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terça-feira, 30 de março de 2010

Os Amigos do Lula.

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O Brasil realmente mudou, de uma república de bananas, para uma republiqueta de bananas sindical e, governar virou uma ação entre amigos.

O problema é que os amigos não tem nenhuma qualificação. Basta ser amigo do rei que tem uma boquinha, na realidade uma boca farta, com direito a salário elevado e cargos para redistribuir entre sua própria vassalagem.

Não precisa perder tempo estudando, não precisa se qualificar, não precisa nem mesmo ter alguma qualidade para o cargo, não precisa nem mesmo se esforçar.

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Os Amigos do Lula.

Por Ramalheira Abreu do Globo.Com


Os privilegiados: ação entre amigos.

No Brasil, uma nova maneira de governar foi criada. Em Brasília, há passe livre para os egressos dos movimentos sindicais, principalmente se forem ligados ao PT. Para essas pessoas parece que as portas são mais largas e os caminhos menos sinuosos. Criou-se na capital federal a casta dos integrantes da Republica sindical brasileira. "Nunca na historia desse País" tantos ex-dirigentes sindicais ocuparam postos chaves no destino da Nação Brasileira. É sobre essas pessoas, o que faziam e o que estão fazendo agora que nós iremos falar.

Jair Meneguelli - torneiro mecânico e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC? Alguém lembra dele? Pois bem, ele sumiu. Fomos procurá-lo. Sabe onde o encontramos? Hoje ele se encontra em Brasília.
É Presidente do Conselho Nacional do Sesi e comanda um orçamento de R$34.000.000,00. Salário atual: R$ 25.000,00. Salário anterior (no tempo de sindicalista) R$ 1.671,61.

Heiguiberto Navarro - ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Encontramos também. Sabe onde? Em Brasília. Sabe o que ele faz hoje? É assessor do secretario nacional de estudos e políticas da Presidência da República.. Gostaram do nome? Salário atual R$6.396,00. É ele quem articula os eventos do Presidente Lula quando ocorrem fora do palácio do planalto. Recordando, ele é ferramenteiro e na época tinha um salário de R$ 1.671,61.

João Vacari Neto – bancário, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Também o encontramos. Adivinhe onde? Brasília. Certa a resposta. O que ele faz atualmente? É membro do Conselho Nacional de Itaipu. Ajuda a decidir sobre a alocação do orçamento de Itaipu, cerca de R$ 4.500.000.000,00. Salário R$ 13.000,00. Antes o seu salário era de R$ 4.909,20.

Paulo Okamoto – fresador, ex-tesoureiro da CUT. Está sumido do noticiário, mas nós o encontramos. Sabe onde? Em Brasília. Certa a resposta. O que ele faz hoje? Presidente do SEBRAE. Salário R$ 25.000,00. Comanda um orçamento de R$ 1.800.000.000,00. Salário anterior, quando era pobre, R$ 1.671,61.

Luis Marinho – pintor de veículos – ex-presidente da CUT. Lembram dele? Um doce para quem disser onde fomos encontrá-lo. Certa a resposta. Estou devendo um doce para milhões de pessoas. Bem feito!
Estou ferrado! O que é que ele está fazendo em Brasília? Virou Ministro da Previdência Social. Salário R$ 8.363,80. Comanda um orçamento de R$ 191.000.000.000,00. Anteriormente o seu salário era de R$ 1.620,40.

Wilson Santarosa - operador de transferência e estocagem, presidente do Sindicato dos Petroleiros de Campinas. Está no Rio de Janeiro. É gerente de comunicação da Petrobrás e membro do conselho deliberativo da Petros. Salário atual R$ 39.000,00 comanda um orçamento de R$250.000..000,00. Salário anterior era de R$ 3.590,90.

João Antonio Felício - professor de Desenho e História da Arte e ex-presidente da CUT. É outro que está no Rio de Janeiro. É atualmente membro do conselho do BNDES, salário R$ 3.600,00 por reunião da qual participa com direito a transporte, hospedagem mais ajuda de custo. É um dos responsáveis pela aprovação do orçamento do BNDES de R$65.000.000.000,00. Tem sob sua responsabilidade opinar sobre sua destinação e acompanhar a execução. Salário anterior R$ 1.590,00.

Sergio Rosa – escriturário e ex-presidente da Confederação Nacional dos Bancários. Também se encontra em Brasília. É atual presidente do Previ, Fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
Salário atual de R$ 15000,00. Comanda um orçamento de cerca de R$106.000.000.000,00. Salário anterior R$ 4.500,00.

José Eduardo Dutra – geólogo, ex-presidente do Sindiminas de Sergipe, hoje Sindipetro. Hoje, graças a Deus se encontra em Brasília onde é presidente da BR distribuidora com um misero salário de R$44.000,00. Comandará, entre 2008 a 2012, um orçamento de R$ 2.600.000.000,00. Salário anterior era de R$ 10.000,00.

Wagner Pinheiros – analista de investimentos. Diretor da Federação dos Bancários de São Paulo. É outro que faz parte da Nova República. É presidente da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás.
Salário atual apenas R$ 44.000,00. Comanda um patrimônio de R$32.400.000.000,00. Salário anterior: R$ 5.232,29. É bom frisar que o salário anterior era o salário percebido como dirigente sindical.

Como se não bastasse esses que aqui foram citados, outros estão lá, levados que foram pela força do voto popular. Vide casos: Vicentinho, professor Luizinho, João Paulo Cunha e outros menos ou mais cotados.

Num País onde vivenciamos a cada instante a falta de empregos e de oportunidades, mesmo para aqueles que lutaram e conseguiram fazer um curso superior, tivemos oportunidade de ver como para determinadas pessoas os caminhos são menos íngremes e as oportunidades parecem bater-lhes às portas. O momento é de reflexão. É esta a Republica que nós queremos? A República que nós queremos nós a construiremos com o nosso trabalho, com as nossas atitudes e com o nosso voto. Queremos as oportunidades como um direito de todos e não como um privilégio, como o monopólio de uns poucos.

Ramalheira Abreu

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Comentário Politicamente (In)Correto

O futuro, não muito distante, vai cobrar a conta, Lula ganhou o governo surfando numa maré de sorte econômica.

Mas as marés, periodicamente mudam e esse grupo (ou bando), não nem aí para preparar o país para qualquer mudança, só aproveita a onda, como fazia nos tempos que, para fugir ao trabalho pesado e garantir a estabilidade, viravam sindicalistas.

Um bom exemplo de que estudar, se preparar ou se qualificar, na republiqueta sindical, não vale para nada.

Lula, o presidente que se vangloria de nunca ter lido um livro, que o diga!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sindicalismo: cúpula reina e base paga a conta

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Por Fernando Alves de Oliveira

É impossível falar de sindicalismo sem merecidas críticas aos governantes passados e, de forma especial, ao atual ocupante do Palácio do Planalto. Não é possível analisá-lo de forma profunda sem adentrar ao movediço terreno político. Sindicalismo e política, hoje, estão no mesmo nível: no rés-do-chão.

No Brasil da redemocratização, após dois decênios de ditadura militar, a política deveria ser o reduto de uma maioria de homens probos, impolutos, de elevado espírito republicano e realizadores do bem comum, correspondendo, dessa forma, ao dever para os quais foram eleitos por seus verdadeiros patrões: os eleitores. Infelizmente, no entanto, não passa de um recinto aglutinador de gente ambígua, hipócrita, alguns inveterados e contumazes mentirosos, desaguando até em comprovados safardanas que deveriam estar é no cárcere a pão e água e não nos palácios e parlamentos. Existem gloriosas exceções? Evidentemente que sim. Todavia, representados por parcela ínfima. Quem tem esclarecimento político sabe disso. Quem infelizmente não possui consciência cívica e patriótica e não se esforça para tê-las, continuará a ser enganado como mais um componente da gigantesca massa de manobra dos governantes tupiniquins.

O “sindicato Brasil” de Lula

Como diz o adágio popular, o homem é produto do meio. É o caso do atual presidente que governa o País como se ele fosse o “seu” sindicato Brasil. Originário e com mestrado no ramo, em conjunto com seus pares petistas, agregados e cooptados, são todos eles entes ultraespecialistas operadores do sistema e da arte de vender ilusões, arquitetar e aplicar engodos -e o que mais importa- mestres em arrecadar muitos recursos para o financiamento de requintado e caríssimo marketing, ferramenta utilizada a preceito para a garantia de perenidade do poder, na base do “custe o que custar”. Não para por aí: são ainda mais pródigos no custeio da perdulária e estratosférica máquina do poder. Em contraposição, extremamente sovinas no investimento da coisa pública. Quanto ao contribuinte que se aparvalhe e se renda ao conformismo do desalento. A preservação da estabilidade econômica desde o início de seu governo, eis no que se resume o governo Lula. E sob as mãos férreas de quem? De Henrique Meirelles, um tucano de origem política, fiador do Brasil junto à comunidade econômica mundial e que a comunidade do PT sempre quis botar para fora de sua ninhada, por estranho ao meio, mas que seu esperto donatário jamais abriu mão da política econômica ainda mais liberalista que a dos seus próprios antecessores e eternos rivais, os liberais tucanos! Que mais? Muito – mas muito mesmo - rótulo e pouco conteúdo!

Após o recorrente e necessário preâmbulo, adentremos o âmbito sindical. Que inferência pode-se fazer de um governo (eleito no final de 2002) que ainda em maio de 2000 houvera enviado Proposta de Emenda Constitucional (PEC- 252) à Câmara Federal propondo o fim da contribuição sindical, potencializando esse propósito, dentre outros argumentos, com as seguintes principais e literais expressões: “A unicidade sindical e a contribuição compulsória são exemplos de uma estrutura que não mais condiz com a realidade da classe trabalhadora, hoje mais dinâmica e consciente. O princípio da liberdade sindical, já inscrito na Constituição (é livre a associação sindical) não permite, a nosso ver, o instituto de unicidade. Ademais, se ninguém é obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato, também não se pode admitir a contribuição compulsória para as organizações sindicais, pois defendemos que as contribuições sejam feitas exclusivamente em virtude da legitimidade do sindicato perante seus interlocutores e, sobretudo, perante sua base de associados.”


Como este comprovado e caracterizado logro do PT já foi tratado em minúcias em capítulo de meu último livro e no artigo “O (provado) retrocesso sindical no Governo Lula”, quem ainda não tomou conhecimento e estiver interessado em maiores detalhes, que a eles atente. O que é incontestável é que a prova do engodo está arquivada nos anais da Câmara Federal à disposição dos ainda incrédulos.

Sem fiscalização

Qual é o associado de qualquer entidade (patronal ou de trabalhadores) que conhece os números da receita e despesa de sua entidade? Onde eles são publicados ou divulgados? E a quem cumpre fiscalizar esses balanços ou balancetes? A resposta (pelo menos no papel é claro e óbvia): ao Conselho Fiscal. E quem são os membros desse órgão? Ora os componentes da chapa vitoriosa, amigos, companheiros, parceiros... Alguém já foi ao seu sindicato, confederação ou federação pedir cópia disso? Se a resposta foi afirmativa: mostraram? Se como resposta foi esclarecido que tal documento foi divulgado em órgão de grande circulação, ficou comprovada dita publicação? E não pensem que estou me referindo só a sindicato de trabalhadores, não. Isto igualmente envolve os patronais, integrados por pessoas esclarecidas, só que desinteressadas, até porque a crise de identidade sindical neste país é tanta que hoje sindicalismo é visto com sentimento de asco, revolta e desprezo, inerentes a uma atividade exercida por gente sem valor. Enfim, de uma coisa menor. Nosso modelo sindical brasileiro tem 70 anos. Quantos casos de destituição diretiva por descaminhos ocorreram até hoje? Conta-se nos dedos. Talvez os das mãos bastem!

E porque tantas mazelas, tantos vícios, desvios de conduta, malversação de recursos? Conhecidos e a conhecer! Porque a legislação prevalecente é permissiva e tem o aval governamental. É a mesma implantada no Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1940 e que jamais os governantes e legisladores desejaram sanear, revitalizar e aprimorar. Está absolutamente caduca. E a solução – reitero talvez pela enésima vez- jamais virá da parte do Estado. Como o atual, todos os governantes anteriores apresentaram propostas de reforma sindical. A totalidade, sem nenhuma exceção, imprestáveis. Menos os da revolução de 64, que nem se preocuparam em mudanças formais. Mandaram muitos sindicalistas para o cárcere. Libertos, esses atores voltaram à circulação, alguns com honrarias e recebendo gordas indenizações e aposentadorias especiais, concedidas com generosidade e a pompa de heróis.

Mercado pantanoso

Entretanto, não faltaram concessões de remendos e casuísmos ainda mais favoráveis à reserva desse viciado, nauseabundo e pantanoso mercado. Reformas estruturais não interessam. Mas remendões conjunturais são convenientes. A quem dá e recebe. E por qual motivo? Porque governos são dóceis reféns dos lobbys sindicais. Reformar a legislação sindical de conformidade com o exigido pela modernidade das relações do Trabalho e a importância e grandeza do Brasil do novo milênio não dá votos. Tira! Afinal, quando nossos governantes e legisladores terão, efetivamente, a corajosa atitude de extinguir a impositiva e compulsória contribuição sindical obrigatória, revertendo-a pela de cunho eminentemente associativa, espontânea, que exigirá trabalho árduo e profícuo de quem dirige e resultando em reais e palpáveis benefícios ao contribuinte, financiador do sistema. Aliás, como funcionava o financiamento às entidades antes de se tornarem sindicatos e de receberem a famosa “carta sindical” subscrita pelo Estado? A de associações civis. Recebiam mensalidades espontâneas.


Hoje já se entende porque a PEC-252/2000 subscrita por Ricardo Berzoini, o mesmo parlamentar que viria ser o ministro do Trabalho deste governo, serviu apenas como de mais uma conhecida e surrada arenga do palanque do PT. Comparem-na com a PEC-369/2005 (corporificada naquilo que seria “a radical reforma sindical” do governo simbolizado pelo “nunca antes neste País...”) Se igualmente é verdade que o homem vale não só pelo que prega, mas pelo que anuncia e realiza, num governo de gente que mente –e o faz de forma descarada e desavergonhada- o atual inquilino do Planalto é merecedor das mais acerbas críticas. Pelos que tem vergonha na cara. Pelos que não deixam levar por conveniências, mas por convicções que o vil metal (sempre saído dos cofres públicos) não compra!

Ainda no tocante aos remendos e casuísmos que rendem e dão votos aos governantes. No ano passado (e evidentemente de olho na eleição que se aproxima) o atual governo deu personificação jurídica às centrais sindicais, que já existiam de fato, mas não de direito. Assim, dentro em breve vão fazer jus a mais uma dádiva advinda desse reconhecimento formal. Do rateio de 20% que cabe ao governo, este, generosamente, repassará a metade às centrais. Mas antes mesmo da verba entrar nos cofres das centrais, a fatura já foi remetida e a contrapartida terá de ser quitada. Consiste simplesmente na formalização de apoio político de todas elas nas eleições de outubro próximo... Toma lá, dá cá. Explícita caracterizada e manjada marca bem “made in brazil” que o proclamador da boca para fora do “nunca antes nesse país...” também endossou com todas as letras!
Justamente ele que veio para acabar com as patifarias que se cometiam. Foi dele a frase em 1993, na gestão de Itamar Franco, que no Congresso havia 300 picaretas! E agora, ao final do seu segundo mandato, incluindo naturalmente os cooptados por ele, quantos são presidente, Lula?

República sindicalista


Enquanto do lado dos trabalhadores está tudo sob o absoluto controle dos mandatários desta república sindicalista, as confederações e federações representativas do patronato persistem em sua tibieza em pouco ou nada fazer para mudar o quadro, preocupadas em não atiçar ainda mais a volúpia estatizante do governo num sistema conhecido como “S”, criado há decênios com recursos do setor patronal, mas cada dia mais ameaçado pela sanha de dominação governamental. Em verdade, o atual governo sempre sonhou em confiscar o sistema S, obrigando-o a direcionar seu ensino profissionalizante mais para a área pública. Em outras palavras, quer exigir que o sistema S faça o dever que cabe ao Estado.


A verdade é que o fato já não causa mais nenhuma estupefação, pois um governo que, além de possuir reconhecida incapacidade gerencial, destina valor orçamentário pífio e revoltante à área educacional do País, como tal entende-se a sua voracidade em querer avançar com agudeza naquilo que não lhe pertence e que é reconhecidamente bom no âmbito particular. Mas temeroso, acovardado, o setor patronal se constrange e evita o quanto pode até de tocar no assunto. É profundamente lamentável esse comportamento que denota indolência, covardia e desusado temor. Quando a luta é desigual, o fato precisa ser remetido ao conhecimento da sociedade, do qual o governante é o empregado número um! Afinal estamos numa república e não num império, ou numa ditadura. Com isso, os timoneiros das confederações e federações do patronato provam que estão diametralmente distantes da vanguarda empresarial que deseja que suas entidades maiores representativas enfrentem a luta com coragem e denodo. Pelo visto, vivemos realmente num deserto. De homens e de valores!

Nunca o PT nem o atual governo negaram interesse em enfraquecer o sindicalismo patronal. Só não o exterminaram de vez porque isso significaria dar não um, mais dois tiros. Um em cada pé. Afinal, quem desconta do salário do empregado um dia de trabalho e o repassa ao sindicato profissional da paritária categoria econômica? Que melhor agente (e gratuito) de cobrança desse tributo parafiscal pode haver?

Ora, se a legislação editada há setenta anos, no tempo do Brasil colônia, onde a indústria era restrita e engatinhava, ainda favorece o desconto e o recolhimento da contribuição sindical do empregado como fica a devida ao setor patronal? Aqui, em verdade, paga quem deseja fazê-lo, de vez que o recolhimento é feito diretamente pela empresa ao sindicato representativo de sua categoria econômica. Fica exclusivamente ao talante dela fazê-lo ou ficar sujeita à cobrança executiva Mas isto é matéria extensa que está sendo focada em outro artigo específico sobre a exação de pagamento da contribuição sindical patronal.

Medidas sem valor

No governo do PT já ocorreram óbices em sua cobrança. Edição de Nota Técnica 50/2005, da Secretaria de Relações do Trabalho apregoando que o setor patronal não empregador está isento do pagamento da contribuição sindical. Ora, Nota Técnica não passa de simples procedimento administrativo, sem força de lei, efeito vinculativo ou mesmo coercitivo. Mero ato administrativo, desprovido de força de lei. No caso das microempresas, em 2006 o presidente Lula vetou o artigo 53 da Lei Complementar 123/2006, “desonerando” as microempresas do recolhimento da contribuição sindical, sendo obrigado a corrigir o “cochilo” em seguida por outra de número 127/2007. Outro ato de natureza meramente administrativa, sem valor, feito de forma impensada e sem nenhum acurado embasamento jurídico.

É preciso que se saiba, de forma bem clara que a contribuição sindical (ex-imposto sindical) continua tendo caráter tributário, pois está inscrita e amparada no artigo 149 da Constituição Federal, promulgada em outubro/1988. Ela é apenas um dos capítulos da Consolidação das Leis do Trabalho, em vigor desde 1943, estando prescrita no capitulo III (capítulos 578 e seguintes) tratando-se, pois, de tema constitucional. Não pode ser alterada isoladamente pelo Executivo. Somente uma Emenda Constitucional pode alterá-la ou extingui-la. Para tal, em primeiro lugar, torna-se imprescindível que haja vontade política de promovê-la, pois somente o Congresso Nacional em conjunto com o Executivo podem fazê-lo. Que governo conseguiu viabilizar isto até hoje? Pelo andar da carruagem, pergunta-se, qual futuro governante com real, efetiva coragem e disposição para isto? Não de discurso, mas de ação?

‘Atender às bases’

O setor patronal aguarda com ansiedade os relatórios que virão da Caixa Econômica Federal dando conta da arrecadação da contribuição sindical 2010. Como nos últimos anos sua curva tem se tornado cada vez mais descendente, não se deve esperar por nenhum milagre. O dirigente patronal refratário às mudanças que se impõem não tem escolha: ou destroça de vez velhos paradigmas e adere –de vez- ao culto e prática do associativismo ou então vai ver sua entidade cada vez mais encolhida. Só não enxerga isso quem não quer ver e, infelizmente, tem muita gente da área do patronato precisando consultar um especialista em estrabismo sindical...


Para encerrar, e absolutamente dentro do contexto, cumpre lembrar ainda outro ocupante da pasta do Trabalho, Luiz Marinho, então na qualidade de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em entrevista ao jornal à “Folha de S.Paulo” na edição de 10 de dezembro de 1996 (portanto há quase 15 anos!), afirmou com toda ênfase: “O sindicato do ano 2000 se consolidará como parte de uma coletividade mais ampla na sociedade e exercerá um poder maior de intervenção na realidade enquanto representante de cidadãos conscientes e contribuidores. O sindicato do ano 2000 vai jogar na lata do lixo da história o corporativismo, os vícios políticos e getulista máquina burocrática-administrativa.” São expressões daquele que foi substituto de Ricardo Berzoini no Ministério do Trabalho. Depois de deixar a pasta e ir para o da Previdência Social, Marinho sob a velha conversa mole de “atender às bases”, candidatou-se e foi eleito Prefeito de São Bernardo do Campo (SP).


E vejam como o PT resolve de forma rápida a vida de seus ilustres servidores que caem na desgraça do terrível monstro do desemprego... O senhor Jorge Mattoso, o mesmo então presidente da Caixa Econômica Federal que teve de avocar para si a responsabilidade pelo crime cometido contra o caseiro Francenildo Santos Costa, em março de 2006, no célebre episódio da quebra ilegal de seu sigilo bancário. Se não o fizesse, o todo-poderoso ex-ministro Antônio Palocci seria condenado, perderia seus direitos políticos e ficaria impossibilitado de voltar à vida pública. O atilado Jorge Mattoso, claro, quebrou o galho de Palocci, que acabou ileso e eleito deputado federal no último pleito.

E Jorge Mattoso que teve de ir para o sacrifício. Que, afinal, não foi tão pesado assim, pois além de não ter sido julgado até hoje, à época chegou a ter o seu depoimento anulado na CPI que julgou o escândalo, por uma liminar expedida pelo STF e por expressa solicitação do senador Tião Viana, do PT, é claro. E até maio do ano passado, o autor do livro (cujo título chega a ser hilariante ante a similitude dos fatos) “Brasil Desempregado” (outubro/99, editora Fundação Perseu Abramo), foi o Secretário das Finanças daquela municipalidade, de onde saiu, segundo informa ainda a referida prefeitura por “motivos pessoais”.

Fernando Alves de Oliveira é Consultor Sindical Patronal e autor dos livros “O sindicalismo brasileiro clama por socorro” e “S.O.S.SINDICALpt, ambos pela Editora LTr.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O futuro do PT!

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O FUTURO DO PT

Lúcia Hipólito

O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposicão brasileira.

Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT.. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

O PT cresceu como crianca mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.

Tudo muito chique, conforme o figurino.

E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidencia da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plinio de Arruda Sampaio Junior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.

Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando beneficios para os seus. Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municipios. Alem do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada...