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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os votos nulos, brancos e as abstenções somaram mais 36 milhões de pessoas que não escolheram ninguém

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O guerrilheiro Apolo, nosso guru-mor nas questões políticas, divulgou sua intenção de voto na Dilma, e eu, na qualidade de “centro-esquerda” e, nesse momento, com lampejos de “anarquista”, vou querer divulgar, também, para os senhores, o voto que dei: ME ABSTIVE. 
No Serra não votei, pois não senti firmeza em suas propostas para o Nordeste seco. E na Dilma jamais
votaria, pois ela foi muito cruel para com as causas sanfranciscanas. Ela não deu a mínima para a nossa militância de 15 anos de muita luta, onde colocamos nosso suor e nosso sangue. Empurrou a questão da transposição goela abaixo do nordestino, dando prioridade no uso das águas do Velho Chico ao grande capital. Se votasse nela, iria ter a sensação de estar atirando no dedão do próprio pé.
Mas, diante do que já passou, dou aquele UFA!  Aquele ATÉ QUE ENFIM ACABOU! No meu modo de entender, chegou ao final a mais triste campanha política que já testemunhei em toda minha vida de cidadão.
Já não agüentava mais o Serra com seu Paulo Preto e a Dilma com sua Erenice, ambos enrolados em piruetas verbais para se descontaminarem da proximidade insalubre dos velhos companheiros de jornada. Já não  agüentava mais as injúrias sem fundamento lançadas pelos candidatos estaduais contra aliados de anteontem.
Basta! Acabou! Sigam, os vitoriosos, para o inferno climatizado dos gabinetes ornados de mármore e cristal. Voltem, os derrotados, para o purgatório de suas varandas, lambendo as feridas enquanto esperam alguma
nesga de poder proporcional ao número de votos obtidos.
Vitoriosos ou derrotados, saiam, por favor, da minha frente! Não agüento mais a gritaria, os sorrisos forçados, os abraços ruidosos, os dentes arreganhados do lobo por trás da máscara de cordeiro.
Quero de volta a normalidade dos crimes passionais, do empurrar goela abaixo dos megaprojetos sem o crivo técnico responsável, das balas perdidas (lembram que tomei um tiro em um assalto!), dos ajustes de conta do tráfico, dos acidentes naturais, da corrupção cotidiana que já não causa indignação, de tão banal.
Quero as ruas sem bandeiras, sem os entulhos dos santinhos jogados fora no rastro das carreatas. Quero de volta o lixo comum entulhado nas calçadas, os cruzamentos devolvidos aos mendigos, vendedores de bugigangas e limpadores de pára-brisas.
Fica, mais uma vez, o gosto amargo de que seremos nós, os eleitores, que pagaremos a conta alta dos gastos de vencedores e vencidos. Fica, mais uma vez, a certeza de que seremos solenemente esquecidos em nossos anseios de cidadania, até que chegue a próxima temporada de iniqüidades.
Terminada a apuração para Presidente da República, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil com mais de 56% dos votos válidos. Nunca é muito destacar que os votos nulos, brancos e as abstenções somaram mais 36 milhões de pessoas que não escolheram ninguém. Isso significa mais de 28% do eleitorado apto a votar. Esses números monumentais devem servir pra que sejam feitas algumas reflexões.

Abraço

João Suassuna

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estamos tristes, mas não estamos derrotados.

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Ficamos tristes. 
 
O que nos impressiona não é o fato de pessoas diferentes elegerem políticos que divergem da nossa opinião. O que impressiona é o fato das pessoas elegerem um projeto de poder que exclui a divergência de opinião. E pior, que faz isto clandestinamente.

Em seu discurso de comemoração, Dilma falou sobre vários temas que agradaram aos menos atentos: liberdade de imprensa, direitos humanos, direitos religiosos. Um ponto não foi percebido pelos jornalistas: a criação de uma "polícia comunitária".

Uma das grandes conquistas da humanidade foi a constituição de forças policiais armadas profissionais, submetidas ao Estado e não aos governos. Isto é verdade para as forças armadas e para as forças policiais, incluindo, no caso brasileiro, a Polícia Militar.

Outros governos instituíram "polícias comunitárias". Entre estes, Cuba e a Alemanha de Hitler. Em ambos os casos a "polícia comunitária" foi e é uma polícia de controle da sociedade, uma espécia de milícia que foge ao controle da Lei.

Nos dias de hoje, a tirania, dita do proletariado, não exclui o capitalismo. Ao contrário, o inclui e controla. Vejam o caso exemplar da China. Há outros, como o Vietnam; e mesmo Cuba se prepara "para o futuro" criando espaços para que o empreendedorismo salve a economia. Lênin já sabia disto quanto inventou a Nova Economia Política. Stalin, envolvido pelas guerras e suas consequências, preferiu aperfeiçoar os sistemas de "controle político". Dessas lições, os anti-democratas concluíram que o capitalistmo não pode mudar o Estado totalitário. O que importa aos tiranos de hoje não é o controle dos meios de produção, mas o controle dos meios de repressão. Prestem atenção na "polícia comunitária".

Durante muito tempo, os liberais usavam a expressão de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". A esquerda, por isso, acusou esta expressão como sendo o símbolo da direita totalitária. Isto faz parte da ignorância de esquerda. A expressão foi originalmente cunhada por um protestante liberal que se notabilizou por defender católicos ameaçados de morte na Irlanda do final do século XVIII, origem do que mais tarde veio a ser o IRA, organização totalitária de esquerda. O liberal que os defendia de serem condenados por apenas um testemunho (ou delação) era John Philpot Curran, um ídolo dos liberais  na Irlanda. 

"A condição imposta por Deus ao nos dar a liberdade foi a eterna vigilância", dizia Curran. "Se o homem deixa de observar esta condição, a consequência deste crime é a servidão, punição para sua culpa", concluia. (Speech upon the Right of Election for  Lord Mayor of Dublin, 1790. Speeches. Dublin, 1808).

Estamos tristes, mas não estamos derrotados.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Enquanto o ateu Pandit Nehru governou a Índia, não houve carnificina entre religiosos.

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Governo republicano e religiões, por Luiz Carlos da Cunha*
Para o Jornal Zero Hora

“Quem eles pensam que são? E de onde eles tiram a ideia de que têm o direito de impor suas crenças religiosas a mim?”

Barry Goldwater, senador republicano conservador, candidato à presidência, 1981.

A cada campanha presidencial entre nós, a pressão religiosa sobre candidatos cresce. Cresce ao ponto perigoso de ferir os princípios republicanos de independência do governo laico em relação a crenças religiosas. Princípios sobre os quais se construíram as democracias modernas desde as Revoluções Francesa e Americana. Na América e no Brasil, os cristãos evangélicos multiplicaram seu poder econômico e numérico. Temos no Congresso bancada evangélica bem definida e coordenada. Não se pode menosprezar que algumas dessas igrejas são alvo de processos do Ministério Público, acusadas de se constituírem em organismos comerciais destinados a enriquecer seus dirigentes à custa da boa-fé popular.

Como outro princípio do governo republicano democrático se pauta pelo primado da maioria votante, cria-se um paradoxo: a maioria decide, seja qual for a religião a formá-la. E, adquirindo o poder, pode impor aos demais seus desígnios. Justamente para impedir tal resultado, maléfico para o conjunto de uma nacionalidade, a experiência social e política consagrou o governo sem religião. São funções distintas. Cláusula fundamental na construção de uma sociedade pluralista, democrática e tolerante. Entretanto, flagra-se na América como no Brasil o esforço de qualquer candidato a cargo civil público de se mostrar religioso para captar votos. Nos EUA, hoje, contrariando o espírito e a vontade dos fundadores de sua nação, candidato a presidente tem de pertencer a alguma grei evangélica se quiser ser eleito. Lá, muitos legisladores ateus se escudam protegidos pelo cinismo. Mas a sociedade americana é eminentemente individualista desde as diretrizes implantadas pelos fundadores da nação. Há liberdade de crença e de opinião. Consta de sua histórica e irretocável Constituição a liberdade de crença. Baseados nesta cláusula, ramos do mormonismo formam colônias isoladas para manter o casamento plural e o “dever religioso”, estabelecido pelo seu profeta, de o homem casar com meninas de 13 anos e com quantas mulheres puder sustentar. A multiplicação progressiva de filhos (sem registro civil) descarrega ao Estado a responsabilidade de prestar todos os benefícios da seguridade social àquelas coletividades, à custa do contribuinte seguidor da lei, que nada tem a ver com a religiosidade dos mórmons.

No Brasil, não se chegou a tais extremos; o confronto vem se desenhando de outra natureza. O catolicismo nasceu com o país e consolidou nossa formação cultural com a língua portuguesa. A contribuição da Igreja na educação, mantendo centenas de escolas desde o Brasil Colônia, Império e República, credencia-na a um mérito de reconhecimento que nenhuma outra pode se comparar. Contudo, isso não lhe abre exceção para recorrer à fé para subjugar assuntos de governo.

Como há liberdade para qualquer cidadão fundar qualquer empreendimento comercial definido como religião, e usufruir de isenção fiscal, cria-se uma situação insolúvel sob a lei vigente que nivela a todas. Talvez, num recurso heroico de justiça, o Estado pudesse recorrer ao aforismo da maior autoridade cristã no assunto – o próprio Cristo: “Meu reino não é deste mundo”.

Enquanto o ateu Pandit Nehru governou a Índia, não houve carnificina entre religiosos.

Flagra-se o esforço dos candidatos a cargos públicos de se mostrarem religiosos para captar votos
*Arquiteto

domingo, 24 de outubro de 2010

Fico sonhando com um cenário em que ambos os candidatos repudiariam a deriva religiosa do segundo turno


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por Diego Viana para o site AMÁLGAMA

Não espero conquistar a atenção de muita gente, mas insisto em sair da toca com algumas palavras de bom senso, já pedindo desculpas por me apresentar como a voz do bom senso. O que segue é uma exortação à militância tucana, àqueles pequenos pássaros de escassa penugem que ainda piam no ninho, desejosos de voltar ao poder e colocar em prática as ideias (isto é, as sobreviventes) de um partido fundado em meados de 1988 sob a égide da democracia e da modernização. Poderia ser um apelo a todos os níveis do partido, mas temo que os tucanos de alta plumagem, os cardeais, já não tenham volta. Então vou me dirigir somente à base.
Explico. Alguns nomes da lucidez nacional têm alertado para o perigo da introdução de uma agenda religiosa radical na política brasileira. Temos aí, ambos na Folha, os artigos de Jânio de Freitas e Vladimir Safatle – este último bastante assustado, e prenhe de razão, com a perspectiva de um Brasil dos aiatolás cristãos. Como Satafle, muita gente teme pelo futuro se a campanha continuar assim até o final e se o radicalismo religioso resolver cobrar a conta do governo no ano que vem. (E por que não cobraria?)
Também temo, é claro. Mas acho necessário acrescentar um detalhe. Sim, o futuro está em risco. Mas ele segue sendo a única coisa que pode ser salva. Os princípios republicanos estão a perigo no país e não é a primeira vez, tanto é que eles já foram suprimidos em mais de uma ocasião de nossa história. O que realmente se perde está no presente e sua relação com o futuro é que fará falta, muita falta, se o pior cenário se concretizar. Não estou querendo livrar a cara do PT, cuja carta recente, em que dobra os joelhos para o poder religioso, é triste e equivocada. Mas a conta do PSDB é infinitamente mais tétrica.
O PT, como eu disse, se dobrou. Já o PSDB se aniquilou, se negou. Abraçou voluptuosamente uma agenda deplorável e rasteira. Pior ainda, sem um gesto de hesitação, os líderes do partido incineraram e enterraram os princípios fundadores da legenda. Afinal, o PSDB não era um partido udenista. Como foi acabar assim? O PSDB não era um partido reacionário. Como foi acabar assim? O PSDB não era um partido populista, mas hoje reduziu sua campanha a promessas de aumento irresponsável do salário mínimo e evocações à fé mais banal. Como foi acabar assim? O PSDB não era um partido clientelista, mas ao se associar à versão suburbana do voto de cabresto, descambou para isso. Como foi acabar assim? Não há ódio ao adversário que o explique – e o ódio ao adversário já é um princípio indesejável. Não há desejo de vitória que o justifique. Não esqueçamos: depois do voto, vem a gestão. E que gestão se pode esperar de um partido que abdicou de sua identidade, como fizeram os líderes tucanos?
Uma coisa que se deve entender: o PT e o PSDB são partidos enraizados profundamente naquilo que se convencionou chamar de “Nova República”. São os dois principais partidos surgidos das cinzas da hecatombe militar, de que o país saiu mutilado, emburrecido e na bancarrota. Talvez sejam os únicos partidos verdadeiramente novos de alguma relevância: o PDT é o novo PTB, o PFL é a Arena, o PMDB continuou sendo ele mesmo e assim por diante. PT e PSDB, não. São partidos cujo significado é profundamente dependente dessa república. Esses dois partidos não fazem sentido, não existem como tais, sem a observação e a defesa rigorosa dos valores republicanos, recuperados no país com a constituinte de 1988.
Ou seja, é impossível que haja uma erosão dos valores republicanos no Brasil sem que haja, ao mesmo tempo, a derrocada dos dois partidos que mais se nutrem desses valores. Ao perguntar a sua adversária, no primeiro debate do segundo turno, se ela crê em Deus, José Serra não apenas incorporou Jânio Quadros (o PSDB, mais do que qualquer outro partido brasileiro, deveria estar ciente do mal que o espírito desse homem pode fazer ao país). Ele também deu uma estocada certeira no coração dos valores republicanos e, por extensão, no coração do PSDB. O PSDB não tem vocação para UDN, mas está coligado com um partido que tem. Cuidado, PSDB, para não ser fagocitado pelo PFL. José Serra se mostrou disposto a renunciar ao Estado laico em nome do poder. O partido está de acordo? Os militantes estão de acordo?
Chega de explicações, vamos à exortação. A militância tucana tem um dever moral inadiável. Existe uma única atitude que ela pode tomar se quiser salvar seu partido, antes que ele imploda e dê lugar a um cripto-PFL, suspirando de saudades por Carlos Lacerda e Magalhães Pinto. Os militantes do PSDB têm necessariamente de vir a público para, em uníssono, repudiar com veemência a deriva em que se meteram a direção do partido e seu candidato. Os verdadeiros tucanos estarão definitivamente fora do jogo político se falharem em dar um “Não” inapelável às inserções de televisão com fetos e um discurso fascistóide, a que se entregou a campanha de Serra desde o início do mês. Mas isso é só um exemplo: o “Não” tem de ser coextensivo à instrumentalização da festa da padroeira, em Aparecida, dia 12 agora. “Não” à manipulação midiática, “Não” aos santinhos com frases bíblicas, “Não” aos panfletos apócrifos, “Não” à tendência de descambar para aquilo que de mais nefasto já produziu a política brasileira, o lacerdismo que desaguou no golpe de 64 (e não estou sugerindo que caminhamos para outro golpe). O episódio Regina Duarte de 2002 deveria ser vergonhoso o suficiente para o tucano histórico, mas nada é tão ruim que não possa piorar. Neste ano, estamos muito pior.
Amigo tucano que leu até aqui: este é teu dever moral. Exigirá coragem, certamente, e desprendimento. Mas isso vale para qualquer dever moral. Falhando com esse dever, você deixará claro que o PSDB está morto pelas próprias mãos. É possível já o esteja há tempos. Lula se vangloria de provocar a extinção do PFL, mas talvez a verdade seja que o PFL contaminou o PSDB. Algo assim como se a Arena cooptasse o MDB e a ditadura se perpetuasse. Nada mais desastroso para a república brasileira.
“É preciso vencer a eleição”, argumentará talvez o amigo tucano. Vencer a eleição? Que vitória é essa, em que o exército triunfante é aniquilado? Não há mais vitória possível nesta eleição, se para isso for necessário cobrir-se de ignomínia, como tem ocorrido. Um eventual José Serra vitorioso não teria meios de governar, porque é impossível governar sem seu próprio partido. Ora, por enquanto o PSDB é o partido de José Serra, mas, a continuar assim, não haverá mais verdadeiro PSDB e só sobrará a neo-UDN nas mãos do eventual futuro presidente. É esse o governo que o militante tucano quer encabeçar?
“Mas e se perdermos a eleição de novo?!”, exclamará mais uma vez o mesmo amigo tucano. Talvez seja essa a única salvação para o partido. Então será possível deixar enfim para trás os anos 90, retomar os princípios fundadores, repensar o país a partir de suas condições atuais, superar o discurso pretejado de louvor ao Plano Real (que é de 94, e estamos em 2010), reapropriar-se da defesa de valores republicanos, desenvolver propostas modernizadoras para o país… O PSDB, não custa lembrar, é o partido de Franco Montoro e Mário Covas, muito mais do que de Sérgio Guerra e Arthur Virgílio. Cito aqui dois homens mortos, mas é para deixar claro que a morte dos homens não precisa implicar a morte do partido. Amigo tucano, tome em mãos o que é seu, rejeite o que pode aniquilá-lo. Erga-se contra aquilo que destrói por dentro seu partido. Não, essa campanha que tenta colocar José Serra no Planalto não é uma campanha do PSDB! Ou então o PSDB já não existe.
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PS: Fico sonhando com um cenário em que ambos os candidatos repudiariam a deriva religiosa do segundo turno, recusariam em definitivo o apoio de grupos fundamentalistas que exigem dos dois partidos a supressão de seus próprios princípios de base (que são, não custa lembrar mais uma vez, democráticos e modernizadores), e fariam uma eleição em nome do Brasil, não de nosso inconsciente obscurantista. Sei que é delírio meu. Sei que ambos perderiam muitos votos, mas a vida não se resume em receber votos. E, de toda forma, a esta altura temos apenas dois candidatos para escolher, e o peso do radicalismo religioso deveria cair, em vez de aumentar.

Corrupção sempre fez parte da política brasileira

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Corrupção sempre fez parte da política brasileira, a diferença agora é que ela foi institucionalizada pelo legislativo, assinada e regulamentada pelo executivo e julgada constitucional pelo judiciário.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Segundo turno

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Eles são os cretinos e nós é que vamos nos ferrar.
Do Amarildo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Natureza não aguenta mais “neutralidade”


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Por José Truda Palazzo Jr. para o site O ECO

19 Out 2010

O estudo da História, no Brasil, é uma infeliz repetição dos demais estudos nesse país: aprende-se pouco, mal e em geral inutilidades ditadas por algum imbecil chauvinista ou xenófobo, ou ambos, que do alto de algum posto de poder escarrou sobre nossa juventude um diktat sobre o que é ou não importante se estudar, e acabou. É assim que as crianças penam para decorar bobajadas sobre o Crescente Fértil sem saber nem direito onde fica, bem como festejar dias de índios que não sabem de onde vieram nem o que faziam, e por aí vai.

Faço essa introdução irada sobre um tema desconexo porque, se tivéssemos todos estudado a interessantíssima História da Índia nos bancos escolares, se evitaria muita idiotice que tenho lido e escutado nos últimos dias sobre a lamentável decisão de Marina Silva e dos caciques do Partido Verde de posar de “neutros” nessa fase crucial das eleições, advogando uma “independência” tão falsa como a afirmação reiterada de Marina de que o PT estaria “mais próximo” dos ideais do PV do que a coligação de José Serra.

A Índia, país pobre porém culturalmente riquíssimo, sofreu um golpe irreparável quando a luta pela independência do Reino Unido infamou as paixões do fanatismo religioso, causando, enfim, massacres horrendos que até hoje perduram entre compatriotas antes irmanados, e a divisão do país em dois (depois três, com a secessão de Bangladesh) com a criação do Paquistão. Ninguém que tenha se debruçado sobre o tema pode esquecer as horrendas cenas e descrições das migrações forçadas de hindus para um lado e muçulmanos para outros, colunas de centenas de milhares que a algum xingamento mais forte se atracavam a facadas e pauladas.

Os massacres e o esquartejamento da Índia têm um grande culpado: Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como o Mahatma, hoje ídolo da Paz e modelo de comportamento político para os que crêem em estereótipos como forma de entender a humanidade. O seu bom-mocismo exacerbado, que fez dele pouco mais do que espectador dessa imensa tragédia, contribuiu para que o modelo de separação física das religiões levasse ao ódio que levou à divisão do país. Evidentemente, o papel de Gandhi na independência da Índia não é desprezado em função disso, mas muita gente prefere se fazer de surda quando se fala nos riscos reais de se adotar uma postura monástica demais num mundo de pecadores inveterados.

Marina Silva fez-se de Gandhi neste último final de semana ao adotar, e arrastar o Partido Verde para, uma postura de “independência” (leia-se neutralidade, em cima do muro, omissão, qualquer que seja a explicação convoluta que se dê a posteriori) para o segundo turno das eleições presidenciais. Líder capaz de mudar os rumos da História agora, preferiu preservar-se para voltar a concorrer em 2014, condenando, se Dilma Plástica se eleger, a Natureza brasileira a mais quatro anos de devastação desenfreada e à destruição final de qualquer semblante de gestão ambiental federal.


Se analisarmos esses últimos oito anos de des-governo federal, em que Dilma governou nas sombras em nome do Etílico Iletrado de Garanhuns, veremos que quem representou melhor os interesses mais retrógrados e criminosos das máfias empresariais anti-Natureza foi, de fato, a corporação petista atracada no Estado. 

Marina tem suas razões, e tem o direito de exercê-las. O que não é direito, nem razão, muito menos aceitável, é que a sua decisão pessoal tenha arrastado junto um Partido político inteiro sem consulta aos seus filiados e apoiadores, dentre os quais pela primeira vez uma significativa parcela do movimento ambientalista que passou a acreditar na via político-partidária como alternativa de luta. Muito menos aceitável é que após anunciar a “independência”, ela e alguns do caciques do PV tenham imediatamente saído a fazer propaganda de Dilma dizendo da “maior afinidade” dessa gentalha assassina da Natureza com o programa do PV. Poderíamos todos ter sido poupados desse lamentável post-scriptum.

O que resta aos ambientalistas preocupados efetivamente com o que vai acontecer com nossa biodiversidade enquanto Marina não vem? Para mim, fazer campanha diuturna para que Dilma, A Plástica, não se eleja. Cansei de ouvir nessas últimas horas a bobajada dos bem-intencionados dizendo que a campanha de Serra representa o latifúndio que é contra o Código Florestal, as empreiteiras e etc... pois bem,  se analisarmos esses últimos oito anos de des-governo federal, em que Dilma governou nas sombras em nome do Etílico Iletrado de Garanhuns, veremos que quem representou melhor os interesses mais retrógrados e criminosos das máfias empresariais anti-Natureza foi, de fato, a corporação petista atracada no Estado. O que os bonzinhos omissos que defendem a “independência” dizem – que a ‘direita’ pede aumentar a devastação – é justamente o que Dilma FEZ.

Contem comigo: abandono das áreas protegidas e engavetamento das propostas de criação da maioria delas; privilégios à energia suja e marginalização das alternativas energéticas limpas; desconstrução do sistema federal de gestão ambiental, com o esquartejamento e miserabiliização (além de perseguição a funcionários atuantes) do IBAMA; apoio explícito ao modelo colonial de exportação de commodities agrícolas com a expansão brutal das queimadas e desmatamentos para a plantação de grãos por mega-conglomerados dos ‘coroné’ do campo; produtivismo soviético voltado para a conquista de votos por meio da expansão criminosa do consumismo, gerando brutal endividamento familiar e um impassável caos no trânsito das cidades pelo subsídio ao transporte individual e abandono do coletivo. Digam-me que governo de ‘dereita’ faria melhor para acabar com a Natureza e a qualidade de vida no Brasil?

Não tenho quaisquer ilusões, por outro lado, que José Serra e seus aliados sejam bonzinhos ou ambientalistas. Mas acredito, por três décadas de experiência própria, que combater, debater e dialogar com adversários minimamente letrados no que acontece no mundo e que têm por mantra o lucro privado eficiente, não o atraque perpétuo ao Estado atrasado e paternal, é melhor do que ter de aturar os desmandos e a falta de visão dos “pais dos pobres” cujo horizonte vai apenas a Cuba, à Bolívia e à Venezuela. Quero um país que apóie as Maldivas na discussão da mudança climática, não o Irã na sua histeria nuclear. Quero poder de novo bater boca com governantes alfabetizados, que entendam quando a gente fala em célula fotovoltaica, biodiversidade, geração de emprego e renda com a economia do século XXI e não do século XVII de Aldo Rebenta e seus comunistas pró-latifúndio. Vou de Serra neste segundo turno, e todos os que realmente se preocupam com a Natureza brasileira, e não com o proselitismo faz-de-conta dos pobres ignaros sem noção de História, deveriam ir também. E em 2014... Marina neles!

domingo, 17 de outubro de 2010

Entrevista com Francisco de Oliveira, sociólogo e fundador do PT: Dilma e Serra são iguais

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UIRÁ MACHADO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que "Lula nunca foi de esquerda".
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é "privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu".
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.


Folha - Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira - Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização...
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.


Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.

Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro...
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior.

Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto?
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.

O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.

Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.

Marina aparece como uma terceira força sustentável?
Acho que não. A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.

O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.

Como assim?
Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu.
Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo?
Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada.

Em 2004, o sr. atribuiu a Lula a derrota de Marta na prefeitura. Qual sua avaliação de Lula como cabo eleitoral de Dilma?
Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso.

Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.

Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu... Esse tem projetos mais autoritários.


E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.

O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.

Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito...

sábado, 16 de outubro de 2010

Até quando


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O tema religião está centralizando a campanha para o segundo turno.

Se, somente se, fossem sérios, Dilma e Serra fariam um pacto para deixar a campanha e que o estado e a legislação são, inquestionavelmente, laicos.

Mas como são dois cretinos.....





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Por causa disso, eu nunca vou perdoar a petralhada


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Eu sei que é um pecado, eu sei que vou para o inferno por causa disso.
Essa também é uma das razões pela qual eu nunca mais vou votar em candidato petista e vou odiar o PT eternamente.

A razão é simples, ver esse grupo de petralhas no poder, me obriga a fazer
campanha para o lixo do Serra.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma luz no fim do túnel foi acesa, lá no Rio Grande do Sul

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Os gaúchos levam a sério essa coisa de hay gobierno soy contra. Cuja origem, reza a lenda, tem origem com os anarquistas espanhois.
Em 1998 os gaúchos elegeram Olívio Dutra, do PT, para governador. FHC ganhou no 1º turno. Mais uma vez o governador gaúcho era de oposição ao governo da baianada.

Em 2002 e 2006 Lula ganhou e os gaúchos elegeram, respectivamente, Germano Rigotto e Yeda Crusius para governadores. Mantendo a tradição de ser um governo de oposição ao governo central da baianada.

Agora os gaúchos elegeram (a)Traso, digo, Tarso Genro e a baianada ainda não definiu quem vai ser seu presidente.

Com sorte os gaúchos continuam oposição ao governo central...... quem sabe ......

PS. Para quem não sabe o que quer dizer baianos na lingua dos gaúchos:

Baianos: todos os nascidos a partir da margem norte do rio Uruguay, que divide o Rio Grande do Sul do Brasil. Baianos do litoral, todos os nascidos ao norte do rio Mampituba, que separa o Rio Grande do Sul do Brasil marisqueiro (caiçaras).

domingo, 10 de outubro de 2010

Porquice eleitoral

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Lixo eleitoral em Porto Alegre chegou a 157 toneladas, segundo DMLU (Depto. Municipal de Limpeza Urbana).

O que equivale algo entre 40 e 50 caminhões de lixo.
Se como candidato é porco, imagine como dePUTAdo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Qualquer um pode presidir o Brasil


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Lula afirmou essa semana, no Rio de Janeiro, que qualquer um pode presidir o Brazil.

Comentários Politicamente (In)Corretos

É, considerando que nos últimos 8 anos um lider de quadrilha e picareta da pior espécie o fez, é uma verdade. Obviamente essa "verdade" não considera nenhuma avaliação das consequencias.

Pensando bem, com a votação do Tiririca, maluf, barbalho e uma penca de "celebridades" (ou seriam bundas), com nome de "fruta", tudo virou possível nessa E$bórnia.

Agora, olhando cá o meu umbigo (estou a imaginar, como diriam os portugueses).... se o Tiririca resolvesse ir para o PT.... o cara é quase analfabeto, nunca leu um livro, vive de divertir o populacho falando bobagens e, com a votação que teve, bobagens que são levadas a sério por milhares de brasileiros. Vai que a Petralhada se dá conta disso.

KCT, vou ver a validade do meu passaporte, sabe-se lá o que vai passar na cabeça dos e$bornianos em 2014.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O PV tem uma oportunidade única de agregar as pessoas (eleitores)


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Particularmente acho que, tirando os picaretas oportunistas como Gabeira no RJ, alguns outros PVerdistas como os do Paraná e São Paulo (que imediatamente propuseram o  apoio a zé serra, já pensando na troca por algum cargo em um "futuro governo"), o PV tem uma oportunidade única de agregar as pessoas que tem a questão ambiental como ideologia e os que estão conscientemente descrentes e desconfiados com o que tem disponível, da corrupção petista ao resquício do corornelismo do DEM/PMDB, passando pela cretinice do PSDB.

Muitos dos votos que foram para o PV foram muito bem definidos pelo Elio Gaspari em poucas sentenças:

Pode-se supor que Marina Silva recebeu 10 milhões de votos sem culpa, movidos a emoção. Foram eleitores que usufruíram o direito de ficar longe de argumentos extremados como os do mensalão petista e da privataria tucana...... Os votos sem culpa não formam um curral. Eles são o contrário disso.

Se souber colocar os oportunistas (gabeira,sirkis - RJ, feldman - SP, burk - PR e outros bandidos), à margem do processo, esquecer ou mesmo fazer um mea culpa pelo apoio a renan calheiros em Alagoas, pode capitalizar e cativar o voto dos sem culpa e dos que não votam  na corrupção petista ou na cretinice tucana.

Um eleitorado variado, com os mais jovem, os com maior grau de instrução (logo com mais memória), os que se recusam a votar na corrupção pela ideologia e muitos dos que se recusam a trocar o "ser cidadão" pelo "ser consumidor", enfim do voto sem culpa e sem arrependimento.

Esperamos que o PV e Marina não façam caca (o risco é que ela continua grande admiradora daquele que é o chefe da quadrilha petralha, vulgo lula).

Se apoiar dilma ou serra, Marina vai perder muitos dos quase 20 milhões de votos e enterrar qualquer pretensão política, em nível nacional, de longo prazo.

Cair de maduro

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Coluna da Dora Kramer de hoje, em vários jornais.

As duas semanas que Ma­­­rina Silva e o PV pedem para decidir qual apito tocarão para seus eleitores no segundo turno não cabem dentro dos 25 dias que faltam para a eleição.
Nem os candidatos Dilma Rousseff e José Serra podem esperar tanto nem a expectativa do público se sustenta durante tanto tempo.

Inclusive porque no fim Marina pode chegar à conclusão de que a neutralidade é a melhor posição. A posição do PV não importa, já que o centro mesmo das atenções é a senadora.
Decisões que demoram a sair, ainda mais em situações emergenciais como a do segundo turno da eleição presidencial. A procrastinação põe os personagens da história no sério risco de ser atropelados pelos fatos e pelas circunstâncias.

Os fatos já a partir de agora vão começar a surgir: as polêmicas, os programas do horário de rádio e televisão, a tomada de posição dos aliados país afora, a arrumação interna das campanhas, os acertos, os desacertos, uma série de coisas que vão acontecendo muito rapidamente e que podem fazer do apoio de Marina/PV um acontecimento vencido. Ou pior: aborrecido.

Guardadas todas as proporções, não custa lembrar a quem interessar possa que a escolha do vice da chapa do PSDB um dia foi assunto nobre e acabou naquela situação lamentável que todo mundo viu.

Ninguém é capaz de dizer ou informar com razoável grau de precisão o que vai acontecer com essa que hoje é a mais cortejada das noivas da política.

Primeiro, um parêntese: me­­­lhor ver PSDB e PT correr atrás de Marina que reverenciar o PMDB por causa de tempo de televisão e serviços prestados à “governabilidade”.

Ninguém consegue saber com segurança qual o rumo do PV porque nem o PV sabe.

O presidente do partido anunciou apoio a Serra, bem como figuras de destaque do PV como Fernando Gabeira e Fábio Feldman. Isso, aliado ao fato de “os verdes” estarem aliados aos tucanos em vários estados faz supor que o partido irá com Serra.

Convém, porém, não subestimar a capacidade de cooptação do governo e o fato de que é o presidente em pessoa quem procurará Marina para convidá-la a apoiar Dilma.

Apesar de todo os pesares, Marina simplesmente adora, no sentido religioso do termo, Luiz Inácio da Silva. De outro lado, abomina – no sentido pagão da palavra – Dilma.

Por isso a aposta geral é a de que ficaria neutra. Se apoiar Dilma, volta para uma campanha do PT. Se ficar com Serra, salta para o outro lado da margem sem escalas.

Para quem está chegando ao “grand monde” da política agora qualquer passo em falso é um risco, muito embora a paralisia tampouco seja a melhor conselheira.

Marina não é uma líder de massas. Tanto que tem gente chamando seus 20% de votos de “fenômeno”.

Se Lula com seus 80% de popularidade só conseguiu dar 47% para Dilma, Marina de repente faria 20% das pessoas que votaram nela por variados motivos – dos piores aos melhores – seguirem incontinenti sua posição?

E se só uma ínfima parte seguir, como ela fica?

Difícil, mas qualquer que seja a decisão será necessário apressá-la. Sob pena de os verdes acabarem caindo de maduro.

Embarque na onda
Os institutos contratados por campanhas e governos não “erraram”, cumpriram suas tarefas. As pesquisas saíram com a credibilidade arranhada, mas isso acontece em toda eleição e depois (lamentavelmente) passa.

Pior aconteceu com a imprensa em geral, nacional e estrangeira, que ficou na referência cega dos números, abstendo-se de pensar, de “reportariar”, de dar às amostragens sua devida dimensão.

Na melhor das hipóteses, as intenções de votos de Dilma alcançaram 55%. Cinco pontos é pouco para sustentar aquela certeza toda na decisão no primeiro turno.

Precisão
Na quinta-feira anterior às eleições, logo após o debate da TV Globo, o marqueteiro do PSDB, Luiz Gonzalez, revelava a um grupo de jornalistas o resultado do “tracking” (medições em série por telefone) daquele dia: 42% para Dilma, 31% para Serra e 20% para Marina. Mais preciso que a pesquisa da boca de urna.


Ainda de olho na Marina (ou nos votos dela)

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De zé serra': sou ambientalista convicto.

Do outro lado, dilma faz demagogia com o aborto: Eu sou e sempre fui a favor da vida.

Um quer os ambientalistas e a outra o voto dos religiosos retardados, fazendo demagogia com um assunto que deveria ser questão de saúde e de opção individual, não para ficar subordinado aos místicos religiosos .

E assim o país avança, pior que está, está ficando.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Marina vai jogar fora parte de sua poupança eleitoral?

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O mordomo lulalau já disse que vai procurar Marina Silva, a cúpula petralha idem, querem o apoio e os votos dela. Serra também quer uma parte dessa herança.

Mas será que Marina da Silva vai gastar parte da poupança política que está formando, para apoiar  Dilma ou Serra?

Se fizer isso fica desacreditada, na próxima eleição não chega aos 10%, pois os eleitores dela nessa eleição tem memória melhor que a média e parte votou porque não acredita no serra ou na dilma.

Vamos ver se ela não faz bobagem, particularmente acho que não.

'Fichas-sujas' recebem 8,7 milhões de votos nas eleições

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'Fichas-sujas' recebem 8,7 milhões de votos nas eleições, essa é uma das matérias sobre as eleições que vários jornais estão discutindo ou pelo menos relatando.

Logo após a aprovação da Lei vulgarmente chamada de "ficha suja", Hélio Schwartsman, da Folha de São Paulo escreveu um artigo denominado Ficha Limpa, entre o inócuo e o ilógico, discutia a eficiência do proposto face a realidade política, eleitoral e até judicial do brazil. 

Mas a grande pergunta é: haveria necessidade de termos uma lei que barre candidatos criminosos se vivessemos num país minimamente civilizado?

A resposta óbvia é não, a primeira barreira seriam os partidos, que se recusariam a ter membros e candidatos criminosos ostentando sua marca, a segunda, o voto dos eleitores que eliminariam esses bandidos da política.

Mas como dizem os portugueses, estamos a 50 anos mais 1 de sermos civilizados e termos esse grau de cidadania, e essa notícia dos jornais prova isso.

Eu achava a lei um certo avanço, uma forma de barrar a cretinice política, mas tinha consciência que uma lei não muda um país e, principalmente, não muda seu populacho. 

Mas face as escolhas do populacho consumidor, acho agora que Hélio, quando escreveu aquele texto, tinha uma razão absoluta.

Mas acho também que o grande problema é que a cabeça do populacho oscila entre o inócuo e o ilógico.

Derrota de parte da velha guarda e de alguns senhores feudais política

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Li com muita satisfação sobre a derrota de velhos caciques políticos, no Ceará, Bahia, Amazonas e muitos outros lugares, mas a satisfação que isso me trouxe é limitada.

Foram trocados por políticos, em sua maioria, apoiados pelo lula e sua "cumpanherada" associada. Muitos integrandes de outras oligarquias e donos de outros feudos. No fundo a gente trocou seis por meia dúzia.

O pior é que o país ficou sem oposição, que é um grande perigo. A quadrilha liderada pela gang paulista do PT e do PMDB tá livre, leve e solta. Com o voto dos analfabetos, do bolsa família, da nova classe média iletrada e de todos os que que trocaram o direito à cidadania pelo direito de consumidor.

PS. O mordomo lulalau garantiu o apoio ao feudo do sarney, esse é "imexível".

O voto, as "celebridades" e o protesto

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O populacho tem um comportamento muito estranho, num domingo a tarde, esperava meu vôo  no aeroporto, quase vazio, de  Congonhas, de repente, uma correia e alguns gritinhos de adolescentes (de todos os sexos).

Ao meu lado um casal na faixa dos 15/17 anos. A menina pergunta: quem é, quem é? É "o" jogador de volei?.

Resposta do namoradinho: Não, não, é "o" cara do big brodi, vamo lá tira uma foto com ele!

Essa verdadeira gana por "celebridades", mesmo as mais insignificantes, que apareceram na TV e tiveram os seus 5 minutos (as pessoas "famosas" estão ficando tão insignificantes que os 15 minutos de fama, profetizados por Andy Warhol, já viraram 5), deve ter uma explicação, tal qual o sucesso das novelas.

Imagino que para passar horas vendo novelas e "realities shows", a vida das pessoas é tão "normal e entediante", que se transportam e vivem os "personagens" dessas porcarias. 

A coisa é tão críticas, que chegam a pagar para verem no realities shows, pessoas insignificantes, beirando a mediocridade, algumas bem iletradas, fazendo coisas comuns,  muitas vezes porcas. Alguns mais reprimidos pagam para ver um pedaço de peito ou de bunda de uma gostosa por 3 segundos ou mesmo para ver um pedaço de corpo sentado na privada. 

Imagino que muitas se "identificam" com essas "celebridades" ou personagens de novelas.

Será que é por isso que votam em jogadores de futebol, cantores, "modelos/manequins" e até palhaços. Votam em indivíduos não pensantes, capazes de perder para um pardal ou para uma minhoca num teste de cultura geral. Gente que nunca leu qualquer coisa diferente de uma revista de fofocas. Ok, alguns leram Paulo Coelho, mas isso consegue ser uma "literatura" pior que a revista de fofoca. 

Mas por que eleger pessoas incapazes de entender a razão dos problemas, que não tem propostas, nem sabem o que fazer, como Tiririca, que não sabe nem mesmo o que faz o congresso para o qual foi eleito.

Será que só a sua "fama", é suficiente para se tornar um congressistas. Não, pois uma penca de outros "famos" não se elegeu. 

Assim, não vejo o voto nessas verdadeiras "aberrações políticas" como um voto de protesto.

Não vejo a escolha de Romário ou de Tiririca um "protesto", é uma escolha "consciente" de pessoas para representá-los, ao pé da letra, se identificam muito com o "candidato", comungando tudo com ele, sua origem pobre, o desejo de "enricar" e, principalmente, sua ignorância.

E assim a nova república "avança", ficando, a cada dia (ou eleição), pior do que está!

Comentários Politicamente (In)Corretos

Não é a toa que temos um presidente que se orgulha de nunca ter lido um livro e diz que não é importante estudar e ser culto, muito pelo contrário, isso é "bobagem".