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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O futuro, vítima da eleição

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Marcos Sá Corrêa parao jornal O Estado de S.Paulo
20 de agosto de 2010

Quem está perdendo a eleição presidencial é Serra Grande. Não confundir com outro Serra, o "Zé". Serra Grande é um remoto povoado no litoral baiano. Mal passa dos 3 mil habitantes. E não tem um segundo de horário eleitoral gratuito.

Por isso mesmo, é um exemplo eloquente de que a campanha vai mal, desde que a entrada triunfal dos marqueteiros na disputa transformou o que parecia uma onda de nacional de bem-estar passageiro em conformismo a perder de vista.

Serra Grande, tendo tudo para ser uma solução, virou problema. É uma amostra ainda viva daquele "País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", como se dizia do Brasil na década de 1970. Tem baleias-jubartes passando ao largo de suas praias. Florestas nativas beirando o mar, tão exuberantes que os atestados técnicos dos pesquisadores lhes conferem o recorde insuperável de diversidade na Mata Atlântica. E a modéstia das paisagens tão obviamente nativas que nem precisam de rótulos como "ecorresort" ou "beach park" para mostrar que são genuinamente brasileiras.

Seus riachos se chamam Tiguipi ou Ribeira. Mas não querem dizer que seus trunfos naturais são produtos típicos do atraso social e econômico. Parada no tempo ela ficou só até o fim da década de 1980, quando chegou lá a primeira estrada e, com o asfalto, as promessas e ameaças do desenvolvimento.

Serra Grande tomou a tempo um desvio para o crescimento civilizador. Cercou-se de uma área de proteção ambiental, a APA de Itacaré-Serra Grande. Aninhou-se num parque estadual, o do Conduru, com 9,3 mil hectares de florestas, encravados em 100 mil hectares de matas, manguezais e restingas.

Vista dos morros do Conduru, com o Atlântico moldado em contornos mediterrâneos pelas enseadas verdes, dá a impressão de que nasceu para balneário e mafuá. Mas, na região, os passos foram cautelosos e negociados. A hotelaria teve de hospedar, antes de mais nada, vastas áreas da vegetação original em reservas privadas. Os proprietários de lotes aprenderam a olhar a floresta como luxo primordial.

Com eles vieram ONGs, institutos e doadores, que bancaram o reflorestamento de matas degradadas, receberam bairros populares com arquitetura e saneamento, trocaram invasões de morros por reassentamentos agrícolas ligados a feiras de produtos orgânicos.

Brotaram em Serra Grande programas de pós-graduação para aplicar lá mesmo os derivados práticos das últimas palavras em teoria da conservação. A cidade tem sonhos de ser um polo de conhecimento aplicado ao uso racional da terra. Quem sabe, ressuscitar a economia do cacau, transformando sua secular parceria com a floresta na base de uma indústria de chocolates finos, com marca de origem.

Nada disso impediu que o governo Jacques Wagner desse, nesta semana, o passo decisivo para sacrificar a APA de Itacaré ao Porto Sul. Trata-se de abrir passagem na floresta protegida para a Bamin - ou seja, a Bahia Mineração, um consórcio de empresas da Índia e do Casaquistão, para vender à China 18 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Baianos mesmo, na Bamin, fora o minério, é a ferrovia de 700 quilômetros, que o Estado construirá da mina em Caitités até o mar, e o porto. No caminho fica Serra Grande e uma tal de Lagoa Encantada.

Com a obra, Ilhéus amanheceu outro dia sob o letreiro "de braços abertos para o futuro". Com esse futuro, Serra Grande é empurrada de volta ao passado, sem que ninguém na campanha presidencial se lembrasse de discutir que Brasil será esse que se constrói há mais ou menos 510 anos.

sábado, 27 de março de 2010

O populacho, independentemente de classe sócio econômica, é sempre ignorante e porco.

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O fundo da folia

Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.

Bernardo Mussi

04 de março de 2010

O fundo da folia

O fundo da folia

Dez dias após o carnaval, resolvi mergulhar com dois amigos na área do Farol da Barra para confirmar a notícia de que havia uma quantidade absurda de lixo espalhada pelo fundo do mar naquela área.

O fundo da folia

Mesmo com a água um pouco suja por causa das chuvas do dia anterior, logo identificamos o local. Na verdade o lixo não estava espalhado, mas concentrado em um canal provavelmente em razão do movimento das marés. Uma cena lamentável! Eram pelo menos mil e quinhentas latinhas metálicas e garrafas plásticas.

O fundo da folia

Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.

O fundo da folia

Assustados, decidimos não retirar o material naquele dia na esperança de tentar sensibilizar algum veículo de comunicação para fazer uma matéria com imagens subaquáticas. A intenção era compartilhar aquela agressão carnavalesca com nossa população e os donos da folia.

O fundo da folia

Fizemos contato com pelo menos três emissoras e todas pediram que enviássemos e-mails com fotos, o que fizemos imediatamente. Aguardamos respostas por dois dias e como não tivemos qualquer retorno, optamos por retirar o lixão de lá para evitar maiores danos.

O fundo da folia

O fundo da folia

A bem da verdade estávamos super desconfortáveis com nossas consciências por termos testemunhado aquela cena e deixado para resolver o problema dias após. Mas tínhamos que tentar a matéria para que a ação não se resumisse somente à coleta do material.

O fundo da folia

O fundo da folia

Tínhamos em mente que a repercussão sensibilizaria os empresários e artistas do carnaval, os órgão públicos, a imprensa, as empresas financiadoras e nossa gente. A tentativa foi boa, mas não rolou…

O fundo da folia

Fomos então, no terceiro dia após o primeiro mergulho, retirar o material. Antes, porém, fiz questão de chamar um amigo que tem uma caixa estanque para filmarmos a ação e guardarmos o documentário visando trabalhos futuros e até mesmo a matéria que queríamos na TV.

O fundo da folia

Sem cilindro de ar e contando apenas com duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle) e alguns sacos grandes, éramos quatro mergulhadores ousados retirando do fundo do mar tudo o que podíamos naquela tarde.

O fundo da folia

O fundo da folia

O fundo da folia

O fundo da folia

Pouco antes de o sol se pôr conseguimos finalmente colocar todo o lixo na calçada.

Muitos curiosos, inclusive turistas, olhavam intrigados a nossa atitude e a todo o instante nos questionavam sobre a origem daquele resíduo. A resposta estava na ponta da língua: Carnaval!

O fundo da folia

Vou logo informando aos amigos leitores que não sou contra o carnaval, muito pelo contrário, sou fã por diversos motivos, mas acho que a realidade da festa não guarda a menor relação com as belíssimas cenas, as informações rasgadas de elogios e a excessiva euforia amplamente divulgada pela mídia.

Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade.

Aquele lixo submarino é um pequeno sinal deste retrocesso. Pior, patrocinado solidariamente pelos grandes empresários, artistas e principalmente pelo poder público que tem o dever de melhorar nossa segurança, nossa saúde e educação.

O fundo da folia

O fundo da folia

O fundo da folia

Aproveito o embalo para incluir indignação semelhante sobre os eventos realizados na praia do Porto da Barra durante o verão.

O “Música no Porto” e o “Espicha Verão” não tem trazido nada de bom para nossa cidade, além da oportunidade de vermos ótimos artistas de perto e de graça. De resto, o lixo, o mau cheiro, a degradação ambiental, o xixi pelas ruas, a impressionante quantidade de ambulantes amontoados por todos os espaços públicos e a agressão aos patrimônios históricos, são um grande “pé na bunda” do turista de qualidade.

Espicha Verão 2010. Foto: João Ramos / Bahiatursa

Espicha Verão 2010. Foto: Luciano da Matta / Agência A Tarde

Espicha Verão 2010. Foto: João Ramos / Bahiatursa

Espicha Verão 2010. Foto: João Ramos / Bahiatursa

É o mesmo que olhar para uma bela maçã com a casca brilhante e aspecto suculento, porém, apodrecida por dentro…

Naquele final de tarde acabamos contemplando um por do sol diferente. O monte de lixo empilhado na calçada do Farol da Barra virou atração. E como Deus é grande, fomos brindados com a presença de valorosos catadores de rua para finalizar a limpeza.

O fundo da folia

Desta ação, além das ótimas imagens documentadas em vídeo, resta rezar para que os donos do carnaval, dos eventos no Porto da Barra e nossos queridos foliões se toquem que algo tem que mudar.

O fundo da folia

O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas.

Não tem alegria alguma no fundo da folia!

O fundo da folia

Comentário Politicamente (In)Correto

O populacho, independentemente de classe sócio econômica, é sempre ignorante e porco.

terça-feira, 9 de março de 2010

A política e a vergonha, ou a falta dela

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O governador da Bahia, jaques wagner (PT), quer aumentar os espectro político e sua base aliada no estado, tudo pela sua tentativa de reeleição.

Agora diz, a todos os ouvintes, que os herdeiros do acm (que atendia pela alcunha de toninho malvadeza), é que definirão as eleições no Estado.

Como ele mesmo diz, serão o "fiel da balança" (fiel da balança???? Não sei, acho que estão mais para peso morto).

Com isso, tenta fechar uma chapa encabeçada por ele (para governador), e...... pasmém, dois “carlistas” para o Senado: os ex-governadores cesar borges (atualmente no PR), e oto alencar (em namoro com o PP).

Comentários Politicamente (In)Corretos

Depois de fechar uma relação (visceral) com o clã sarney no Maranhão, estava demorando muito para um acordo com os "carlistas" na Bahia.

É o PT ao lado do que tem de pior na politica tupiniquim, o lado medieval-coronelista.

Bem que aquele atorzinho da globo, em defesa do PT, disse uma vez... quem está na lama tem que se sujar. Para o PT eu diria que a frase que combina melhor é: quem está no esgoto tem que se _ _ _ _ _ _ _ _ _ (complete).

PS. Será que veremos num futuro, não tão distante, uma chapa com acm neto para governador, apoiada pelo PT?

PS linha. PT, quem te viu e...... quem te vê!

Fonte: Bahia Notícias - Manuel Clestino