. O texto revela as angústias desses pregadores que, apesar da descrença, não abandonam o púlpito.


Filho de um agente de inteligência e de uma jornalista, Dennett é um dos expoentes do neoateísmo, corrente que, além de sustentar a não-existência de Deus, recorre a instrumentos de comunicação de massa, como outdoors, para propagar suas ideias e promove uma crítica ácida de instituições como a Igreja Católica. O livro mais conhecido de Dennett é Darwin’s Dangerous Idea (A Idéia Perigosa de Darwin), inédito no Brasil, foi publicado em oito países e está prestes a ganhar versões em húngaro, japonês e chinês. Nesta entrevista, concedida por e-mail, ele explica suas ideias:

Zero Hora – O ateísmo está se expandindo? Por quê?

Daniel Dennett – Sim, está. Acredito que quatro livros surgidos num curto período de tempo – O Fim da Fé, de Sam Harris (Tinta da China, 2007), Deus, um Delírio, de Richard Dawkins (Companhia das Letras, 2007), Deus Não É Grande, de Christopher Hitchens (Ediouro, 2007), e meu livro, Breaking the Spell (Quebrando o Feitiço, inédito em português), encorajaram muitos ateístas a serem menos reticentes sobre suas opiniões. Isso também encorajou outros a repensar suas crenças. Duvido que muito mais pessoas tenham se tornado ateístas; penso que elas estão apenas admitindo que foram ateístas por anos.

ZH – Um mês depois do 11 de Setembro, o romancista britânico Ian McEwan escreveu: “Dissabor com qualquer religião”. O revival ateísta é um efeito colateral do 11 de Setembro?

Dennett – Duvido que o 11 de Setembro tenha muito a ver com isso, embora a resposta do governo George W. Bush ao 11 de Setembro tenha sido extremamente desordenada. Foram as insinuações de teocracia no governo Bush que me provocaram, por exemplo, a deixar de lado meus outros projetos e escrever meu livro.

ZH – A religião é, em si, má?

Dennett – Não, ou pelo menos apenas certa religião é má em si mesma. A maior parte é muito benigna, mas isso confere “coloração protetora” às variantes más, que, por serem religiões, são consideradas acima da crítica por muitas pessoas.

ZH – Imaginar que não exista religião é uma questão supérflua?

Dennett – Os Beatles já nos convidaram a imaginar isso. (O verso “Imagine... que não há religião também” é da canção Imagine, de John Lennon, e foi composta quando ele era ex-integrante dos Beatles.) Eu duvido que a religião vá simplesmente se extinguir. Penso que uma hipótese muito mais realista é que as religiões vão sobreviver se transformando em instituições mais aceitáveis.

ZH – O escândalo de abusos sexuais na Igreja Católica seria diferente se tivesse ocorrido num contexto não-religioso?

Dennett – Claro! Se, por exemplo, fosse descoberto que uma multinacional como a IBM, a Shell ou a General Motors tivessem acobertado esses crimes por seus empregados, os líderes dessas companhias estariam todos na prisão cumprindo longas penas. Penso que deveríamos julgar a Igreja Católica pelos mesmos padrões com que julgamos fabricantes de automóveis. No mínimo, deveríamos julgá-los por padrões elevados, uma vez que seus representantes têm tão extraordinárias posições de confiança.

ZH – O cientista britânico Richard Dawkins propôs a prisão do papa Bento XVI por “crimes contra a humanidade” em razão de seu suposto acobertamento dos escândalos. Qual é a sua opinião sobre isso?

Dennett – Creio que dificilmente será uma campanha bem-sucedida, mas aprovo-a de todo o coração.

ZH – Fazer campanha pelo ateísmo com anúncios em ônibus, como ocorre na Grã-Bretanha, é correto? Não seria melhor manter o debate no campo acadêmico e cultural?

Dennett – Religião não é apenas um fenômeno acadêmico. Creio que é muito saudável ter o público em geral informado sobre a variedade de opiniões sobre religião sustentadas por seus vizinhos e concidadãos. Os anúncios que vi eram de bom gosto, muitas vezes divertidos, leves. Eu os aprovo. Quem se sentir ofendido deveria ser submetido a algum tipo de ajuste de conduta. Não têm o direito de ter suas próprias opiniões mais respeitadas do que as opiniões de outros cidadãos.

ZH – Há um grande número de cientistas efetivamente engajados no ateísmo militante. O historiador britânico Eric Hobsbawm escreveu que cientistas geralmente não se preocupam com questões políticas e filosóficas, a menos que percebam algum risco a seu próprio trabalho. O senhor acredita que é esse o caso atualmente?

Dennett – Sim, cientistas têm coisas melhores a fazer com seu tempo e energia do que se engajar em atividades políticas em favor do ateísmo. Se pessoas que acreditam em Deus mantivessem suas opiniões e práticas restritas a seus próprios grupos e não tentassem impô-las aos outros, não teríamos de nos engajar nesta atividade política.

ZH – A obra de Darwin ainda é perigosa do ponto de vista religioso?

Dennett – Não apenas do ponto de vista religioso. Há muitas pessoas na academia que não são religiosas no sentido tradicional mas que consideram a ideia da seleção natural profundamente repugnante. Isso as torna quase histericamente contrárias à aplicações do pensamento darwiniano em seus próprios campos. Isso pode se tornar perigoso.

ZH – Qual será a situação da religião na metade deste século?

Dennett – Se eu soubesse – se alguém soubesse –, não teria escrito meu livro, que apela por um novo estudo científico da religião, especialmente para nos dar uma fundação mais substancial na qual basear uma resposta a essa importante questão.

luiz.araujo@zerohora.com.br

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Religiosos são tão bonzinhos

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A Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, num total que pode chegar a R$ 400 milhões.

A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual Paulista.

Confirmou tudo que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.


Comentários Politicamente (In)Corretos

Padres católicos pedófilos, pastores evangélicos ladrões, anglicanos americanos racistas...... é..... religião é uma coisa muito legal, só atrai gente boa.

terça-feira, 23 de março de 2010

Por um estado realmente laico

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Somos, constitucionalmente, um estado laico que não deveria permitir as demonstrações de crendices, de todos os tipos, em suas ações e em suas instituições.

Apesar disso, crentes de diversas superstições, em especial os chamados cristãos, de uma forma ou de outra, tentam impor sua "fé", nas funções, nas ações de estado e em nossas consciências e comportamentos.

Em 4 de agosto de 2009, o Ministério Público de São Paulo, ajuizou, corretamente, uma ação pedindo a retirada de simbolos religiosos das repartições públicas. Quando então, o frade Demétrius dos Santos da Silva, se manifestou:

Abaixo a posição do padre e depois os comentários inteligentes do jornalista Ney Gastal.
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A carta do padre

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas;
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte;
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados;
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento;
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças; das misérias e sofrimentos dos pequenos; dos pobres e dos menos
favorecidos.
Frade Demetrius dos Santos Silva
São Paulo/SP – 27.02.2010.
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Os comentários de Ney Gastal

Então tá.
Vamos ver.
A cruz é um logotipo de marketing.
É um símbolo simples, de fácil aceitação.
Um risco sobre outro.
Tem um pequeno defeito, em termos de comunicação visual.
É estático. Parado.
Bem ao contrário da suástica, que existe há milhares de anos e na origem nada tem a ver com o nazismo.
A suástica - também um tipo de cruz - é móvel.
Assim como a suástica, na origem, nada tem a ver com o nazismo, a cruz nada tem a ver com o Cristo vivo.
O símbolo de Jesus vivo era a palma, a folha da palmeira.
Ele a usava em contraponto a águia do Império Romano.
Ele a usava como alternativa à espada.
Os primeiros cristãos, após a crucificação, trocaram a palma pelo peixe.
Enquanto a igreja primitiva seguiu os ensinamentos de Jesus, seu símbolo foi este.
Foi só quando virou uma estrutura borocrática pesada e armada (a espada) que ela resolveu adotar outro símbolo, mais forte.
A águia, outra águia?
Seria demais.
Tomaram de uma pomba (lincando ao Velho Testamento, o dilúvio, Noé, etc) para representar o Espírito Santo.
E, no lugar da espada com que se armava, a Igreja deu de mão na cruz, que até é parecida.
Pronto.
Estava completo o abandono de toda e qualquer vinculação com os ensinamentos de Jesus.
Desde então, a Igreja Católica é um poder secular, uma estrutura burocrática, uma nação com a cabeça nas nuvens.

O Brasil é um estado laico.
Mais do que não dever, não pode ter símbolos religiosos em prédios públicos.
Nenhum, quanto menos apenas um.
A argumentação perigosamente cínica de frei Demétrius poderia nos levar a outras tantas, do mesmo baixo quilate.
Tipo assim:
Não gosto de ver a cruz em nome da qual a Inquisição torturou e matou através de "julgamentos" forjados em nossos tribunais.
Não gosto de ver a cruz em nome da qual os cruzados semearam o ódio que até hoje grassa no Oriente Médio em nossas repartições públicas.
Não gosto de ver a cruz em nome da qual milhares de livros foram indexados, proibidos e queimados em nossas escolas.
Não gosto de ver a cruz que representa o Vaticano, um estado imerso em riquezas, em nossos prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
Não gosto de ver a cruz na qual a burocracia da Igreja crucificou a doutrina de Jesus sequer nas igrejas de nosso país.
Tenho certeza de que o próprio Jesus também não gostaria.
Mas todos estes argumentos seriam tão perigosamente cínicos quanto os de frei Demétrius.
Então não vou usá-los.
Vou apenas me limitar a dizer que a Igreja Católica Apostólica Romana (e as outras) não é em nada diferente, nos defeitos, ao Estado Brasileiro.
É apenas muito mais antiga e tem muito mais prática na trampolinagem.
Por isso, melhor será que cada um trate mais de seus assuntos e respeite mais os dos outros.
Afinal, pelo menos até onde se saiba, ainda não há na cúpula do Estado Brasileiro o hábito repetido e frequente da pedofilia.
Não é?

Ney Gastal

PS: Curiosidade. No grego clássico em que se baseiam as traduções da Bíblia (não, o original mais antigo conhecido não é em aramaico) está escrito que Jesus foi morto no stauros (stau.rós), ou "estaca de tortura". Esta era a forma usual de execução dos romanos, uma estaca vertical, sem sequer travessa no topo, quanto mais cruzada um pouco acima da metade. Não existe, no texto sagrado original nem nos textos de Josephus, historiador romano que tratou do assunto, qualquer referência à palavra ou ao objeto "cruz". Esta, como o Cristo loiro de olhos azuis em plena Galiléia, são criações da Igreja Católica em suas encomendas de quadros e manipulação de traduções. Ou seja, símbolos de marketing (em um tempo onde esta expressão ainda não existia) para vender melhor um produto entre a população européia.
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