terça-feira, 25 de maio de 2010

Telefonia, Internet e outros serviços concedidos, todos, muito ruins

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Para quem viu e experimentou coisa melhor, sabe que os serviços de concessão no Brasil são da pior qualidade, telefonia, internet, transporte público, etc.

Nossa banda larga tem padrão e preços africanos, a ligação feita por um de nossos celulares só perde em preço (pois a qualidade é a mesma), para a Africa do Sul e está juntinho da Nigéria. Transporte público quer dizer ônibus lotado, velho, sujo e fedorento.

A legislação e as agências que deveriam fiscalizar, foram aparelhadas e se tornaram frente de defesa de quem deveriam fiscalizar.

Associado a isso, contratos leoninos, firmados na época do FHC deram benefícios que em nenhum país civilizado do mundo, incluindo os de origem de algumas delas, aceitariam. Mas essa é a E$bórnia chamada brasil.

Hoje recebi uma figura, não sei a origem (parece ser da Folha de SP ou do Estadão), sobre os custos de telefonia.

Impostos, cobranças inter-operadoras dignas de "taxas" da máfia, tudo sob o aval de contratos cretinos e proteção do estado.



Comentário Politicamente (In)Correto

Você, que eleje quem legisla sobre isso, que se dane, bem feito, quem manda não saber votar!

PS. e a PeTralhada cretina fala em banda "larga" acessível e inclusão digital, mas isso é só para quem pode, pois para o populacho, inclusão digital quer dizer acesso as "lanhouses" .

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Áreas de proteção ambiental não resistem ao agronegócio.

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Áreas de proteção ambiental não resistem ao agronegócio. Em sete anos, cerrado perdeu o equivalente a 36,8 mil estádios do tamanho do Pacaembu

Vinicius Sassine

Correio Brasiliense 24/05/2010 08:19

Nem os últimos redutos de biodiversidade do cerrado, que já perdeu metade de sua vegetação, resistem aos avanços da produção agropecuária. Um monitoramento por imagens de satélite do desmatamento do bioma, concluído neste ano pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), revela o avanço da devastação por terras indígenas, assentamentos rurais e unidades de conservação sob a responsabilidade da União e dos estados. Em sete anos, essas áreas perderam 7,94 mil km2 de matas nativas, o equivalente a 36,8 mil estádios do tamanho do Pacaembu, em São Paulo. Esse desmatamento representa quase 10% de toda a perda de cerrado entre 2002 e 2008.

Os índices de desmatamento em terras indígenas, assentamentos e unidades de conservação detectados pelo Ibama surpreenderam o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que passou a monitorar as perdas de vegetação no cerrado. Antes dos primeiros resultados apresentados pelo instituto, somente a Amazônia era acompanhada pelo MMA, por meio de relatórios periódicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em território amazônico, o ministério já havia detectado que os assentamentos rurais — sob responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) — figuravam entre os maiores desmatadores do bioma, situação idêntica à do cerrado. O mais grave, porém, foi a constatação de que unidades de conservação administradas pelos governos federal e estaduais apresentam índices elevados de desmatamento.

“Esses dados são preocupantes”, reconhece o diretor de Conservação da Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias. “O monitoramento (do desmatamento do cerrado, feito pelo Ibama) vai permitir uma maior fiscalização. Agora o governo federal tem instrumentos para monitorar e cobrar.” As imagens de satélite mostram uma devastação generalizada em grande parte dos assentamentos rurais, terras indígenas e unidades de conservação.

Somente 6% do bioma cerrado está protegido em parques estaduais e federais e, por isso, os altos índices de desmatamento chamam a atenção do diretor do MMA. As maiores perdas ocorreram em áreas de preservação ambiental (APAs), que são delimitadas por estados ou pela União e que, em princípio, não poderiam ser alteradas. O levantamento (1)do Ibama mostra que esses territórios não estão sendo respeitados.

As maiores perdas ocorreram em unidades de conservação estaduais: foram quase 3,9 mil km2. Depois, os assentamentos rurais foram os maiores desmatadores, com 2,8 mil km2. Unidades de conservação federais e terras indígenas aparecem em seguida.

Desrespeito
A legislação ambiental proíbe qualquer tipo de retirada de vegetação em parques e reservas, mas as imagens de satélite do Ibama evidenciam o desrespeito à lei. Na Floresta Nacional de Brasília, por exemplo, o desmatamento consumiu mais de 9km2, o equivalente a 10% da área da reserva. As APAs do Planalto Central, da Bacia do Rio São Bartolomeu e da Bacia do Rio Descoberto, criadas para preservar o cerrado no Distrito Federal, também estão bastante degradadas. Somente a APA do Planalto Central, que chega ao território goiano, perdeu 61km2.

Grandes parques nacionais perderam matas nativas de cerrado entre 2002 e 2008. É o caso da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso; da Chapada dos Veadeiros, em Goiás; e da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O desmatamento registrado nas reservas foi bem inferior ao detectado em APAs e em reservas extrativistas, mas chama a atenção por causa da afronta à lei e às demarcações feitas pela União.

Nos parques estaduais, a situação é semelhante. Uma das mais importantes reservas de cerrado no país, o Parque do Jalapão, em Tocantins, perdeu quase 3km2 de vegetação em sete anos. A devastação foi mais impiedosa dentro do Parque Estadual do Mirador, no Maranhão, e do Parque Estadual da Serra Dourada, em Goiás. O desmatamento nas duas reservas atingiu uma área de 38km2.

Em quase todos os assentamentos rurais monitorados pelo Ibama foi detectado desmatamento do cerrado. Os menores índices foram registrados nas terras indígenas, mas a situação é grave em Mato Grosso e no Maranhão. Os seis maiores desmatamentos em áreas indígenas aconteceram nos dois estados.


1 - Detalhamento
As tabelas com o detalhamento do desmatamento em cada unidade indígena, assentamento e reserva de mata nativa aparecem discretamente nos anexos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), atualizado e divulgado pelo MMA em março. Os dados não foram totalizados, o que não dá a dimensão da devastação em áreas, teoricamente, intocadas. A reportagem do Correio fez o somatório das áreas desmatadas e chegou a quase 8 mil quilômetros quadrados perdidos.

Cerrado é o bioma mais ameaçado

O bioma cerrado está em evidência devido à tragédia ambiental constatada por especialistas. Até 2002, a devastação aferida tinha consumido um total de 890 mil km2. Uma nova análise realizada sobre imagens de satélite produzidas pelo Ibama detectou, entre 2002 e 2008, mais 85 mil km2 de desmatamento — o correspondente a quase 15 áreas equivalentes ao tamanho do Distrito Federal (DF).

O cerrado é o bioma mais ameaçado do país. Um terço da madeira fornecida para a produção de carvão no Brasil, por exemplo, vem desse tipo de vegetação. Além disso, quase dois terços da área desmatada se transformaram em pastagens. “O cerrado ainda resiste na parte norte do país. No centro e no sul, não sobrou muita opção”, afirma o diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Bráulio Dias.

O diretor do MMA, entretanto, diz que o desmatamento dentro de parques sob a responsabilidade do governo federal é pequeno se comparado ao detectado em reservas extrativistas e áreas de preservação ambiental (APAs). “Nas APAs é permitido qualquer uso da terra, desde que haja um zoneamento da área. Em poucos casos esse zoneamento é feito”, diz. “Hoje, uma APA e nada é a mesma coisa.”

A União tem responsabilidade também sobre as unidades de conservação estaduais, onde foram registrados os maiores índices de desmatamento do Cerrado. “Falta ao governo federal exercer mais o seu papel de coordenador e fiscalizador dessas unidades”, reconhece.

Além da retirada de matas nativas dentro das unidades de conservação, é comum o desmatamento no entorno de 10km dos parques e nas chamadas áreas prioritárias, definidas pelo governo para facilitar o desenvolvimento de políticas de preservação. “A ocupação da Amazônia empurra o desmatamento para o cerrado”, ressalta o pesquisador Laerte Guimarães Ferreira, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG). (VS)

Todos os ruralistas contra o Código Florestal, os antigos e os novos

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O dePUTAdo aldo rabelo do PC do B, resolveu defender sua posição de relator das alterações do código florestal, essa defesa é consequencia de uma posição tomada por ONGs ambientalistas, encabeçadas pelo Greenpeace. Poucas são as ONGs verdadeiras que assumiram a defesa desse código, já que a maioria se associou-se visceralmente ao governo, que as transformou em instituições para-governamentais, totalmente dependentes de verbas públicas.

Ele resolveu se defender com uma carta (no final do desse post), medíocre, cheia de mentiras históricas e chavões pseudo-sociais. No fundo, aldo rabelo, que se diz comunista, no seu horizonte de 4 anos, se associou a bancada picareta, digo, ruralista.

Eis os comentários sobre a carta do "new ruralista", aldo rabelo:

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Senhor Deputado

Lendo essa notícia do Correiro Brasiliense (anexo no final e-mail), e a resposta que o senhor encaminhou ao Greenpeace, sobre as propostas de alteração do código florestal, não pude resistir e resolvi escrever.

Para quem conhece as questões envolvidas com a alteração do código florestal, fica claro que a defesa de uma mudança nesse código, tem como objetivo o atendimento de apenas um setor da sociedade, ignorando todas as implicações que isso acarretará. Entendo que o setor rural, que se recusa a evoluir, com leis e normas relacionadas a questão fundiária que ignoram requisitos técnicos mínimos em relação a proteção ambiental, é um financiador e influenciador de campanhas eleitorais, com um peso significativo.

Mas vamos por partes.

Afirmar que as alterações do código florestal (e da legislação ambiental como um todo), feitas ao longo dos anos foi causada por pressão internacional é demonstrar a ignorância ou o não reconhecimento de milhares de pessoas no país (entre as quais me incluo, sem nunca ter tido um único contato ou centavo internacional), que do final dos anos anos 70 e ao longo dos anos 80, trabalhou e brigou muito para o aperfeiçoamento da legislação ambiental. É ignorar o trabalho de acadêmicos e pesquisadores que atuam na área, cujos resultados de seus trabalhos, muito subsidiaram (e subsidiam) essas mudanças. Tudo isso muitos anos antes dos grupos citados se integrarem na questão ambiental brasileira.

Convem lembrá-lo que muitas das conquistas, tradatas como de interersses contrários ao Brasil, foram obtidas com o apoio da, então autodenomida, esquerda brasileira.

A menos que o senhor deputado queira afirmar também que a esquerda, da qual o senhor fazia parte, estava atuando a serviço de interesses estrangeiros e, de acordo com suas próprias palavras, cujas agendas nada têm a ver com aquilo que interessa ao Brasil.

Afirmar também que a mudança atenderá os interesses dos pequenos produtores e uma demagogia barata. Esses pequenos produtores plantam da mesma forma a mais de um século, traduzindo, plantam mal, em lugar errado e sua produtividade pouco atende às suas necessidades. Incentivar suas práticas é, afirmo, a demagogia em sua forma mais barata.

Outra afirmação de sua carta:

Confesso que fiquei estarrecido com o que vi por todo o Brasil. Pequenos agricultores vendendo suas propriedades ou trocando-as por um carro usado ou um barraco na periferia das cidades em razão de não terem mais acesso ao crédito da agricultura familiar por não conseguirem cumprir a lei.

Na realidade, qualquer pessoa com dois neurônios sabe que não há credito para o pequeno agricultor porque o interessa do país é financiar exportadores de comodities (que volta e meia dão calote em suas dividas com o estado, com ajuda dos senhores deputados, que aprovam e reaprovam os perdões das dividas dos ruralistas).

Que não há interesse em transformar a agricultura familiar porque ela é feita por gente simples, na sua maioria por pessoas com baixa escolaridade, que por sua ignorância resistem a mundaças no seu modo "tradicional" de plantar.

Não há interesse em transformar e financiar a agricultura familiar porque as políticas e ações de reforma agrária são demagógicas, se resumindo a mera distribuição de terras, que também não considera as questões ambientais.

Não há interesse em transformar e financiar a agricultura familiar, porque o que tem sido feito até hoje favoreceu a concentração de terras na mão do agronegócio ou do latifundio. Que compra as terras do pequeno produtor a troco de bananas. Porque o pequeno agricultor não tem financiamento, não tem programas sérios de qualificação, porque planta de modo tradicional e lhes é negado todas as coisas necessárias para que a pequena agricultura funcione, inclusive conhecimento sobre questões ambientais.

Tem mais, para muitos deles, com famílias grandes ou pelo peso da idade, é melhor ser favelado na cidade que ser agricultor pobre, pelo menos nas cidades eles têm acesso a um hospital, atendimento médico, uma escola e algum trabalho. Lembrando que o campo não tem essas "facilidades" por ação, ou falta de ação, dos senhores políticos.

Outra afirmação que demonstra que sua carta é de má fé ou de falta de conhecimento é a questão das terras de várzea:

Pela lei, 75% da produção do arroz em várzea tornou-se proibida

Sou oriundo de um estado (RS) onde o regime militar (junto com os ruralistas), usou e abusou do programa pró-várzea, eliminando mais de 80% de banhados do estado. Todos os técnicos (não ideológicos), consideram um dos piores programas rurais de todos os tempos. As conseqüências são sentidas em secas e enchentes anualmente intercaladas na região sul, inclusive em Santa Catarina. Seria interessante que quem o assessora, se inteirasse desse programa e de suas conseqüências, inclusive como causador de concentração de terras e êxodo rural, muito antes de qualquer legislação que viesse a proteger esses ambientes.

Essa outra afirmação:

Hoje, até a prática indígena de fermentar a raiz da mandioca em um igarapé ou o prosaico costume de retirar uma minhoca na beira do rio para uma pescaria tornou-se atividade ilegal.

Por favor senhor deputado, isso é uma ofença ao meu cortex cerebral, o senhor deveria ter um assessoramento mais qualificado, sob o ponto de vista técnico e legal.

Entendo que o horizonte político dos senhores deputados é de 4 anos, logo, a satisfação de uma parcela do eleitorado terá conseqüências políticas favoráveis a curto prazo e os danos ambientais só serão sentidos a médio e longo prazo. Politicamente essa mudança da legislação ambiental será um bom negócio político.

Mas sua defesa do projeto de alteração do código florestal está se transformando na defesa de quem "culturalmente" tem destruido nossas áreas protegidas, destruido nosso patrimônio natural, contrabandeado e usado agrotóxicos proibidos, tem utilizado trabalho escravo (e tem vetado qualquer alteração da lei para que trate a questão do trabalho escavo de forma mais rígida). Essa alteração quer proteger quem utiliza práticas arcaicas, com baixa produtividade, eternos benficiários dos cofres públicos, beneficiários do atraso político e econômico do país, transformado em mero vendedor de comodities, essa é a cara dos nosso agronegocio, setor que o senhor defende de fato na sua carta, e não o pequeno produtor.

Setor esse que quer que a lei mude para que suas práticas deixem de ser consideradas crimes. Uma total inversão de valores e uma ausência de vergonha na cara.

O que me deixa estarrecido, pelo que tenhos visto nos 10 estados da federação onde morei e em pelo menos mais 10 onde trabalhei, é que o setor rural não tem nada de vítima da legislação ambiental, muito pelo contrário, a sociedade é a grande vítima, devido as ações impunes desse setor.

Com uma legislação fraca, já cometem os mais variados crimes, imaginem com uma mais frouxa?

Sds

L de M. B.
Biólogo e, infelizmente, eleitor


PSs.

Convém lembrar também que manter ou garantir práticas culturais centenárias é o argumento utilizado pelos políticos de Santa Catarina, estado que todo ano está com o pratinho na mão, pedindo verbas federais, devido as suas eternas cheias e desabamentos, causadas principalmente pela destruição e ocupação ilegal das APPs, as mesmas áreas que esse projeto quer descaraterizar e afrouxar.

Com um provavel afrouxamento dessa legislação, os próximos desastres causados pela ocupação de áreas que não deveriam ser ocupadas, poderão ser chamados de desastres "a lá" Aldo Rabelo.

O Brasil é um país interessantemente estranho, nunca imaginei que veria um deputado do PCdoB alinhado com um setor tipicamente controlado pela direita conservadora, quase chegando ao nivel do reacionário.

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A carta do dePUTAdo aldo rabelo

Recebi uma carta em seu nome produzida pela organização holandesa Greenpeace, cujo conteúdo não esclarece as razões pelas quais a Câmara dos Deputados constituiu uma Comissão Especial destinada a oferecer parecer sobre as diversas propostas de alteração da legislação florestal brasileira. A carta do Greenpeace mente e manipula informações, confundindo pessoas que não acompanham o debate sobre o assunto.

O primeiro esclarecimento é que a Comissão, longe de querer alterar o Código Florestal, tenta apenas corrigir alterações por ele sofridas e que tornaram inaplicáveis os dispositivos modificados, a maioria deles por medida provisória, portarias e resoluções que nunca foram discutidas nem pelo Congresso ou pela sociedade brasileira.

O Código Florestal brasileiro, embora datado de 1965, é uma lei boa e defensável, alterada por interesses contrários aos objetivos do Brasil e do povo brasileiro a partir da pressão de ONGs como a holandesa Greenpeace - e outras com sede no exterior - cujas agendas nada têm a ver com aquilo que interessa ao Brasil.

As propostas de alteração da legislação têm origem diversa: desde as apresentadas por deputados ligados à agricultura familiar, seringueiros da Amazônia ou da grande agricultura prejudicada pela concorrência desleal dos países ricos, que subsidiam seus agricultores e financiam suas ONGs para atuar no Brasil.

O Brasil possui mais de 5 milhões de proprietário agrícolas, em imensa maioria de pequenos e médios produtores, 90% deles na ilegalidade por não conseguirem cumprir a lei em vigor. Hoje, até a prática indígena
de fermentar a raiz da mandioca em um igarapé ou o prosaico costume de retirar uma minhoca na beira do rio para uma pescaria tornou-se atividade ilegal. Pela lei, 75% da produção do arroz em várzea tornou-se proibida, a plantação de bananas no Vale do Ribeira encontra-se na mesma situação e os ribeirinhos do Amazonas, impossibilitados de sobreviver porque vivem e tiram seu sustento em áreas vedadas pela legislação atual.


Diante de tal situação, fui indicado relator em um acordo suprapartidário envolvendo todos os integrantes da Comissão, de todos os partidos, com exceção do PSOL e do PV. Organizamos audiências públicas em 19 Estados, ouvimos mais de 300 pessoas - representantes de ONGs, órgãos ambientais, universidades, Embrapa, produtores, entre outros. ONGs como a multinacional holandesa Greenpeace, ou as brasileiras SOS Mata Atlântica e Instituto Socioambiental (ISA) foram ouvidas mais de uma vez, além de dezenas de outras ONGs nacionais, estaduais e municipais.

Confesso que fiquei estarrecido com o que vi por todo o Brasil. Pequenos agricultores vendendo suas propriedades ou trocando-as por um carro usado ou um barraco na periferia das cidades em razão de não
terem mais acesso ao crédito da agricultura familiar por não conseguirem cumprir a lei. No Mato Grosso, por exemplo, no município de Querência, 1.920 pequenos agricultores assentados do INCRA estão sem crédito, sem estradas para levarem seus filhos às escolas, enquanto em um outro município próximo, 4 mil pequenos agricultores, também assentados, encontram-se na mesma situação. Que crime cometeram? Simplesmente ocuparam 80% de suas propriedades deixando 20% de reserva florestal, cumprindo a lei. Quando a lei foi alterada
recentemente e passou a exigir 80% de reserva, obrigou o agricultor a reflorestar aquilo que a lei anterior autorizara a usar para a agricultura. Acontece que a despesa com reflorestamento torna-se maior que o valor da propriedade, depreciado pela situação de ilegalidade. Na comunidade do Flexal, na reserva indígena Raposa-Serra do Sol, as autoridades apreenderam os instrumentos usados pelos índios para fermentar (pubar) a raiz da mandioca por causa da liberação do ácido cianídrico.


Poderia ampliar indefinidamente os exemplos de abusos e absurdos contra a agricultura e os agricultores (pequenos, médios e grandes), o que prometo fazer em mensagens seguintes. Por enquanto desejo apenas
reafirmar o meu compromisso com o meio ambiente e com o ideal de um País que construiu a sua história, preservando a natureza. A título de exemplo, enquanto o Estado do Amazonas dispõe de 98% do seu território
coberto por vegetação nativa, a Holanda do Greenpeace não chega a 0,3%, o que a ONG batava considera mais do que o suficiente, já que não consta de sua plataforma, em seu país de origem, qualquer reivindicação de reserva legal ou área de preservação permanente. Em mensagens próximas, falarei do verdadeiro interesse dessa ONG, que concentra todos o seus esforços em cercar a Amazônia brasileira, pouco ligando para desastres ambientais urbanos que atingem milhões de brasileiros. De qualquer forma, o conteúdo do debate sobre o Código
Florestal você pode encontrar no seguinte endereço:
http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/pl187699

Como último esclarecimento, ao contrário do que insinua a ONG holandesa, nunca integrei a bancada da agropecuária, chamada ruralista, embora deputados do meu partido e de outros partidos de esquerda a integrem como parte do esforço de defender a agricultura e a pecuária do Brasil contra os interesses dos países ricos.



Atenciosamente,
Aldo Rebelo
Deputado Federal PCdoB-SP
www.aldorebelo.com.br
Telefone (61) 3215-5967

sexta-feira, 21 de maio de 2010

LULA DECLAROU OUTRO DIA:

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Colaboração do N.

"Na verdade, não sei quando sou presidente e quando sou candidato."

O Zé Simão, aquele cara que todo mundo acha engraçado, quando o alvo de suas piadas são os outros, acabou com a dúvida:

"Quando ele está fazendo merda, é presidente;
quando está prometendo merda, é candidato."


e completou:

"Quando ele sabe de tudo, é candidato;
quando ele não sabe de nada, é presidente."

Terrorismo eleitoral, inanição intelectual.

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Colaboração do Ney, por e-mail.

Aqui está um típico exemplo de terrorismo eleitoral, eivado de erros.

Até Fidel Castro, no auge de seu conflito com os EUA, falou na ONU.
Faz parte das obrigações dos Estados Unidos para abrigar a sede da organização.
Dirigentes de nações membro podem "passar" pelo caminho do aeroporto até a sede da ONU e, se for o caso, dormir em um hotel em Nova York.
Isso sem entrar em outras questões jurídico-diplomáticas.
A questão levantada por este texto é absoluta bobagem.
Além disso, apesar de tudo, o Brasil não é um país periférico.
E, não, não é obra do "nunca antes na História deste país".
Não é um país periférico faz muito tempo.
Dilma pode até fazer turismo nos EUA, o que duvido, mesmo que não se eleja.
Não por acaso, hoje, 20 de maio de 2010, está em Nova York.
E tem gente inventando estas besteiras por aqui.
Já recebi este post uma dez vezes.
Chega, né?

Ney


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VOCÊ PODE RESPONDER A ESTA PERGUNTA?

No caso de Dilma ser eleita Presidente do Brasil, quem será a pessoa que irá aos Estados Unidos para a fala habitual na Assembléia Geral da ONU, ou para discutir com o presidente americano sobre questões de comércio, por exemplo?

A Presidente não irá, com 100% de certeza.

Então, repito a pergunta: QUEM IRÁ AOS ESTADOS UNIDOS NO LUGAR DELA?

Bem, você deve estar intrigado com esta pergunta meio sem sentido, não é?

Aqui vai a explicação:

Dilma Roussef foi condenada nos Estados Unidos pelo seqüestro do embaixador norte-americano, na década de 60 (Charles Elbrick) remember? Juntamente com outras pessoas (por exemplo: Fernando Gabeira). A pena é bem grande e não há como pensar em liberdade condicional. Lá o crime não prescreve!

A questão secundária é que isto vale para outros 11 países.

Muitos governantes de países periféricos já foram apanhados nesta armadilha e a maioria perdeu o cargo que ocupava, para satisfação da oposição local.

Nós temos uma solução ideal para resolver esta questão: não elegê-la presidente. Desta maneira ela poderá escolher lugares muito confortáveis para viver o resto da vida como, por exemplo, Havana, em Cuba, ou La Paz na Bolívia, o que resolverá vários problemas: os dela e os nossos.

Portanto, pare de imaginar que é implicância minha quando coloco na Internet a folha corrida policial desta senhora, cheia de crimes. Esqueça estes documentos e (se for o seu caso) continue com a sua fé inabalável nas qualidades desta mulher, legítima porta-voz da quadrilha do sr.Lula da Silva.

Mas, se eu fosse você, começava a me preocupar com esta possibilidade. Já pensou se ela resolve fazer uma visitinha àquele cara simpático e ultra democrático da Venezuela, o Huguinho Chávez e, de repente, uma tempestade no Caribe obriga o avião a descer em Miami, que fica ali perto. Imagine a encrenca monumental que nem o presidente americano vai poder desfazer?

Bem... talvez você seja um sábio e tenha uma boa idéia para resolver a situação. Por isto volto a perguntar:

Quem vai representar o Brasil nas viagens internacionais aos Estados Unidos e aos 11 países onde ela pode ser presa no próprio aeroporto onde desembarcar?

A lenda do uísque de 8 anos

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Colaboração do N.

A lenda do uísque de 8 anos

* Publicado por Michel Arbache no blog do Nassif

Fim de semana chegando e eis uma boa pauta para animar a conversa de botequim: não existe uísque 8 anos.

Sim, pode acreditar: quase todos os uísques mais famosos conhecidos genericamente como “8 anos” não são envelhecidos por tal período. Espanta-me, pois, como ninguém até hoje se deu conta de que muitos comerciantes (por meio de cartazes, catálogos, cardápios etc.) podem estar incorrendo em propaganda enganosa.

Bom, para início de conversa, pegue uma garrafa do chamado “uísque 12 anos” de qualquer marca dos escoceses mais famosos: Chivas, Johnnie Walker Black, Ballantine’s 12 etc. Sempre há alguma referência quanto ao tempo de envelhecimento da bebida, ou seja, você normalmente lerá algo do tipo aged 12 years ou coisa similar. Está escrito. Logo, esta é uma informação verdadeira.

Agora, pegue uma garrafa daquele uísque que você acha que tem 8 anos: Ballantine’s Finest, White Horse, JW Red etc. Procure qualquer referência ao número oito na caixa ou rótulo da bebida. Você não encontrará. Isto porque, na verdade, tais bebidas não foram envelhecidas por oito anos. Então por que dizem “oito anos”?

Para entender o porquê do equívoco, é conveniente uma ligeira explicação sobre o processo de fabricação do blended whisky, que é o mais popular, ou seja, aquele que tem maior aceitação no mercado mundial e que todos nós conhecemos. Pois o blended traz em sua composição uma mistura de maltes puros (mais caros) e destilados de grãos (mais baratos). Mas a mistura não é apenas para baratear o produto, mas principalmente para balancear o sabor da bebida, tornando-a assim mais suave ao gosto do consumidor médio. E tal mistura só pode ser feita após o devido processo de maturação, que deve ser de no mínimo três anos em barris. Pela lei escocesa que disciplina as exportações, só após este tempo de maturação é que o uísque escocês poderá trazer no rótulo a denominação “scotch”. Importante frisar que, diferente do vinho, o processo de envelhecimento do uísque estanca quando ele é engarrafado. E aqui cai por terra outra crença equivocada: acreditar que o fato de guardar por anos uma garrafa de uísque ajuda a torná-lo mais velho.

Acontece que tanto os maltes quanto os destilados de grãos são envelhecidos separadamente, sendo lícito que, no ato da mistura, as idades dos ingredientes sejam diferentes. Mas, também segundo a lei escocesa, para efeito de rotulação da bebida, deve sempre prevalecer a idade do ingrediente mais novo. Ou seja: se dezenas de ingredientes foram envelhecidos por mais de 12 anos e apenas um foi envelhecido por 3 anos, a idade deste último é que deverá constar no rótulo. Talvez seja este o fator da confusão que fez surgir a lenda dos 8 anos. Ou seja: para computar a idade da bebida, em vez de se basear no ingrediente mais novo (como manda a lei), leva-se em conta a média das idades dos ingredientes, o que é errado.

Ainda sobre o rótulo, as destilarias podem omitir o tempo de envelhecimento. Mas saliente-se que, conforme foi dito, o simples fato de o rótulo trazer o termo scotch, já significa que todos os ingredientes ali foram envelhecidos no mínimo por três anos. Por isto as destilarias evitam explicitar a idade dos produtos mais baratos, pois se assim fizessem seriam obrigadas a imprimir o verdadeiro tempo de envelhecimento, que normalmente é de três anos. Assim, como a lenda diz que o uísque tem 8 anos, então as destilarias julgam mais vantajoso omitir a idade da bebida.

Se você quiser checar, as próprias destilarias disponibilizam nas respectivas páginas na internet (vide links ao final) as informações sobre os produtos. Na descrição dos uísques envelhecidos por mais de 12 anos, por exemplo, os sites trazem explícitas as idades. Mas o mesmo não ocorre com os seus produtos mais baratos (os “8 anos”). Prudentes, eles raramente explicitam o tempo de envelhecimento. Neste ponto, o site da Ballantine’s pelo menos nos dá uma dica na descrição da linha Finest que traz o seguinte trecho:

“The brand’s light gold colour and unmistakable taste come from a complex of carefully selected malt and grain whiskies all aged for at least three years”.

“A marca da cor dourada e o sabor inconfundível vem de uma complexa e cuidadosa seleção de malte e grãos de whiskies todos envelhecidos por pelo menos três anos.”

Em outro site especializado em uísque, o expert Arthur Motley diz:

“Have you ever wondered why only some whisky labels include the age of the product? The minimum age of whisky is three years. If a distillery mixes a batch that is three years old with one that has matured for 20, the age of the full production is three. That’s the law, and that’s why some makers don’t publicise the age. The general belief is that 15 years is peak maturation time for Scotch whisky, although older whisky is just as tasty.”

“Alguma vez você já se perguntou por que somente alguns rótulos de uísque incluem a idade do produto? A idade mínima de whisky é de três anos. Se uma destilaria mistura um lote de três anos com outro que tenha amadurecido 20 anos, a idade da produção total é de três. Esta é a lei e é por isto que alguns fabricantes não divulgam a idade. A crença geral é de que 15 anos é tempo de maturação de pico para o uísque escocês, apesar de o uísque mais velho ser tão saboroso.”

Confira:

http://www.ballantines.com/

http://www.cutty-sark.com/

http://www.johnniewalker.com/pt-br/redlabel/

http://whisky.scotsman.com/viewhistory.aspx?id=346

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dízimo, Bízimo e Trízimo

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Recebi o texto abaixo por e-mail, vi e fiquei pasmo.


Água benzida a R$ 1000,00 o vidro, dízimo, bízimo, trízimo, doação de um aluguel, tudo serve como pretexto para roubar essa imensa massa, em sua maioria pobres e iletrados, vulneráveis e impressionáveis por qualquer palavra mais elaborada e a todo o tipo de mitos, basta falar em deus e milagres que tremem nas bases, entram em transe e delírios coletivos.

O que os vídeos mostram é o mais puro exemplo da picaretagem explícita, dessas fraudes religiosas televisivas, autodenominados crentes, ou evangélicos, roubam até de quem está desempregado.

Malucos e mal intencionados que interpretam os mitos bíblicos ao "pé da letra" e, principalmente, ao seu mais puro intere$$e.

Nada mais, nada menos do que se costuma chamar de a mais pura charlatanice explícita.

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Estava eu "fuçando" no Youtube e por acaso me deparei com um dos links abaixo, que puxou outro, outro e mais outro.
Verdadeiras "Pérolas".
Pensava que já tinha visto tudo em matéria de sacanagem e bizarrice feita em nome de Deus para conseguir dinheiro.
Mas este mundo sempre reserva surpresas ...
Nem sabia que existe Bízimo e Trízimo.
Mas o da água "consagrada" é o campeão.
Se tiver um tempinho e estomago forte, assista.
E decida se é para rir ou chorar.
Detalhe importante:
NENHUM dos vídeos abaixo foram obtidos candestinamente como aqueles que circulam sobre a igreja Universal.
TODOS foram exibidos na TV.
A grande sorte destes cidadãos é que, diferente do que eles pregam, não existe inferno de fogo, senão...
E muito mais incrível do que saber que existe gente com este tipo de discurso, é saber que existe gente para acreditar nisto.

Pedindo dinheiro de quem está desempregado e morando de favor
http://www.youtube.com/watch?v=yAky07Df04o&feature=related



Bízimo
http://www.youtube.com/watch?v=PEqEzDDefzA

1

Trízimo

http://www.youtube.com/watch?v=YhJDFa0e210&feature=related



Água "consagrada"
http://www.youtube.com/watch?v=3rE1xDJPvzk



Rede "consagrada"
http://www.youtube.com/watch?v=AjPjhmnxB6E&feature=related


Cimento da casa própria
http://www.youtube
.com/watch?v=-zepsta0Zzg



Comentários Politicamente (In)Corretos

A religião pode fazer suportável [...] a infeliz consciência de servidão... de igual forma o ópio é de boa ajuda em angustiantes doenças (Moses Hess, 1843).

A religião é o ópio do povo (Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes"), já dizia Karl Marx em 1844, em tempos televisivos, está mais para o crack. É dele também o texto abaixo:

"É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o Homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d'honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.
A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.
Conseqüentemente, a tarefa da história, depois que o outro mundo da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade deste mundo. A tarefa inmediatada da filosofia, que está a serviço da história, é desmascarar a auto-alienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política."

O mundo só vai ser feliz quando o último político for enforcado nas tripas do último religioso, pelo que tenho lido e visto, as tripas devem ser retiradas com os eles vivos... e bem lentamente.

Depois dos padres, é a vez dos pastores evangélicos pedófilos e estupradores

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Não são somente os casos da igreja católica que escandalizam, tem mais repercussão pois acontecem em países do primeiro munso e alguns fortemente católicos.

Porém, pipocam em vários lugares do país, os casos de pastores pedófilos e estupradores.

Um dos membros da CPI da pedofilia, Magno Malta, evangélico declarado e que adora uma pirotecnia jornalística quando está presenta nas prisões de padres católicos, está sendo acusado de ignorar e mesmo acobertar os casos ocorridos nas igrejas evagélicas. O que parece ser verdade, já que o foco é dado quase que completamente nos padres.

Como sempre, uma importante instituição é tomada por essas pragas religiosas, que tentam o tempo todo solapar uma das bases da democracia moderna, que é o Estado laico?

Aqui uma lista, do Blog do Paulo Lopes, relatando apenas alguns dos casos de estupro e pedofilia envolvendo os pastores das chamadas igréjas evagélicas.

Alex Santos Gouvéia, pastor da Igreja Universal, pedófilo e estuprador.

A polícia vai indiciar Alex Santos Gouvéia, 31 anos, pastor da Igreja Universal, por pedofilia. Na sexta (30), a Polícia Rodoviária o flagrou tendo relação sexual dentro de seu carro com uma adolescente de 13 anos. Ambos estavam seminus. Ocorreu em Candeias, cidade da Região Metropolitana de Salvador. A adolescente informou que é namorada de Gouvéia, com quem vinha tendo encontros amorosos há pelo menos três meses. O pastor é casado.

Laercio Eugênio, pastor da Assembleia de Deus, pedófilo e estuprador.

Ao ser preso no começo deste mês sob a acusação de estupro, o pastor Laercio Eugênio, 53 anos, da Assembleia de Deus, assumiu que tinha, sim, engravidado a garota de 14 anos. Mas não se tratou de violência sexual, afirmou, porque a gravidez da menina foi uma “promessa de Deus”. A menina trabalhava de empregada doméstica na casa do pastor.

Amadeo Domingues, diácono da Igreja Assembleia de Deus Independente, pedófilo e estuprador.

Procurado por estupro e tentativa de estupro contra quatro meninas de 9 a 13 anos em Araçatuba, a 545 km de São Paulo, o aposentado Amadeo Domingues, diácono da Igreja Assembleia de Deus Independente, foi preso ontem quando tentava fugir de ônibus para a capital. Domingues fugiu na segunda-feira depois que o pai de uma das vítimas, o motorista Rogério Pereira Alves, o flagrou molestando a filha em sua própria casa, vizinha à de Domingues. "Tentei segurar, mas ele escapou porque tive de prestar socorro à minha filha."

José Leonardo Sardinha, pastor da Igreja Assembleia de Deus Ministério Plenitude, pedófilo, estuprador e cretino em período integral.

“Estou vivendo o melhor momento de minha vida”, diz José Leonardo Sardinha (foto) no site da Igreja Assembleia de Deus Ministério Plenitude, seita evangélica da qual é o fundador. Em novembro de 2008 ele foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado por estupro e atentado violento ao pudor. Sua vítima foi uma adolescente que, com a família, frequentava os cultos da Plenitude. A jovem gostava de um dos filhos do pastor, mas o rapaz não queria saber dela. Sardinha então disse à adolescente que tinha tido um sonho divino: ela deveria ter relações sexuais com ele para conseguir o amor do filho, e a levou para o motel várias vezes. Mas a ‘profecia’ não se realizou. O Sardinha Jr. continuou não gostando da ingênua adolescente.No texto publicado no site, Sardinha se diz injustiçado pela justiça dos homens, mas em contrapartida, afirma, Deus lhe deu a oportunidade de levar a palavra Dele à prisão. Diz estar batizando muita gente. “Sou muito ‘feliz’ em tudo que está acontecendo e sei que vou até o fim!’ Está à venda no site um CD onde Sardinha relata o que tem feito em nome de Deus nos seus 300 dias de ‘cárcere’.Nem na cadeia, ele deixa de faturar.

Sílvio Roberto Santos Galiza, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, pedófilo, estuprador e assassino.

Depois de quatro anos e seis meses preso pelo assassinato de Lucas Vargas Terra, 14, o pastor Sílvio Roberto Santos Galiza (foto), 26, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), será transferido da Penitenciária Lemos Brito para a Colônia Penal Lafayete Coutinho, em regime semi-aberto. Ambas na Bahia. Ele foi condenado em 2004 por um júri popular a 23 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Em 2005, a pena foi diminuída para 18 anos e em 2007, houve nova redução, para 15 anos. No dia 21 de março de 2001, em Salvador, depois de abusar sexualmente de Lucas, Galiza colocou-o dentro de um caixote de madeira e pôs fogo. O menino foi queimado vivo. O bispo Fernando Aparecido da Silva e o pastor Joel Miranda também foram acusados pelo assassinato.

Carlos Roberto Batista, missionário da Igreja Pentecostal "Brasil Para Cristo", pedófilo e estuprador.

O pastor Carlos Roberto Batista, de 28 anos, que disse à polícia ser missionário da Igreja Pentecostal "Brasil Para Cristo", foi preso, às 15h30 de ontem, acusado de atentado violento ao pudor na zona leste da capital paulista. Policiais militares da 3ª Companhia do 39º Batalhão faziam patrulhamento pelas ruas da região da Cohab José Bonifácio, em Itaquera, a menos de 400 metros da delegacia do bairro, quando viram um Fiat Siena verde parado, com apenas uma pessoa dentro, na esquina da Rua Martino Rota com a Rua Daniel Berger. Ao se aproximarem do veículo, verificaram que um garoto, um adolescente de 14 anos, que estava agachado no colo de Carlos Roberto, se levantou. Ao ser indagado pelos policiais sobre o que estava ocorrendo, o adolescente disse que estava fazendo sexo oral em Carlos, pois este o havia abordado e, intimando-o com uma faca, o obrigou a entrar no carro e praticar os atos libidinosos. O pastor negou tal versão, mas além da faca ter sido encontrada no carro, havia esperma na roupa do garoto. Em depoimento no 103º Distrito Policial, onde o suposto pastor foi indiciado por atentado violento ao pudor, Alessandra, tia do adolescente, disse que o sobrinho seguia para a casa da avó quando foi parado pelo pedófilo. O veículo, no qual o acusado e a vítima estavam, pertence a outro pastor, de prenome Renato, segundo a Polícia Civil. Carlos Roberto foi autuado e transferido para outra delegacia, onde aguardará vaga para ser encaminhado a algum Centro de Detenção Provisória.


Comentários Politicamente (In)Corretos

É bom ficar de olho no que o senador magno malta entende por Estado Laico.

A relação de sua crendice com as outras deve ser bem analisada, para evitar que proteja os bandidos que compartilham sua "fé"!

O mundo só vai ser feliz quando o último político for enforcado nas tripas do último religioso, pelo que tenho lido, as tripas devem ser retiradas com os eles vivos... e bem lentamente.

PS. Fédemais sabe no que dá né?

Antropologia nada séria

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A publicação da revista Veja com o título de "A farra da antropologia oportunista", causou "frisson" entre os antropólogos e sociólogos.

Houve uma chuva de críticas em blogs, sites e similares, mas em nenhum deles, os fatos apresentados foram desmetidos ou questionados com base documental. Também não vi nenhum dos mencionados indicar que vai processar a revista, que pelo jeito está bem resquardada por documentos e outros comprovantes das acusações.

Concordo que a Veja não é uma revista das melhores, é tendenciosa, defende fortemente os interesses de seus proprietários, amigos e de alguns anunciantes. Vou mais longe, o país está carente de uma publicação indepente e menos ligada a grupos, sejam quais forem.

Mas a reportagem deixa claro que FUNAI e organizações para-governamentais (intituições privadas que hoje dependem totalmente das verbas governamentais), transformaram o reconhecimentos dos chamados "povos tradicionais" e as terras associadas a eles, numa verdadeira zona.

Mas não é a primeira vez que as farsas organizadas pelos antropólogos é mostrada.

Já em 2007, a Revista da História, uma publicação da Biblioteca Nacional, mostrou que os métodos de reconhecimento de "povos tradicionais" e respectivas cedência de terras, seguem métodos nada científicos e de cunho mais político e ideológico que técnico. Lembrando que a Revista da História e a Biblioteca Nacional, não podem ser chamadas de tendenciosas, facistas, vendidas e outros termos com que a revista Veja tem sido adjetivada.

Assim, gostando ou não, a antropólogos brasileira, como profissão, teve sua imagem comproimetida. Como pretensa ciência então, perdeu completamente a credibilidade. Mas ciência de verdade é cartesiana e isso, não é para qualquer uma.

ETNIA, PRÁ QUE TE QUERO

REVISTA DE HISTÓRIA – BLIBLIOTECA NACIONAL - no 18 – ano 22 – março de 2007

por Lorenzo Aldé

Jornalista e mestre em saúde pública pela Fiocruz e Autor dos artigos "FLORESTA EM RETALHOS" e "HERÓIS DA RESISTÊNCIA" In: Corrêa, Marcos Sá (Org.) Sinais da Vida: Algumas Histórias de quem Cuida da Natureza no Brasil. Fundação o Boticário de Proteção à Natureza, 2005.

Curiosos podem ser os caminhos para o nascimento de um povo. O maculelê foi a inspiração dos Tumbalalá para designar sua etnia, oficialmente reconhecida em 2001. Tumbalalá é uma variação de “tumba lá e cá”, canto de capoeira tradicional que acompanhava a dança de origem africana, marcada com bastões e executada apenas por homens. Animando festas profanas em Santo Amaro da Purificação, terra de Caetano Veloso, o maculelê tinha seu grande momento no dia 2 de fevereiro, data de Nossa Senhora da Purificação, padroeira da cidade, em que os negros celebravam sua orixá Iemanjá. O canto foi popularizado para o país por Toquinho e Vinicius de Moraes, autores de Maria vai com as outras, canção cujo refrão evocava a tradição da capoeira: “Tumba ê, canção/ Tumba lá e cá/ Tumba ê, guerreiro/ Tumba lá e cá/ Tumba ê, meu pai/ Tumba lá e cá/ Não me deixe só”.

Apesar das referências negras que cercam o nome escolhido por eles mesmos, os Tumbalalá são na verdade índios. É o que garantem estudos antropológicos que ajudaram a fazer a ligação longínqua entre aquele grupo de sertanejos da caatinga e os índios cariri, aldeados pelas Missões que se espalharam pelo Vale do rio São Francisco no século XVII. De lá para cá, as vilas e aldeias da região, conhecida como sertão de Pambú, foram povoadas por portugueses, negros, criadores de gado e toda sorte de gente na mistura típica do interior do país. Ugo Maia de Andrade, cuja tese de mestrado em Antropologia Social na USP é dedicada aos Tumbalalá, define a ocupação histórica daquele sertão como uma “babilônia étnica, que colocou lado a lado, em um complexo e tenso campo intersocial, pessoas e instituições com interesses e estilos culturais os mais diversos” (Enciclopédia dos Povos Indígenas, em www.isa.org.br).

Se são fruto de tamanha mistura, o que faz dos Tumbalalá genuinamente índios? Ainda segundo Ugo Andrade, a credencial é o ritual religioso do Toré, em que a comunidade se relaciona com os “encantados”, seres sobrenaturais que interferem na vida cotidiana. Foi o suficiente para fazer nascer a nova tribo, que reúne entre 180 e 400 famílias e aguarda a demarcação de suas terras.

Diversas situações parecidas vêm sendo detectadas por antropólogos, em especial ao longo da bacia do São Francisco, no sertão nodestino. Em comum, essas comunidades falam português, trabalham na agricultura ou pecuária, são bastante miscigenadas e possuem resquícios de costumes indígenas, como o Toré. Invariavelmente é gente pobre, para quem o status de índio e um lugar para morar e produzir, mesmo que coletivo, representam uma proteção do Estado que até então não conheciam. E não só do Estado. Projetos de ongs e universidades também revertem em benefícios aos seus objetos de trabalho e estudo, ou seja, às comunidades que decidem adotar uma identidade perdida.

A população nas Terras Indígenas cresce a taxas bem superiores do que a média nacional (3,5% ao ano, contra 1%). De acordo com o IBGE, entre 1991 e 2000 a população de índios no Brasil aumentou 150%, o que só se explica pelo fenômeno da autodeclaração no Censo mais recente.

O fenômeno de ressurreição cultural não é privilégio dos grupos indígenas. As minorias étnicas estão mais vivas, e visíveis, do que nunca.

Os povos quilombolas parecem decididos a reconquistar a parte que lhes cabe no país. Não há informações consolidadas, mas estima-se que existam cerca de mil comunidades assim auto-intituladas. Nos últimos anos explodiu o número de processos para a demarcação de suas terras junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

No campo ambiental, o poder das minorias se traduz pelo conceito de “povos tradicionais”, aqueles cuja suposta relação harmônica com a natureza é promessa de desenvolvimento sustentável. No Plano Nacional de Áreas Protegidas, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2005, índios e quilombolas são as grandes estrelas da conservação da natureza. Nas 89 páginas de metas e projetos planejados para os próximos 15 anos, eles são citados 156 vezes (fauna e a flora não receberam, juntas, mais do que 8 lembranças).

Foi também a área ambiental do governo que articulou, ao lado do de Desenvolvimento Social, a criação da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. A idéia é implementar políticas específicas para grupos não-urbanos com uma cultura própria. Dois anos depois de criada, a Comissão já representa 15 diferentes identidades. Além de índios e afro-descendentes, tem ribeirinhos, pantaneiros, caiçaras, faxinalenses, fundos de pasto, geraizeiros, seringueiros, quebradeiras de coco babaçu, ciganos, pomeranos, entre outros. Em sua reunião de 2006, a Comissão estimou que os “povos tradicionais” somam 4,5 milhões de pessoas e ocupam 25% do território nacional.

Parecem boas notícias. Finalmente o Brasil dá voz e enxerga o rosto verdadeiro de seus excluídos, num processo de valorização das culturas tradicionais e fortalecimento da auto-estima desses grupos. Mas... será que o país mudou da noite para o dia? Como explicar esse fenômeno à luz da História? A questão é tão simples assim?

Historiadores, antropólogos e ecologistas têm lá suas dúvidas, a começar por essa história de opor “brancos” a outras “etnias”. Eis por que é preciso recorrer a tantas aspas ao falar de “etnias”, “povos” e “comunidades tradicionais”. Esse movimento de sublinhar diferenças entre “nós” e “os outros” ecoa a controvérsia ainda não resolvida sobre as políticas compensatórias destinadas aos afro-descendentes. As chamadas cotas raciais causam arrepios em muitos pesquisadores sérios, que nelas pressentem uma ameaça à cidadania universal, a partir de políticas que segregam os indivíduos com base na cor de sua pele. Seria uma espécie de racismo de Estado, como argumentou um manifesto contra as cotas assinado por 114 intelectuais, políticos e artistas em maio do ano passado. Privilegiar as demais “minorias étnicas” parece um caminho na mesma direção.

Em um país miscigenado como o Brasil, que critérios definem a existência de etnias e povos independentes, merecedores de tratamento especial por parte do Estado? Alguns exemplos ajudam a mostrar como podem ser fluidos esses parâmetros.

“Hoje a cultura é uma opção”, resume o economista Roberto Monte-Mor, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele vem coordenando estudos sobre o modo de vida do povo Xakriabá, do norte de Minas, e identifica a relação custo-benefício embutida na escolha da identidade indígena. Seu Agenor, por exemplo, um dono de pousada em São João das Missões e proprietário de fazenda nas redondezas, fica surpreso ao ver alguns de seus conterrâneos reivindicando terras em nome da etnia Xakriabá. “Sou mais índio do que muitos desses aí”, costuma dizer. Mas para ele a opção não vale a pena. “Para seu Agenor virar índio tem que pagar um preço. Vai ter que viver na reserva e abrir mão de liberdades individuais em função do coletivo”, explica Monte-Mor.

A miscigenação ainda é regra na região inspiradora do Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa. Ali convivem caboclos que se enfiam no mato para evitar qualquer contato com gente, ao lado de Xakriabás que rodam o Brasil de motocicleta e estão plenamente inseridos na sociedade formal. Para o olhar de economista, a situação é um prato cheio. “Há um hibridismo entre cultura tradicional, não-capitalista, convivendo com a capitalista. Recentemente, trouxe dois jovens para falar com a turma de Economia da faculdade. Um rapazinho era tipicamente indígena, no biotipo e no jeito de se vestir, tinha um pai plantador de cana e usava botoque. O outro, apesar de ter passado a vida na reserva, nunca usou nenhum adereço indígena. Pois o primeiro mostrou-se muito mais articulado, revelou uma cabeça de economista. É o que dizem: quem é mais brasileiro, Carmen Miranda ou Tom Jobim?”, questiona.

Para Monte-Mor, a apreensão do que é a cultura indígena e a decisão de quem pode ser chamado índio são tarefas muito complicadas para nós. “Essas histórias são sempre mais complexas do que parecem à primeira vista, principalmente no caso dos ‘índios misturados’. A situação histórica ambígua e híbrida — talvez como os ciganos, em parte — faz de cada caso um caso diferente. Ser índio e poder ser índio na vida cotidiana podem ser coisas diferentes, dependendo do local e da época. Meu contato com os antropólogos me diz que nossos esquemas racionais e cartesianos não funcionam muito bem nesse universo. A dimensão mítica e comunitária é muito forte e a lógica econômica não rege o ‘modo de produção’ deles, que não é capitalista; as lógicas dominantes entre eles são ideológicas e sociais, inclusive como fonte de poder. Ter dinheiro não garante qualquer poder, há que ter legitimidade”, pondera.

A prevenção ao etnocentrismo no trato com outros povos (“Esqueça os brancos”) é característica da antropologia cultural. Por isso mesmo soa estranho que especialistas afeitos aos princípios da relativização e da complexidade cultural estejam endossando a existência de novas etnias com tanta facilidade. “A princípio seria um motivo de orgulho nacional que a população indígena esteja crescendo e reivindicando identidade, mas, por outro lado, que critério se usa para definir quem é indígena ou não?”, pergunta o antropólogo José Carlos Rodrigues, autor de Antropologia e comunicação: princípios radicais. “Tem a ver com a língua tradicional, com viver na aldeia, estar fisicamente ligado a uma comunidade ou praticar uma religião? Ou é quem simplesmente se declara? Há critérios mais rígidos e mais fluidos”, aponta.

No extremo, chega-se a uma situação em que a ânsia dos pesquisadores em realçar características identitárias de um grupo acaba por virar o jogo da manipulação. Percebendo os benefícios que terão ao atender às expectativas externas, o grupo corresponde a elas para atingir seus próprios interesses. Isto é ruim? Não para a historiadora Lilia Schwarcz. Pelo contrário, parece-lhe um sinal de vitalidade cultural. “Por que só nós nos julgamos no direito de agenciar a cultura?”, questiona. “Eles também manipulam intencionalmente elementos que a cultura branca sempre valorizou. ‘Quer que a gente produza cestas? A gente produz’. Eles absorvem o que lhes chega, reelaboram, recriam e passam a ‘agenciar’ também. As culturas estão vivas, não são quadros de museu na parede. Um movimento pode até começar por influência externa, mas depois eles dão a volta, e isso é bacana. Se transformam em sujeitos e criam auto-estima. É ridículo acreditar na lógica de que ‘nós’ alteramos a cultura, e ‘eles’ preservam”, comenta.

O caso mais emblemático desse tipo de manipulação talvez seja o dos índios Pataxós no Monte Pascoal, em Porto Seguro. O alto valor simbólico que o local do Descobrimento representa para o país — agravado pela culpa da sociedade diante do genocídio perpetrado contra os povos que viviam aqui — foi usado como trunfo pelos índios para ocupar aquelas terras. Não cabia contestar o fato de que eles pertencem a etnia diferente da que originalmente habitava o litoral sul da Bahia (uma vez que os tupis foram extintos e os pataxós são resultado de fusão de várias outras etnias dispersas até o século XIX). A noção de reparação histórica era mais forte. Em 1980, os pataxós receberam do governo um terço do Parque Nacional Monte Pascoal, ou 8.627 hectares, e desde então vêm avançando sobre a área destinada por lei à proteção integral da natureza. Ainda assim, continuam a contar com a condescendência das autoridades e movimentos sociais.

Talvez em retribuição aos bons sentimentos que alimentam em nosso imaginário, os pataxós literalmente se vestem com a roupagem que lhes conferimos. Em cerimônias públicas e manifestações políticas, usam saiotes de palha semelhantes aos retratados no quadro A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles, mas absolutamente estranhos à sua cultura.

O ideal do bom selvagem não apenas persiste como vem se ampliando para as chamadas “comunidades tradicionais”. Caso contrário, como explicar a crença do Ministério do Meio Ambiente de que todas essas populações, por mais diversas que sejam, são capazes de viver “em harmonia” com a natureza e praticar o “desenvolvimento sustentável”? Tais atributos especiais estariam relacionados apenas ao local de moradia e condição social dos indivíduos. Na Comissão interministerial criada para as minorias étnicas, cabem tanto negros moradores de fazendas quanto categorias puramente profissionais e inseridas na economia de mercado, como os seringueiros e os pescadores. Se morar no mato ou em área rural e ser pobre são credenciais suficientes para compor uma minoria “sustentável”, poderia-se cogitar o ingresso na Comissão de um dos grupos sociais mais danosos ao meio ambiente nacional: os garimpeiros. Identidade cultural eles certamente têm.

A hegemonia política do socio-ambientalismo vem privilegiando a criação de Reservas Extrativistas (Resex) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) — categorias que permitem acomodar comunidades quilombolas, caiçaras, ribeirinhos e outros grupos — no lugar de Parques Nacional ou Reservas Biológicas, onde a presença humana só é permitida para estudos, pesquisas ou visitação. É o meio ambiente a serviço da solução de injustiças sociais. A opção beneficia os grupos humanos que habitam áreas importantes para a preservação e alivia o governo da penosa tarefa de deslocar populações e indenizá-las devidamente, coisa que não consegue cumprir na maioria dos Parques Nacionais, mesmo aqueles criados há várias décadas.

Antropólogos, indigenistas e ongs socioambientais aplaudem o modelo. Mas para muitos conservacionistas a solução é nada menos do que desastrosa. O ecólogo Fábio Olmos, pesquisador da USP e colunista do site O Eco, é autor de diversos escritos em que não poupa críticas à “falta de base científica” da antropologia cultural. Ele recorre a fartas evidências históricas para mostrar que o mito do selvagem ambientalmente correto é uma falácia. “Os povos tradicionais têm causado extinções em massa há pelo menos 40 mil anos. O uso não-sustentável dos recursos naturais sempre foi a regra, também em sociedades não-ocidentais e não-capitalistas”, argumenta. O que determina de fato a sustentabilidade de uma sociedade é sua densidade populacional e o aparato tecnológico disponível para acessar os recursos naturais. A partir do momento em que se melhora a qualidade de vida de um “povo tradicional” que obtém seu sustento às custas da natureza, é muito provável que a população cresça até o ponto em que os recursos comecem a escassear.

No clássico A ferro e fogo, sobre a história da Mata Atlântica brasileira, Warren Dean demonstra que à altura da chegada dos europeus na América a faixa litorânea se encontrava bastante desmatada e boa parte da fauna do continente já havia sido extinta pelos povos que aqui viviam. Já o biólogo evolucionista Jared Diamond, que vem conduzindo instigantes investigações a respeito da história ambiental da Humanidade, dedicou seu último livro, Colapso, à análise das causas que levaram diversas civilizações à derrocada e extinção. O esgotamento dos recursos naturais está na origem de boa parte dos problemas humanos, inclusive entre grupos “primitivos”.

“Os Guarani, Pataxó e demais grupos indígenas são formados por seres humanos, com as virtudes e defeitos inerentes à condição que toda a humanidade compartilha. Eles não são seres glorificados, com uma sapiência e ética super-humanas, como querem alguns. (...) Desde sua origem os humanos sempre procuraram simplificar e homogeneizar o mundo natural para suas finalidades. Povos ‘tradicionais’ não são diferentes”, escreveu Olmos no artigo “Correção política e biodiversidade: a crescente ameaça das ‘populações tradicionais’ à Mata Atlântica”, com outros autores, publicado no livro Ornitologia e conservação: da ciência às estratégias.

Olmos acompanha de perto a situação das reservas ambientais do estado de São Paulo, que vêm sendo disputadas e invadidas por grupos de quilombolas, índios e caiçaras. Estudos ecológicos atestam a grande perda de biodiversidade causada pela caça, extrativismo e desmatamento promovidos por essas comunidades nas áreas outrora protegidas. “Temos base científica para dizer que os caiçaras causam florestas vazias. As atividades de caça provocaram a quase total extinção de porcos-do-mato, antas, macacos e outros mamíferos que em uma floresta normal constituem 90% da massa de vertebrados. A Estação Ecológica Juréia-Itatins é exemplo didático disso”, comenta. Além da caça, a atividade de retirada de palmito-juçara atingiu larga escala na reserva disputada pelos caiçaras. O palmito é o principal alimento das aves frugíveras da Mata Atlântica.

Desde 1992, guaranis do subgrupo mbyá vêm se deslocando pelo estado de São Paulo, vindos do Paraná. Naquele ano, índios que haviam invadido o Parque Nacional do Superagüi cruzaram a divisa entre os estados e se instalaram no Parque Estadual Ilha do Cardoso. Em 1998, ocuparam parte da Juréia-Itatins, e no ano seguinte invadiram a área do núcleo Quilombo do Parque Estadual Intervales, cujo grau de conservação Olmos define como “a última jóia de Mata Atlântica do mundo”. Assim como os caiçaras, também os índios descobriram as vantagens comerciais propiciadas pelo acesso aos recursos naturais. Estima-se que apenas nas feiras livres de Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe os guaranis comercializem 50 mil bromélias, 35 mil orquídeas e 100 mil dúzias de palmito por ano.

Olmos levantou evidências arqueológicas para mostrar que os guaranis mbyá não têm direito histórico sobre aquela região. Quem ocupava o litoral paulista eram os tupis e os carijós (guaranis do litoral), etnias extintas já no século XVII. As primeiras levas de guaranis teriam chegado à região apenas dois séculos depois, em 1835. E mesmo assim eram do grupo ñandeva. Os que não foram incorporados na Terra Indígena Itariri acabaram se misturando a população local e perdendo a maior parte de seus costumes. Segundo Olmos, o primeiro grupo mbyá chegou às florestas do litoral paulista apenas em 1921. Sua “ancestralidade” na região seria, portanto, pouco mais recente do que a dos primeiros imigrantes japoneses em terras paulistas.

“Aí aparece um antropólogo de plantão e diz que os guaranis são a mesma coisa que os tupis que viviam aqui no século XVI”, dispara o ecólogo. Para ele, “várias ongs buscam ativamente nichos de mercado criando demandas. Para quem vive de projetos com grupos indígenas, quanto mais grupos indígenas existirem, mais projetos terão.

Se a questão é a abertura de nichos de mercado, a profissão de antropólogo anda valorizada como nunca. Isto graças aos quilombolas, a segunda etnia brasileira a obter o direito à titulação de suas terras ancestrais, ao lado dos índios. Em 2003, o decreto presidencial n° 4.887, lançou a coordenadas para fazer valer o que previa a Constituição de 1988. A partir de então, consolidou-se um processo no qual o quilombo perdeu de vez sua significação histórica, e passou a ser utilizado como uma “metáfora” pelo movimento negro, como define o antropólogo José Maurício Arruti.

Em sua acepção original, quilombo era o termo de origem banto que designava “acampamento” ou “fortaleza”, e foi incorporado pelos portugueses como referência às comunidades formadas por escravos fugidos do cativeiro. No entanto, uma vez que entra em cena o direito à terra, a antropologia “produziu um alargamento do conceito”, segundo a historiadora Márcia Motta, da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Quilombola deixou de ser um grupo oriundo da fuga de escravos, para se referir a todas as comunidades negras criadas ao longo da escravidão, como aquelas formadas pela doação de terras de senhores. Na verdade, qualquer grupo negro rural com presença antiga na região passou a ter a chance de se auto-referenciar como quilombola”, completa.

Márcia Motta participou do estudo coordenado por José Maurício Arruti que conferiu um laudo técnico confirmando o direito à terra para 90 famílias “quilombolas” instaladas na Ilha de Marambaia, uma reserva da Marinha no município do Rio de Janeiro. Seus ancestrais não eram quilombolas de fato, mas ex-escravos a quem o maior produtor de café e escravocrata do Império, Joaquim de Souza Breves, permitiu que permanecessem nas terras que ocupavam. Os descendentes do velho Breves ignoraram a vontade do pai e, após sua morte, negaram ao grupo o direito à terra. Para complicar ainda mais a trajetória fundiária do conflito, as pesquisas de Márcia Motta se depararam com a ausência de evidências de que a área pertencesse legalmente a Breves. Ou seja, tudo indica que eram terras devolutas, ocupadas pelo fazendeiro irregularmente. Ainda assim, no laudo final pesou mais a noção de justiça histórica, para que os descendentes da comunidade negra não fossem expulsos da Ilha.

Desvinculado de seu sentido histórico, o conceito de quilombola passou a servir de bandeira de luta para os afro-descendentes pelo direito à terra. Presente a um encontro do movimento negro, Márcia Motta constatou que uma das líderes absorveu o termo que até dois anos atrás estava ausente de seu discurso. “Quilombola tornou-se um termo fortemente mobilizador, sobretudo junto aos jovens. Eles se sensibilizam com a possibilidade de recuperar o passado e resolver injustiças do tempo da escravidão. É um novo combustível de luta para esse grupo”, observa.

A historiadora enxerga riscos para os intelectuais e acadêmicos que absorvem sem crítica a agenda étnica sobreposta às reivindicações de inclusão social. Reconhece que a questão dos quilombolas se tornou uma brecha legal importante para o movimento negro reivindicar seus direitos, mas percebe a sinuca conceitual que isto representa. “Entramos numa furada a longo prazo, pois o direito à terra independe da identidade étnica. Aceitamos a ‘brecha negra’, mas agora ficamos dependentes apenas dela”, alerta. Por conta dessa visão, Márcia chegou a ser classificada como “advogada dos fazendeiros”. Pois é justamente o oposto do que tem em mente. “Não quero perder de foco que a situação fundiária é o verdadeiro pano de fundo para este conflito. A grilagem de terras no país é muito mais grave: temos a maior concentração fundiária do mundo. A brecha étnica seduz, mas limita e oculta os reais interesses em jogo”.

Márcia Motta é autora de um elucidativo artigo a respeito da origem histórica da agenda étnica nos movimentos sociais. Em “Brecha negra em livro branco: artigo 68, remanescentes de quilombos e grilagens no Brasil”, parte do livro Estado e Historiografia no Brasil (organizado por Sônia Mendonça), ela mostra como a resistência dos constituintes de 1988 à Reforma Agrária explica a solução alternativa representada pelo artigo 86, aquele que define os direitos dos afro-descendentes, ou “quilombolas”.

A Reforma Agrária foi considerada o terceiro entre 15 temas mais importantes para a sociedade de então (segundo pesquisa do Ibope em 1987, superada apenas por ensino gratuito e distribuição de renda), e foi aquele que mais obteve assinaturas na fase de Emendas Parlamentares: 1,2 milhão. No entanto, a União Democrática Ruralista (UDR) contava na época com 40% dos parlamentares, e conseguiu evitar a incorporação de qualquer avanço na questão fundiária pela “Constituição Cidadã”.

Para compensar a pressão dos movimentos sociais, o que se obteve foi uma “reforma agrária em migalhas”, em que indígenas e remanescentes de quilombos foram pela primeira vez reconhecidos em suas identidades e direitos. A luta pela terra transformou-se em uma brecha legal de caráter étnico-cultural. Foi quando teve início o processo de ressignificação e “alargamento” dos conceitos antropológicos. A partir do decreto n° 4.887, de 2003, que regulamentou a titulação das terras, o número de comunidades auto-declaradas quilombolas multiplicou-se consideravelmente. Não faltam laudos antropológicos para avalizar tal pleito, mas no campo jurídico essa disputa fundiária encontra obstáculos. Segundo Márcia Motta, o Judiciário é mais afeito às evidências históricas do que à subjetividade antropológica, por isso não costuma ignorar as contradições dos grupos que se candidatam à categorização “quilombola” quando, na verdade, são fruto de uma mistura de brancos, índios e negros, como ocorre em boa parte das comunidades rurais do país.

Por outro lado, comunidades negras que de fato preservam raízes quilombolas e teriam direito legítimo à terra acabam prejudicadas pelo volume de processos acumulados no Incra. Entre 2003 e 2006, o órgão recebeu 492 processos de reconhecimento de comunidades quilombolas, e só conseguiu emitir 46 relatórios com os laudos técnicos necessários para a definição judicial da titulação.

O resultado é que nem mesmo a “brecha negra” consegue produzir justiça social. Analisando o histórico fundiário do estado campeão em grilagens, o Pará, o artigo de Márcia Motta evidencia que as muitas comunidades negras amazônicas — cujo isolamento geográfico garantiu um grau maior de preservação de sua cultura — tiveram as terras griladas por grandes fazendeiros. E não conseguem fazer valer seu direito para reavê-las. As titulações que obtiveram, nos últimos anos, referem-se apenas a propriedades pequenas e pouco férteis. “O problema é profundamente social, antes de étnico. A rigor essas pessoas já teriam direito à terra. Se estão lá há 50 anos, 20 ou 30, o direito à posse já está circunscrito em lei. Mas a sociedade brasileira não está preparada para discutir a questão da propriedade”, lamenta a pesquisadora.

Enquanto não amadurece a este ponto, o país se distrai com a redescoberta de suas “populações tradicionais” e com a nova fragmentação étnica que isso configura, diferenciando brasileiros de brasileiros. É um caminho desejável?

Para Lilia Schwarcz, destacar as diferenças não faz mal nenhum. “Não destacar seria míope. Afinal, não somos tão igualitários assim. Podemos lidar com as diferenças sem transformá-las em estratificação, nem em ódio racial”.

Fábio Olmos tem visão radicalmente oposta. “Dividir a sociedade em pequenos grupos é um processo de tribalização que acirra as diferenças. Me lembra Ruanda e os Bálcãs. Em vez de vivermos em uma sociedade una que respeita as diferenças, estamos criando justificativas para um se sentir mais que outro. Cultura se conserva em DVD. Querer preservar culturas intocadas é como querer conservar a forma como as nuvens estão no céu neste momento”, completa.

“Daqui a pouco vamos descobrir que não temos pobreza no Brasil, só comunidade étnica”, ironiza Márcia Motta. “É acachapante lidar com qualificações absolutas e ingênuas como a do ‘bom selvagem’. Frases decisivas mais obscurecem do que iluminam a reflexão”.

Alguém aí ainda achava que este país era fácil de entender?

O Caleidoscópio da Cultura

por Lilia Moritz Schwarcz

Lilia Moritz Schwarcz é professora Titular da Universidade de São Paulo e autora do livro Espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 6ª. ed

Para o antropólogo Marshal Sahlins “as culturas são como rios: não se pode mergulhar duas vezes no mesmo lugar, pois estão sempre mudando”. Aí está, em pinceladas, a noção de dinâmica cultural; a idéia de que a cultura não é uma essência, uma vez que está sempre em transformação. O fato é que a cultura não é, ela está. Culturas se criam, alteram-se e se re-significam e não há outra saída, como bem mostrou o antropólogo Roy Wagner, senão “inventar”. Acusar a invenção de algo é, assim, um exercício tão ingênuo quanto fadado ao fracasso: os homens sempre manipularam e foram manipulados por suas culturas.

A “diferença” incomoda e foi por conta dela que inventamos, durante séculos, uma cartografia de nomes: os romanos chamaram o resto da humanidade de bárbaros, a “descoberta” da América levou à “descoberta” do primitivo, assim como a cristandade denominou todos seus demônios – caseiros ou não – de hereges. Isso sem esquecer o conceito de exótico, que definitivamente destina-se ao “outro”: o Oriente, os trópicos, a África. E se tal constatação remete a uma dificuldade humana de lidar com a noção de “vário” de Montaigne, o que dizer do processo atual de mundialização, que fez com que fronteiras virassem metáforas sociais? Afinal, por que será que “nossa” cultura é múltipla e plural, enquanto a do “outro” singular e sujeita a projetos de preservação? “Nós” inovamos, já “eles” perpetuam; no máximo resgatam.

Por mais que tenhamos desconfiado da idéia de civilização, desconstruído o mito do progresso, continuamos cultivando a noção romântica de que existem “bons selvagens” e que seria melhor que permanecessem enquanto tal. E no Brasil, onde um laboratório de culturas sempre preponderou, a situação não é mais fácil: não só o Estado agencia culturas e etnicidades, como pais de santo são leitores de teoria antropológica, grupos indígenas tornam-se especialistas em mitologia e parentesco, quilombolas refazem sua cultura e selecionam traços étnicos. Por sinal, hoje em dia não é tão fácil dizer que um grupo é efeito da sua cultura; na maioria das vezes, ele é “causa” e não “conseqüência” de sua cultura. Grupos étnicos criam culturas, traduções, expectativas, memórias e até naturezas. A própria noção de identidade – essa voga tão atual -- não pode, pois, ser entendida como ponto de chegada (uma tomada de consciência das origens); ela é chave de partida. Aqui se abre, e não se fecha, uma longa negociação relativa aos dile mas da própria instituição da memória.

O fato é que estamos constantemente lidando com a noção de diferença e não parece o caso de abrir mão dela. Melhor seria, usando as palavras de Lévi-Strauss, diferenciar sem hierarquizar. Ou então, fiquemos com uma metáfora dileta desse etnólogo, que recorre ao caledoscópio para pensar em culturas; por mais que se desmonte a luneta, que se desconfie do truque do material que há lá dentro, não há o que duvidar: as peças são poucas, e as mesmas, apesar dos desenhos infinitos que produzem. Hora de girar o brinquedo ...


Um País em Preto e Branco

por José Murilo de Carvalho

José Murilo de Carvalho é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Academia Brasileira de Letras e do IHGB e autor de Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

Está em andamento no Brasil uma tentativa de genocídio racial perpetrado com a arma da estatística. A campanha é liderada por ativistas do movimento negro, sociólogos, economistas, demógrafos, organizações não-governamentais, órgãos federais de pesquisa. A tática é muito simples. O IBGE decidiu desde 1940 que o Brasil se divide racialmente em pretos, brancos, pardos, amarelos e indígenas. Os genocidas somam pretos e pardos e decretam que todos são negros, afro-descendentes. Pronto. De uma penada, ou de uma somada, excluem do mapa demográfico brasileiro toda a população descendente de indígenas, todos os caboclos e curibocas. Escravizada e vitimada por práticas genocidas nas mãos de portugueses e bandeirantes, a população indígena é objeto de um segundo genocídio, agora estatístico. A não ser pelos trezentos e tantos mil índios, a América desaparece de nossa composição étnica. Restam Europa e África.

O problema da cor ou raça persegue nossos demógrafos e estatísticos desde 1849. Haddock Lobo, organizador do censo do Rio de Janeiro desse ano, rejeitou o item cor por considerar essa classificação odiosa, além de inconfiável pela “infidelidade com que cada indivíduo faria de si próprio a necessária declaração”. O primeiro censo nacional, feito em 1872, enfrentou o problema e dividiu as raças (não se diferenciava raça de cor) em branca, preta, parda e cabocla (indígena). Os responsáveis pelo censo de 1890 substituíram pardo por mestiço, argumentando, corretamente, que a cor parda “só exprime o produto do casamento do branco com o preto”. O censo de 1920 eliminou o item raça porque “as respostas ocultavam em grande parte a verdade”, sobretudo as respostas dos mestiços. O registro de cor foi reintroduzido no censo em 1940, quando voltaram os pardos e se estabeleceu o padrão atual, com a única diferença que hoje se separam amarelos (asiáticos) e indígenas.

Retrocedeu-se a 1872, ignorado o alerta feito em 1890. Os descendentes de indígenas ficaram embutidos na classificação de pardos, da qual são agora definitivamente enxotados. Ora, é óbvio para qualquer um que os 39% de pardos do censo de 2000 se compõem em boa parte de descendentes de indígenas. Aí está, aliás, a razão de ser do tribunal racial da Universidade de Brasília, destinado a apontar entre os pardos os afro-descendentes. A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, de 1998, mostrou que as pessoas classificadas como pardas pelos critérios impostos, quando deixadas livres para se autoclassificarem se disseram morenas e morenas claras em 60% dos casos. Apenas 34% dos pardos concordaram com essa classificação e apenas 2% se disseram mulatos. Pesquisa feita na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 1997 revelou que 50% dos que foram classificados de pardos pelos entrevistadores se disseram morenos ou brancos. Outra pesquisa no Rio, de 2000, mostrou que 48% dos pardos diziam ter antecedentes indígenas. Nos estados do Norte, onde foi fraca a presença da escravidão africana, os descendentes de indígenas formam sem dúvida a grande maioria dos pardos.

A inspiração do genocídio vem naturalmente dos Estados Unidos. Mas a operação é falaciosa. Para corrigir os males de uma sociedade em preto e branco, os americanos começaram a valorizar todas as etnias. Como se sabe, não existem mais americanos. Lá, as pessoas são euro, afro, latino, nativo, asiático-americanas. Importou-se essa valorização das etnias. A falácia consiste em ter sido ela importada não para acabar com a polarização, mas para implantá-la num país em que ela não existia. Valorizam-se duas cores, raças, etnias, seja lá o que for, com exclusão das outras. Viramos um país em preto e branco, ou melhor, em negro e branco.

Deixados livres para definir sua cor, os brasileiros exibem enorme variedade e grande ambigüidade. Essa riqueza foi aprisionada no leito de Procusto das cinco categorias pré-codificadas do IBGE. Os americanizantes querem mutilá-la ainda mais, reduzindo-a à polarização branco-negro. Se é para valorizar as etnias, vamos copiar direito os americanos. Vamos incluir todas as etnias, sem esquecer a dos primitivos habitantes do país, instaurando entre nós a sociedade hifenizada. Para isso, nenhuma das opções dos censos, de 1872 a 2000, é satisfatória. Sugiro, para início de conversa, que os atuais brasileiros sejam classificados assim: nativo-brasileiros (índios), euro-brasileiros (brancos), afro-brasileiros (pretos), asiático-brasileiros (amarelos), nativo-euro-brasileiros (caboclos), euro-afro-brasileiros (pardos), nativo-afro-brasileiros (cafusos), mestiço-brasileiros (o resto das cores).


Comentários Politicamente (In)Correto

Bom, podem falar o que quiser da Veja, mas dessa vez a bola foi dentro, acertou a cesta do outro lado da quadra.

Antropólogos criam comunidades, quilombos e até tribos extintas, arrumam assim um laboratório para garantir financiamentos eternos de pesquisa (fraudulentas porque o objeto de estudo é uma fraude).

Quando não se tornam os donos dessas comunidades, ou intermediários de doações de quem acha que está ajudando a preservar alguma "cultura" ameaçada.

Vide os textos intitulados Cenas de Índios no Montado Num Porco