quinta-feira, 11 de junho de 2009

ENEM nos acudem!

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Colabororaçao do meu amigo AC.

Coisas do ENEM........ e vão substituir o vestibular por ele.......

1) "o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."

(percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) "A amazônia é explorada de forma piedosa."

(explorada só por gente boa)

3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta."

(tamo junto nessa companheiro, esse plagiou o lulalau. Mais juntos, impossível!)

4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."

(comeu a floresta e a lingua portuguesa, virou suruba)

5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."

(pra deixar bem claro o tamanho da destruição, inclusive da lingua!)

6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."

(pleonasmo pouco é bobagem!)

7) "Espero que o desmatamento seja instinto."

(instinto selvagem?)

8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."

(geração expontânea, o verdadeiro milagre da vida!)

9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."

(tem tanta emoção de poluentes que eu também fiquei emocionado)

10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis."

(todo mundo na vida tem fazer 3 coisas, ter um filho, escrever um livro e realizar uma árvore renovável)

11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."

(esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd´s da coleção do Chaves)

12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."

(amém)

13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza."

(e quem derruba as árvores urbanas das cidades?)

14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."

(que tem uma morte ecológica)

15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável."

(ignorem, por favor)

16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias."

(peguem só as que estiverem fazendo alguma atividade física, como caminhadas, corridas e flexões)

17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia."

(um rolo de papel por favor)

18) "Paremos e reflitemos."

(e choremos!!!!)

19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."

(só destruidores autorizados por favor)

20) "Retirada claudestina de árvores."

(caraulio)

21) "Temos que criar leis legais contra isso."

(bacana, também concordo, chega de lei ilegais)

22) "A camada de ozonel."

(e o gás carbonel, o que a gente faz com ele?)

23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."

(a solução é colocar lá um monte de palhaços pra cortar as árvores, pelo menos será uma destruição divertida)

24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração."

(para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)

25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável."

(campeão da categoria "maior enchedor de lingüiça")

26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."

(e para o português, que ta pedindo socorro!)

27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."

(gênio da matemática)

28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."

(red bull neles - dizem as árvores)

29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório."

(tem que parar de pegar um amazonense e remar em cima dele gente)

30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."

(e quando diminui a diminuição???)

31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."

(isso é que é a verdadeira globalização, inclusive, pertinho de Manaus, já tá assim de baleias e pinguins)

32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem."

(deve estar falando com a venda de merenda escolar por políticos)

33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."

(por isso que são dePUTAdos....)

34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."

(essa é foooooo....... )

35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?"

(dicionários e, principalmente, camisinhas, para evitar que tenham descendentes que escrevam como esses!)

A China é um país maravilhoso.

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China defende computador com censura de fábrica

Michael Bristow

Pequim para a BBC News - 09/06/2009

O porta-voz do Exterior da China, Qin Gang, defendeu nesta terça-feira o uso de um novo programa de monitoramento que terá de ser instalado em todos os computadores à venda no país a partir de 1º de julho.Qin Gang disse que o software deverá filtrar material pornográfico ou violento e que a China busca promover um desenvolvimento salutar da internet.

Segundo Qin, a diretriz do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China tem o propósito de "lidar com material potencialmente prejudicial para o público e impedir que ele seja espalhado".

"O governo chinês está estimulando o desenvolvimento salutar da internet. Mas gerencia de maneira legal a internet", disse.

PS. Para vários e$bornianos (em especial o grande industrial da siderurgia), um exemplo de país a ser seguido.

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Gripe Suina/Influenza (H1N1) parte 2

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A OMS declarou a gripe suina como uma pandemia, o lulalau, nosso "fac totum" e expert em economia, meio ambiente, saúde pública, política sindical, aposentadoria e como viver sustentado por amigos, agora na função de mordomo/presidente da república, havia declarado:

"Eu acho que essa gripe não é do tamanho que parecia que ia ser, porque se vendeu uma gripe que já tinha tomado conta do mundo inteiro, ou seja, eu penso que ela existe, ela é grave, mas aqui no Brasil nós estamos cuidando para evitar que se alastre em outras pessoas."

Em maio coloquei a frase acima num post sobre essa declaração; resultado, a gripe era do tamanho que era divulgada pela OMS e virou uma pandemia.

No ano anterior ele previu que a crise era uma marola que não nos atingiria, a marola virou uma onda que afogou mais de 300 mil empregos.

Como futurólogo ele é um péssimo presidente, agora espero ansioso uma previsão dele sobre a eleição da mãe do PAC.

PS. Isso é o que dá eleger um presidente quase analfabeto e o que é pior, que se orgulha da própria ignorância.

PS linha. Também não tenho pena de quem vota errado, quero que se danem!

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Para quem gosta de café!

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Não é comercial, mas o blog República do Café, de Minas Gerais, tem um monte de dicas sobre café. Para quem gosta, vale a pena dar uma passada por lá.

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Por causa do feriado.


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Como a e$bórnia tá parada, um passeio por 3 comerciais, um dos cigarros Camel da década de 40, um da lingerie da marca Felina, dos anos 50 e outro da Lovable, no século XXI, dá para descobrir qual é qual? Hehehehe.




Para os fumantes:









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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Uma sociedade paranóica e neurótica!

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Essa ação policial (clique para ver a matéria original), aconteceu em Flower Mound - Texas.

"Eles me algemaram e me colocaram no carro. A polícia só me disse que ia me levar para a prisão".
As criminosa é Reagan Green, 10 anos, detida, algemada e colocada em viatura policial por discutir e empurrar a irmão de 13 anos.

A declaração da polícia: Por lei estadual, somos obrigados a tomar medidas quando há "violência" doméstica.

Outra notícia de uma vigorosa ação policial (clique para ver a matéria original), vem de Cincinnati - Ohio.

A polícia foi chamada porque um cão atacou um corredor, na ação a polícia deu 3 tiros para neutralizar o animal, que atacou também os policiais. A fera, um grande mestiço de chiuhahua com aproximadamente 2 kg, havia fugido de casa quando seus donos estavam em um velório. Os donos da fera são duas crianças de 3 e 5 anos, que estão inconsoláveis (naquela terra de neuróticos, correm o risco de responder processo civil e criminal).

E para muitos e$bornianos, os Estados Unidos, é o modelo de sociedade perfeita.

Sem comentários!!!!!

PS. Pelo visto estão mandando policiais americanos treinar com as PMs brasileiras.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Copa do mundo 2014, começou a dePUTAria!

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Em março desse ano a Câmara dos dePUTAdos criou uma subcomissão da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (essa é boa, subcomissão da comissão), para fiscalizar a grana que a união vai gastar com a copa de 2014 e que não vai ser pouca coisa.

São 18 dePUTAdos "fiscais", sendo 9 titulares e 9 suplentes, aqui comença a dePUTAria, para que 9 suplentes, como se todos os titulares precisassem ser substituidos ao mesmo tempo (com certeza tem um monte deles sem fazer nada e sempre vai sobrar uns minutinhos de câmera de tv em ano eleitoral).

Mas a dePUTAria não fica por ai, tem coisa bem pior, 9 titulares (todos os titulares), e 5 suplentes respondem a inquéritos ou a ações penais, isso mesmo, 13 dos 18 fiscais precisam ser fiscalizados..... pela polícia. Leia o relatório do Projeto Excelências sobre a ficha corrida dos fiscais da copa nomeados pelo congresso.

Tem mais dePUTAria nessa dePUTAria, 8 titulares e 8 suplentes (90% dos membros da subcomissão), já freqüentou as páginas policiais por denúncias de mau uso do dinheiro público.

Pelo visto estão presentes todos os ingredientes para fazer a receita do super faturamento 2014, espaço para propinas, aditivos de contratos, contratos emergênciais e fiscalização pouco recomendável, tudo para dar dinheiro a empreiteiras, políticos e funcionários públicos envolvidos com as obras da copa de 2014, tudo pago pelo populacho, que adorou a idéia e tá comemorando.

Cada povo tem o governo e políticos que merecem, que o populacho se dane!

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Como um custo aumenta 84%? Mágica da petrobras gente!

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O orçamento do gasoduto Urucu-Manaus, do dinossauro petrobras, cuja contrução deveria custar R$ 2,4 bilhões, num passe de mágica virou R$ 4,58 bilhões.

Essa mágica foi possível graças aos aditivos assinados com as "empreiteiras", uma bagatela de mais de R$2 bilhões, que inflou a obra em 84%.

Todo mundo que já trabalhou numa grande obra sabe que aditivo é tudo que uma empreiteira quer, ainda mais sendo estatal e movimentando a grana que o dinossauro movimenta. A empreiteira é capaz de começar o trabalho de graça, desde que tenha a garantia que virão os aditivos. Meu ex-chefe dizia que se deixar, o grosso do lucro é ganho nos aditivos, o que a financiadora de caixa 2, digo, empreiteira ganhou do contrato inicial, vira mixaria.

Agora, pergunta: Quem planejou a obra e estimou os custos é? Co_ _ _pto ( ), Inco_ _ _tente ( ), as duas alternativas anteriores ( )? Complete e escolha!

Em qualquer hipótese acima, se fosse num lugar sério e uma empresa séria, os planejadores da obra iriam para a rua, mas como é estatal, e$borniana e aparelhada pela "cumpanherada" sindicalista, vai acontecer nada.

Já disse, se Receita, Ministério Público e Polícia Federal fossem atrás do "modus vivendi" de quem aprovou, quem assinou e quem fiscaliza esses contratos, e seus parentes até segundo grau, iriam descobrir que sai muito esqueleto desse armário.

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O que fez o congresso em 21 anos?

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Daqui a 120 dias a constituição da república federativa do brasil, mais conhecida como República da E$bórnia, completará 21 anos.

O congresso que a criou fez um frankestein para atender os interesses variados, dos próprio$ congre$$istas e de quem financiou o caixa 2 para elege-lo$. Esse foi o preço, bem alto, que pagamos por não ter uma constituinte exclusiva.

parágrafo primeiro. O mordomo lulalau estava lá e não fez absolutamente nada. Mas não foi só na constituinte, nada foi o que ele fez durante todo o tempo que foi dePUTAdo federal, mas foi um dos campeões...... de ausências. A gente sabe que ele nunca foi muito chegado ao trabalho, chegou a perder um dedo por isso, ainda mais lá, que é um lugar onde ningúem gosta muito de trabalhar mesmo. Mas dizem seus defensores que sua atuação parlamentar, em especial na constituinte, foi medíocre pois havia necessidade de muita leitura, coisa que o dito não é muito habilitado e nem chegado.

Mas o fato é, a constituição e$borniana vai fazer 21 anos e ainda tem 142 itens necessitando algum tipo de regularização, são 21 anos de vagabundagem e escândalos no congresso e no senado, mas legislar que é bom.... só quando interessa aos patrões do alcaides maiores e quando tem algum intere$$e por trás.

Vá lá tem que ser lembrado que dos 142 itens que precisam de regularização, 62 já estão em andamento, é..... em andamento, andando a 21 anos e não chegando a lugar nenhum!!!!!

Para um congresso que gasta tanto quanto o americano e trabalha tanto quanto o da Somália (que não tem governo nem congresso), tá na hora de fazer alguma coisas, eu acho que tá na hora é de puxar a descarga!


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Frases de Saramago

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Algumas frases de José Saramago, um escritor que admiro cada vez mais, depois do que escreveu sobre berlusconi então.... virei fã. Coloquei um vídeo num post, a alguns meses atrás, ele falava sobre deus, bíblias, religião, é imperdível. Mas ai estão algumas de suas frases:

  • Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.
  • "Não sou pessimista, o mundo que é péssimo."
  • O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar.
  • Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
  • Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
  • Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provébios, tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois.
  • É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca.
  • Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.
  • Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível não voltarmos a pensar mais no assunto.
  • ...se antes de cada acto nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.
  • Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.
    "O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.
  • Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos.
  • O talento ou acaso não escolhem, para manisfestar-se, nem dias nem lugares.
  • Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.
  • De que adianta falar de motivos, às vezes basta um só, às vezes nem juntando todos.
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A MP da grilagem virou lei.... e agora?

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O mordomo lulalau vai doar terras, são áreas superiores a maioria dos países da europa (para saber quanto, leia nesse post).

Sabe-se que a forma que a medida foi proposta, os grandes beneficiários serão os grileiros e o povo que faz parte do grupo dos vigaris, digo, ruralistas e agronegociantes, que derrubaram a floresta para colocar gado. Não é a toa que a katia abreu, senadora da bancada vig, digo, ruralista e relatora da medida, soltou foguetes e fez tudo a toque de caixa, para evitar que, nas palavras dela, "a oportunidade fosse perdida".

A medida permite a negociação livre das, outrora, terras públicas que foram invadidas e griladas, vão ser compradas por larajas e por outras vigarices típicas desses "negociantes rurais". Alguém tem dúvida quem serão os compradores e donos finais de tudos isso??? Quem tem dinheiro para tanto, por acaso serão pequenos agricultores, que nessa história também não são inocentes, a maioria é de grileiros que foi para lá roubar madeira, como a madeira boa acabou, ficaram por lá e roubaram um pedaço de uma terra pública.

Agora podemos ter certeza de uma coisa, o mordomo lulalau deu o aviso, ocupe que a "cumpanherada" sempre dá um jeitinho, logo vamos ver uma nova leva de garimpeiros, comunidades ditas tradicionais e outros vagabundos invadindo, ocupando e grilando terras, obviamente as públicas.

Esse povo vai viver por um tempo vendendo madeira ilegal, ajudando no contrabando de fauna e, depois de pouco tempo, vão aparecer ONGs, antropólogos, sociólogos e os "socio-ambientalistas, para defende-los e ao seu estilo de vida "tracional", que de tradicional mesmo, só a invasão e a destruição de florestas e tudo que existe nela.

É um movimento bem planejado, um círculo que existe desde a ocupação da região, para que no final as novas áreas ocupadas e "regularizadas" parem nas mão dos velhos e novos latifundiários vigaristas. Não se enganem, elas sempre param nas mãos deles, seja numa negociação de compra e venda, seja na "bala". Pois podem ter certeza, aquilo ainda é terra de ninguém, ou de poucos, mas de muito poucos donos, a maioria deles ocupando um cargo eletivo.

Como agravantes, os nortistas odeiam a floresta, para eles a floresta é só um "potencial econômico a ser utilizado", morei lá e não conheço um único que veja a necessidade de se preservar alguma coisa, o conceito vigente é que a floresta em pé é sinônimo de atraso com um grande potencial de geração de "commodities", a verdadeira origem do atraso brasileiro.

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domingo, 7 de junho de 2009

Uma definição perfeita de berlusconi

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Palavras perfeitas de José Saramago, 86 anos, escritor, prêmio Nobel de literatura de 1998.

Belusconi é "uma coisa perigosamente parecida a um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda em um país chamado Itália".

Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país se um vômito profundo não conseguir arrancá-lo da consciência dos italianos, antes que o veneno acabe correndo as veias e destruindo o coração de uma das mais ricas culturas europeias.

Quem quiser ler o artigo completo, em espanhol, está no El País.

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Aumentou a boquinha

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Como já era sabido, durante o governo do mordomo lulalau houve um grande aumento das chamadas DAS (direção e assessoramento superior), as vagas que não exigem concurso público, basta ser jurar fidelidade, ser um dos "cumpanheros" ou ser indicado pela base "aliada".

A teta da viúva amentou em 27,3 % o numero de ocupantes desses cargos, tudo pago com o dinheiro da viúva, nosso dinheiro.

E tem gente que acha que esse nao virou um país de PeTralhas!!!

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Cursos superiores serão fechados

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O MEC vai fechar 17 cursos de pedagogia e normal superior (nem sabia que isso existia), que não apresentaram padões mínimos de qualidade, outras 26 instituições assinaram termos de compromisso para melhorias, que devem acontecer até julho desse ano. Uma parte das instituições pediu o fechamento por não conseguirem atender as exigências. Na lista, algumas instituições federais.

Pedagogos normalmente são responsáveis por determinar propostas de escolas, métodos e as vezes, até conteúdos de disciplinas (incluindo as científicas, das quais não entendem nada). Agora, se já saem das universidades mal preparados, o estrago que podem produzir é grande.

Quem quiser acessar o relatória na íntegra, clique aqui


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Será que achamos um político honesto, e que trabalha?

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Da Rede Paranaense de Televisão

Não é perfeito, mas pode servir de exemplo aos 81 senadores e 513 dePUTAdos federais.

Agora sobre o discurso de Obama

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Se você não leu o post anterior "O Discurso de Barack Obama na Universidade do Cairo", recomendo que leia antes e depois as observações de Robert Fisk, que faz uma leitura muito interessante e nas entre-linhas do discurso do presidente americano.

Palavras, para curar feridas de séculos...

Original de Robert Fisk: Words that could heal wounds of centuries

5/6/2009, The Independent, UK


Pregador, historiador, economista, moralista, professor de escola primária, crítico, guerreiro, iman, imperador. Às vezes, até esquecia-se que Barack Obama é presidente dos EUA.

Conseguirá sua fala ante público cuidadosamente selecionado na Universidade do Cairo, fazer "reimaginar o mundo" e curar as feridas de séculos entre muçulmanos e cristãos? Resolverá a tragédia árabe-israelense, depois de mais de 60 anos. Se bastarem palavras, talvez...

Foi discurso bem construído, o que ouvimos de Obama ontem, ao mesmo tempo gentil e duro, do tipo que agrada qualquer público – e, de público, lá, só havia nós. Elogiou o Islam. Adorava o Islam. Admirava o Islam. Adorava o Cristianismo. E admira os EUA. Sabíamos que há sete milhões de muçulmanos nos EUA, que há mesquitas em todos os estados da União, que o Marrocos foi a primeira nação a reconhecer os EUA e que nosso dever é lutar contra os estereótipos antimuçulmanos, assim como é dever dos muçulmanos lutar contra os estereótipos anti-norte-americanos?

Boa parte da verdade, sim, foi dita, embora caramelizada para não ferir suscetibilidades em Israel. Negar os fatos do Holocausto de judeus é "sem fundamento, ignorante e semeia o ódio", disse ele, em frase obviamente dirigida ao Iran. E Israel merece segurança e "os palestinos devem desistir da violência..."

Os EUA exigem uma solução de dois Estados para o conflito Israel-Palestina. Disse aos israelenses que a colonização da Cisjordânia tem de parar. "Os EUA não aceitam a legitimidade da continuada construção de colônias israelenses."

Os palestinos sofreram muito sem pátria. "A situação do povo palestino é intolerável", disse Obama; e os EUA não darão as costas "às legítimas aspirações dos palestinos, de ter Estado próprio". Israel tem de dar "passos concretos" para que os palestinos progridam em suas vidas diárias, na trilha da paz. Israel tem de reconhecer o sofrimento dos palestinos e o direito de os palestinos existirem. UAU. Há mais de uma geração Israel não ouvia esse tipo de crítica de um presidente dos EUA. Soou como o fim do sonho sionista. George Bush existiu?

Infelizmente, sim, existiu. Às vezes, de fato, a fala de Obama soava como a Empresa de Reparos e Consertos Gerais de Bush, visitando o mundo muçulmano para varrer montanhas de candelabros partidos e carne dilacerada. Mas o presidente dos EUA – e isso foi surpreendente – admitiu os fracassos de seu país, a resposta exagerada ao 11/9, a criação de Guantânamo a qual, Obama outra vez nos fez lembrar, ele acaba de mandar fechar. Nada mau, Obama...

Chegamos ao Iran. Um Estado que queira ter armas nucleares é "caminho perigoso" para todos nós, especialmente para o Oriente Médio. Temos de impedir que comece qualquer corrida por armamento nuclear. Mas o Iran, como nação, deve ser tratada com dignidade. O mais extraordinário: Obama nos lembrou que os EUA trabalharam para derrubar o governo democraticamente eleito de Mossadeq no Iran dos anos 50s. Difícil superar "décadas de desconfiança".

E houve mais; democracia, direitos das mulheres, economia, um punhado de boas citações do Corão ("Quem mata um inocente, é como se matasse toda a humanidade".) Os governos devem respeitar "todo o seu povo" e também as minorias. Falou dos coptas cristãos do Egito; até os maronitas cristãos do Líbano apareceram por ali.

E quando Obama disse que alguns governos "quando chegam ao poder" tornam-se cruéis e suprimem os direitos alheios, a supostamente adestrada plateia irrompeu em aplausos ensurdecedores. Não surpreende que o governo egípcio tenha querido selecionar trechos do discurso de Obama, só os mais recomendáveis para o povo egípcio. A platéia estava claramente muito, muito infeliz com o regime de Estado policial de Hosni Mubarak. Fato é que Obama não pronunciou sequer uma vez o nome de Mubarak.

E sempre, e sempre, se ficava pensando: Obama ainda não mencionou o Iraque... E então, ele mencionou ("guerra escolhida... nossos soldados logo sairão de lá"). Mas ainda não falou do Afeganistão... e, então, ele falou do Afeganistão ("não queremos manter soldados no Afeganistão..."). Quando começou a falar sobre "uma coalizão de 46 países" – estatística muito duvidosa – começou a soar muito parecido com o predecessor. E aí, é claro, encontrou um problema inevitável. Como disse ontem Marwan Bishara, intelectual palestino, é muito fácil ficarmos "atordoados" ante presidentes. Foi uma performance atordoante. Mas quem leia o texto, verá que faltam coisas.

Nenhuma referência – durante ou depois a cordial escarificação do Iran – às cerca de 264 ogivas nucleares israelenses. Os palestinos ouviram reprimenda por atirarem foguetes contra crianças adormecidas e por explodir idosas em ônibus. Mas nenhuma referência à violência que Israel pratica em Gaza: só à persistente "crise humanitária em Gaza".

Nenhuma referência a Israel ter bombardeado civis no Líbano, nem às repetidas invasões de território libanês (17.500 mortos só na invasão de 1982). Obama disse aos muçulmanos que não vivam no passado, mas poupou os israelenses dessa recomendação. O Holocausto lá estava, no discurso; e Obama lembrou-se que hoje visitaria o campo de concentração de Buchenwald.

Para um homem que está mandando mais milhares de soldados norte-americanos para o Afeganistão – desastre certo ainda por acontecer, aos olhos de árabes e ocidentais – houve algo de bravata e presunção nesse ponto. Quando falou do muito que o ocidente deve ao Islam – a "luz do conhecimento" na Andaluzia, a álgebra, a bússola, a tolerância religiosa, foi como se acariciasse o gato antes de levá-lo ao veterinário. E o veterinário, claro, pregou aos muçulmanos sobre os perigos do extremismo, os "ciclos de desconfiança e discórdia" – apesar de os EUA e o Islam partilharem "princípios comuns" os quais, como ninguém sabe, são "justiça, progresso e a dignidade de todos os seres humanos".

Houve uma generosa omissão: em discurso de quase 6.000 palavras, não apareceu a palavra letal "terror". "Terror" ou "terrorismo" tem sido mais frequentes que vírgulas em todos os discursos do governo israelense e tornou-se parte da obscena gramática da era Bush.

Cara inteligente, pois, Obama. Não chega a ser um Gettysburg. Não é exatamente um Churchill, mas não está mal. Sempre se pode, seja como for, lembrar observações de Churchill: "Palavras são fáceis e muitas; grandes feitos são difíceis e raros."

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Discurso de Barack Obama na Universidade do Cairo


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Discurso de Barack Obama na Universidade do Cairo

Links do Vídeo (56 min) e do Texto original.

Sinto-me honrado, nessa milenar cidade do Cairo, recebido por duas importantes instituições. Há mais de mil anos, a Universidade de al-Azhar já era sentinela avançada dos estudos islâmicos, e por mais de um século a Universidade do Cairo é fonte de desenvolvimento do Egito. Juntas, essas instituições representam a harmonia entre a tradição e o progresso. Agradeço a hospitalidade dessas universidades e a hospitalidade do povo egípcio. Trago-lhes com orgulho a boa-vontade do povo americano, e um voto de paz das comunidades muçulmanas em meu país: assalaamu alaykum [1].

Nos reunimos num momento de tensão entre os EUA e muçulmanos em várias partes do mundo – tensão que brota de forças históricas e vão além do atual debate político. As relações entre o Islam e o ocidente incluem séculos de coexistência e cooperação, mas também conflitos e guerras religiosas. Mais recentemente, a tensão foi alimentada pelo colonialismo que nega direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, e uma guerra fria na qual países de maioria muçulmana são muitas vezes tratados como fantoches [or. proxies], sem atenção às suas aspirações. Além disso, as rápidas mudanças trazidas pela modernidade e pela globalização levaram muitos muçulmanos a ver o ocidente como hostil às tradições do Islam.

Extremistas violentos exploraram essas tensões em minorias pequenas, mas potentes, de muçulmanos. Os ataques de 11/9/2001 e os continuados esforços daqueles extremistas em ações de violência contra civis, levaram alguns, no meu país, a ver o Islam como inevitavelmente hostil, não só aos EUA e aos países ocidentais, mas hostil também aos direitos humanos. O que alimentou mais medo e desconfiança.

Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, mais força daremos aos que semeiam ódio, não paz; e aos que promovem conflitos, não a cooperação que pode ajudar nosso povo a alcançar justiça e prosperidade. Esse ciclo de suspeitas e discórdia tem de acabar.

Vim até aqui em busca de um recomeço, entre os EUA e os muçulmanos de todo o mundo; recomeço baseado em interesse mútuo e mútuo respeito; e baseado na verdade de que os EUA e o Islam não são exclusivos e não precisam viver em competição. Em vez disso, somam-se e partilham princípios comuns – princípios de justiça e progresso; de tolerância e de respeito à dignidade de todos os seres humanos.

Reconheço que a mudança não pode acontecer da noite para o dia. Nenhum discurso pode pôr fim a anos de desconfiança, nem posso, eu, com meu pouco tempo de governo, ter resposta para todas as complexas questões que nos trouxeram ao ponto em que estamos. Mas estou convencido de que, para andar adiante, temos de falar abertamente o que escondemos nos nossos corações, e, também, o que se diz por trás de portas fechadas. Temos de manter esforço sustentado para nos ouvir, uns os outros; para aprender uns dos outros; para respeitar uns os outros; e para procurar terreno comum. Como ensina o santo Corão: "Sê consciente de Deus e dize sempre a verdade." É o que tentarei fazer – dizer a verdade, do melhor modo que consiga, sob o peso da enorme tarefa à nossa frente, e firme na minha crença de que os interesses que partilhamos como seres humanos são mais poderosos que as forças que nos mantêm afastados.

Parte dessa convicção tem raízes na minha própria experiência. Sou cristão, mas meu pai é família queniana com várias gerações de muçulmanos. Menino, vivi muitos anos na Indonésia e ouvia o chamamento do azaan [o canto que convoca os muçulmanos para as orações] ao nascer do dia e ao cair da noite. Jovem adulto, trabalhei em comunidades, em Chicago, nas quais muitos encontravam dignidade e paz em sua fé muçulmana.

Na universidade, aluno de história, também conheci civilizações que muito devem ao Islam. Foi o Islam – em lugares como a Universidade al-Azhar – que conduziu a luz do saber ao longo de muitos séculos, pavimentando o caminho para o Renascimento e o Iluminismo europeus. A inovação, em comunidades muçulmanas, desenvolveram a álgebra; a bússola e outros instrumentos de navegação; o manejo dos pincéis e penas e a imprensa; o que sabemos sobre como as doenças disseminam-se e como podem ser curadas. A cultura islâmica deu-nos seus arcos majestosos e as espirais; a poesia eterna e a música; a caligrafia mais elegante e locais de contemplação. E, ao longo da história, o Islam demonstrou por palavras e ações, as possibilidades da tolerância religiosa e da igualdade racial.

Sei, também, que o Islam sempre foi parte da história dos EUA. A primeira nação a reconhecer meu país foi o Marrocos. Ao assinar o Tratado de Trípoli, em 1796, nosso segundo presidente, John Adams, escreveu: "Os EUA não tem, em sim nenhum traço de inimizade contra as leis, a religião ou a tranquilidade dos muçulmanos." E desde o nascimento dos EUA, os muçulmanos norte-americanos enriqueceram os EUA. Lutaram nossas guerras, serviram ao governo, lutaram pelos direitos civis, empreenderam, iniciaram negócios, ensinaram em nossas universidades, conquistaram medalhas em arenas esportivas, receberam Prêmios Nobel, construíram nossos mais altos arranha-céus e acenderam a tocha Olímpica. Quando o primeiro muçulmano norte-americano foi recentemente eleito para o Congresso, ele jurou defender nossa constituição, sobre o mesmo Santo Corão que um dos pais fundadores dos EUA – Thomas Jefferson – guardava em sua biblioteca pessoal.

Assim conheci o Islam em três continentes, antes de chegar à parte do mundo onde foi revelado. Essa experiência guia minha convicção de que a parceria entre EUA e o Islam tem de basear-se sobre o que é o Islam, não sobre o que ele não é. E entendo como parte de minha responsabilidade como presidente dos EUA lutar contra os estereótipos negativos do Islam, onde apareçam.

Mas esse mesmo princípio deve aplicar-se ao modo como os muçulmanos vêem os EUA. Assim como os muçulmanos não são um estereótipo, tampouco os EUA são estereótipo de império que só pensa em seus interesses. Os EUA têm sido uma das maiores fontes de progresso que o mundo jamais conheceu. Nascemos de uma revolução contra um império. Fomos fundados sobre o ideal de que todos são criados iguais, e derramamos sangue e lutamos durante séculos para dar pleno sentido a essas palavras – dentro de nossas fronteiras e em todo o mundo. Somos modelados por todas as culturas, chegadas de todos os quadrantes da Terra, e dedicados a um simples conceito: E pluribus unum – "De muitos, [fazer] um."

Muito se disse de um afro-americano, de nome Barack Hussein Obama, ter sido eleito presidente. Mas minha história pessoal não é assim tão rara. O sonho da oportunidade para todos os povos ainda não se concretizou nos EUA, mas a promessa persiste para todos que cheguem às nossas costas, incluídos os cerca de 7 milhões de muçulmanos norte-americanos que hoje, nos EUA, gozam de condições de vida e educação superiores à média.

Além disso, a liberdade na América é indivisível da liberdade de religião. Há uma mesquita em cada estado dos EUA, mais de 1.200 mesquitas em todo o país. Por isso o governo dos EUA foi aos tribunais para proteger o direito de mulheres e meninas usarem o hijab, e punir os que tentassem negar-lhes esse direito.

Que não reste nenhuma dúvida: o Islam é parte dos EUA. E eu acredito que os EUA guardam consigo a verdade segundo a qual, independente de raça, religião ou idade, todos partilhamos aspirações comuns – viver em paz e segurança; obter boa educação e trabalhar com dignidade; amar a família, a comunidade e nosso Deus. Tudo isso todos partilhamos. Essa é a esperança de toda a humanidade.

Claro, reconhecer nossa humanidade comum é apenas a primeira de nossas tarefas. Só palavras não bastam para atender às necessidades de nosso povo. Essas necessidades só serão satisfeitas se agirmos firmemente nos próximos anos; e se entendermos que os desafios à frente são partilhados e que se fracassarmos, todos sofreremos.

Já aprendemos, de nossa experiência recente, que quando um sistema financeiro enfraquece, num país, a prosperidade de todos sofre, em todos os lugares. Quando uma gripe faz adoecer um ser humano, todos ficamos ameaçados. Quando uma nação trabalha para construir uma arma nuclear, o risco de ataques nucleares aumenta para todos os povos. Quando um extremista violento opera num desfiladeiro nas montanhas, há pessoas ameaçadas do outro lado do oceano. E quando inocentes são massacrados na Bósnia e Darfur, a mancha se alastra por toda nossa consciência coletiva. Isso é o que significa partilhar o mundo, no século 21. Essa é a responsabilidade que todos temos, uns com os outros, como seres humanos.

É uma responsabilidade difícil de assumir. A história humana tem sido, muitas vezes, história de nações e tribos que subjugam umas as outras para atender interesses que não são de todos. Nos novos tempos que vivemos, essas atitudes são de auto-derrota. Dada nossa interdependência, qualquer ordem mundial que ponha uma nação ou um povo acima dos demais, fracassará inevitavelmente. Assim, pensemos o que pensarmos do passado, não podemos ficar prisioneiros do passado. Nossos problemas têm de ser equacionados em espírito de parceria; temos de partilhar o progresso.

Isso não implica que se devam ignorar as fontes de tensão. De fato, sugere o contrário disso: temos de encarar abertamente essas tensões. Assim, nesse espírito, permitam que eu fale clara e abertamente sobre algumas questões que creio que temos de enfrentar juntos.

A primeira dessas questões que temos de enfrentar é o extremismo violento, em todas as suas formas.

Em Ankara, deixei claro que os EUA não estão – e jamais estarão – em guerra contra o Islam. Mas enfrentaremos sem descanso todos os extremistas violentos que ameacem nossa segurança. Porque rejeitamos o que homens e mulheres de todas as fés rejeitam: a morte de inocentes, homens, mulheres e crianças. E meu primeiro dever como presidente é proteger os norte-americanos.

A situação no Afeganistão demonstra os objetivos dos EUA e a necessidade de que todos trabalhemos juntos. Há mais de sete anos os EUA lutam contra a al-Qaida e os Taliban com amplo apoio internacional. Lá não estamos por escolha nossa; fomos para lá por necessidade. Sei que há quem questione e quem justifique os eventos do 11/9. Mas sejamos claros: a al-Qaida matou cerca de 3.000 pessoas, naquele dia. As vítimas foram homens, mulheres e crianças norte-americanas e de outras nações, inocentes, que jamais haviam feito mal a alguém. Mesmo assim, a al-Qaida escolher assassinar aquelas pessoas, assumiu a autoria do ataque e ainda hoje afirma sua determinação de matar outra vez em escala massiva. Eles têm braços em vários países e tentam ampliar sua área de alcance. Nada disso são especulações. Esses são fatos a serem enfrentados.

Que ninguém se engane: não desejamos manter nossas tropas no Afeganistão. Não queremos instalar bases lá. É agonia, para os EUA ver morrer nossos jovens, homens e mulheres. Esse conflito custa-nos muito e é politicamente difícil continuar aquela luta. Nós retiraríamos os nossos soldados de lá e com alegria os traríamos para casa, se pudéssemos ter certeza de que não há extremistas violentos no Afeganistão e no Paquistão, determinados a matar o maior número possível de norte-americanos. A situação ainda não é essa.

Por isso continuamos lá, numa coalizão de 46 países. E, apesar dos custos envolvidos, a determinação dos EUA não enfraquecerá. De fato, nenhum de nós pode tolerar esses extremistas. Eles já mataram em muitos países. Já mataram gente de várias fés –mais do que de todas, eles mataram muçulmanos. Aquelas ações são irreconciliáveis com os direitos humanos, com o progresso das nações e com o Islam. O Santo Corão ensina que quem mata um inocente, mata como se matasse toda a humanidade; e que quem salva um ser humano, salva como se salvasse toda a humanidade. A resistente fé de mais de um bilhão de seres humanos é muito maior que o ódio estreito de uns poucos. O Islam não é parte do problema de combater o extremismo violento – é parte importante da promoção da paz.

Sabemos também que só o poder militar não resolverá os problemas no Afeganistão e no Paquistão. Por isso, planejamos investir 1,5 bilhões de dólares ao ano, nos próximos cinco anos, para ajudar os paquistaneses a construir escolas e hospitais, estradas e empresas, e centenas de milhões para ajudar os que perderam suas casas. Por isso estamos oferecendo mais de 2 bilhões para ajudar os afegãos a desenvolver sua economia e oferecer os serviços de que as pessoas necessitam.

Sobre a questão do Iraque. Ao contrário do Afeganistão, o Iraque foi guerra que os EUA escolheram e provocou fortes discussões em meu país e em todo o mundo. Embora eu acredite que os iraqueanos estão hoje melhor, sem a tirania de Saddam Hussein, também acredito que os eventos do Iraque ensinaram aos EUA a necessidade de usar a diplomacia e de construir consenso internacional para resolver nossos problemas, sempre que possível. De fato, lembro as palavras de Thomas Jefferson: "Espero que nossa sabedoria aumente à medida que aumente nosso poder, e nos ensine que quanto menos usarmos nosso poder, mais ele aumentará."

Hoje, os EUA têm dupla responsabilidade: ajudar o Iraque a forjar melhor futuro e entregar o Iraque aos iraqueanos. Deixei bem claro para os iraqueanos que não buscamos novas bases e nada queremos de seu território ou de seus recursos. A soberania do Iraque é do Iraque. Por isso ordenei a retirada de nossas brigadas de combate em agosto próximo. Por isso honraremos nosso acordo com o governo democraticamente eleito no Iraque, de retirar nossos soldados das cidades iraqueanas em julho e removê-las, todas, até 2012. Ajudaremos os iraqueanos a treinar suas forças de segurança e a desenvolver sua economia. Mas apoiaremos um Iraque seguro e único como parceiros, não como dominadores.

Por fim, assim como os EUA jamais tolerarão a violência dos extremistas, jamais alteraremos nossos princípios. O 11/9 foi enorme trauma para nosso país. O medo e a ira que provocou foi compreensível, mas em alguns casos levou-nos a agir ao contrário de nossos ideais. Tomamos ações concretas para mudar de curso. Proibi inequivocamente o uso de tortura pelos EUA, e ordenei que a prisão da baía de Guantânamo seja fechada até o início do próximo ano.

Portanto, os EUA defender-se-ão, respeitando a soberania das nações e sob o império da lei. E o faremos em parceria com comunidades muçulmanas que também são ameaçadas. Quanto antes os extremistas sejam isolados e não se sintam bem-vindos nas comunidades muçulmanas, mais rapidamente todos teremos mais segurança.

A segunda melhor fonte de tensão que temos de discutir é a situação entre israelenses, palestinos e o mundo árabe.

Todos conhecem os fortes laços que unem Israel e os EUA. São laços inquebráveis. Baseiam-se em ligações culturais e históricas e no reconhecimento da legitimidade da aspiração do povo judeu a ter uma pátria, aspiração que se baseia na sua trágica história que não pode ser negada.

Em todo o mundo, o povo judeu foi perseguido, e o antissemitismo na Europa culminou num Holocausto sem precedentes. Amanhã visitarei Buchenwald, um dos campos da rede de campos nos quais os judeus foram escravizados, torturados, executados a tiros e em câmaras de gás pelo Terceiro Reich. Seis milhões de judeus foram mortos – mais do que toda a população de judeus de Israel, hoje. Negar esses fatos é pensamento sem fundamento, é ignorância e é manifestação de ódio. Ameaçar Israel de destruição – ou repetir estereótipos vis sobre os judeus – é erro grave e só serve para evocar, na mente dos israelenses suas memórias mais dolorosas, impedindo que haja a paz que o povo daquela região merece.

Por outro lado, é inegável o sofrimento dos palestinos – muçulmanos e cristãos –em busca de uma pátria. Há mais de 60 anos sofrem a dor da deslocação. Muitos esperam em campos de refugiados na Cisjordânia, em Gaza e em terras próximas, por uma vida de paz e segurança que jamais puderam ter. Sofrem humilhações diárias – maiores e menores – resultado da ocupação. Aí tampouco não cabem dúvidas: a situação do povo palestino é intolerável. Os EUA não darão as costas às legítimas aspirações dos palestinos, por dignidade, oportunidades e um Estado seu.

Ao longo de décadas, o impasse permaneceu: dois povos com aspirações legítimas, cada um deles com sua história dolorosa que tornou quase impossível qualquer acordo. É fácil denunciar; os palestinos denunciam os refugiados criados pela fundação de Israel; e os israelenses denunciam a constante hostilidade e os ataques ao longo de sua história, de fora e de dentro de suas fronteiras. Mas se se vê o conflito ou pelos olhos de um, ou pelos olhos de outro, não vemos a verdade: a única solução possível para atender às aspirações dos dois lados é criarem-se dois Estados, nos quais israelenses e palestinos possam viver em paz e em segurança.

Atende aos interesses de Israel e atende aos interesses dos palestinos; atende aos interesses dos EUA e atende aos interesses do mundo. Por isso me aplicarei pessoalmente para chegar a esse resultado, com a paciência que a tarefa exige. Os deveres acordados pelas duas partes no "Mapa do Caminho" são claros. Para que se faça a paz, é tempo de eles – e todos nós – fazermos o que é de nossa responsabilidade.

Os palestinos devem abandonar a violência. Resistência mediante violência e morte é errada e a nada leva. Durante séculos os negros nos EUA sofreram o castigo do chicote como escravos e a humilhação da segregação. E não venceram pela violência, nem foi a violência que lhes trouxe a igualdade de direitos. Foi a insistência pacífica e determinada conforme os ideais que são o centro da fundação dos EUA. O mesmo se pode dizer de outros povos, da África do Sul ao Sul da Ásia; da Europa oriental à Indonésia. É uma história e uma verdade simples: a violência e caminho sem saída. Não é sinal nem de coragem nem de poder, disparar foguetes em quartos onde dormem crianças, ou explodir idosas em ônibus. Assim, nenhuma autoridade moral pode impor-se; assim, de fato, a autoridade moral rende-se.

É tempo de os palestinos focarem-se no que realmente podem construir. A Autoridade Palestina deve desenvolver sua capacidade para governar, com instituições que atendam às necessidades do povo. O Hamás tem apoio de alguns palestinos, mas também tem responsabilidades. Para cumprir seu papel e atender às aspirações dos palestinos, e para unir o povo palestino, o Hamás tem de desistir da violência, reconhecer acordos passados e reconhecer o direito de existência de Israel.

Ao mesmo tempo, os israelenses têm de reconhecer que, assim como não se pode negar o direito à existência de Israel, tampouco se pode negar o direito dos palestinos. Os EUA não aceitam a legitimidade da continuada construção de colônias israelenses. Essas construções violam acordos existentes e minam quaisquer esforços que se faça com vistas à paz. A construção de colônias tem de parar.

Israel deve também cumprir sua obrigação de garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade. Assim como leva devastação às famílias palestinas, a continuada crise humanitária em Gaza não contribui para a segurança de Israel; nem a continuada falta de oportunidades na Cisjordânia. Permitir melhores condições de vida diária para o povo palestino tem de ser parte da via da paz. E Israel deve tomar medidas concretas para tornar possíveis aquelas condições.

Por fim, os Estados árabes devem reconhecer que a Iniciativa da Paz Árabe foi importante primeiro passo, mas não põe fim a todas as responsabilidades. O conflito árabes-Israel não deve continuar a ser usado para distrair a atenção dos povos de nações árabes, de outros problemas. Em vez disso, deve ser causa de ações para ajudar o povo palestino a desenvolver instituições que sustentem um Estado palestino; para reconhecer a legitimidade de Israel; e para escolher o progresso, em vez do foco de autoderrota, do passado.

Os EUA alinharemos nossas políticas ao lado dos que busquem a paz. Diremos em público o que dizemos privadamente aos israelenses, aos palestinos e aos árabes. Não podemos impor a paz. Privadamente, muitos muçulmanos reconhecem que Israel não sairá de lá. Assim também, muitos israelenses reconhecem que é preciso criar um Estado palestino. É tempo de os EUA agirem na direção do que todos sabem que é verdade.

Muitas lágrimas já correram. Muito sangue já foi derramado.. Todos temos a responsabilidade de agir para que chegue o dia em que mães israelenses e palestinas possam ver seus filhos crescer sem medo; quando a Terra Santa das três maiores religiões seja o lugar de paz que Deus quer que sejam; quando Jerusalém seja lar seguro e permanente para judeus, para cristãos e para muçulmanos, e lugar onde todas as crianças de Abraão vivam juntas e em paz, como na história de Isra, quando Moisés, Jesus e Maomé (que a paz esteja com eles) reuniram-se em oração.

A terceira fonte de tensão é o interesse que todos temos quanto aos direitos e responsabilidade das nações, quanto às armas nucleares.

Essa questão tem sido uma fonte de tensão entre os EUA e a República Islâmica do Iran. Por muitos anos, o Iran definiu-se em parte pela oposição ao meu país e há, sim, uma história tormentosa entre nós. No meio da Guerra Fria, os EUA desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito. Desde a revolução islâmica, o Iran desempenha um papel em atos de tomada de reféns e ataques violentos contra soldados e civis norte-americanos. Essa história é bem conhecida. Mais do que nos deixar prender no passado, tenho repetido claramente aos líderes e ao povo iranianos que meu país está preparado para avançar. A questão, hoje, não tem a ver com o que o Iran seja contra, mas tem a ver, sim, com o futuro que o Iran queira construir.

Será difícil superar décadas de desconfiança, mas agiremos com coragem, retidão e determinação. Haverá questões a discutir entre os dois países e estamos dispostos a avançar sem precondições, a partir de mútuo respeito. Mas é claro que, em tudo quanto tenha a ver com armas nucleares, alcançamos um ponto sem volta. Não se trata apenas de defender interesses dos EUA. Trata-se de evitar uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio, que poria essa região do mundo em rota de imenso perigo.

Entendo os que protestam, porque alguns países têm armas nucleares e outros não têm. Nenhuma nação pode escolher e decidir quais nações tenham armas nucleares. Por isso, reafirmei fortemente o compromisso dos EUA com buscar um mundo em que nenhuma nação tenha armas nucleares. E todas as nações – inclusive o Iran – devem ter direito de desenvolver capacidades nucleares para finalidades pacíficas, desde que assumam os direitos e os deveres garantidos pelo Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares. Esse compromisso é o núcleo do Tratado e deve ser obrigatório pra todos que firmem o Tratado. Tenho esperanças que todos os países na Região partilhem esse objetivo.

A quarta questão da qual tratarei é a democracia.

Sei que tem havido controvérsia sobre a promoção da democracia nos anos recentes e muito dessa controvérsia está ligada à guerra no Iraque. Permitam-me ser claro: nenhum sistema ou governo pode ou deve ser imposto por uma nação a outra.

Isso, contudo, não enfraquece o meu compromisso com governos que reflitam o desejo popular. Cada nação dá vida a esse princípio à sua maneira, enraizado nas tradições de seu povo. Os EUA não têm a pretensão de saber o que é melhor para todos, tanto quanto não têm a pretensão de alterar o resultado de eleições pacíficas. Mas eu creio profunda e inabalavelmente que todos os povos anseiam por algumas coisas: a capacidade de se manifestar e de ter voz sobre como cada um é governado; confiança na lei e na justa administração da justiça; governo transparente que não roube o povo; liberdade para viver como se escolha viver. Não são só ideias norte-americanos: esses são direitos humanos, e, por isso, os EUA os apoiarão sempre, em todos os lugares.

Não há caminho simples para cumprir essa promessa. Mas há, de claro, o seguinte: governos que protejam esses direitos acabam sempre por ser mais estáveis, mais bem-sucedidos e a oferecer melhor segurança. Suprimir ideias jamais conseguiu fazê-las desaparecer. Os EUA respeitam o direito de todas as vozes pacíficas e respeitadoras da lei que se façam ouvir em todo o mundo, ainda que discordem delas. E acolheremos todos os governos eleitos e pacíficos – sempre que governem com respeito a todo o povo.

Esse último ponto é importante porque há os que defendem a democracia só enquanto estejam longe do poder; uma vez chegados ao poder, tornam-se cruéis opressores dos direitos de outros. Não importa onde seja, o governo do povo e pelo povo é padrão simples para todos os que cheguem ao poder: é indispensável manter o poder pelo consenso, não pela coerção; é indispensável respeitar os direitos das minorias, e participar, com espírito de tolerância e respeito aos acordos; é indispensável pôr o interesse do povo e os resultados legítimos do processo político acima do partido de cada um. Sem esses ingredientes, só eleições não bastam para produzir verdadeira democracia.

A quinta questão de que devo falar também é a liberdade de religião.

O Islam tem honrada tradição de tolerância. Vemos na história da Andaluzia e de Córdoba, durante a Inquisição. Vi em primeira mão, criança na Indonésia, onde cristãos devotos gozam de liberdade de culta em país predominantemente muçulmano. Precisamos desse espírito, hoje. Todos, em todos os países, devem ser livres para escolher e viver a própria fé, por persuasão de mente, coração e alma. Essa tolerância é essencial para que as religiões floresçam, tanto quanto é ameaçada por muitos e diferentes modos.

Entre os muçulmanos, há uma perturbadora tendência a avaliar a própria fé pela rejeição de outras fés. A riqueza da diversidade religiosa deve ser defendida – seja para os maronitas no Líbano ou os coptas no Egito. Devem-se costurar as fraturas também entre os muçulmanos; as divisões entre sunitas e a Xia já levaram a muito trágica violência, sobretudo no Iraque.

A liberdade de religião é central para que os povos consigam viver juntos, Devemos sempre examinar os modos mediante os quais protegemos a liberdade de religião. Nos EUA, por exemplo, regras sobre doações para finalidades religiosas tornaram difícil, para muitos muçulmanos, cumprir algumas de suas obrigações. Por isso comprometi-me a trabalhar ao lado dos muçulmanos norte-americanos, para que possam cumprir o dever de pagar o zakat.

Assim também, é importante que os países ocidentais evitem impedimentos para que os cidadãos muçulmanos pratiquem a religião como decidam praticá-la – por exemplo, tentando determinar o tipo de roupa a ser usado pelas mulheres muçulmanas. Impossível não ver que há hostilidade disfarçada contra algumas religiões, por trás dessa máscara de liberalismo.

A religião deve, sempre, nos unir, todos. Por isso, estamos preparando projetos públicos para aproximar cristãos, muçulmanos e judeus. Por isso acolhemos com alegria os esforços do rei Abdullah da Arábia Saudita, de seu diálogo entre várias religiões e a liderança da Turquia na Aliança das Civilizações. Em todo o mundo, temos de converter os diálogos em ações de aproximação entre as várias religiões, para, assim construir pontes que levem os povos à ação conjunta – seja para combater a malária na África, seja nos momentos de catástrofes naturais.

A sexta questão sobre a qual quero falar são os direitos das mulheres.

Sei que há muito debate sobre essa questão. Rejeito o ponto de vista de alguns no ocidente, de que a mulher que escolha cobrir os cabelos seria de algum modo menos igual às demais mulheres, mas também creio que se se nega educação às mulheres se lhes sonega direitos de igualdade. Não por acaso, os países em que as mulheres têm acesso a plena educação têm mais probabilidades de alcançar a prosperidade.

Quero aqui ser bem claro: a igualdade para as mulheres não é questão e objeto de discussão, nem é problema, só para o Islam. Na Turquia, no Paquistão, em Bangladesh e na Indonésia, vimos países com maioria de muçulmanos elegerem mulheres para postos de liderança. Ao mesmo tempo, prossegue a luta por direitos iguais para as mulheres em muitos campos da vida nos EUA e em vários outros países do mundo.

Nossas filhas podem contribuiu tanto, para a sociedade, quanto nossos filhos, e nossa prosperidade comum só aumentará de houver condições para que todos – homens e mulheres – alcancem seu pleno potencial. Não acho que as mulheres devem fazer as mesmas escolhas que os homens para serem iguais, e respeito as mulheres que escolham viver suas vidas nos papeis tradicionais femininos. Mas tem de ser escolha das mulheres. Por isso, os EUA trabalharão como parceiros de qualquer país de maioria muçulmana para apoiar a expansão da alfabetização para meninas, para estimular que as jovens trabalhem mediante microfinanciamentos que ajudem as pessoas a realizar seus sonhos.

Por fim, quero discutir desenvolvimento econômico e oportunidade.

Sei que, para muitos, a face da globalização é contraditória. A internet e a televisão podem trazer conhecimento e informação, mas também sexualidade ofensiva e violência a mais absurda. O comércio pode trazer riqueza e oportunidades, mas também enormes rupturas e mudanças nas comunidades. Em todas as nação, também na minha, essa mudança pode provocar medo. Medo de que, por causa da modernidade, percamos o controle sobre nossas escolhas econômicas, nossas políticas e, mais importante, sobre nossa identidade – tudo o que mais prezamos nas nossas comunidades, nossas famílias, nossas tradições e nossa fé.

Mas também sei que não se pode negar o progresso humano. Não tem de haver contradição entre desenvolvimento e tradição. Países como o Japão e a Coreia do Sul viram suas economias crescerem, sem deixar de manter culturas distintas. O mesmo vale para o espantoso progresso de países de maioria muçulmana, de Kuala Lumpur a Dubai. Em tempos antigos e nos nossos tempos, sempre houve e há comunidades muçulmanas da linha de frente da inovação e da educação.

É importante, porque nenhuma estratégia de desenvolvimento pode ser baseada apenas no que vem da terra, nem será sustentável se os mais jovens não encontrarem empregos. Muitos Estados do Golfo gozaram de grande prosperidade por causa do petróleo, e alguns estão começando a focar-se em desenvolvimento mais amplo . Mas todos temos de reconhecer que educação e inovação serão a moeda de troca do século 21, e ainda há muitas comunidades muçulmanas nas quais o subdesenvolvimento ainda predomina nessas áreas. Estou reforçando esses investimentos nos EUA. E, se os EUA, no passado, visaram prioritariamente o petróleo e o gás nessa parte do mundo, agora buscamos engajamento mais amplo.

Na educação, expandiremos programas de intercâmbio, aumentaremos as bolsas de estudo, semelhantes às que levaram meu pai aos EUA, ao mesmo tempo em que estimularemos que mais norte-americanos estudem em comunidades muçulmanas. Haverá bolsas para estudantes muçulmanos promissores, para que prossigam seus estudos nos EUA; investiremos em formação à distância para professores e crianças em todo o mundo; e criaremos uma nova rede online, de modo que um adolescente no Kansas possa comunicar-se instantaneamente com um adolescente no Cairo.

Para o desenvolvimento econômico, criaremos um novo corpo, no mundo dos negócios, para os que queiram encontrar parceiros nos países de maioria muçulmana. Participarei de um encontro de cúpula sobre empreendedorismo, esse ano, para encontrarmos meios para aprofundar laços entre líderes empreendedores, fundações e empreendedores do campo social nos EUA e em comunidades muçulmanas em todo o mundo.

No campo da ciência e da tecnologia, lançaremos um novo fundo para apoiar o desenvolvimento tecnológico em países de maioria muçulmana, e para levar idéias ao mercado, porque assim se criam empregos. Abriremos novos centros de produção científica de excelência na África, no Oriente Médio e no sudeste da Ásia e indicaremos novos enviados especialistas em ciências para que colaborem em programas para desenvolver fontes alternativas de energia, criar empregos 'verdes', digitalizar dados e informações, reciclar resíduos e aumentar colheitas. E hoje estou anunciando um novo esforço global com a Organisation of the Islamic Conference para erradicar a pólio. Também estamos expandindo as parcerias com comunidades islâmicas para promover a atenção médica à saúde maternal e neonatal.

Todas essas iniciativas devem ser implementadas em parcerias. Os norte-americanos estão preparados para reunir-se aos demais cidadãos e demais governos; às organizações comunitárias, aos líderes religiosos, aos homens de negócio nas comunidades muçulmanas em todo o mundo, para ajudar nosso povo a alcançar uma vida melhor.

Nenhuma das questões que descrevi são fáceis de resolver. Mas é nossa responsabilidade nos reunirmos em nome do mundo que buscamos – um mundo no qual os extremistas não ameacem nosso povo; que os soldados norte-americanos estejam de volta à casa; um mundo no qual israelenses e palestinos, cada um vivam seguros em seu próprio Estado, e a energia nuclear seja usada para finalidades pacíficas; um mundo no qual os governos sirvam aos cidadãos e os direitos de todos os filhos de Deus sejam respeitados. Esses são interesses mútuos. Esse é o mundo que buscamos. Mas só o poderemos alcançar juntos.

Sei que há muitos – muçulmanos e não-muçulmanos – que questionam se poderemos forjar esse novo começo. Uns anseiam por fazer subir as chamas da divisão e pôr-se como obstáculo no caminho do progresso. Outros sugerem que o esforço não vale a pena – que estamos condenados à dissensão, e as civilizações fatalmente entrarão em choque. Muitos mais são simplesmente céticos, não crêem que possa ocorrer qualquer mudança real. Há tanto medo, tanta desconfiança. Mas se escolhermos nos deixar prender no passado, jamais andaremos adiante. Quero dizer, sobretudo aos mais jovens de todas as fés, em todos os países – vocês, mais do que quaisquer outros, podem refazer esse mundo.

Todos partilhamos esse mundo, apenas por pequena fatia de tempo. A questão é se consumiremos esse tempo dedicados ao que nos mantém separados, ou se nos comprometeremos num esforço – um esforço sustentando – para encontrar base comum a todos, para nos focar no futuro que buscamos para nossos filhos, respeitando a dignidade de todos os seres humanos.

É mais fácil começar guerras do que pôr-lhes ponto final. Mais fácil culpar os outros, do que olhar para dentro; ver o que é diferente, em alguém, do que ver o que temos em comum. Mas temos de escolher o caminho certo, não apenas o caminho mais fácil. Há regra que rege, no coração de todas as religiões – que façamos aos outros, como queremos que nos façam a nós. Essa verdade transcende nações e povos – uma crença que não é nova; que não é nem branca nem negra nem mulata; que não é cristã, muçulmana ou judia. Uma crença que pulsava no berço da civilização, e que ainda pulsa no coração de bilhões. É uma fé em outro povo, e é o que me trouxe hoje aqui.

Temos o poder para fazer o mundo que buscamos, mas só se tivermos coragem para produzir um novo começo, sem perder de vista o que está escrito.

O Santo Corão nos diz: "O humanidade! Homem e mulher te criamos; e em nações e tribos, para que se conheçam uns os outros."

O Talmud nos diz: "Toda a Torá promove a paz."

A Bíblia Sagrada nos diz: "Abençoados os que fazem a paz, pois serão chamados filhos de Deus."

Os povos do mundo podem viver juntos em paz. Essa é a visão de Deus. Agora, esse tem de ser nosso trabalho aqui na Terra. Obrigado. Que a paz de Deus esteja com vocês.


[1] Em árabe, no orig.: "Que a paz esteja contigo".

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